terça-feira, 16 de dezembro de 2025

"Bojo", "marco temporal", "insegurança jurídica"... Ah! Como ouvir esses cacoetes sem vomitar?





Nos anos 80 as frases que continham a expressão "no bojo" que eram usadas com frequência nos discursos pelos bandos da política e até por professores (no bojo disto e daquilo!!!), me causavam niilismo e nojo. Hoje, quase meio século depois, por incrível que pareça, quando ouço a mesma turma ou seus herdeiros falando em "marco temporal" e em "insegurança jurídica", sinto o mesmo mal estar estomacal. Que merda! Será que não se consegue evoluir nessa quermesse endogâmica? Será que o cão deve sempre e irremediavelmente voltar ao vômito?

A respeito do "marco temporal" e do blábláblá ao redor da demarcação das terras indígenas, trata-se tudo de uma mentirada só, que já ouvia nos discursos fascistas daquele baixinho de botas a quem a turba queimava incenso e idolatrava. E a respeito dos camaradas indígenas, seja com o marco temporal ou atemporal, já não têm mais chances de colocar-se novamente em pé... Se nas aldeias e ao redor delas, está tudo dominado por latifundiários analfabetos e por pistoleiros invasores e, se as vilas e as cidades, supostamente urbanas, estão transformadas numa imensa enfermaria, para não dizer hospício, o que esses pobres silvícolas poderiam encontrar e fazer ali? 

Sua destruição e sina foram traçadas e seladas ainda quando, ludibriados pelas hienas colonizadoras, seus ancestrais, entre um trago e outro de ayuhuasca, negociavam suas mulheres, pedaços de terra, de madeira e de ouro, por santinhos e por Bíblias... Agora é tarde! 

Ah! O tempo! A clepsidra! Como diria Marx: O tempo é tudo, o homem já não é nada. Quando muito é a carcaça do tempo...

No bojo de toda essa palhaçada e de tudo o que há neste hospício, temos que admitir: nossas vidas são irremediavelmente regidas não apenas pela Insegurança, mas também pela Segurança jurídica e mais: que, como nosso Reino é deste mundo e como acreditamos mais na antropologia do que na teologia, a hipótese de um marco temporal pode até ser melhor do que a de um atemporal... Ou não?

O Mendigo K, que já se prepara para as fartas ossadas de Natal, conversando com uma velhinha no jardim de sua casa e exercitando seu charlatanismo, dizia: quando rezamos ao lado de uma flor ela floresce com mais brilho!!!


 














2 comentários:

  1. Ezio, se puder faça fotos de seu acervo de livros e publique, seria de extrema importância conhecer títulos garimpados por você. Lembro que uma época você publicou umas relações mas com fotos dá menos trabalhos como essa acima. Abraços da Capital do Frevo

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  2. Bazzo, sugiro que comece fotografando os seus.
    Hoje já perdi a conta de quantos livros vc publicou!

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