sábado, 31 de janeiro de 2026

Caso Epstein... Assim falou Miguel Ruiz Calvo...





















A santa que chorava lágrimas de sangue, era pura farsa...




 

VOCÊ, como bom animista, bobalhão incurável e esotérico profissional, talvez até tenha ido em peregrinação, acendido velas e mandado pix para a trapaceira que lá na cidadezinha de Trevignano (não muito distante do Vaticano), inventou a balela da Santa que, de vez em quando, chorava lágrimas de sangue.

Alguns poucos escépticos até suspeitavam de que tudo não passava de uma farsa ilusionista e houve até quem levantou a hipótese de que se tratasse de um truque com tinta ou até com sangue de porco. Mas..., com medo de passar queimando no inferno, por toda a eternidade, seguiram fingindo e fazendo o jogo do embuste durante mais de uma década.

Nestes dias, finalmente, + ou - envergonhados, os doutores da Universidade de Roma, depois de uma singela investigação, desmascararam a trapaça e deixaram claro que não se tratava de choro, nem de lágrimas, nem de tinta, nem de sangue de porco, e muito menos de sangue da estátua de gesso... E que, na verdade, tratava-se de sangue da própria farsante, a vidente que havia inventado aquele teatro.

Agora, que tudo desmoronou, a igreja, também + ou - envergonhada por ter acobertado aquele fiasco e aquela bobagem neurótica durante tanto tempo, está (querendo tirar o cu da reta) proibindo qualquer tipo de peregrinações, rezas, visitas, e mentiras sobre milagres e etc, a respeito de Trevignano... Que miséria!

VIVA A UNIVERSIDADE DE ROMA! 

Mas.., e agora, quem é que vai devolver os milhares de PIX enviados pelos beatos e pelos tolos à tal vidente e prestidigitadora??? 

Nós sabíamos que a ideia do psiquiatra Franco Basaglia de esvaziar os hospícios italianos e mandar os loucos para casa iria dar nisso... mormai (fratello mio), è davvero troppo tardi... (ver: a Instituição negada).

 

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/flipar/2026/01/7344996-exame-de-dna-desvenda-misterio-da-virgem-que-chorava-sangue.html

























E o IBGE registra o aumento da escravidão...

 





E terás que ganhar o sustento não apenas com o suor de teu rosto, mas com tua autoestima, com teu amor próprio, com tua dignidade, com teus músculos, ossos, bagos e saúde mental (em alguns casos, data vênia, até com tuas mucosas...)


"Chegamos a tal ponto de imbecilidade que o trabalho passa por ser não só honroso, mas até sagrado..." (p.15)

Remy de Gourmont

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Putin, poeta! Sous le ciel de Paris...




 "Le bonheur est une chose vulgaire..."

Mc Bey






A pequena burguesia latina e sul americana que passou cinco/seis anos em Paris patinando sobre seus pós-doutoramentos; e tomando cafezinhos com madaleines em Montmartre enquanto engendrava o blá-blá-blá de sempre sobre patafísica e sobre Napoleão I, está angustiada com a ameaça do Putin de fazer a França desaparecer da geografia. Se a França do Macron - diz o Putin - der um tiro contra San Petsburgo ou contra o Kremlin, ficará na história mas desaparecerá do mapa. 
Poética a frase! 
Mais para Baudelaire do que para Dostoiévsky...
Meu Deus! - Suspira a petite burguesia e até uns ex-proletários trapaceiros - Mas e as Galeries Lafayette? E as ourivesarias de Champs Élisée? E a Catedral, recém reformada? E a tumba de nossos mestres? E o Café Les deux Magots, de Saint-Germain-des-Prés? E o Pantheon, e os heróis da pátria, e as camisolas da Maria Antonieta?... Ah! E a Salpêtriére? O que seria do mundo sem a memória do Hospital da Salpêtriére? E o que seria da misericórdia e do cristianismo, sem a memória do Hotel des Invalides? E daquele puteiro com a hélice de um moinho pregada ao umbral? A propósito, o que será das eslavas do Parque de Boulogne? Ah! As eslavas... É justo que a burguesia se preocupe com elas até mais do que com a suposta falência do Master?
Como imaginar os jardins de Trocadéro, o Parque de Monrsouris e o de Luxemburgo, onde Proust, Baudelaire, Cioran, o gorducho Hemingwai e outros desvairados iam diariamente curtir suas vaidades e suas solitudines... como imaginar tudo isso transformado em carvão e em cinzas?
Não acredito!
Não! Putin não será louco para tanto!
 Com a quantidade de cocaína que a Europa compra do Brasil regularmente, não dá para confiar nas ameaças e nem nos propósitos daquela gente. E depois, preste atenção, parafraseando a Oscar Wilde, os governantes de lá, quando aparecem em cena, sempre lembram aquela dama da Comédia Francesa que, quando entrava no palco fazia de tudo para poder falar sobre LE BEAU CIEL D'ITALIE...

 




quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Rajneesh, Trump e a deportação...




 "O meu tempo é sempre agora. O mundo fica para trás. Estou nas nuvens. É perigoso mas não tenha medo, estou acordado. Não seja covarde, esse é o único obstáculo para conhecer a verdade. É necessário ousar para conhecer; é preciso entrar no perigo..."


Rajneesh 
(IN: Notas de um homem louco)


  • Nesta quinta-feira de janeiro a velhinha armênia parecia mais feliz do que todos os outros dias juntos. Até o mercado parecia ter mais luz. Estava sem o lenço de seda na cabeça, mas vestia um blusão laranja e levava ao pescoço aquele colar de contas com um medalhão e a foto do mestre que os discípulos de Bhagwan Shree Rajneesh (os chamados (sannyasins), usavam. Fiquei surpreso! Caralho! Que velha além de seu tempo... E lembrei que nos anos 80, todo mundo viu, Brasília era, depois de Poona e Bombaim, (na India), talvez o maior Ashram daquele genial guru indiano... Ali, junto à prateleira da bardana, ela ia falando, visivelmente emocionada, daquele período em que acompanhou aquele místico revolucionário pela Índia e por Oregon, nos Estados Unidos, que, segundo ela, era um verdadeiro sol que encorajava a flor a abrir-se 
  • Expulso da Índia, onde recebia até mais de vinte mil discípulos por ano - foi historiando - em 1981, mudou seu Ashram para o Oregon, nos EEUU, até que o ICE da época o deportou. Sem conseguir estabelecer-se em nenhum outro país (por pressão dos USA), voltou para Poona, onde permaneceu até morrer e onde foi incinerado numa fogueira por seus milhares de acólitos e discípulos de todo o mundo.

No meio de seu relato, ia intercalando trechos da obra genial de seu guru, aquele que - dizia - havia sido iluminado ainda com vinte anos, em uma experiência mística, sentado sob uma árvore no Jardim Bhanvartal, em Jabalpur...

Enquanto falava, ia me olhando profundamente nos olhos, apalpando seu colar de contas com a mão direita, e com a inconfundível fé de um sannyasin... E, antes de retirar-se me assegurou: Bazzo, lembre-se: está é a primavera chuvosa mais bela de todas as primaveras! (Primavera? Mas estamos em janeiro!). Com um certo cinismo tirou da bolsa e me presenteou com este pequeno livreto de seu mestre...

Minha quinta-feira estava ganha...















terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A TEATRALIDADE ALUCINÓGENA... A tal maconha... O circo, a estupidez, a pobreza mental e a incompetência...



 [...Che vecchio sospettoso!

Si litiga, si piange e si minaccia...

Con questo vecchio avaro, brontolone!

Oh, che casa! oh, que casa in confusione!]

Berta, a camareira 

(Cesare Sterbini, IN: Il barbiere di Siviglia p. 40)







Depois de anos se masturbando sobre esse assunto, eis que os experts do ESTADO voltam a se reunir na próxima quarta-feira para decidir o destino da tal CANABIS, de seu uso MEDICINAL e moral, in natura ou castrada geneticamente, com seus derivados. Uma vergonha. Um assunto que já poderia ter sido resolvido há décadas e em cinco minutos, por um jardineiro, por um auxiliar de enfermagem ou mesmo por um desses adolescentes que perambulam pela rodoviária com marcas de cassetete nos joelhos (e, consequentemente, esvaziado a metade das cadeias), tem ocupado, até hoje, um monte de especialistas, (químicos, antropólogos, neurologistas, historiadores, pastores, psicólogos, delegados, advogados, jornalistas, professorinhas, carcereiros, influencers, psiquiatras, freiras, pais de santo, orientadores de noivos, teólogos e etc, etc), e outros pavões menores, beatos e hipocondríacos de todos os matizes, gente que têm pânico da subjetividade, que nunca, sequer, se aproximou de um baseado... e que seguem fazendo proselitismo barato, por aí, afirmando que as tais folhinhas da maconha são, realmente como ironizou Carlos Castanheda: uma Erva-do-diabo e que, por tabela, o Canabidiol seria uma poção satânica. Caralho! Que atraso! Que animismo! Que vergonha! Que dificuldade para gozar! Gente tapada que se descobrisse que o arroz integral é alucinógeno, faria de tudo para proibi-lo... Ah! O que seria de Brasília sem o aroma da erva que, à noite, dispara das janelas dos cortiços, das mansões, das alcovas das meninas solitárias, das enfermarias, dos templos, dos ministérios, das ambulâncias, dos motéis e até dos cemitérios? Aromoterapia! A flagrância das folhas, das flores e das sementes...
Espero que os responsáveis por pacientes/doentes que poderiam há muito, estar se beneficiando com o uso dessa droga, aproveitem para perceber o grau de  prepotência, de irresponsabilidade e de tirania do Estado...
E que se aproveite essa nova sessão circense para produzir, pelo menos, uma minuta que oriente as donas de casa a substituírem os vasos de gerânios em suas varandas e jardins, por vasos de cannabis e para tornar obrigação do SUS e dos órgãos de saúde, o fornecimento gratuito de meia dúzia de baseados mensais, às pessoas com mais de sessenta/setenta/oitenta anos.

 




domingo, 25 de janeiro de 2026

"É necessário que se destrua tudo, até mesmo as ruínas..."

Neste domingo meio de chuvisco, o Mendigo K estava ali junto às grades da igreja da quadra olhando os cinquenta ou sessenta beatos que chegavam para, com suas rezarias ingênuas, tentar alterar os designium divinos... Quando me viu, apontou para o padre que também chegava naquele momento, seguido por dois coroinhas e resmungou: catequizar gente já convertida é fácil, quero ver esse padreco reunir-se com ateus, agnósticos, hereges, bandidos profissionais, assassinos em série... etc.

E prosseguiu: Dia de frustração hoje, Bazzo! Perdi a implosão e demolição do Torre Plaza Hotel... Instalaram dinamite em seus pilares e o mandaram para el carajo. Uma pena! Já vivi lá. Era um luxo. No princípio, foi um puteiro para turistas; depois passou a ser um puteiro para burocratas do quarto escalão e, por fim, um puteiro para mendigos. Era uma maravilha dormir lá, em frente à Torre de TV e ao lado do Mac Donald's... De suas varandas se podia ouvir, inclusive, os sinos da Catedral... Foi uma pena. Mas não pense que sou contra as demolições. Pelo contrário, desde criança, penso que é necessário que se destrua tudo, inclusive as ruínas... Antes de retirar-se deu-me umas palmadinhas nas costas e, cinicamente, olhando para a poeira e os escombros, recitou a conhecida frase de Ninon de Lenclos, à repórter que pretendia entrevistá-lo: "Se fizesse parte do conselho do Criador, quando ele formou a natureza humana, eu lhe sugeriria que as rugas ficassem debaixo dos calcanhares..."


 





 


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EM TEMPO -  Além da demolição, está todo mundo falando do raio que agora à tarde, caiu sobre a Grande Marcha do Nicolas, ali ao redor da primeira cruz levantada em Brasília, mandando para os hospitais da região uns setenta camaradas. Bizarro! Logo contra eles que costumam levar Deus para os comícios e por todos os lados... Qual divindade do Olimpo teria tentado fulminar aquela pobre gente, e por que estaria contrária à caminhada? Todo mundo está esperando a interpretação da Michele, dela que já demonstrou várias vezes ter livre acesso aos rancores e aos anseios divinos... (A propósito, será que na Grande Marcha do Mao Tsé Tung - 12 mil quilômetros -, e nos dois anos da Coluna Prestes, teria acontecido algo parecido?

















sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Várias...



"... O garoto perguntou ao pai: 'Papai, por que o capim é verde?' e o pai assentou-lhe uma bofetada..."

Ardengo Soffiei

 



1. Ainda está todo mundo meio abobalhado com as novas leis de trânsito que a partir de agora irão regular a performance dos motoristas e, consequentemente, a carnificina nacional nas estradas e sob as rodas... Se já era um suicídio sair de casa e colocar os pés ou o carro na rua, agora, com as novas regras... então..., voltar para casa vivo e inteiro será quase um milagre... Ou você é amassado nos arredores da Universidade por um adolescente babaca; atropelado por um velhote com os exames oftalmológicos desatualizados; prensado contra uma árvore por um pinguço desvairado; colidido com a bicicleta de uma gorduchinha vegana; destruído por um ônibus desgovernado... ou por um caminhoneiro ainda com pó nos bigodes... E não adianta reclamar, porque está tudo dentro da lei... Como não há transporte coletivo nas cidades, a obrigação e o sonho de qualquer idiota é comprar um carro e aí, quanto mais potente e maior, melhor...

2. E se se pretende sair da Idade Média através da educação, é crucial prestar atenção ao papel exercido descaradamente pelas rádios. Não adianta ficar obsessivamente discutindo e investindo na sagrada famíglia, na pré escola, no ginásio, no nível médio, na universidade e nos cursos de especialização, se não se compreende o papel das rádios e dos 'radialistas' na domesticação e alienação das massas.  Todos sabem que, desde que acordam até a hora que voltam a dormir, as donas de casa, as empregadas domésticas e o proletariado, como um todo, (eles que, na essência, fazem o mundo girar) estão com o rádio ligado e com os fones enfiados nos ouvidos sendo adestrados pela propaganda enganosa, pelos mitos, ignorância e baboseira radiofônica que não tem eixo algum e que nem precisa prestar contas a ninguém sobre sua selvagem e improvisada pedagogia... 

As duas ou três horas por dia em que as crianças passam confinadas nas escolas, (ouvindo uma tia que acaba de ter um aumento salarial de 3 dólares e meio), não são nada se comparadas com o rádio em casa ligado 24 horas por dia... Funcionando - segundo diz Calandrino -como um aparelho ortopédico para encompridar as pernas às mentiras..."

Se os sábios da cultura e da prosperidade não entenderem desde logo como funciona esse perverso processo de psicologia de massas (entenda-se burrice sistêmica vigente) e se os microfones continuarem disponibilizados a qualquer um, seja ele um beato, preconceituoso, singelo, tirano, reacionário e ignorante, a serviço de uma empresa praticamente clandestina... não adianta passar mais meio século cacarejando a respeito de Montessori, de Piaget, de Madame Satã e nem mesmo de Paulo Freire... A batalha, friend, está mais do que perdida... Pode torcer o pescoço de tuas ilusões...

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EM TEMPO: Enquanto terminava de escrever estes textos, um ônibus capotou em Minas Gerais enquanto, em Goiânia, um caminhão bateu de frente com outros veículos, matando uns 15 e ferindo mais de 50... Tem lógica e sentido uma merda dessas?

Por fim, como escreveu hoje o Ministro iraniano Abbas Araghchi, ao presidente da Ucrânia:  


E nós também...





quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Para entender porquê os grandes ladrões mandam os pequenos para a forca, bem como o porquê das trapaças do Master e o fascínio pelas Emendas Secretas...




{Por dinheiro tudo se compra. As bênçãos das santas e o crânio dos heróis, a camisa de dormir da tua noiva e o rosário do teu confessor. Ciganas e écuyères, saltimbancos e mendigos, fidalgos e aguardente, trapeiros e sacerdotes, coveiros e apóstolos, santos e famintos, sultanas e cadelas, bobos e cortesãs, escravos e libertos, tudo isto é da sua corte. O próprio Deus, o próprio céu rende-se, quando se lhe mostra um punhado de ouro} ou, uma passagem para Ibiza ou para as Ilhas gregas...
Albino Forjaz de Sampaio


 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

"La vita è una malattia mortale che si trasmette per via sessuale... (anônimo).



{... Il medico saggio deve essere esperto tanto per prescrivere un rimedio quanto per non prescrivere nulla...}

Gracián





Esta semana não foi muito gratificante e nem muito edificante para as confrarias médicas.

Primeiro, o affair daquele médico lá em São Paulo que, por disputa de mercado, matou dois colegas médicos a tiros. Quem é que poderia imaginar que os médicos também são bons de gatilho?

Depois o caso de ontem, ali no maior hospital do DF, daqueles paramédicos (enfermeiros e auxiliares de enfermeiros e etc) que, numa UTI, com injeções venosas, eliminaram a três pacientes.

E, por fim, a pesquisa feita e publicada ontem pelo Ministério da Educação (ele que é o órgão que autoriza ou não a abertura de novos cursos), constatando que 1/3 das faculdades de medicina espalhadas pelo país não têm nível seguro e nem satisfatório. De 304 cursos, 99 obtiveram notas abaixo de 2. Que tal!? (Imaginem então, em que mares devem estar navegando os companheiros da psicologia, do direito, das ciências sociais, da pedagogia, do jornalismo, da engenharia e etc, etc, etc.....!!!).

 

Caralho! Quem é que, diante destas notícias, mesmo não se identificando com Le malade imaginaire, de Molière; nem sendo um hipertenso profissional e nem um hipocondríaco ordinário, não vê sua pressão arterial ir além, muito além, dos míticos e românticos 12/8?

O que pensaria o velho Hipócrates??? Ele que, lá nas maravilhas das ilhas gregas, sabendo que noventa por cento das doenças são produto de culpa e quarenta por cento, da ignorância? Ele que fez de tudo para separar a prática médica das superstições religiosas, do mercantilismo e da magia negra?

O Mendigo K, ali na padaria, cercado por um bando de outros mendigos recém chegados da Bahia, do Maranhão e do Piauí, discutia o assunto e lembrava que segundo o Código do rei Hamurabi, lá da antiga Mesopotâmia (1700 a.C e baseado na lei do olho por olho, dente por dente), o médico que não conseguisse salvar seu paciente deveria morrer com ele... Caralho!....










domingo, 18 de janeiro de 2026

VARIAS...

 -“Et toi, Bechir, tu crois em Dieu?

- Non, pas encore. Mais um jour, oui. God has time. Il n’est pas pressé. Moi non plus...


(Ver: Daniel Rondeau, IN: Tanger et autres Marocs, p. 89)




1. Se você viu a reportagem que a televisão mostrou agora à noite sobre as famosas Emendas Secretas e a situação de vários estados nordestinos e, mesmo assim, conseguir dormir, você realmente não é deste mundo. Inacreditável! Um realismo verdadeiramente fantástico e inacreditável! Mas há uma novidade útil: no meio de toda aquela miséria, de toda aquela roubalheira, aquele compadrio e de todo aquele cinismo, surgiu uma descoberta curiosa que pode até alterar alguns protocolos médicos e ministeriais: me refiro à recomendação de que se deve beber de dois a três litros de água por dia. Ora!, vendo as imagens, se isso fosse verdade, aquela região toda já estaria desabitada.

2. Por mais esforço que ser faça para detestar o Trump, há algo nele que turbina nossa simpatia. Ele, mais do que qualquer outro, com seus delírios, megalomanias, taxações e ameaças, tem demonstrado de forma taxativa, que o planeta vem sendo governado por palermas e que o mundo não passa de uma manada desvairada de vassalos, de subalternos e de submissos... Que o Canadá, o México, a Colombia, a Venezuela, a Argentina, o mundo árabe, os africanos, a Coréia do Sul, a Síria, os comunistas, os fascistas, os liberalistas, os anarquistas, a Europa inteira (essa turma que já trapaceou e pisoteou tanta gente e tantos povos e que agora enfrenta uma verdadeira entropia moral e cultural...) e até o Japão, mesmo depois do horror de Hiroshima e Nagasaki, o temem e lhe fazem a corte... e de quatro. O caso da Dinamarca e daquela geleira chamada Groelândia, é o mais aberrante e fascinante de todos. Por falar em Dinamarca, quem é que não se lembra de Shakespeare, e de seu Hamlet? O príncipe da Dinamarca? Aqui pelos trópicos, está todo mundo curioso para saber quando é que ele, no auge de uma crise, com o pretexto de salvar as borboletas azuis, e as jibóias, tentará se apropriar e incorporar também a Amazônia... com seus rios, a Ayahuasca, o canto desesperado das Arapongas e até as filhas dos pajés...

A propósito da Groelândia, os alemães que ontem haviam enviado para lá uma vintena de soldados, hoje, depois do ultimatum do camarada Trump os retiraram e de forma emergencial. Que vergonha! O que estaria acontecendo com os germânicos? E era essa gente que pretendia construir o Terceiro Reich? A humilhação e a vergonha foi inacreditável. Só não foi maior do que o fiasco de albergarem há décadas, em seu território, e sem reclamar, várias bases e milhares de soldados ianques. (sim, como a Itália, a França, a Espanha e etc, etc, etc... ) Ah! A Europa! Os europeus! Eles que apesar de ficarem cacarejando valentias nas boulangeries, nos  encontros de Davos e em outros pik nikes nas montanhas suíças, estão se revelando um continente de frouxos e de vassalos. Fraco, dependente, manipulável e de cagões... Um continente que se o Trump resolver interditar o Vale do Silício por uns dois dias ficará sem internet, no escuro e onde muchos de esos pendejos iran al carajo!!! Mesmo a Russia e a China no meio daquela névoa de imagens dialéticas, que juram estar com o dedo permanentemente no gatilho nuclear, e que prometem para seus prosélitos e já convertidos, milagres revolucionários, não se atrevem a ir além de parábolas, promessas e de adulações recíprocas. 

3. E a última provocação do Trump foi convidar o Lula para fazer parte de uma comissão, presidida por ele (um tal Conselho da Paz) que gerenciará a 'reconstrução' da Faixa de Gaza. Mas agora? E gerenciar o quê, mesmo? A paz? Dar conselhos sobre a paz? Ora! Depois de um massacre daqueles jamais, em tempo algum, poderá haver paz! Nem mesmo nos cemitérios! Negociar os escombros? Contabilizar os milhares de mutilados e os esqueletos desfeitos sob os destroços dos prédios? Ora, nem precisa ser um cão farejador para perceber que na essência desse convite há algo de ironia, de aleivosia e de maledicência... 

Enfim, sem muito drama, é no mínimo, muito triste viver num mundo onde uns simulam estar em estado de graça, enquanto outros, marcham cabisbaixos como se estivessem indo para o matadouro ou na direção de outra duvidosa utopia...  e, pior: todos igualmente iludidos com a possibilidade de uma redenção coletiva... mas que, inevitavelmente, apesar das aparências e das presunções, irão, ombro a ombro, diretos para el carajo!!!

sábado, 17 de janeiro de 2026

O porvir da mesma ilusão...

 


Apesar do blá-blá-blá-blá e do Lero-lero dos partidos, das máfias e das seitas, a lógica do mundo continua a mesma:

GANHARÁS O MEU PÃO COM O SUOR DO TEU ROSTO...




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Depois de quase três séculos de joelhos, o México resolve cobrar dos USA uma dívida antiga... de 400 milhões de dólares...



Pancho Villa (1878 - 1923)
Emiliano Zapata (1879-1919)




















Essa sim é uma feminista consequente! Viva o guapeca cockapoo Bobby Rhubarb... Que a união nupcial seja feliz e que nem a morte os separe...





Em tempo: - Em seu estupendo Teatro dos vícios, Emanuel Araújo menciona várias confissões de bestialismo durante a visita do SANTO OFÍCIO ao Brasil, lá por 1791. Na primeira, um tal de Heitor Gonçalves teve de explicar-se aos inquisidores por haver dormido carnalmente com ovelhas, burras, vacas e éguas. Em outras, um escravo foi surpreendido tendo intimidades com uma jumenta e outro, amancebado com uma porca... (Ver, de minha autoria:  Ecce bestia - Tratado de zoofilia e de outras transações descaradas entre humanos e bichos. LGE Editora, Brasília, 2001)


 
















terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Uma manhã turbinada...





Esta terça-feira de janeiro amanheceu movimentada e turbinada por vários helicópteros da polícia e da mídia sobrevoando minha casa, o pisca-pisca da emergência e dos bombeiros lá no estacionamento, um carro desgovernado sobre o canteiro de gás e a turma insone da Terceira Idade atormentando os porteiros e a turma da mídia para saber em detalhes o que havia acontecido. Até um casal de urubus que habita há meses a cobertura de um dos prédios, estava atônico com aquelas aves barulhentas e de hélices que giravam de um lado a outro, sem muito sentido... E as versões iam se transformando de minuto a minuto. A mais convincente e dominante era a de que se tratava de um casal de indianos (os policiais, falavam indianos, como se fossem iranianos e como se a Índia fosse logo ali, depois de Anápolis e de Pirenópolis...) que, lá pelas 4 da manhã, desgovernado (sem governo!?), havia cometido o acidente, passado por cima do carro elétrico de um inocente velhinho e ido parar sobre o imenso tanques de gás que abastece exclusivamente um prédio de juízes... e que, por pouco, não explodiu como um Oreshnik do Putin...

As expressões eram aparentemente de espanto mais, nas entrelinhas, percebia-se que eram de puro gozo! Lembram de Unamuno e de sua teoria sobre El sentimento trágico de la vida?

Enfim, tratava-se de uma manhã diferente, radiante e sem tédio! Sem a obrigação e a rotina miserável de ir até a padaria da esquina (ainda em cuecões ou em camisola), buscar três pãezinhos franceses e um leite desnatado; passar na farmácia para reabastecer-se de losartana potasica, aproveitar para comprar dois ou três parafusos que faltam e voltar para casa para esperar por Godot...

Ah! Hoje a coisa começou bem! Tudo seria diferente! E quando as velhinhas dos prédios vizinhos e os burocratas acordassem e vissem os estragos e todo aquele movimento, o entretenimento do dia e até da semana estaria garantido.

Só se ouvia a exclamação: Meu Deus! Que irresponsabilidade a desses indianos! Vazou gás desde a madrugada... Ainda havia bêbados no puteiro da esquina e a quadra inteira poderia ter ido para os ares e todos acordaríamos já mortos... Blábláblá... 

De onde e de quem teríamos herdado esse fascínio pelo sinistro?

E os envolvidos, seriam de Nova Deli, de Bénares ou de Puskar? Teriam bebido, fumado ou cheirado? Seriam míopes? O casal estaria brigando? Teria sido uma tentativa de suicídio? Seriam cristãos, hinduístas ou Filhos de Ghandi? No painel do carro não havia nem imagens de Cristo crucificado e nem de Buda, com aquela imensa barriga, hibernando sob a figueira... Mas, - segundo uma lunática que especulava por lá - havia um santinho de Kali colado na parte inferior do volante. Kali e, pendurado ao retrovisor, as penas de um daqueles Captadores de Sonhos que se pode compras nas lojinhas vagabundas de souvenires em Vancouver...

Da janela do apartamento de um cubano, que ainda não havia nem tomado conhecimento do ocorrido, se ouvia Trini Lopez cantando Quantanamera.

Os curiosos, depois de semi-satisfeitos, voltavam para seus apartamentos mas continuavam nas janelas enquanto ligavam para vinte ou trinta sujeitos da mesma idade, para em seguida acenderem uma vela e voltarem a ler o Eclesiastes. 

A propósito, você, que sempre anda fazendo pose por aí com a Bíblia sob o braço, já leu o Eclesiastes? Ou os pastores, os padres e os coroinhas te proibiram de fazê-lo? Em termos de pessimismo e de arrependimento por ter nascido, esse texto bíblico coloca o Apocalipse, Schopenhauer, Sartre e a Cioran no chinelo...  

Quantanamera!!!

Acreditem: foi tudo muito divertido...


 


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Os horrores da ditadura e o cinema brasileiro...




Depois de Ainda estou aqui, agora o Agente secreto. Este, em co-produção com os alemães, holandeses e franceses... E os dois, tratando da criminália, dos horrores e das ignominias daqueles vinte e tantos anos de ditadura... Oxalá, no ano que vem, não produzam algo tipo: Crimes e aventuras de alcova dos generais.

A cidade e o país estão visivelmente orgulhosos das premiação. Ah! o Globo de Ouro! E é para orgulhar-se mesmo, afinal, a temática é exótica, bizarra e fascinante, principalmente para os estrangeiros que, já estão viciados na pequenez e nas desgraças das colônias e do mundo paralelo... eles que, aliás, em várias de nossas prisões, garagens e subsolos daqueles tempos, orientavam os torturadores e estiveram por detrás daqueles "anos de cassetete, de choques elétricos e de chumbo".  Por isso, sendo assim, (com nossos thrillers e historinhas), não estaríamos, narcisa e ingenuamente, inflando o ego daqueles colonizadores? E eles, não estariam premiando a si mesmos, à suas polícias, a seus diplomatas,  espias, torturadores e agentes?

Claro, como era de se esperar, a satisfação pela premiação não é unanime. Um grupo de mendigos, por exemplo, discutia o assunto ali nos arredores do Hotel Social, recentemente inaugurado. Um deles, que apesar de nunca ter entrado num cinema, mas que sempre se posta diante das vitrines das Lojas Bahia para ver a TV, dizia estar indignado com três coisas a respeito da tal premiação. Primeiro, o fato da premiação acontecer na California, ao invés de ser ali no Cariri; segundo: do filme estar na categoria FILMES EM IDIOMA NÃO INGLÊS; e terceiro: no gênero DRAMA.

Sabem o que isso significa? Perguntava. Quem já ouviu falar em metalinguagem que levante o dedo...

O protocolo a respeito do idioma é descaradamente supremacista e a referência a drama, remete de imediato qualquer um, a uma espécie de Macombo, a uma sociedade de bruzundangas, a um vale de lágrimas ou a coisa parecida...! Enfim, só faltou o Marco Rubio abrindo o espetáculo...

Em síntese... - concluíam - Buscar anualmente a aprovação, elogios e o apoio dessa gente, é quase como uma Síndrome de Estocolmo! Como ter se acostumado a ficar de quatro e ter esquecido completamente daquele clássico pensamento latino: Quem te fez uma patifaria, repetirá a façanha.... 

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EM TEMPO:
Mas não se desesperem, pois já somos o quarto maior consumidor de pornografia do mundo e o Vini Júnior já iguala o recorde de gols de Cristiano Ronaldo no Real de Madrid...
Que comédia e que miséria!!!







domingo, 11 de janeiro de 2026

Enquanto isso... ali em São Paulo...





















Drumond de Andrade, o homeless paraplégico e a pedra no caminho...


Na caminhada desta manhã de domingo, ali pelos arredores daquela padaria que cobra 73,00 reais por um misto quente e uma limonada dita suíça, fui abordado por um homeless de uns 30 anos que ia se arrastando dentro de um barulhento andador de alumínio e acompanhado por um guaipeca...

Queria vender-me uns panfletos poéticos de sua autoria, todos fazendo elogios desmesurados a Drumond de Andrade... Quando lhe disse que estou de saco cheio tanto de Drumond como de poesia, ficou meio assustado. Depois, enquanto ia me exibindo seu trabalho, com um certo sadismo e parafraseando a Adorno, lhe perguntei: como é possível seguir escrevendo poesia depois do Trump e do genocídio na Palestina?

Curiosamente, neste momento, ele passou a queixar-se de sua paralisia, a culpar a negligencia de seu pai e do Estado e mais: a dizer que era travesti... Para, em seguida, mencionar a volta de Cristo, a Era de Aquários e seu amor incondicional ao Lula.

Tudo bem, tudo bem... Enquanto eu o ouvia, seu guaipeca latia e ameaçava a todas as pessoas que passavam, até que uma velhinha de uns 120 anos, que parecia ter saído de uma catacumba e que ia ouvindo aquela música antiga de Simon & Garfunkel, lhe meteu uma bengalada nas costelas...

E ele, equilibrado dentro de seu andador, compulsivamente insistia em falar de Drumond e de sua obra, como se se tratasse de um avô ou de uma divindade. A respeito da tal "pedra no caminho", quase sagrada na obra do mineiro de Itabira, afirmou que, na verdade, se tratava de uma pedra de cocaína. E emendou: inclusive o Machado de Assis, todo mundo sabe, era cocainômano... 

Enquanto ia me retirando, fiquei curioso em saber se Lima Barreto, quando escreveu Os bruzundangas, além da cachaça, também costumava dar umas fungadas no pó...

 















sábado, 10 de janeiro de 2026

As ilusões e a falácia do ACORDO do Mercosul...





Até os garçons e as senhoritas que, de madrugada, povoam os arredores do Hotel Nacional, por incrível que pareça, estão comemorando o tal acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia...
Duvido que alguém, mesmo os mais expertos, saibam o que isso representa, para eles, para elas e para a grande maioria dos condenados da terra. E depois, um acordo que precisou de mais de vinte anos para ser "firmado", além de lembrar os Cartéis de Sinaloa, já é suspeito. Será que teria sido necessário todo esse tempo para que os envolvidos alinhavassem os truques e os álibis que manterão suas falcatruas submersas e os rebanhos, de lá e daqui, ainda obnubilamos? 

Ah! mas os picolés, o chocolate, o azeite, os vinhos e até os carros agora ficarão mais baratos... Ora! Um país que já tem 500 anos e que ainda precisa importar picolés; um país que tem as maiores plantações de cacau, de cana de açúcar, de amêndoas e de leite à vontade, que ainda precisa importar chocolate, deveria fechar as portas... Um país que em 500 anos não transformou o cerrado em um mar de oliveiras e de vinhedos, e que ainda tem que importar azeite e vinho, deveria apagar as luzes e baixar de vez as calças... 

Ah!, mas os carros importados ficarão mais baratos!!! Tudo bem, mas observem: quanto maior a escravidão emocional e quanto mais idiota o sujeito, maior e mais poluidor é o carro com que sonha...

Ah! Mas e os tomógrafos made in USA? E os remédios com que os gringos, os holandeses e os alemães abastecem nossos monopólios farmacêuticos! O que seria dos hipertensos, dos deprimidos, dos brochas e dos insones?

Ah! Mas nossos latifundiários e fazendeiros, a partir desse acordo, exportarão mais vacas, mais porcos, mais frangos, mais mangas, mais suco de laranja e claro, mais SOJA... Ah! A neurose da soja! Quem é que consome essa merda, afinal?

Ora! Um país que insiste em exportar soja, vacas, galinhas e produtos da terra, enquanto importa repelentes, aspirina, cordas de violino, celulares e colírios, não tem futuro! Um país em que 90% de sua população ainda não teve chances de comer um chocolate; beber uma garrafa de vinho e nem sequer um suco de laranja, por mais que siga cacarejando salmos e bobagens de seitas importadas, é um simulacro de nação e não terá chances de entrar no paraíso...

Ah!, - Justificam -: Mas o mundo é uma grande e fraterna família (mesmo que seja de trapaceiros, mas mesmo assim, una famíglia grande, sacra e immensa!!!). E depois, esses negócios fazem parte da construção de um planeta multipolar, mais igualitário e mais humano... E negociar entre nações é fundamental...

Sim, sim..., é verdade! Mas, quem é que, não sendo surdo, ainda não ouviu esse blábláblá??? Esperar vinte anos para negociar com trapaceiros de fora?! Por que não dar prioridade aos trapaceiros e compadres autóctones de sempre??? E começar a produzir, pelo menos, cordas de violino e repelentes???