"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 12 de novembro de 2011

12/11/2011...


Todo mundo fala mal de Brasília (que isto aqui é o cu do mundo, que a secura é pior que a de Merzouga, que só tem corruptos e vivaldinos, que a bandidagem e a picaretagem nacional vem toda para cá travestida de políticos, de assessores e de lobistas, que aqui um motorista analfabeto ganha mais que um general, que as meninas de programa cobram 800 reais por apenas 45 minutos, que se pode encontrar quilos e mais quilos de filé mignon apodrecido nas lixeiras da ministrada etc, etc), tudo bem, mas uma coisa é necessário admitir: aqui até os mendigos são politizados. Prova disso foi o acontecido antes de ontem na porta do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome onde um morador de rua, ninguém sabe exatamente por que, gritou várias vezes: [Ditadura moderna! Ditadura moderna! Ditadura moderna!!!] Como era de se esperar foi implacavelmente abatido por um “segurânça” com uma cassetada nos miolos. Não o vi pessoalmente caído nos degraus, mas a cor da roupa que vestia fez-me lembrar um capuchinho ou mesmo os sanyasis. Sim, aqueles antigos adoradores de Rajnesh.


Muitos esotéricos (quase só mulheres) ainda estão por aí de joelhos no meio do cerrado esperando pelas "mudanças" e pela "expansão" da consciência que deverá vir depois do dia 11/11/2011. Quantos transtornos mentais não diagnosticados! E não é por acaso que já o homem primitivo precisava viver dopado e embriagado de alguma raíz, de algúm pó ou de alguma crença...


E o teatro sobre a prisão do traficante (Nem) ainda agita os cães da mídia. Aqui em Brasília onde todo mundo tem uma relação, digamos, familiar com malas e com propostas “indecentes”, quase ninguém acreditou na história de que os bandidos ofereceram 1 milhão para a polícia, e muito menos ainda, que a polícia o tenha recusado. Aliás, e por falar em dinheiro, qual foi o destino da mala que havia no tal automóvel?


As recentes encrencas na USP tem trazido a tona uma questão evidente e crucial para o saber: o território de uma universidade não deve e não pode ser patrulhado, nem pelos professores, nem pelo reitor, por nenhum tipo de alcaguete e muito menos pela polícia, a não ser que ao invés de formar intelectuais soberanos e livres pensadores se esteja querendo apenas adestrar futuros burocratas e futuros babacas. E digo isto pensando no japonês do Jardim Botânico que sempre repete: árvores frequentemente transplantadas raramente florescem...


Cada feriadão que acontece, lá está a mídia inteira enchendo o saco do povão com as notícias de que a fila de carros São Paulo/Santos está de vinte, trinta, cem quilômetros. Quem é que está interessado nessa idiotice? E quem é que ainda duvida que os paulistanos tem stronzo no lugar de neurônios e que para eles o masoquismo deve ser tão ou mais importante que alguns dias caranguejando??? Qualquer povo sensato já teria construído uma estrada férrea por aquelas encostas e montanhas paradisíacas, com um bonde silencioso e confortável subindo e descendo de cinco em cinco minutos... Mas não adianta idealizar, a estupidez é um mal incurável!


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