quarta-feira, 17 de maio de 2017

A erva do diabo, Carlos Castanheda e a ANVISA...

Hoje encontrei o mendigo K ali pelos lados das oficinas de automóveis, espaço barulhento e 'familiar' que à noite se transforma num puteiro, por um lado quase medieval e por outro, dos mais surrealistas, com senhoritas e travestis desfilando praticamente pelados no burburinho deprimente de alguns botecos improvisados e pelo meio das carcassas e sucatas de carros desmontados, pilhas de pneus, ferros-velhos, marginais, motores lambuzados de óleo, chaves esquecidas sobre tufos de estopa, rolamentos, para-brisas estropiados, garrafas de cachaça, fiapos de roupas íntimas, ampolas de benzetacil, preservativos usados, uns até sendo comidos por cães  gatos e morcegos que voam e circulam por ali se equilibrando heroicamente sobre latões de lixo. 
Como era hora do almoço tudo parecia um recanto de meditação para os de terceira idade. Até se podia ouvir uma música indiana vinda de um estúdio de RajaYôga. No máximo um travesseiro tomando sol numa janela, uma moça esticando os cabelos numa minúscula varanda, um varal com indecências, uma gaiola com um casal de canários dependurada num paredão em ruínas, um perfume de lavanda vindo das janelas gradeadas, um mecânico de cócoras limpando um carburador e um ou outro pau d'água lutando no meio da força da gravidade... 
Estava sentado ao volante da carcassa de uma kombi cantarolando Casa D'Irene e com uma coreografia visivelmente perturbada. De longe já foi mostrando-me o livro de Carlos Castanheda que estava lendo: A erva do diabo. Carlos Castanheda - foi dizendo, com a língua meia enrolada - gostaria imensamente de saber que os burocratas da ANVISA acabam de incluir a maconha entre as ervas medicinais... (deu uma gargalhada). E aquelas mães que quase mataram seus filhos porquê os viram fumando um centímetro da erva como é que ficam? A burguesia está toda por aí implorando para importar umas gotas de canabidiol para curar suas escleroses e suas loucuras... E agora, como é que ficamos? (explodiu em outra gargalhada). Carlos Castanheda, esse antropólogo e porra-louca peruano - prosseguiu, agora com ar professoral - defendeu sua tese na California, lá pela década de 70, mostrando os benefícios da erva em rituais de vidência e de feitiçaria nas tribos mexicanas... Deu uma baforada, gargalhou e entrou em surto...

2 comentários:

  1. https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/09/24/maconha-nao-mata-neuronios-conheca-os-mitos-e-verdades-sobre-o-uso-da-maconha.htm

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  2. http://clinicajorgejaber.com.br/curso/13mai27_ErvaDiabo.pdf

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