"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A IRANIANA E AS NOSSAS MULHERES...

O mundo é realmente uma piada, um lugar repleto de contradições, bizarrices e desgraças. A condenação da iraniana Sakineh Ashtiani é um dos mais truculentos exemplos. Ah, mas é a cultura! Cultura? Em nome da cultura, do sexo e da fé é que se tem cometido os crimes mais estúpidos. E é importante lembrar que muitos dos humanistas de plantão que hoje se dizem indignados e fazem alarde com o trágico destino daquela mulher nunca se atreveram a abrir a boca para mencionar as centenas de milhares que aqui, ao nosso redor e sob nossas barbas também são cotidianamente "enforcadas"... Pense em quem você quiser, na mãe, na irmã, na tia, na serva, na vizinha, na amante, na filha, na neta... Apesar do silêncio e da ignorância generalizada, o universo feminino ainda constitui uma legião de condenadas, mesmo quando a maquiagem civilizatória e a demagogia vigente perpetuem o atual disfarce. 

Na semana passada quem é que não ouviu a história da defunta que, aqui entre nós, foi arrancada da tumba e estuprada? Necrofilia! Alguém consegue imaginar o clima durante a consumação do ato? Eis aí o homem, o pobre homem com seu pobre pau, esse ser sem porvir que insiste em permanecer nas entranhas da hiena...

Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. É por isto que eu gosto de você, Bazzo. Porque você diz sem rodeios, sem disfarces. Diz e pronto! A questão da mulher é sobretudo a questão do ser humano em sua completa desvalia de valores sobre a vida, sobre o outro, sobre tudo que está colocado ao nosso lado e tem vida, e é parte integrante de nós. Insensíveis que somos! Medíocres, idiotas andantes que ainda admitimos que situações como esta da iraniana continuem acontecendo. Até quando?

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