"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Exploração mútua...

Num mundo cada vez mais pasteurizado, mergulhado na mesmice, na burocracia e no tédio, pelo menos no mercado prostitutivo os cafetões e os proxenetas nova-iorquinos continuam inovando: inventaram os bordéis-móveis e as girls-cards. Agora, para “esvaziar-se”, o bizarro e secular “cliente” das putas não precisa mais enfrentar filas e trottoirs, nem ir de madrugada aos bordéis insalubres, perigosos, barulhentos, cheios vírus, de bêbados e de otários. Um caminhão que circula discretamente pela cidade levando a “mercadoria” funciona como alcova. Tipo um carro forte, uma dessas jamantas frigorifico, um ônibus-biblioteca ou mesmo uma ambulância de emergência, dentro da qual o pobre macho encontra “alívio” para sua estranha e interminável tensão que ele prefere chamar de tesão. E esse lupanar ambulante pode estar estacionado na esquina de tua quadra, num posto de gasolina, na beira da estrada, num pátio de igreja, em frente a um asilo de loucos ou em qualquer outro lugar insuspeito... Que tal? E dizem que cada uma dessas mulheres atendem até a 15 homens (pacientes) por dia... Já em Lhasa, a idílica e romantizada capital do Tibete, onde as putas chegaram junto com as tropas militares chinesas, o métier continua nos moldes antigos, confucianos e bíblicos: a rua, as casas a meia-luz, ateliers de massagens, bares etc. Segundo noticias, ali as mulheres com mais de 40 anos fazem programas até por 1 dólar...
É intrigante que normalmente só se olhe com espanto e com moralismo para a “escravidão” social DELAS, dessas “fêmeas" que se deixam enrabar por alguns trocados, mas e a escravidão sexual DELES, dos clientes? E a escravidão sexual dos “machos” ? Por que se concluiu que os enrabados profissionais são mais escravos que os enrabadores profissionais??? Elas, pelo menos, são escravas sociais que recebem por sua servidão. Eles, de uma escravidão fisiológica pela qual ainda têm que pagar... Heresia? Desatino? Calma!, calma!, Calma... Se essa escravidão é cultural, fisiopatológica, filogenética, neurótica ou metafísica, isso é secundário... 
Mas..., enfim..., carecer de convicções a respeito dos homens e de si mesmo – escrevia Cioran – este é o elevado ensinamento da prostituição, essa academia ambulante de lucidez, à margem da sociedade como a filosofia... 

Assunto pertinente: neste momento o Congresso Nacional vota secretamente a cassação de um senador.

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