segunda-feira, 30 de março de 2026

A proibição da missa na Igreja do Santo Sepulcro... e a cristandade em fúria contra Netanyahu...

 


[... De certo ponto em diante não há mais como voltar, esse é o ponto que deve ser alcançado...]
F. Kafka
(Citado por Paul Bowles, IN: Que venha a tempestade, p. 10)







Como todo mundo já leu nos jornais, viu nas televisões, ouviu nos botecos e nos sermões de ontem, o Netanyahu (num dia de intensos bombardeios), proibiu que o cardeal Pierbattista Pizzaballa (que nome!?) rezasse a missa do Domingo de Ramos, na Igreja do Santo Sepulcro, lá em Jerusalém. E isso causou e está causando um terremoto nas paróquias, nas sacristias, entre os coroinhas e as beatas do universo cristão inteiro. Mesmo aqueles que assistiram indiferentes e calados, durante meses, os bombardeios de Israel contra Gaza, agora estão injuriados, indignados e resmungam: Isto é uma heresia! Uma provocação! Um pecado capital! Um ato do anticristo! Deus não aceitará as rezas daqueles que fazem guerra, veio proferir em  público o papa peruano.

Como se vê, tanto o enriquecimento de urânio como as fontes de petróleo parecem ser apenas pretextos e que o que está verdadeiramente em jogo, na essência dessa guerra animista, estúpida e sanguinária dos EEUU e de Israel contra o Irã, é a religião e a fé. Um conflito  mais bem para decidir o verdadeiro status e a verdadeira identidade do demiurgo/arquitecto que, por descuido, teria engendrado esse pobre hospício... e questa, como diria minha bisavó, povera gente...












DA FELICIDADE. Mais um grego... cacarejando sobre essa ilusão...

 





















 

domingo, 29 de março de 2026

VÁRIAS... Da guerra & da misoginia...





1. Sem dar um pio e na maior passividade, o país inteiro assistiu ao patético e vibrante espetáculo da CPMI do INSS e todo aquele blá blá blá, em um começo de noite, transformar-se em cinzas. Como explicar? Será que é porque - como dizia o pai do Xico Buarque de Holanda - somos um rebanho cordial? Seja por isto ou por outras razões, a verdade é que os velhinhos que foram esfolados seguem por aí, tontos, gastando suas aposentadorias em farmácias, comprando sua losartana em prestações, falando sozinhos, jogando dominó nas paradas de taxi e ziguezagueando no meio de toda essa farsa, e ainda esperançosos com os chocolates da sexta-feira da paixão... 

2. No Irã, Estados Unidos e Israel depois de terem explodido uma escola primária e matado a uma centena de alunos, agora bombardearam duas das principais universidades de Teerã. Está cada vez mais evidente qual sempre foi e é o objetivo do imperialismo e do colonialismo. O Irã, com razão, exige que os agressores, no mínimo, se desculpem, caso contrário, acionarão seus mísseis e detonarão sete ou oito instituições de ensino gringas espalhadas pelo Golfo Pérsico. E assim, o planeta voltará mais rápido ainda para a Idade da Pedra Lascada...

3. Mas, a maior aberração dos últimos dias e tempos é a lei que, em parte, já foi aprovada, a respeito da misoginia. É importante que as mulheres se voltem imediatamente contra essa insanidade, se não quiserem ser acusadas de estar colaborando com um desvario e uma solidão ainda maior do que a que já conhecem, tanto para seus companheiros como para si mesmas. É inacreditável que alguém - com seu desejo e seu gozo em dia -, tenha idealizado essa barbaridade que, além de lotar caoticamente as cadeias, transformará a mulher numa espécie de alcaguete subnormal e num ser abominável. Qual é o homem que conseguirá relacionar-se de forma natural com elas? E não apenas amorosa mas inclusive, amigavelmente, a não ser os tartufos e as outras mulheres? A propósito, será que estamos diante de um projeto tirano, opressor e universalizador da homossexualidade? Tudo bem, mas qualquer um sabe que a misoginia, ao invés de ser um transtorno maldito e exclusivamente masculino, às vezes, entre elas, é até igual ou maior que entre o dos homens. Sem falar da misoginia que saltita de uma página a outra da Bíblia e de outros livros sagrados (inclusive no Popol Vuh). Deem uma olhadinha nos discursos vingativos do tal Paulo. Irão censurá-lo e prendê-lo? E a Bíblia, será confiscada ou reescrita? 

De onde teria surgido essa ideia de jerico? Essa desconfiança, essa repressão sexual e esse ódio pelos genitais entre aqueles que, pelo contrário, poderiam estabelecer entre si uma cumplicidade, até subversiva, diante das balelas e dos horrores da existência?

A velhinha armênia, por exemplo, sempre que me encontra gosta de previnir-me: Bazzo, não esqueça que quando duas mulheres estão rezando, o fazem sempre implorando pela desgraça de uma terceira.

https://www12.senado.leg.br/institucional/procuradoria/noticias/senado-aprova-criminalizacao-da-misoginia


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

E Brasília continua uma festa (parte 2)



Nesta primeira sexta-feira de outono, voltei a ler a reportagem que me foi enviada ontem, tratando do affair entre um deputado, sua assessora e uma mulher das chamadas "de programa" ocorrido na noite passada ali na beira do lago, num dos restaurantes que a mídia, não sei se por sarcasmo ou por ironia, costuma chamar de zona nobre.

Pois bem: nesta releitura percebi que não apenas a palavra "laceada", dita pela assessora do deputado, merece uma tradução, mas também o adjetivo "baranga", usado pelo distinto parlamentar, ambas contra a puta.

Voltei ao Aurélio que, na página 230, um pouco antes de barangandã, dá a seguinte definição: (baranga - de má qualidade; de pouco ou nenhum valor).

Além disso outros trechos da matéria, que ontem me passaram desapercebidos, agora, me parecem relevantes. Por exemplo: o fato de ter sido a assessora do parlamentar a acusar aquela fulana de ser uma puta de "buceta laceada". Mas então, o tamanho e o laceado importam, inclusive para elas? Um trecho do vídeo que é espetacular, é quando, no meio da discussão salarial, se pode ouvir a assessora, em defesa de seu chefe, dizendo à suposta puta: O que você está fazendo aqui? Se não quer dar, pegue sua bucetinha e vá embora. (Bucetinha? Mas não era laceada?)

Segundo dizem, o parlamentar, em outras ocasiões (especulando sobre a prostituição) afirmava que aquilo que as mulheres não têm em casa, vão buscar na rua. Tudo bem, pode até ser verossímil, mas estaria ele se referindo a sexo ou a dinheiro?  Ou às duas coisas juntas? Ou, quem sabe, até a Engels, (o amigo de K. Marx) quando ele afirmava que a diferença entre a puta e a esposa é que uma se paga por instantes e a outra por toda a vida?

O Mendigo K, que habita sob um viaduto, com sua esposa e filhos, não muito longe do Palácio do Governo, e que circula à noite por uma região perigosa onde as mulheres não cobram mais do que 70 reais, estava abismado com o preço da tal laceada, que, segundo as notícias, ia de 1000 a três mil por umas horas. Antes de sair do boteco onde nos encontramos, fez questão de, em defesa de todas as putas do mundo, recitar este trecho, do filosofo romeno: "Carecer de convicções a respeito dos homens e de si mesmo, esse é o elevado ensinamento da prostituição, essa academia ambulante de lucidez, à margem da sociedade como a filosofia..."

Enfim, essa noite ficará para sempre na história e no imaginário de Brasília.

E como estamos no outono, o afiador de facas passou lá embaixo, com suas tralhas e seu chapéu, assobiando uma canção dos puteiros andinos:


 










quinta-feira, 26 de março de 2026

E Brasília continua uma festa! Mas por que o Aurélio não deu importância à palavra laceada???




Minha correspondente acaba de enviar-me a notícia publicada num jornal local sobre um conflito acontecido ontem à noite aqui na cidade, (num dos tais bairros nobres????) entre um deputado federal, sua assessora e uma 'profissional do sexo'.

Tudo teria acontecido num desses restaurantes onde por 7 centímetros de carne, uma colher de purê e meia cenoura se tem que pagar 480 reais. Diz a notícia que o deputado, abordou uma dessas prostitutas chiques que, nas noites de quarta-feira, adoram ciscar ao redor dos três poderes e que estava caçando por lá. Minutos depois da abordagem do excelentíssimo parlamentar, por questões de preço, surgiu um conflito entre eles. Uma ida à alcova com aquela beldade flutuava entre 1000 e 3000 reais. Como o Dom Juan entendeu que havia plusvalia demais naquele valor, já que o STF, horas antes, havia cortado parte dos penduricalhos, e como a moça se mantinha resiliente, não demorou muito para que a discussão saísse de controle, com ela o mandando 'arrumar os dentes', e ele a chamando de baranga.

Até aí, + ou - normal.

Mas, com a discussão se prolongando e saindo de controle, a assessora achou conveniente intervir, primeiro, lançando um copo de cerveja na tal 'pistoleira' e, em seguida, indignada, acossando a seu chefe: Deputado, você vai seguir perdendo tempo com puta? De buceta laceada?

A polícia apareceu, etc, etc, etc.

Buceta laceada!? Laceada? Que bizarro! Nunca me deparei com uma frase tão impactante destas. Corri ao dicionário. Nada! Exatamente na página 1000, do Aurélio, pode-se ver: 

- laceira, 

-laceração, -

-lacedemônio, -

-lacerante, 

- lacha, e até lacerdinha, mas nenhuma menção a laceada.

Apelei para a IA e para o google: laceada, - diz o Google - é o particípio do verbo lacear. Palavra que antigamente se usava para referir-se a algo que havia recebido laços. E que agora, na pós modernidade, se usa para designar, vestimentas, sapatos, roupas, chapéus e etc, que com o uso foi se alargando e se afrouxando...

Ah, bom! 

Quem é que não gostaria de ter uma assessora dessas?








A gente não quer só comida...




E o assunto da obesidade, da bariátrica, das feijoadas e da milagrosa caneta emagrecedora não sai de pauta. Agora, até os petits et admirables voleurs estão organizando assaltos seletivos nas farmácias. Se antes iam diretos para  as prateleiras do viagra, agora só querem saber das tais canetas emagrecedoras. Isto porque as clientes estão ansiosas e à espera do produto na volta das esquinas... E a euforia vai dos nutricionistas, aos bariatrinistas, aos especialistas da ANVISA e de diversas outras áreas... de donos de laboratórios à multinacionais; de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e donos de academias, a cirurgiões plásticos e a influencers, tipos que se revezam nas salas de redação dos jornais dando lições de como interromper a engorda. Negócios! Business! Sorte que a matéria prima não depende do Estreito de Ormuz. E que em breve estarão também no SUS, e de graça. E sobre o custo/benefício? Sim, há efeitos colaterais - dizem - mas os lucros e os benefícios são enormes. Não pensem que se trata de gordofobia! A estética é tudo. E há contrabando. Nas fronteiras com o Paraguay duplicaram o policiamento, porque os sacoleiros migraram da maconha e da cocaína para as canetas e porque os contrabandistas começam a ser vistos quase como endocrinologistas ou nutrólogos. Emagrecer! Mas sem perder o charme e o apetite, sem abandonar a compulsão, nem as feijoadas, as macarronadas, o pasto, o suflê recém saído do forno, os pudins, as pizzas... os arrotos, as paneladas... O sedentarismo, a preguiça, la siesta e o tédio... Sem perder a cumplicidade com o garfo. Os restaurantes. As comemorações, as ceias. A ansiedade. A comida como se fosse uma espécie de clonazepam vegano. Ah! Como admiramos os romanos que iam vomitar no banheiro para poder seguir comendo. Teriam sido eles os ideólogos da bulimia? Ao contrário do que diziam os Titãs: a gente só quer comida! Ingerir, lamber os lábios, palitar os dentes, digerir e em seguida livrar-se do material digerido... E nem lembrar que cada um de nós já devorou em vida, até agora, pelo menos, duas ou três vacas, uns vinte porcos, uns 120 frangos, umas patas de jacaré e sabe-se lá quantas tilápias... Ah! As toaletes! Ir aos pés (diziam nossas avós). Sempre que falo sobre este assunto volto compulsivamente ao Gog de Giovani Papini: "A existência dos comedores públicos é a prova máxima de que o homem ainda não saiu da sua fase animalesca. Esta falta de vergonha, até nos que se julgam nobres, requintados e espirituais, espanta-me. O fato da mente humana não haver ainda associado a manducação e a defecação, demonstra a nossa grosseira insensibilidade..."














quarta-feira, 25 de março de 2026

"PRISÃO DOMICILIAR HUMANITÁRIA..." (!??) Imaginem então, se se tratasse de uma prisão DESUMANA!!! O surrealismo é inacreditável...


"Méprisable farceur, ton théâtre est bien chancelant, fondé sur l'absurdité des nations de la terre"

Marquez de SADE





Transferiram um homem com mais de 60 anos, ainda com marcas de uma punhalada nas tripas e com uma pneumonia mal curada, para uma prisão que o judiciário e toda a mídia descrevem como "domiciliar HUMANITÁRIA". Inacreditável! Existirá? Alguém, na história desse manicômio (que é o mundo), já teve noticias de alguma prisão humanitária? Ora, seja ela numa das penitenciárias clássicas, numa cadeia de fundo de quintal, num shangrilá (escondido no meio das montanhas do Himalaia), num Spa ou num eremitério de freiras, será sempre e sempre um artifício sádico, um cárcere, um hospício, um claustro, uma prisão, um signo do fracasso, da solidão, da excrescência, do mau caráter e da vergonha da humanidade... 

E, no caso do preso em questão, além da argola no tornozelo, as restrições que lhe foram impostas são quase cômicas: estará expressamente proibido de quase tudo, inclusive de receber visitas (a não ser as de seus carcereiros e a de seus advogados), sob o argumento irônico e sarcástico de evitar contaminações... 

Como o preso tem mais de 60 anos, poderiam tê-lo proibido também de tomar um chá de artemísia antes de deitar-se, de mijar durante a noite e principalmente pela manhã, ao saltar da cama, quando a demanda e a urgência (todos os velhotes sabem) é incontrolável. 

Independente dos crimes cometidos pelo preso, (seja ele um adolescente ou um ancião, um magnata ou um pastor de ovelhas), a prisão é sempre a expressão de uma política vingativa e quase infantil, uma variante do mesmo horror (humanitário) que era praticado naqueles mundos e tempos selvagens que nos precederam e que nos faz lembrar que o Estado continua sendo provedor e  executor da narco ideologia que tanto se fala e o monstro descrito por Nietzsche. Ah! Duvido que exista alguém (minimamente saudável) que não esteja envergonhado diante desse desvario, uma vez que, nem Sade, (o autor de 120 dias de Sodoma), preso na Bastille, foi tão humilhado! E vergonha, não apenas por este preso, mas pelos 700 mil enjaulados Brasil afora, grande parte sem julgamento e por mera vingança. Vergonha,  inclusive, pelos milhões de "esposas" e donas de casa que permanecem durante décadas encarceradas em seus 'lares' no mais absoluto sigilo, edificando seu mundinho esquizoide... 

Enfim, sem ter que relembrar que o mundo, em si, já é uma imensa penitenciária e +, que algumas seitas delirantes ainda seguem por aí ameaçando o rebanho com as labaredas do inferno... é prudente seguir  rezando (de preferência de quatro) para que, pelo menos, trate-se de um INFERNO HUMANITÁRIO, de verdade.


 













segunda-feira, 23 de março de 2026

Excelente discurso do Lula no Fórum CELAC-África, viraliza planeta afora...


[... Neste plenário, todo mundo tem experiência de que seu país já teve seu ouro, sua prata, seus diamantes e seus minérios, saqueados.
Depois de levarem tudo o que a gente tinha, agora eles querem ser donos dos Minérios Críticos e das Terras Raras que nós temos. Esta é a chance da Bolivia, da África e da América Latina - se não quisermos ser novamente colonizados - de nos negarmos a continuar sendo meros exportadores de minerais para eles...]






















Nesta manhã (dizem), o Irã acertou a estrutura atômica de Israel (Dimona). E agora? Como poderão respirar aqueles que vivem a favor do vento? A ida al carajo se aproxima?




























domingo, 22 de março de 2026

Enquanto você fica aí, reacionária e miseravelmente diante dos espelhos, assistindo ao Big Brother e coçando o traseiro... Uma entrevista fundamental...





















Das idiotices da guerra e das idiotices de fé...


Observem como
[... Toda filosofia tende a reconhecer que a 'arte de viver' se resume a um 'saber sofrer' e, no melhor dos casos, a um 'querer sobreviver'...]

Dominique-Antoine Grisoni
(IN: Éloge frivole du mal et du plaisir de vivre, p. 40.)




Aqueles que em suas vidas (por preguiça ou por alienação), não tiveram oportunidade de fazer poesia, nem de estudar psicopatologia, geografia, arqueologia, filosofia e teologia, agora, com o desenrolar da guerra entre Irã, EEUU e Israel, têm uma chance, que é única e rica naquelas matérias: O Golfo Pérsico! O Mar Vermelho! O Estreito de Ormuz; a imensidão de Neguev e daqueles desertos; as maravilhas dos objetos voadores com seus explosivos; Aden (ali onde Rimbaud, o poetinha francês, autor de O navio ébrio, ia contrabandear armas); as ogivas satânicas sobre os lugares sagrados; a disputa entre israelenses e libaneses pelas águas do Rio Litani; os soldadinhos da ONU, em fraldas, fazendo horas extras e teatro no meio dos destroços; a mira e a precisão impressionante dos mísseis; Tel Aviv e Teherã como duas imensas enfermarias; os surtos paranóicos e sado-masoquistas no interior dos bunkers, e a juventude dos países envolvidos (cheia de tesão e testosterona, ao invés de estar trepando em suas pátrias), está aí se matando em nome de uma gerontocracia desprezível. O dedo no gatilho, a mira na direção das centrais nucleares de Dimona e de Fordow e o arrependimento por terem nascido; a desilusão tanto com a terra como com o céu que parece estar cada vez mais vazio e indiferente. Deus, como dizia Nietzsche, estaria realmente morto? (E teria sido ele que, intuindo que sua Criação viria a ser um fiasco, confidenciou a Adão o truque para o enriquecimento do urânio???)

O Iêmen, com seus heróicos houthis. Se baixas os olhos te deparas com a Etiópia, se os levantas das de cara com Omã. Omã! Oxalá não destruam a Omã! A fila de navios encalhados no estreito de Ormuz, repleto de bombas e de minas submarinas; e também no Estreito de Bab Al Mandab. Enquanto os barcos ébrios do Rimbaud seguem zanzando pelo mar arábico...

Os aforismos, as metáforas e as menções ao Velho e ao Novo Testamento impregnam a fala dos principais atores dessa destruição mútua e desse suicídio compartilhado. Na semana passada, inclusive, o Netanyahu, falando a seus soldados e justificando seus ataques ao Libano e em Teherã, chegou a associar Jesus ao mongol Genghis Khan... (E não ouvi nenhum padre, nenhum pastor e nenhum executivo do Vaticano dar um pio a respeito dessa heresia)... Agora, só falta o Trump, como ato derradeiro, mandar escrever nas asas de seus bombardeiros B-2: O sangue de Jesus é poderoso e salva!

É evidente que um dia, aqueles que sobreviverem, mesmo mutilados e loucos, sentirão muita vergonha de tudo isso!


 






sábado, 21 de março de 2026

De meu correspondente em Buenos Aires: "La felicidade es la paz que surge cuando dejas de huir de ti mismo..."

  

Acabo de receber notícias de meu correspondente, desde Buenos Aires. Começa citando a frase de Heidegger estampada no Clarin, não sei se de ontem ou de hoje. Em seguida, menciona o encontro do governo daquele país com o Urban (da Hungria) e logo, em voz mais baixa, diz que a cidade amanheceu um pouco + apreensiva do que o normal com a advertência da Guarda Revolucionária do Irã, a Millei:



Mas, em seguida, ele mesmo, declara que 'no pasa nada'! Que trata-se, apenas e outra vez, de uma pantomima planetária que se dissipa após a segunda empanada apimentada, ali en la Calle Corrientes...
Antes de concluir faz um comentário filosófico sobre a miséria de uma civilização perdulária que, depois de 5 mil anos ainda é dependente e escrava do petróleo. Observe - sugere - como tudo se resume ao petróleo! As máfias dos mercados atribuem tudo aos poços de petróleo e todos os instintos invejosos, cretinos e vingativos da espécie são mascarados com essa pasta putrefata e nojenta (restos de dinossauros, de alcantarillas e de civilizaciones miseráveis), extraída do fundo da terra e que não faz mais do que ir se depositar nos pulmões da espécie...

Faz um silêncio e se despede com Libertango, do Piazzolla (no violino)






terça-feira, 17 de março de 2026

E... no imaginário açoriano...



{... L'univers est une immense métaphore qui n'a pas fini de m'intriguer...}

François Bott 

(IN: Lettre aux esprits chagrins)


 

















domingo, 15 de março de 2026

Santo Agostinho e o mar...

 



Neste mais belo sábado de março, com um sol que queima além do nariz as orelhas, observei um brutamontes estrangeiro que, depois de banquetear meia dúzia de caranguejos e mais umas quatro ostras, colocou-se em pé ao lado da areia olhando com concupiscência para a bunda das beldades que iam e vinham da grande pedra da Joaquina em direção a Campeche... 

Com a barriga que parecia, de um momento para outro, explodir, e voltando os olhos para o céu, exatamente como o fazem os trapaceiros e os evangelizadores, ouvi que pregava a velha frase de Santo Agostinho, aquela que até os + prostitutos conhecem: SENHOR, livrai-me do desejo... mas não agora!!!

___________

EM TEMPO: 

O vendedor de choclo passa ouvindo Barbara...
















sábado, 14 de março de 2026

Mahmoud Darwish e as oliveiras...

 



{...Se as oliveiras soubessem quem as plantou, 
seu azeite se transformaria em lágrimas...}

Assim falou o palestino Mahmoud Darwish











quinta-feira, 12 de março de 2026

VÁRIAS...

1. Aqui, na cidade do desterro, a ambiquidade dos mais jovens para com os mais velhos, é visível. Por um lado, uma submissão e um respeito artificial, forjado no chicote e no  cristianismo açoriano e por outro, um ressentimento babaca e incurável. Sim, trata-se da famosa neurose: o pai, por um lado, como um herói e por outro, como um grande fdp. Que fazer? Cada um terá que atravessar sózinho seu deserto...Trata-se da comédia humana!

2. Por todos os lados e em todos os discursos a axaltação da honestidade. Até os comerciantes e os taxistas (vejam só) não se cansam de exaltar a honestidade (dos outros, evidentemente). O ideal é que os pobres, os subalternos e os fodidos sejam antes de tudo honestos. Um pobre honesto é quase  um santo! A propósito, até os pescadores de tainhas, antes de lançar suas redes ao mar comentam entre si o caso Vorcaro, STF e Congresso Nacional... O niilismo é total.

3. E por falar em niilismo, duvido que mesmo os mais otimistas com o processo civilizatório e com a espécie, consigam manter-se sóbrios ao assistirem a canalhice dos EEUU e de Israel contra o Irã (sob o silêncio e a indiferença covarde do planeta inteiro).

4. De dez motoristas de UBER aqui em Florianópolis (cidade do desterro), nove vieram expulsos pela violência e pela miséria de seus estados de origem e, sempre que podem, denunciam as máfias e as falcatruas de lá. No cotidiano dessa escravidão contemporânea, além de dirigir, aproveitam para vender aos passageiros, cabeças de alho argentino, perfumes e até brigadeiros. Um deles, falando daqui, afirmava que todos os esgotos nos levam para o mar...

5. Ao norte da ilha está a chamada Praia dos Ingleses, atualmente  transformada num reduto de argentinos. Essa invasão teria algum nexo ou alguma relação com a surra que os argentinos levaram deles lá nas Malvinas? Ali na parte Internacional, um pouco distante do mar, um grupo de mulheres apavoradas com o desvario pandêmico de feminicídios levava um cartaz que dizia: ELES QUEREM NOS MATAR E NÓS QUEREMOS VIVER...

6. E nas praias, onde transcorre uma sutil batalha entre a anorexia e a bulimia, a América Latina está respeitosamente representada. Comida: a gente não quer só comida! Y asi, entre una ilusión e otra, se van los dias... O Mendigo K, acompanhando os gemidos obsessivos das ondas resmungava para dois antigos pescadores que até então não haviam pescado porra nehuma: "Seule la maladie humaine est incurable. C'est porquoi nous guérrissons de tout le reste..."

7. Enquanto isso, os golfinhos (traidores de sua espécie), indicam aos predadores/pescadores onde  e quando estes devem lançar suas redes para caçar as tainhas...

8. A beleza da Costa da Lagoa é inegável! Além das veredas e dos gatos, praticamente uma comunidade anarquista...




domingo, 1 de março de 2026

Enquanto isso...



"... Há, na Europa (no mundo), milhares de moços que se lançam futilmente a essa matança porque uma ideia idiota de conquista cruzou o cérebro  de um degenerado..."
Guilherme II