"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cansou do Bolero de Ravel? Vá para as chatices do defunto Ravi Shankar...

Para quem sempre viu o Estado como a mais irresponsável e a mais grave das perversões civilizatórias, assistir a guerra que vem sendo travada entre nosso simulacro de “esquerda" e nosso simulacro de “direita" está sendo um verdadeiro show... Golpes pra cá e golpes pra lá! Corrupção pra cá e corrupção pra lá! Mentiras! Mau caráter! A desonra por detrás das pupilas... A metade da mídia militando por um bando, a outra metade para o outro bando... Uns sobrevivendo da publicidade estatal, outros da publicidade empresarial... A metade da trupe católica apoiando uma ala, a outra metade apoiando a outra ala, da mesmíssima maneira que fizeram durante as décadas da ditadura militar, quando uns padres confessavam os assassinos enquanto os outros consolavam as viúvas... Advogados bandidos que defendem uma banda, bandidos advogados que defendem a outra banda... Um bloco dos evangélicos atiça os fiéis contra os governantes de turno, enquanto outro lhes dedica rezas e com eles divide o dízimo, o altar e o trono. Oxalá um dos bandos valesse alguma coisa!!! Megeras nas sombras de cá e megeras nas sombras de lá... Uns banqueiros mantém com dinheiro sujo o Instituto X, outros banqueiros pagam, com dinheiro tão sujo quanto, as despesas do Instituto Y... Uma turma apoia Israel, outra turma apoia a palestina...  e tudo feito como se, na realidade, se buscasse uma ética ou um lugar ideal (além do poder e dos cofres públicos) para se aportar... e como se as indecências, putarias e canalhices de hoje não estivessem enraizadas e cristalizadas historicamente até nas entranhas mais profundas deste rincón sulamericano... e como se os crápulas de ontem não tivessem deixado também a marca de suas garras por onde passaram... Se rastreássemos a vida, e principalmente os bolsos dos ex-governantes dos últimos cem anos, bem como de seus respectivos familiares e lacaios, ficaríamos abismados e estarrecidos com tanta rapinagem e com tamanha bandidagem... E o mais cômico, é que quando os papagaios da mídia se referem a “bairro nobre” ou a “classe alta” é sempre a essa buona gente que estão se referindo... 
Mas esse é um papo neurótico de classe média intelectualóide, não é verdade? O populacho, depois de séculos de indigência e de chicote, nem toma conhecimento dessa história... está barrigudinho e feliz da vida com sua geladeira repleta de porcarias e com seus três celulares, um da Tim, um da Oí, e outro da Vivo... Com o décimo terceiro salário já programou adquirir também um da Claro... 
-------------------------------------------------------------------------
Obs: Enquanto isso... para quem já enjoou do Bolero de Ravel, que tal ouvir as chatices do defunto Ravi Shankar!?


Nenhum comentário:

Postar um comentário