"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 13 de março de 2010

POBRES NOCHES DE RONDA...

As noites de Brasília ainda não são como as de Sodoma e Gomorra, mas quase. Já são visivelmente férteis em perversidades. Os bares palpitam. Três ou quatro em cada esquina. Bocas de fumo, reuniões secretas, homicídios encomendados, festas de arromba, inferninhos, cassinos, gerontofilia, espias do Estado e espias das quadrilhas, negócios da China, rituais macabros, missas negras, várias legiões de sodomitas e de niilistas... Lá vem um vendedor de livros por entre as mesas, outro que negocia incensos, rosas, panos de prato, baseados. Uma menina transporta um cesto com chocolates, outra exibe anéis, outros desenham mapas astrais para os boêmios ali mesmo entre as pilhas de garrafas... Uma ida ao banheiro para cheirar um pó. A lua ausente, uma música de fundo, os joelhos de um crápula enfiados entre as coxas de uma funcionária pública e os garçons que riem de duas meninas que se mordiscam as orelhas e de dois bigodudos que aparecem euforicos e vestidos de colombina... Alguém pensou em falar do PIB e acabou falando inadvertidamente do PUBIS. Aliás, o PIB já alterou alguma vez a sua vida? Viva o vandalismo econômico e aritmético de nossos bandidos! E nos arredores do Plano Piloto as chacinas continuam em alta. Essa será a sina dessa gente? Ninguém está disposto a pinçar uma por uma as mentiras de dentro de si? Mas há novidades: uma nova lei sobre gorjetas, eis aí a legalização de uma fraude. Eis aí a semente da propina, dos 10% que levaram o Arruda para o xilindró... A madrugada começa engatinhar e há muita gente bêbada com o suicídio estampado nas faces. Se passasse por ali, Chamfort resmungaria com desprezo: “são pobres que ficaram ricos mendigando...”

http://www.youtube.com/watch?v=y73_l1CZ15k&feature=related

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