"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 25 de outubro de 2015

A babaquice e a teatralidade do Enem...

Posso estar exagerando, mas é uma idiotice sem precedentes esse tal de Enem. E mais idiota ainda foi o professorado e a mídia histérica terem passado o final de semana inteiro turbinando essa perversão e fazendo vasta demagogia e até apologia dessa seleção de energúmenos.  
"Não esqueça a caneta! Lembre-se: não pode entrar com lápis! Desligue o celular! Lembre-se que estamos no horário de verão! Faça cocô e xixi antes de entrar na sala de provas! Reze um Pai Nosso antes de começar a marcar as respostas! Implore à Virgem e até ao Chico Xavier se for necessário!", etc e etc...
Ora, se o segundo grau servisse para alguma coisa, qualquer aluno (energúmeno ou não) que o tivesse concluído deveria estar naturalmente apto a ingressar numa universidade, sem ter que fazer o teatro dos simulados, das provas e dos cursinhos, essa prática tirana, mafiosa e cara do subdesenvolvimento. Vagas? Ora, com os recursos que vinte ou trinta famílias desviam descarada e sistematicamente no país daria para manter sete ou oito universidades funcionando integralmente, sem limites de vagas e com aulas em cinco idiomas. Apesar de continuar escrevendo, reclamando, esperneando e enchendo o saco do mundo, sei que tudo isto é inútil. Que não há solução! Sim, tenho plena consciência de que essa babaquice e esse atraso têm impregnado nosso DNA e que seguiremos por mais uma dezena de décadas fazendo de tudo para rebaixar e atormentar-nos mutuamente. 
Claro que para tentar "salvar-me", tenho tomado umas gotinhas matinais e repetido para mim mesmo e com certa frequência a confissão feita por aquele cínico velhinho minutos antes de bater as botas:
"Minha vida foi repleta de problemas, a maioria dos quais, nunca aconteceu". 


3 comentários:

  1. Concordo com a crítica em relação a não existir vagas para todos, mas mesmo que existisse vagas para todos, uma seleção sempre seria necessária, uma vez que a qualidade das universidades serão diferentes. Só não seria assim se todas as universidades fossem iguais (e os estudantes também, pois a noção de melhor varia de pessoa pra pessoa).

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  2. também sempre pensei assim, com tanto dinheiro roubado dos cofres públicos, tudo na casa dos bilhões ou milhões, dava pra ter uma boa faculdade pública e gratuita com milhares de vagas em cada cidade. Mas os governantes corruptos e as famílias e artistas que mamam nessa teta gorda chamada Estado jamais fariam isso porque são cruéis e gananciosos, governantes e artistas e famílias chupam a teta com voracidade.
    ROGÉRIO S.

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