"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 7 de novembro de 2010

LETIV PTACHOK...

Nestes dias de outono aqueles que por necessidade ou pelo simples prazer de vagabundear descerem aos subterrâneos do metro de Montmartre e vagarem sem compromisso por aqueles túneis e labirintos, uma hora ou outra se depararão com o casal Lhor e Dariya Kuhaykevych - ele com um acordeão e ela com sua voz - interpretando umas 19 musicas ucranianas. Entre elas, a de número sete, titulada Letiv Ptachok é estupenda. (Você pode ouví-la agora no link abaixo). No meio da pequena platéia que se aglomerou ao redor dos músicos havia três ou quatro ciganos, dois negros das guinés, um chinês e pelo menos um clochard, este, já entrando na velhice, com aquele aspecto quase medieval de europeu do Leste e com aquela embriagues misteriosa nos olhos que sempre os diferenciam do rebanho. Todos que passavam sentiam que havia algo de especial na voz daquela mulher e especialmente ele parecia atordoado e chocado pela força e pelo poder misterioso daquela musica. Mas, pelo menos durante o tempo que permaneci ali, não expressou nenhum gesto de "fraqueza" e nem deixou vazar nenhuma lágrima de silicone. Apenas se lhe via nas faces a lividez e a soberba de um chacal de rua, como se Paris, o  frio e o exilio lhe tivessem ensinado que "en toutes choses, nous devons savoir souffrir en silence...  Já, os ciganos, olhavam para todo aquele "romantismo"  dramático com uma certa desconfiança, como se lembrassem da frase de Madame de Stael: "L'amour est le tout de la vie d'une femme, il n'est qu'une saison dans la vie des hommes"...

Um comentário:

  1. Très belle, très triste comme le silence, cette chanson a coupée mon âme parce que les femmes sont toujours ridicule. Merci, monsieur, pour la musique!

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