terça-feira, 20 de janeiro de 2026

"La vita è una malattia mortale che si trasmette per via sessuale... (anônimo).



{... Il medico saggio deve essere esperto tanto per prescrivere un rimedio quanto per non prescrivere nulla...}

Gracián





Esta semana não foi muito gratificante e nem muito edificante para as confrarias médicas.

Primeiro, o affair daquele médico lá em São Paulo que, por disputa de mercado, matou dois colegas médicos a tiros. Quem é que poderia imaginar que os médicos também são bons de gatilho?

Depois o caso de ontem, ali no maior hospital do DF, daqueles paramédicos (enfermeiros e auxiliares de enfermeiros e etc) que, numa UTI, com injeções venosas, eliminaram a três pacientes.

E, por fim, a pesquisa feita e publicada ontem pelo Ministério da Educação (ele que é o órgão que autoriza ou não a abertura de novos cursos), constatando que 1/3 das faculdades de medicina espalhadas pelo país não têm nível seguro e nem satisfatório. De 304 cursos, 99 obtiveram notas abaixo de 2. Que tal!? (Imaginem então, em que mares devem estar navegando os companheiros da psicologia, do direito, das ciências sociais, da pedagogia, do jornalismo, da engenharia e etc, etc, etc.....!!!).

 

Caralho! Quem é que, diante destas notícias, mesmo não se identificando com Le malade imaginaire, de Molière; nem sendo um hipertenso profissional e nem um hipocondríaco ordinário, não vê sua pressão arterial ir além, muito além, dos míticos e românticos 12/8?

O que pensaria o velho Hipócrates??? Ele que, lá nas maravilhas das ilhas gregas, sabendo que noventa por cento das doenças são produto de culpa e quarenta por cento, da ignorância? Ele que fez de tudo para separar a prática médica das superstições religiosas, do mercantilismo e da magia negra?

O Mendigo K, ali na padaria, cercado por um bando de outros mendigos recém chegados da Bahia, do Maranhão e do Piauí, discutia o assunto e lembrava que segundo o Código do rei Hamurabi, lá da antiga Mesopotâmia (1700 a.C e baseado na lei do olho por olho, dente por dente), o médico que não conseguisse salvar seu paciente deveria morrer com ele... Caralho!....










domingo, 18 de janeiro de 2026

VARIAS...

 -“Et toi, Bechir, tu crois em Dieu?

- Non, pas encore. Mais um jour, oui. God has time. Il n’est pas pressé. Moi non plus...


(Ver: Daniel Rondeau, IN: Tanger et autres Marocs, p. 89)




1. Se você viu a reportagem que a televisão mostrou agora à noite sobre as famosas Emendas Secretas e a situação de vários estados nordestinos e, mesmo assim, conseguir dormir, você realmente não é deste mundo. Inacreditável! Um realismo verdadeiramente fantástico e inacreditável! Mas há uma novidade útil: no meio de toda aquela miséria, de toda aquela roubalheira, aquele compadrio e de todo aquele cinismo, surgiu uma descoberta curiosa que pode até alterar alguns protocolos médicos e ministeriais: me refiro à recomendação de que se deve beber de dois a três litros de água por dia. Ora!, vendo as imagens, se isso fosse verdade, aquela região toda já estaria desabitada.

2. Por mais esforço que ser faça para detestar o Trump, há algo nele que turbina nossa simpatia. Ele, mais do que qualquer outro, com seus delírios, megalomanias, taxações e ameaças, tem demonstrado de forma taxativa, que o planeta vem sendo governado por palermas e que o mundo não passa de uma manada desvairada de vassalos, de subalternos e de submissos... Que o Canadá, o México, a Colombia, a Venezuela, a Argentina, o mundo árabe, os africanos, a Coréia do Sul, a Síria, os comunistas, os fascistas, os liberalistas, os anarquistas, a Europa inteira (essa turma que já trapaceou e pisoteou tanta gente e tantos povos e que agora enfrenta uma verdadeira entropia moral e cultural...) e até o Japão, mesmo depois do horror de Hiroshima e Nagasaki, o temem e lhe fazem a corte... e de quatro. O caso da Dinamarca e daquela geleira chamada Groelândia, é o mais aberrante e fascinante de todos. Por falar em Dinamarca, quem é que não se lembra de Shakespeare, e de seu Hamlet? O príncipe da Dinamarca? Aqui pelos trópicos, está todo mundo curioso para saber quando é que ele, no auge de uma crise, com o pretexto de salvar as borboletas azuis, e as jibóias, tentará se apropriar e incorporar também a Amazônia... com seus rios, a Ayahuasca, o canto desesperado das Arapongas e até as filhas dos pajés...

A propósito da Groelândia, os alemães que ontem haviam enviado para lá uma vintena de soldados, hoje, depois do ultimatum do camarada Trump os retiraram e de forma emergencial. Que vergonha! O que estaria acontecendo com os germânicos? E era essa gente que pretendia construir o Terceiro Reich? A humilhação e a vergonha foi inacreditável. Só não foi maior do que o fiasco de albergarem há décadas, em seu território, e sem reclamar, várias bases e milhares de soldados ianques. (sim, como a Itália, a França, a Espanha e etc, etc, etc... ) Ah! A Europa! Os europeus! Eles que apesar de ficarem cacarejando valentias nas boulangeries, nos  encontros de Davos e em outros pik nikes nas montanhas suíças, estão se revelando um continente de frouxos e de vassalos. Fraco, dependente, manipulável e de cagões... Um continente que se o Trump resolver interditar o Vale do Silício por uns dois dias ficará sem internet, no escuro e onde muchos de esos pendejos iran al carajo!!! Mesmo a Russia e a China no meio daquela névoa de imagens dialéticas, que juram estar com o dedo permanentemente no gatilho nuclear, e que prometem para seus prosélitos e já convertidos, milagres revolucionários, não se atrevem a ir além de parábolas, promessas e de adulações recíprocas. 

3. E a última provocação do Trump foi convidar o Lula para fazer parte de uma comissão, presidida por ele (um tal Conselho da Paz) que gerenciará a 'reconstrução' da Faixa de Gaza. Mas agora? E gerenciar o quê, mesmo? A paz? Dar conselhos sobre a paz? Ora! Depois de um massacre daqueles jamais, em tempo algum, poderá haver paz! Nem mesmo nos cemitérios! Negociar os escombros? Contabilizar os milhares de mutilados e os esqueletos desfeitos sob os destroços dos prédios? Ora, nem precisa ser um cão farejador para perceber que na essência desse convite há algo de ironia, de aleivosia e de maledicência... 

Enfim, sem muito drama, é no mínimo, muito triste viver num mundo onde uns simulam estar em estado de graça, enquanto outros, marcham cabisbaixos como se estivessem indo para o matadouro ou na direção de outra duvidosa utopia...  e, pior: todos igualmente iludidos com a possibilidade de uma redenção coletiva... mas que, inevitavelmente, apesar das aparências e das presunções, irão, ombro a ombro, diretos para el carajo!!!

sábado, 17 de janeiro de 2026

O porvir da mesma ilusão...

 


Apesar do blá-blá-blá-blá e do Lero-lero dos partidos, das máfias e das seitas, a lógica do mundo continua a mesma:

GANHARÁS O MEU PÃO COM O SUOR DO TEU ROSTO...




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Depois de quase três séculos de joelhos, o México resolve cobrar dos USA uma dívida antiga... de 400 milhões de dólares...



Pancho Villa (1878 - 1923)
Emiliano Zapata (1879-1919)




















Essa sim é uma feminista consequente! Viva o guapeca cockapoo Bobby Rhubarb... Que a união nupcial seja feliz e que nem a morte os separe...





Em tempo: - Em seu estupendo Teatro dos vícios, Emanuel Araújo menciona várias confissões de bestialismo durante a visita do SANTO OFÍCIO ao Brasil, lá por 1791. Na primeira, um tal de Heitor Gonçalves teve de explicar-se aos inquisidores por haver dormido carnalmente com ovelhas, burras, vacas e éguas. Em outras, um escravo foi surpreendido tendo intimidades com uma jumenta e outro, amancebado com uma porca... (Ver, de minha autoria:  Ecce bestia - Tratado de zoofilia e de outras transações descaradas entre humanos e bichos. LGE Editora, Brasília, 2001)


 
















terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Uma manhã turbinada...





Esta terça-feira de janeiro amanheceu movimentada e turbinada por vários helicópteros da polícia e da mídia sobrevoando minha casa, o pisca-pisca da emergência e dos bombeiros lá no estacionamento, um carro desgovernado sobre o canteiro de gás e a turma insone da Terceira Idade atormentando os porteiros e a turma da mídia para saber em detalhes o que havia acontecido. Até um casal de urubus que habita há meses a cobertura de um dos prédios, estava atônico com aquelas aves barulhentas e de hélices que giravam de um lado a outro, sem muito sentido... E as versões iam se transformando de minuto a minuto. A mais convincente e dominante era a de que se tratava de um casal de indianos (os policiais, falavam indianos, como se fossem iranianos e como se a Índia fosse logo ali, depois de Anápolis e de Pirenópolis...) que, lá pelas 4 da manhã, desgovernado (sem governo!?), havia cometido o acidente, passado por cima do carro elétrico de um inocente velhinho e ido parar sobre o imenso tanques de gás que abastece exclusivamente um prédio de juízes... e que, por pouco, não explodiu como um Oreshnik do Putin...

As expressões eram aparentemente de espanto mais, nas entrelinhas, percebia-se que eram de puro gozo! Lembram de Unamuno e de sua teoria sobre El sentimento trágico de la vida?

Enfim, tratava-se de uma manhã diferente, radiante e sem tédio! Sem a obrigação e a rotina miserável de ir até a padaria da esquina (ainda em cuecões ou em camisola), buscar três pãezinhos franceses e um leite desnatado; passar na farmácia para reabastecer-se de losartana potasica, aproveitar para comprar dois ou três parafusos que faltam e voltar para casa para esperar por Godot...

Ah! Hoje a coisa começou bem! Tudo seria diferente! E quando as velhinhas dos prédios vizinhos e os burocratas acordassem e vissem os estragos e todo aquele movimento, o entretenimento do dia e até da semana estaria garantido.

Só se ouvia a exclamação: Meu Deus! Que irresponsabilidade a desses indianos! Vazou gás desde a madrugada... Ainda havia bêbados no puteiro da esquina e a quadra inteira poderia ter ido para os ares e todos acordaríamos já mortos... Blábláblá... 

De onde e de quem teríamos herdado esse fascínio pelo sinistro?

E os envolvidos, seriam de Nova Deli, de Bénares ou de Puskar? Teriam bebido, fumado ou cheirado? Seriam míopes? O casal estaria brigando? Teria sido uma tentativa de suicídio? Seriam cristãos, hinduístas ou Filhos de Ghandi? No painel do carro não havia nem imagens de Cristo crucificado e nem de Buda, com aquela imensa barriga, hibernando sob a figueira... Mas, - segundo uma lunática que especulava por lá - havia um santinho de Kali colado na parte inferior do volante. Kali e, pendurado ao retrovisor, as penas de um daqueles Captadores de Sonhos que se pode compras nas lojinhas vagabundas de souvenires em Vancouver...

Da janela do apartamento de um cubano, que ainda não havia nem tomado conhecimento do ocorrido, se ouvia Trini Lopez cantando Quantanamera.

Os curiosos, depois de semi-satisfeitos, voltavam para seus apartamentos mas continuavam nas janelas enquanto ligavam para vinte ou trinta sujeitos da mesma idade, para em seguida acenderem uma vela e voltarem a ler o Eclesiastes. 

A propósito, você, que sempre anda fazendo pose por aí com a Bíblia sob o braço, já leu o Eclesiastes? Ou os pastores, os padres e os coroinhas te proibiram de fazê-lo? Em termos de pessimismo e de arrependimento por ter nascido, esse texto bíblico coloca o Apocalipse, Schopenhauer, Sartre e a Cioran no chinelo...  

Quantanamera!!!

Acreditem: foi tudo muito divertido...


 


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Os horrores da ditadura e o cinema brasileiro...




Depois de Ainda estou aqui, agora o Agente secreto. Este, em co-produção com os alemães, holandeses e franceses... E os dois, tratando da criminália, dos horrores e das ignominias daqueles vinte e tantos anos de ditadura... Oxalá, no ano que vem, não produzam algo tipo: Crimes e aventuras de alcova dos generais.

A cidade e o país estão visivelmente orgulhosos das premiação. Ah! o Globo de Ouro! E é para orgulhar-se mesmo, afinal, a temática é exótica, bizarra e fascinante, principalmente para os estrangeiros que, já estão viciados na pequenez e nas desgraças das colônias e do mundo paralelo... eles que, aliás, em várias de nossas prisões, garagens e subsolos daqueles tempos, orientavam os torturadores e estiveram por detrás daqueles "anos de cassetete, de choques elétricos e de chumbo".  Por isso, sendo assim, (com nossos thrillers e historinhas), não estaríamos, narcisa e ingenuamente, inflando o ego daqueles colonizadores? E eles, não estariam premiando a si mesmos, à suas polícias, a seus diplomatas,  espias, torturadores e agentes?

Claro, como era de se esperar, a satisfação pela premiação não é unanime. Um grupo de mendigos, por exemplo, discutia o assunto ali nos arredores do Hotel Social, recentemente inaugurado. Um deles, que apesar de nunca ter entrado num cinema, mas que sempre se posta diante das vitrines das Lojas Bahia para ver a TV, dizia estar indignado com três coisas a respeito da tal premiação. Primeiro, o fato da premiação acontecer na California, ao invés de ser ali no Cariri; segundo: do filme estar na categoria FILMES EM IDIOMA NÃO INGLÊS; e terceiro: no gênero DRAMA.

Sabem o que isso significa? Perguntava. Quem já ouviu falar em metalinguagem que levante o dedo...

O protocolo a respeito do idioma é descaradamente supremacista e a referência a drama, remete de imediato qualquer um, a uma espécie de Macombo, a uma sociedade de bruzundangas, a um vale de lágrimas ou a coisa parecida...! Enfim, só faltou o Marco Rubio abrindo o espetáculo...

Em síntese... - concluíam - Buscar anualmente a aprovação, elogios e o apoio dessa gente, é quase como uma Síndrome de Estocolmo! Como ter se acostumado a ficar de quatro e ter esquecido completamente daquele clássico pensamento latino: Quem te fez uma patifaria, repetirá a façanha.... 

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EM TEMPO:
Mas não se desesperem, pois já somos o quarto maior consumidor de pornografia do mundo e o Vini Júnior já iguala o recorde de gols de Cristiano Ronaldo no Real de Madrid...
Que comédia e que miséria!!!







domingo, 11 de janeiro de 2026

Enquanto isso... ali em São Paulo...





















Drumond de Andrade, o homeless paraplégico e a pedra no caminho...


Na caminhada desta manhã de domingo, ali pelos arredores daquela padaria que cobra 73,00 reais por um misto quente e uma limonada dita suíça, fui abordado por um homeless de uns 30 anos que ia se arrastando dentro de um barulhento andador de alumínio e acompanhado por um guaipeca...

Queria vender-me uns panfletos poéticos de sua autoria, todos fazendo elogios desmesurados a Drumond de Andrade... Quando lhe disse que estou de saco cheio tanto de Drumond como de poesia, ficou meio assustado. Depois, enquanto ia me exibindo seu trabalho, com um certo sadismo e parafraseando a Adorno, lhe perguntei: como é possível seguir escrevendo poesia depois do Trump e do genocídio na Palestina?

Curiosamente, neste momento, ele passou a queixar-se de sua paralisia, a culpar a negligencia de seu pai e do Estado e mais: a dizer que era travesti... Para, em seguida, mencionar a volta de Cristo, a Era de Aquários e seu amor incondicional ao Lula.

Tudo bem, tudo bem... Enquanto eu o ouvia, seu guaipeca latia e ameaçava a todas as pessoas que passavam, até que uma velhinha de uns 120 anos, que parecia ter saído de uma catacumba e que ia ouvindo aquela música antiga de Simon & Garfunkel, lhe meteu uma bengalada nas costelas...

E ele, equilibrado dentro de seu andador, compulsivamente insistia em falar de Drumond e de sua obra, como se se tratasse de um avô ou de uma divindade. A respeito da tal "pedra no caminho", quase sagrada na obra do mineiro de Itabira, afirmou que, na verdade, se tratava de uma pedra de cocaína. E emendou: inclusive o Machado de Assis, todo mundo sabe, era cocainômano... 

Enquanto ia me retirando, fiquei curioso em saber se Lima Barreto, quando escreveu Os bruzundangas, além da cachaça, também costumava dar umas fungadas no pó...

 















sábado, 10 de janeiro de 2026

As ilusões e a falácia do ACORDO do Mercosul...





Até os garçons e as senhoritas que, de madrugada, povoam os arredores do Hotel Nacional, por incrível que pareça, estão comemorando o tal acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia...
Duvido que alguém, mesmo os mais expertos, saibam o que isso representa, para eles, para elas e para a grande maioria dos condenados da terra. E depois, um acordo que precisou de mais de vinte anos para ser "firmado", além de lembrar os Cartéis de Sinaloa, já é suspeito. Será que teria sido necessário todo esse tempo para que os envolvidos alinhavassem os truques e os álibis que manterão suas falcatruas submersas e os rebanhos, de lá e daqui, ainda obnubilamos? 

Ah! mas os picolés, o chocolate, o azeite, os vinhos e até os carros agora ficarão mais baratos... Ora! Um país que já tem 500 anos e que ainda precisa importar picolés; um país que tem as maiores plantações de cacau, de cana de açúcar, de amêndoas e de leite à vontade, que ainda precisa importar chocolate, deveria fechar as portas... Um país que em 500 anos não transformou o cerrado em um mar de oliveiras e de vinhedos, e que ainda tem que importar azeite e vinho, deveria apagar as luzes e baixar de vez as calças... 

Ah!, mas os carros importados ficarão mais baratos!!! Tudo bem, mas observem: quanto maior a escravidão emocional e quanto mais idiota o sujeito, maior e mais poluidor é o carro com que sonha...

Ah! Mas e os tomógrafos made in USA? E os remédios com que os gringos, os holandeses e os alemães abastecem nossos monopólios farmacêuticos! O que seria dos hipertensos, dos deprimidos, dos brochas e dos insones?

Ah! Mas nossos latifundiários e fazendeiros, a partir desse acordo, exportarão mais vacas, mais porcos, mais frangos, mais mangas, mais suco de laranja e claro, mais SOJA... Ah! A neurose da soja! Quem é que consome essa merda, afinal?

Ora! Um país que insiste em exportar soja, vacas, galinhas e produtos da terra, enquanto importa repelentes, aspirina, cordas de violino, celulares e colírios, não tem futuro! Um país em que 90% de sua população ainda não teve chances de comer um chocolate; beber uma garrafa de vinho e nem sequer um suco de laranja, por mais que siga cacarejando salmos e bobagens de seitas importadas, é um simulacro de nação e não terá chances de entrar no paraíso...

Ah!, - Justificam -: Mas o mundo é uma grande e fraterna família (mesmo que seja de trapaceiros, mas mesmo assim, una famíglia grande, sacra e immensa!!!). E depois, esses negócios fazem parte da construção de um planeta multipolar, mais igualitário e mais humano... E negociar entre nações é fundamental...

Sim, sim..., é verdade! Mas, quem é que, não sendo surdo, ainda não ouviu esse blábláblá??? Esperar vinte anos para negociar com trapaceiros de fora?! Por que não dar prioridade aos trapaceiros e compadres autóctones de sempre??? E começar a produzir, pelo menos, cordas de violino e repelentes???

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Os refugiados venezuelanos, a orquestra sinfônica de Caracas e a guerra...

 



Ali nos arredores de um shopping popular, ultimamente, costumo ser abordado por todo tipo de mendigos, principalmente por senhoras venezuelanas "refugiadas" por aqui... Normalmente são sóbrias, não abrem a boca a respeito da política de seu país, pegam as moedas que eventualmente lhes dou e desaparecem. Hoje, nesta sexta-feira garoante, uma delas revelou-me estar furiosa com o assédio cretino dos EEUU contra sua pátria. Jurou que se dependesse dela, enfiaria todo o petróleo venezuelano nos intestinos do Trump e de quem o apoie... (fez um silêncio e prosseguiu): E, o que é mais interessante nessa babaquice entre imperialistas e latino americanos, é que até agora ninguém lembrou que a Venezuela, além de ser o país que tem mais petróleo no planeta, também tem a Orquestra sinfônica Simón Bolívar, que é uma maravilha das mais interessantes e prestigiadas do mundo.... 

(fez um silêncio e prosseguiu):

Enfim, essa guerra é estúpida, signo da carência, da voracidade e do padecimento humano... E esses enfrentamentos planetários, observe, são travados por sujeitos visivelmente imaturos e infantilizados. Ouça, por exemplo, as falas do Trump e de seus assessores e até da mídia... Os argumentos, o narcisismo e os afetos são vingativos...  exatamente o mesmo padecimento experimentado por pré adolescentes de doze ou treze anos... Aliás, e observe como são quase sempre mulheres as porta-vozes dessa gente! Caroline Leavitt, do Trump; o papel da Elizaveta Pescova (filha do Dmitry Peskov), é inegável; a que aparece sempre reportando as mensagens do Xi Jinping, parece mandar mais do que ele, e até o Kin Jong-un tem a sua Richun Hee... etc, etc. Qual é afinal, o papel delas nessa guerra suja? Amenizam, agravam ou gozam perversa e secretamente com toda essa mentirada e com todos esses conflitos? Trata-se apenas de um empregozinho temporário ou teriam algum tipo de gozo vingativo vendo esses 'patriarcas cretinos' sendo despedaçados por bombas e humilhando-se entre si? 

(Fez outro silêncio e perguntou): 

Lembra-se da Lisístrata, de Aristófanes, lá por 390 a.C.? A greve de sexo das mulheres gregas? Elas que, numa tentativa de acabar com a guerra idiota entre atenienses e espartanos, fizeram uma greve de sexo? (uma guerra que, na essência, dura até hoje!!!)

Enfiou entre as tetas as notas que eu, beatamente, lhe havia dado, piscou-me com um dos olhos e desapareceu...













quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A geopsique e a Prímula chinesa...


Falando de hereditariedade e de ambiente, Willy Helpach, na página 12 de seu livro GEOPSIQUE (Stuttgart, 1950), lembra que segundo os manuais de botânica, a Prímula chinesa floresce vermelha quando mantida à temperatura de 15 graus, e branca tão logo a temperatura atinge os 35 graus.  E agrega: "Ninguém, com efeito, pode contrapor-se aos seus elementos hereditários, assim como ninguém pode saltar além da própria sombra, e só é possível formar as co-respectivas realidades vitais apenas nos limites das possibilidades..."

E mais: termina o prólogo desse livro com a frase em alemão, que Goethe costumava escrever no final de suas cartas: Und so fortant! (Sempre assim para sempre)

Que viagem!!!




Enquanto o proletariado obnubilado, espera pelas próximas eleições, por sua cesta básica e por Godot... A burguesia segue errante em seu trottoir por Ibiza e por outros paraísos...


"... As doze portas eram feitas de pérolas, cada porta de uma única pérola. E a rua principal era de ouro puro, transparente como vidro..."

João de Patmos
Apocalipse 21:21-23


"... Quando a Revolução triunfar, nossas privadas e até nossos 
urinóis serão de ouro..."

Vladimir Lênin... (1921)























domingo, 4 de janeiro de 2026

sábado, 3 de janeiro de 2026

Solidários com Venezuela, mexicanos atiram ovos na embaixada dos EEUU...


"... Como é possível chegar a tamanho grau de atrevimento? E como poderia ser a modéstia uma virtude dos templos, quando uma velha decrépita que imagina ter o infinito a seu alcance, se eleva pela oração a um nível de audácia ao qual nenhum tirano chegou a aspirar???" EMC







Mas, ovos? Sempre os ovos! E mesmo depois de ter sentido náuseas ao ouvir o discurso do imperador... Isso já passa a ser uma ignomínia para com as galinhas e para com os galos...
Não lhes parece bizarro que como resposta à bombas, a mísseis e a sequestros, se lancem apenas ovos? E, provavelmente, com medalhinhas da Virgem de Guadalupe ao pescoço?
Que assimetria e que guerra perdida! Seria esta uma das características e das maldições dos povos colonizados?
Ao invés de ficarem de joelhos lançando gritos e blasfêmias contra os tiranos, invasores, colonizadores e cretinos forasteiros, seria importante que a América Latina inteira e a América do Sul, também inteira, fossem aos cemitérios cuspir e mijar sobre as tumbas dos cretinos autóctones, daqueles que, durante séculos, foram criando as condições subalternas e miseráveis em que nos encontramos.
Enquanto os imperialistas iam construindo seu poderio científico e militar, nós só pensávamos na modéstia, na submissão, na edificação de templos; no tédio reacionário e nas delícias tóxicas da "vida eterna" e do infinito; em pagar em dia o dízimo; em marcar presença nas longas procissões; em ir à pé até Belém do Pará, até Aparecida do Norte, até a tumba do Padre Cícero e, anualmente, ir pedir milagres e amarrar fitinhas coloridas nas cercas da Montanha Sagrada... Que DNA mais animista!
Caralho! E agora, é tarde!
Qualquer peido que o império (unipolar) solte nos é fatal... e, apesar do blábláblá dos novos trapaceiros, quando o mundo se tornar (multipolar), será mais fatal ainda... Porque só a rapina nos une...










sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Mendigo K e a Noite de Ano Novo... Namastê...



E o Mendigo K apareceu nesta primeira sexta-feira do NOVO ANO.

Parecia eufórico e chegou até a exibir um punhado de notas de vinte reais que os dias festivos lhe teriam rendido. Feliz Ano Novo! Ia despachando para seus colegas de infortúnio e até para as donas de casa que atravessavam a rua com suas sacolas de mercado e seus passinhos de prisão de ventre...

Feliz Ano Novo!

Feliz e Próspero Ano Novo!!!

Namastê... Namastê... Namastê...

E como é de praxe até nas melhores famílias, uns queriam saber dos outros o que fizeram na noite de 31, quando os governos, com seus alcaguetes, bêbados e gestores acionaram seus foguetes, suas luzinhas piscantes e suas trapaças. Viva! Viva! Viva! os que inventaram essa farsa!!!

Ele, depois de ouvir seus colegas e até o velhaco português, dono da padaria, relatou que esteve lá no templo budista e que chegou até a dar umas badaladas no sino imenso que há lá, usado nestas ocasiões para atrair discípulos e para tentar dar sentido à vida, um sentido que até Buda jurava não existir...

Insistia que foi um show. Que nunca havia visto tantos órfãos juntos, gordos e anoréxicos, velhos e jovens, ignorantes e ilustrados que se abraçavam e que vertiam lágrimas uns nas orelhas, pescoço e ombros dos outros. Feliz ano novo! Feliz ano novo! E prosperidade! Que sejamos prósperos! Diziam uns aos outros. Enquanto os foguetes lançados lá na Esplanada dos Ministérios brilhavam acima de suas cabeças, o sino badalava, os mais cínicos faziam quele gesto clássico dos nepaleses quando dizem "namasté" uns aos outros; e saiam gritos das janelas dos prédios, os carros buzinavam, e todo mundo falava ao telefone, até os inimigos mortais se faziam juras e promessas de amor, moralistas e moralizantes. Iriam dedicar-se mais às crianças; emagrecer; tornar-se veganos e até mais humanos com os animais; que pagariam as dívidas e os impostos; que trepariam em casa pelo menos duas vezes por semana; que iriam reler a bíblia, o Corão, o Talmud, ser mais Zen do que nunca e dedicar-se inteiramente ao cumprimento dos 8 preceitos básicos do budismo e, se necessário, até voltar a estudar a Lobsang Rampa e a Madame Blavatski. Lembram dos fanáticos do terceiro olho? 

E meio orgulhoso, jurava que havia reconhecido lá, no meio da turba, e que até o haviam cumprimentado, estrangeiros, gente da diplomacia, grandes engenheiros, médicos acupunturistas, jornalistas, músicos, mocinhas solitárias de 500 reais a hora e até poetas, e um ou outro daqueles charlatães e malandros do haicai... E que na camiseta de um deles havia, além de uma foto do Bashô, a inscrição paradoxal de um conhecido romeno: O poeta é um místico que, por não poder elevar-se à volúpia do silêncio, limita-se à volúpia da palavra...

Conforme os ponteiros do relógio avançavam aumentava  a ansiedade e a fila para pegar a senha do jantar ia crescendo... Pratinhos da culinária japonesa, pasteizinhos enfeitados e o cheiro nauseabundo dos peixes crus... Comer. As tripas festejam todos os anos e todos os dias. Fazer jejum? Sim, sim... mas não agora, camarada Buda! Há ainda muitas seringas e muitas bariátricas para o Ano Novo! Namastê!!!

E se não fosse interrompido, a fala daquele mendigo parecia não ter fim. E quando alguém o questionou por, sendo cristão, ter ido a um templo  budista ele respirou fundo e se defendeu: É que conheço e frequento todos os outros templos da cidade o ano inteiro e desde que nasci! E foi citando com ar de beato: Catedral Metropolitana; Comunhão espírita; Igreja Batista Central de Brasília; Igreja Messiânica do Brasil; Vale do Amanhecer; Templo SHIN Budista Terra pura; Templo Seicho-No-Ie do Brasil; Templo da Boa vontade; Santuário menino Jesus de Praga; Santuário Mãe Rainha de Schoenstatt; Santuário Dom Bosco; Praça dos Orixás; Mesquita do Centro Islâmico e a igrejinha Nossa Senhora de Fátima... Por estar emocionado, chegou até a confundir templos com bocas de fumo e depois, como se estivesse se desculpando, concluiu: e muitas outras (umas que nem ouso mencionar) e outras que agora não me lembro...

O silêncio foi total e absoluto. A mendigada, acostumada a viver de desprezo e de migalhas, ficou de boca aberta...