"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

EU NÃO QUERO SER UNÂNIME...


Este final de semana foi bombástico! Nada é mais desolador de que um hospital às 18:30 de uma sexta-feira, mesmo quando se trata do Hospital das Clinicas de SP. O taxista que deveria levar-me até o Instituto de Psiquiatria deixou-me em frente ao Cemitério do Araçá. Quê vizinhança estranha, sugestiva e macabra a dessas duas "instituições"... Fui ziguezagueando por entre clínicas das mais estapafúrdias especialidades, desci por escadas e um elevador com duas macas vazias, atravessei dois estacionamentos, cruzei com homens e mulheres de branco, mudos e descompassados sob o peso imbatível da solidão clínica e quando cheguei ao meu destino a frase: Atualizações em psicopatologia já estava projetada na parede. Rever! Rever! Rever! No mundo do esoterismo e da psicopatologia é necessário passar a vida inteira revendo... Nada poderia ser mais silencioso do que aquele ambiente, naquele momento, apesar de estarem internados ali mais de uma centena de pacientes... Quê deveriam estar fazendo, naquela hora, em suas celas?
Uma metrópole com quase vinte milhões de habitantes está sempre cheia de novidades, bizarrices, crimes, guerras entre mafiosos, desonras... Além das aventuras da ilustre senhora do escritório da Presidência da República, da entrevista que o monsieur Fux deu à Folha e do papo bem octogenário do FHC publicado em outro jornal, também houve uma série de homicídios lá na periferia brasiliense que foi de tirar o fôlego e até mesmo o chapéu...
Anotem: um sujeito foi assassinado em Santa Maria; no Recanto das Emas um outro levou vários tiros na cabeça; na Favela da Estrutural o morto levou várias facadas. No Jardim Ingá, um sujeito de 20 anos foi assassinado na porta de casa; um outro, também com menos de trinta anos morreu apedrejado; na Vila Buritis um cara foi morto a bala e no famoso Paranoá, na frente de um boteco, um sujeito foi crivado de balas. Quer mais? Em Águas Lindas (que só tem horrores e insalubridade) aconteceu um tiroteio que resultou em dois cadáveres e quatro baleados... Isto, sem contar os corpos que só vão aparecer daqui a uns meses, quando os cachorros já tenham banqueteado o que lhes interessa... 
E você aí, seu cretino, com uma cruz de palmo e meio no pescoço enchendo o freezer com peito de peru e com pernil de suínos!!!???
Nem o otimista mais empedernido consegue vislumbrar algum vestígio de transcendência... Como escreveu P. Nizan: "É terrível ser uma bússola enlouquecida pela tempestade ou uma aurora boreal vagando pelos pontos cardeais em uma escuridão atravessada por repiques, fogos, gritos, onde a loucura faz a festa e mostra pelo canto das ruas sua face jovial"...

2 comentários:

  1. Caro Èzio, a violência está presente em todos os lugares, e sabemos que não é algo "novo", ao contrãrio, vide a época dos Bárbaros... Comparando-se a alguns milênios de anos atrás, dizem, que apesar de todas as guerras, a raça humana está evoluindo, só não sei em que sentido, porque ao que me parece, houve apenas uma "camuflagem" dos fatos - os que eram mortos em praça pública, hoje morrem nas ruas, becos e vielas, e sem público para aplaudir...Lembro-me que quando eu trabalhei em Brasília, e recusei participar dos "esquemas" do governo, eu sofri várias ameaças, e uma tentativa de homicídio, em Vila Planalto, na época em que Vila Planalto era uma simples vila de trabalhadores. Um ex-fuzileiro, como ele se apresentava, foi contratado para me matar, mas por força do destino, aquela figura excêntrica, tomou um porre de cachaça, e o efeito etílico fez surgir um sentimento "nobre" no pistoleiro, que além de desistir de me matar, pediu-me para pagar-lhe mais umas "branquinhas", e entregou todos os que o contrataram. Aproveitei a oportunidade para tentar entender o que faz alguém ter aquele tipo de "trabalho", e o que poderia ter transformado aquele homem em um dejeto humano, e concluí que ele não tinha mais vida, por isso era tão fácil tirar a vida de outros... Posso dizer que naquela noite eu andei sobre o fio de uma navalha, porque até a hora em que aquele "indivíduo" foi embora, eu não sabia se sairia daquele lugar com vida... Como ele me campanou por vários dias, e conhecia todos os meus passos, no dia seguinte ele me abordou no estacionamento, e pediu para que eu ficasse em "silêncio", e disse-me que eu merecia viver porque eu era diferente da corja para quem ele trabalhava... Bem, fui salva por um resquício de sensatez de um psicopata...

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  2. (continuação do comentário anterior)
    Se um pistoleiro, um sujeito marginalizado, sem nenhum discernimento e valor, percebeu que eu era uma pessoa boa e íntegra (como ele mesmo colocou), como pode os grandes: intelectuais, empresários, psicólogos, políticos, sindicalistas, petroleiros, engenheiros, e até mesmo os militares (novos) e povo "inteligente" acharem que eu sou uma ameaça para alguém? A não ser que haja algum outro "interesse" por trás dessa perseguição? Ou seja, quem está ganhando em me manter no "exílio" não tem interessa que a verdade seja esclarecida...

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