"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As bactérias hospitalares e a busca de santidade...

A mídia  informa obsessivamente  que as "bactérias hospitalares" estão espalhadas por todos os lados e que estão cada vez mais resistentes! Ora, que argumentos nos fariam acreditar no contrário? Como elas poderiam estar se debilitando? Sempre foi óbvio que após o sucateamento das instituições viria o sucateamento das pessoas, e vice-versa. E no meio de toda essa mentirada de incompetentes ressurge outro mito, a idéia de que o álcool gel e os detergentes salvarão o mundo. Balelas! Pensem nas legiões de doentes crônicos e úteis que povoam o país... Por menos que acreditem e por mais insólito que pareça existe uma relação sutil e quase secreta entre religião e sujeira, entre falta de esgotos e misticismo, entre doença e santidade. Vejam as reflexões de Cioran sobre esse assunto:

A santidade: fruto supremo da enfermidade. Quando se está saudável, parece monstruosa, ininteligível e ridícula. Mas, basta que esse Hamletismo automático chamado doença (ou neurose) reclame seus direitos para que os céus tomem forma e constituam o marco da inquietude. A gente se defende contra a santidade mantendo-se limpo já que ela advem de uma sujeira particular do corpo e da alma. Se o cristianismo tivesse proposto, em lugar do inverificável, a higiene, não encontrariamos em sua história um único santo. Mas cultivou nossas feridas (nossa culpa) e nossa sujeira, uma sujeira intrínseca e fosforescente. A saúde: arma decisiva contra a religião. Inventai o elixir universal e o céu desaparecerá. É inútil seduzir ao homem com outros ideais, sempre serão mais débeis que as enfermidades. Deus é nosso ferrugem, a deterioração insensível de nossa substância. Quando penetra em nós, temos a impressão de elevar-nos, mas baixamos mais e mais e quando chegamos ao fim coroa nossa decadência. "Salvos" para sempre? Superstição sinistra, cancro coberto de auréolas que roe a terra há milênios...”

2 comentários:

  1. ver um salvo por aí, por aqui é triste, penoso, doloroso, e não sei se é incurável.

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