"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A ARTE DE PEIDAR ou os "gases" como um dos grandes problemas filosóficos...


Um dos nossos primeiros aprendizados ao chegarmos no mundo, todo mundo deve lembrar-se, é o de como administrar os esfíncteres e de como disciplinar a expulsão dos gases, em outras palavras, a arte de saber peidar silenciosamente e sem ser identificado. Claro que cada povo e que cada cultura lida com seus peidos, seus cheiros e com seu universo escatológico de uma forma própria, mas no geral, o ato de peidar em público é sempre considerado um ateísmo, um pobretismo e uma indecência. A propósito, num pequeno país africano chamado Malawi está acontecendo algo curioso e até cômico  a respeito deste assunto: sob a batuta do próprio Ministro da Justiça daquele país (George Chaponda) tramita uma lei que proíbe e interdita esse ato em público. Sair peidando por aí – argumenta o Ilustríssimo – é demonstração de irresponsabilidade e de indisciplina! Pelo contrário, ir soltar suas flatulências na solidão de uma privada ou lá na beira do lago é uma questão de respeito e, principalmente, de Ordem. Mas e o efeito estufa? Mas e a camada de ozônio?  Se perguntam os ecologistas.
Claro que a verdadeira angústia e que a verdadeira preocupação do senhor Chaponda, apesar de parecer de ordem social é mais bem de ordem metafísica. Não apenas peidar é uma indecência, mas ter sete ou oito metros de intestinos e mais, ter que comer quatro ou cinco vezes por dia, fazendo esse papel mecânico e bestial de biodigestor...  para nada. A existência dos intestinos e a necessidade de peidar (e de cagar, claro) é a prova mais evidente da inexistência de um “criador” inteligente, pois qualquer demiurgo com um QI/80 teria naturalmente engendrado criaturas que funcionassem com energia solar, lunar etc.  Ao nascer a criança seria exposta por cinco minutos ao sol e pronto, estaria abastecida para os próximos oitenta anos, livre da ruminação, do fedor das fraldas, das toaletes e inclusive da maldição do trabalho. Não acham? Agora, com licença que tenho que ir à varanda...

3 comentários:

  1. E também poderia ter dado um jeito de fazer chover apenas entre 24h e 5h da manhã (rsrrs). nada é perfeito!!!

    ResponderExcluir
  2. O labirinto enlouquece. Achamos o minotauro, o arquiteto e o herói: eu, meio homem, meio animal, nós.

    ResponderExcluir
  3. Ezio que bacana eu ter achado seu blog, ja usei um texto seu num jornal que eu editorava, a seis anos atras A pisicopatologia do Plagio,(com suas fonte, logico) a partir dai passei a ler algumas "coisas" suas, vejo em vc nitidamente a influencia nietzscheana, vc é um dos poucos literatos deste pais que ainda se merece dar-se atenção, quando eu concluir meu romance de estreia irei presentea-lo com um exemplar. E devo dizer meu caro que vendo o seu ateismo, anticlericalisco e anticristianismo, devo dize-lo que o ser e a existencia foram criadas em primordialmente em dois ambitos opostos e a metafisica nietzscheana não é absoluta e mesmo alguns "fatos" ou "dados" historicos. Mas continuo a dizer que sou muito seu fâ e gostaria ter muito a oportunidade de "aprender" muito como vc lhe conhecendo um dia. Abço.
    Me responda por favor as preposições no meu email: jfjm19@yahoo.com.br

    ResponderExcluir