sábado, 31 de janeiro de 2026

E o IBGE registra o aumento da escravidão...

 





E terás que ganhar o sustento não apenas com o suor de teu rosto, mas com tua autoestima, com teu amor próprio, com tua dignidade, com teus músculos, ossos, bagos e saúde mental (em alguns casos, data vênia, até com tuas mucosas...)


"Chegamos a tal ponto de imbecilidade que o trabalho passa por ser não só honroso, mas até sagrado..." (p.15)

Remy de Gourmont

3 comentários:

  1. Desde que deixei de trabalhar fui odiado...primeiro a família, depois os 'amigos' e por fim os que melhor indagavam com a pergunta cretina: faz o que? O que?? Pretendo daqui a pouco me enfiar embaixo duma saia! Cuide da sua cretino que dá minha cuido eu.

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  2. Bazzo, estou com esse teu excelente livro nas mãos e vou citar aqui o que está na página 11: "QUANDO UM HOMEM tem ideia clara do valor da vida, encontra sempre um pretexto para se furtar à escravidão do trabalho. Um homem inteligente faz trabalhar em seu lugar outros homens, uma máquina ou capitais. E quando é precoce, sabe dispor as coisas de modo que os seus genitores tenham trabalhado por ele, antes mesmo de vir ao mundo..."

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  3. Bazzo, Ezio Flávio. Vademecum da vadiagem. Brasilia: Tripallium, 2023.

    Este livro do escritor Ezio Flavio Bazzo é essencialmente anarquista e libertário. Tão anarquista e libertário que chega a doer nas entranhas da moral e dos bons costumes.
    Nele, o autor elabora uma fascinante desconstrução do mundo do trabalho e de todas as formas de encarceramento engendradas pelo homem durante sua permanência no planeta.
    Tão importante quanto seu livro Mendigos: párias ou heróis da história?, Bazzo nos alerta já no início da obra: "Agora é tarde – o vício já está instalado na alma da espécie!... sem o trabalho, a humanidade, num domingo à tarde, cheia de tédio, se suicidaria". E continua: "são 6 mil anos de labuta e de fracassos mesmo que a lógica do escravo afirme que é melhor morrer de trabalho do que morrer de fome".
    Também fica evidente a quebra das ilusões acerca da religião, do casamento, do romance, da família, e, citando Corine Meier, diz que "pensando bem, não há que se ter ilusões". Nunca.
    Usando o plural majestático para se comunicar com seu leitor, não parece falar apenas por si mesmo, mas em nome de um grupo que pensa como ele. Assim, vai conduzindo o leitor a diversos países, regiões, cidades e situações para desmoralizar o trabalho e todo o esforço já feito para promovê-lo na sociedade humana.
    Por se tratar de um livro forte em suas convicções, vem recheado de erudição, como se fosse um requintado exercício literário.
    Ilustrado por Daumier, mestre da litografia francesa do século XIX, é muito bem editado, trazendo o carimbo de ex-libris, marca do autor, carimbo esse usado na Idade Média para os livros especiais e de propriedade declarada, e este seria um livro excomungado – HAI EXCOMUNION.
    O cerne da obra parece ser o desejo de mudar o mundo: "desconstruir para tentar construir outra coisa", pois entende que a relação do homem com o trabalho faz com que a maioria pareça "viver para trabalhar mais do que trabalhar para viver".

    Talvez não fosse de todo insólito, para não deixá-lo órfão de uma filiação estética (filiação que ele recusa peremptoriamente), considerá-lo como uma espécie de “vanguarda das vanguardas”, um sólido pensamento contracultural que não apenas contesta, mas adverte, vaticina a inviabilidade de todos os caminhos e descaminhos – com isso, acenando para uma vagabundagem redentora! Como realizá-la? Teremos de descobrir à la James Joyce, com um work in progress.


    Maria Helena Sleutjes

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