"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Os chineses, os porcos e nós...

Oba! A China comprará nossos porcos! Negócio fechado. Trocas. Globalização. A urgência das tripas. Curioso! Foram eles que há 4900 A.c. domesticaram esse bicho. Quem trouxe os primeiros casais (sus surofa) para as Américas foi Cristovam Colombo… No passado a troca seria por ópio, agora, por porcarias de R$: 1,99 e por porquinhos de plástico lhes enviaremos nossos porcos de carne e osso, pulsantes e compactos, os mesmos das “unhas fendidas, do casco dividido que não ruminam e que são imundos” segundo as proibições do velho e camarada Moisés. Mas aquela legião de indigentes e de ignorantes que perambulava pelo deserto relaxou quando mais tarde Deus, arrependido e complacente com seus estômagos, teria ordenado: Levantem-se, peguem, matem e comam!!! A partir daí a chacina foi oficializada, a terra não se livrou mais da porcalhada, da fumaceira do toicinho, nem do torresmo e nem das feijoadas. Claro que surgiram as pestes suínas e que muita gente tentou em vão, deixar de jogar pérolas aos porcos. Em minha infância não passava um mês sem que aqueles vorazes imigrantes degolassem um Duroc ou um Landrace. Um caldeirão com água fervente, um balde para coletar o sangue, uma faca muito bem afiada e os gritos daqueles “inocentes”, eis aí minhas primeiras aulas de filosofia e de horror… As linguiças dependuradas. Baia dos Porcos! O porco, esse desconhecido! Moisés e Maomé cúmplices de uma mesma causa.  Graças a eles o Irã se livrou da Taenia solium! Apesar dos criadores desse animal terem sido sempre mal vistos pelas “elites”, nos banquetes grego-romanos estava sempre lá o leitão na baixela de ouro… Cabeça de porco! O porco filósofo e o filósofo porco! Um porco como cofre! Os três pouquinhos, na verdade, eram três cachaços. Um bilhão e tanto de chineses comendo nossos porcos! Um dia, quando nossos chiqueiros se esvaziarem, terão irremediavelmente que comerem-se uns aos outros. Normal! Humanística, suína e comercialmente falando talvez nem seja tão grave. Pior seria se já estivéssemos trocando nossas crianças por enfeites de natal e por outras porcarias recicladas. Um porco é apenas um porco, não é verdade? Milhares de porcos são apenas milhares de porcos, não é verdade? Apesar de dizerem que até Jupiter teria sido amamentado por uma porca…

Um comentário:

  1. "Pior seria se já estivéssemos trocando nossas crianças por enfeites de natal e por outras porcarias recicladas...". Desculpa-me o sórdido comentário, mas não são mais "as nossas crianças" que estão sendo comercializadas, apenas os seus órgãos, principalmente dos nossos miseráveis desconhecidos e anônimos, para salvar a vida de outro rico miserável anônimo...

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