"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O horror secreto às palavras...

Ao invés de tentar a todo custo calar o Sr. Bolsonaro, as “minorias” deveriam preservá-lo, convidá-lo a fazer palestras por aí, incentivá-lo a revelar todas as suas fantasias e todos os seus conceitos, pois ele é (no meio da peleguice vaselina, instituída e generalizada) uma relíquia, um instrumento precioso para se saber qual é o imaginário dominante e o pensamento secreto (não apenas de seus eleitores), mas de praticamente 90% da população brasileira a respeito dos negros, das mulheres, dos albinos, do comunismo, dos gays, dos banqueiros, das cadeias, das cotas raciais, do fascismo, das lésbicas, das ditaduras, dos estrangeiros, do ensino, da corrupção, do judiciário, da tortura, etc., etc. Por mais “politicamente incorretas” que possam ser as declarações vindas da direita, da esquerda, do centro, do Wiki Leaks, etc., (sejam sobre a burocracia, sobre a bucetocracia ou sobre a falocracia) serão sempre mais interessantes e revolucionárias que a mordaça, que a ameaça dos Estatutos e de Leis feitas nas coxas. Sim, serão sempre mais libertadoras que a unanimidade falsificada e que o silêncio covarde ou o fóbico balançar de cabeça. E depois, nessas querelas histéricas, observem, como é sempre muito difícil saber quem está realmente sendo menos "intolerante"...

Alguém se lembra da inquisição? Dos enviados para a Sibéria? Do Macarthismo? Das fogueiras? Dos porões do DOPS? Do olhar patriarcal ou matriarcal proibindo os filhos de abrirem a boca? Dos veterinários que danificam as cordas vocais dos cães para que eles não incomodem os vizinhos? 

Enfim, apesar de toda essa basbaquice, beata por um lado e policialesca por outro, é sabido que emancipação é sempre uma conquista pessoal, algo que se constrói por si mesmo, e que ninguém será emancipado por Decreto e muito menos através de um pseudo, fajuto e epidêmico moralismo às avessas... 

 

2 comentários:

  1. Gosto disso, gosto da forma como você conduz a narrativa. Por vezes é muito irreverente mas ainda assim é muito bom. É verdade, emancipação é sempre uma conquista pessoal e o que se passa no âmbito social é o resultado dessas conquistas reunidas. O Brasil vai mal, obrigada. E eu?

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  2. Bazzo, satanizam o capitão, boa chance para achar uma "causa justa". Puta la madre! Se Freud estivesse vivo daria um tiro na têmpora e lamentaria a teoria do inconsciente. P.

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