segunda-feira, 23 de março de 2026
Excelente discurso do Lula no Fórum CELAC-África, viraliza planeta afora...
domingo, 22 de março de 2026
Das idiotices da guerra e das idiotices de fé...
Aqueles que em suas vidas (por preguiça ou por alienação), não tiveram oportunidade de fazer poesia, nem de estudar psicopatologia, geografia, arqueologia, filosofia e teologia, agora, com o desenrolar da guerra entre Irã, EEUU e Israel, têm uma chance, que é única e rica naquelas matérias: O Golfo Pérsico! O Mar Vermelho! O Estreito de Ormuz; a imensidão de Neguev e daqueles desertos; as maravilhas dos objetos voadores com seus explosivos; Aden (ali onde Rimbaud, o poetinha francês, autor de O navio ébrio, ia contrabandear armas); as ogivas satânicas sobre os lugares sagrados; a disputa entre israelenses e libaneses pelas águas do Rio Litani; os soldadinhos da ONU, em fraldas, fazendo horas extras e teatro no meio dos destroços; a mira e a precisão impressionante dos mísseis; Tel Aviv e Teherã como duas imensas enfermarias; os surtos paranóicos e sado-masoquistas no interior dos bunkers, e a juventude dos países envolvidos (cheia de tesão e testosterona, ao invés de estar trepando em suas pátrias), está aí se matando em nome de uma gerontocracia desprezível. O dedo no gatilho, a mira na direção das centrais nucleares de Dimona e de Fordow e o arrependimento por terem nascido; a desilusão tanto com a terra como com o céu que parece estar cada vez mais vazio e indiferente. Deus, como dizia Nietzsche, estaria realmente morto? (E teria sido ele que, intuindo que sua Criação viria a ser um fiasco, confidenciou a Adão o truque para o enriquecimento do urânio???)
O Iêmen, com seus heróicos houthis. Se baixas os olhos te deparas com a Etiópia, se os levantas das de cara com Omã. Omã! Oxalá não destruam a Omã! A fila de navios encalhados no estreito de Ormuz, repleto de bombas e de minas submarinas; e também no Estreito de Bab Al Mandab. Enquanto os barcos ébrios do Rimbaud seguem zanzando pelo mar arábico...
Os aforismos, as metáforas e as menções ao Velho e ao Novo Testamento impregnam a fala dos principais atores dessa destruição mútua e desse suicídio compartilhado. Na semana passada, inclusive, o Netanyahu, falando a seus soldados e justificando seus ataques ao Libano e em Teherã, chegou a associar Jesus ao mongol Genghis Khan... (E não ouvi nenhum padre, nenhum pastor e nenhum executivo do Vaticano dar um pio a respeito dessa heresia)... Agora, só falta o Trump, como ato derradeiro, mandar escrever nas asas de seus bombardeiros B-2: O sangue de Jesus é poderoso e salva!
É evidente que um dia, aqueles que sobreviverem, mesmo mutilados e loucos, sentirão muita vergonha de tudo isso!
sábado, 21 de março de 2026
De meu correspondente em Buenos Aires: "La felicidade es la paz que surge cuando dejas de huir de ti mismo..."
sexta-feira, 20 de março de 2026
quinta-feira, 19 de março de 2026
Nesta manhã de quinta-feira, até o Mendigo K, enquanto enchia apreensivo o tanque de seu Fusca, fazia poesia sobre o Golfo Pérsico e sobre o Estreito de Ormus... E ia convencendo o frentista, de que tudo o que o Trump diz é mentira! Que o Irã reage bravamente e causa destruição e terror em Israel! E mais: que estamos todos, pateticamente, indo al carrajo!!! Até que o frentista, meio intimidado lhe contesta: Tudo bem, mas "Quel ennui serait le nôtre si nous n'avions pas le sentiment du provisoire???
terça-feira, 17 de março de 2026
E... no imaginário açoriano...
{... L'univers est une immense métaphore qui n'a pas fini de m'intriguer...}
François Bott
(IN: Lettre aux esprits chagrins)
segunda-feira, 16 de março de 2026
domingo, 15 de março de 2026
Santo Agostinho e o mar...

Neste mais belo sábado de março, com um sol que queima além do nariz as orelhas, observei um brutamontes estrangeiro que, depois de banquetear meia dúzia de caranguejos e mais umas quatro ostras, colocou-se em pé ao lado da areia olhando com concupiscência para a bunda das beldades que iam e vinham da grande pedra da Joaquina em direção a Campeche...
Com a barriga que parecia, de um momento para outro, explodir, e voltando os olhos para o céu, exatamente como o fazem os trapaceiros e os evangelizadores, ouvi que pregava a velha frase de Santo Agostinho, aquela que até os + prostitutos conhecem: SENHOR, livrai-me do desejo... mas não agora!!!
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EM TEMPO:
O vendedor de choclo passa ouvindo Barbara...
sábado, 14 de março de 2026
Mahmoud Darwish e as oliveiras...
quinta-feira, 12 de março de 2026
VÁRIAS...
1. Aqui, na cidade do desterro, a ambiquidade dos mais jovens para com os mais velhos, é visível. Por um lado, uma submissão e um respeito artificial, forjado no chicote e no cristianismo açoriano e por outro, um ressentimento babaca e incurável. Sim, trata-se da famosa neurose: o pai, por um lado, como um herói e por outro, como um grande fdp. Que fazer? Cada um terá que atravessar sózinho seu deserto...Trata-se da comédia humana!
2. Por todos os lados e em todos os discursos a axaltação da honestidade. Até os comerciantes e os taxistas (vejam só) não se cansam de exaltar a honestidade (dos outros, evidentemente). O ideal é que os pobres, os subalternos e os fodidos sejam antes de tudo honestos. Um pobre honesto é quase um santo! A propósito, até os pescadores de tainhas, antes de lançar suas redes ao mar comentam entre si o caso Vorcaro, STF e Congresso Nacional... O niilismo é total.
3. E por falar em niilismo, duvido que mesmo os mais otimistas com o processo civilizatório e com a espécie, consigam manter-se sóbrios ao assistirem a canalhice dos EEUU e de Israel contra o Irã (sob o silêncio e a indiferença covarde do planeta inteiro).
4. De dez motoristas de UBER aqui em Florianópolis (cidade do desterro), nove vieram expulsos pela violência e pela miséria de seus estados de origem e, sempre que podem, denunciam as máfias e as falcatruas de lá. No cotidiano dessa escravidão contemporânea, além de dirigir, aproveitam para vender aos passageiros, cabeças de alho argentino, perfumes e até brigadeiros. Um deles, falando daqui, afirmava que todos os esgotos nos levam para o mar...
5. Ao norte da ilha está a chamada Praia dos Ingleses, atualmente transformada num reduto de argentinos. Essa invasão teria algum nexo ou alguma relação com a surra que os argentinos levaram deles lá nas Malvinas? Ali na parte Internacional, um pouco distante do mar, um grupo de mulheres apavoradas com o desvario pandêmico de feminicídios levava um cartaz que dizia: ELES QUEREM NOS MATAR E NÓS QUEREMOS VIVER...
6. E nas praias, onde transcorre uma sutil batalha entre a anorexia e a bulimia, a América Latina está respeitosamente representada. Comida: a gente não quer só comida! Y asi, entre una ilusión e otra, se van los dias... O Mendigo K, acompanhando os gemidos obsessivos das ondas resmungava para dois antigos pescadores que até então não haviam pescado porra nehuma: "Seule la maladie humaine est incurable. C'est porquoi nous guérrissons de tout le reste..."
7. Enquanto isso, os golfinhos (traidores de sua espécie), indicam aos predadores/pescadores onde e quando estes devem lançar suas redes para caçar as tainhas...
8. A beleza da Costa da Lagoa é inegável! Além das veredas e dos gatos, praticamente uma comunidade anarquista...
domingo, 8 de março de 2026
segunda-feira, 2 de março de 2026
domingo, 1 de março de 2026
Enquanto isso...
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
OS CONDENADOS DA TERRA... (Várias)
Lina Furlan
Se você assistiu ao noticiário da noite, e conseguiu ficar indiferente, sem angustiar-se e sem sair para comprar uma passagem para Pasárgada, talvez você já não tenha mais cura. E é bom procurar um veterinário.
1. Antes de tudo: a desgraceira acontecida em Juiz de Fora, que é a mesma de tantas outras em Petrópolis, na Bahia, no Amazonas, no Rio Grande do Sul... Aquela lama, aqueles cortiços, aqueles destroços, aqueles cachorros, aqueles cadáveres, aquela gente expulsa do mundo... Aqueles condenados da terra! E aquelas desculpas dos administradores, dos prefeitos, dos vereadores, dos governadores e dos presidentes da república, do clero, da polícia, dos bombeiros, das funerárias, todos colocando a culpa nas chuvas, no carma, no além, nas tormentas e nos raios, quando não, nos próprios soterrados...
2. Depois, por pura ficção, narcisismo, e por bagatelas, as brigas no Congresso Nacional, com socos, coices e joelhadas... E não se trata de preconceito ou pudor com a violência, o problema é que são eles que gerenciam os subterrâneos e os desígnios da pátria!!!
3. E a roubalheira lá em Petrolina, ali nos municípios dos Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, por todos os lados...? Qual é a origem e de onde nos teria vindo essa voracidade e essa glutonaria?
4. E os feminicídios de todos os dias, um mais cruel do que o outro. De onde advém essa fúria contra as mulheres? Seria secular e teria ficado reprimida até agora? Lembram que Freud dizia que as mulheres tinham inveja do pênis? Não estaria agora, acontecendo o contrário: os marmanjos com inveja da xota? De uma maneira ou de outra, o que estaria acontecendo com nossos psicopatas?
5. E as trapaças, loucuras & 'bancarrota' do Banco Master, do BrB, dos banqueiros e as do INSS...? Só para lembrar: "... "Quando o comerciante põe a carteira no bolso traseiro das calças e deixa que os credores lhe arranquem o paletó, diz-se 'bancarrota".
6. E a pantomima dos tais penduricalhos? E agora, como aquelas proto-divindades irão participar dos banquetes, das tertúlias da tarde e colocar gasolina em seus 3 Porches? Injustiça! Isso não seria mais uma impostura do Estado contra os trabalhadores? Inacreditável!
Que furada! Que surrealismo! Que material valioso para ir entendendo a gênese de toda essa palhaçada!!! - dizem os arqueólogos...
Mas, como contemporizar com essa pantomima e com um desvario desses, impunemente?
Duvido que no meio de uma desgraceira generalizada dessas, por mais alienado e bobalhão que o sujeito seja, duvido que consiga manter intactas suas ilusões, suas fantasias, seus desejos, suas esperanças, seu tesão e sua saúde mental...
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
A importância de gargalhar, já pela manhã, antes de sair da cama...
Numa das conferência de 19 de agosto de 1976, Rajneesh ensinava a um de seus discípulos: "Rir de manhã cedo é uma das mais belas formas de acordar, de sair da cama. Sem nenhuma razão - porque não há razão alguma. Simplesmente você está novamente aí, ainda vivo - é um milagre! Parece ridículo! Por que você esta vivo? E de novo o mundo está aí. Sua esposa ainda está roncando, e o mesmo quarto, e a mesma casa. Neste mundo que muda constantemente - o que os indianos chamam de Maya - pelo menos por uma noite, nada mudou. Tudo continua aí: você pode escutar o leiteiro, o tráfego que começou e os mesmos barulhos - vale a pena rir! Um dia você não acordará de manhã, um dia o leiteiro irá bater em sua porta, sua esposa irá roncar, mas você não estará mais presente, Um dia a morte chegará. Antes que ela o derrube, dê uma boa gargalhada. - enquanto ainda há tempo, dê uma boa gargalhada. Olhe para o ridículo de tudo: novamente o mesmo dia começa - você faz as mesmas coisas de novo e durante toda sua vida. De novo você vai calçar os chinelos, correr para o banheiro - Para quê? Escovar os dentes, tomar um banho - Para quê? Onde é que você está indo? Se aprontando sem nenhum lugar para ir. Olhe para todo o ridículo da coisa - e dê uma boa gargalhada... Durante todo o dia você irá sentir o riso borbulhando, brotando. Há tantas coisas ridículas acontecendo ao redor! Deus deve estar morrendo de rir - séculos, por toda a eternidade, vendo o ridículo do mundo. As pessoas que ele criou e todos os absurdos - é realmente uma comédia..."
Mas, que nada......
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
O Mendigo K e Pedro Nava...
Nesta madrugada de segunda-feira (23-02-2026), o Mendigo K apareceu de braços dados com uma mulher de vermelho na porta de um puteiro aqui próximo de minha casa e permaneceu ali, ela agarrada nele, durante quase uma hora, exibindo para os clientes que chegavam (tomavam um trago e partiam), duas páginas arrancadas do livro Chão de ferro (1976), do Pedro Nava. Não consegui entender o que dizia aos que chegavam, para justificar a leitura. Com muito esforço, captei, fugazmente, "que se tratava de duas páginas do maior historiador brasileiro...", e só. No fim da leitura, os ouvintes pareciam acabrunhados. Fui até ele e, com meu IPHONE XYJ65, nona geração, 17 decibéis, com película ultra sensível e com rastreador instalado, fotografei.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
A 'camisa de vênus', a sífilis, a saúde pública... & a traição das massas...
Até então, ninguém entendia muito bem por quê, todos os anos, os governos insistiam em distribuir 'camisas-de-vênus' aos foliões e aos eufóricos carnavalescos...
Até que na semana que passou, durante os dias de festa, a Secretaria de Saúde da Bahia, desconfiada, resolveu fazer uma testagem relâmpago e superficial de sangue entre os bufões, pierots, colombinas e arlequins que, por aqueles becos e sombras, trocavam juras de amor, ressentimentos, lágrimas, mágoas, saliva, vinganças, sêmen e outros fluídos nos blocos na cidade de Salvador.
Resultado: Sífilis, 243 casos. HIV, 25 casos. Hepatite B, 7 casos. Hepatite C, 13 casos. Total de testes positivos: 288.
Ah! Trata-se da arte de transmitir nossos vírus e nossas misérias!!!
Que tal?
Mesmo assim, os políticos de turno ficam cacarejando que nosso PIB e nossa economia estão entre as dez maiores do mundo; que somos o povo mais sexy e mais feliz das Américas. Ora! Que se foda o PIB! E, que se foda a felicidade! Qualquer um, minimamente ilustrado, já sabe que 'le bonheur est une chose vulgaire...'.
Seguem cacarejando por aí que nossas instituições são sólidas; que o problema do MASTER foi um caso isolado e pontual; que depois das eleições as coisas serão diferentes; que vivemos uma democracia plena; que as dezenas de homicídios diários, são inevitáveis; que cada dia que passa mais gente está feliz e empregada; que todo brasileiro "é um forte"; que produzimos soja e frangos para a metade da terra; que toleramos mais de 300 seitas, já que Deus está acima de tudo e que sabe o que faz; que nosso porvir será grandioso; que as areias de Ipanema e as praias da Ilha dos frades foram eleitas como as mais cobiçadas e fantásticas do mundo, chegando até a competirem com a Ilha do Epstein; que neste carnaval, como nos outros, a turistada (contaminada ou não), lotou os hotéis e que deixou milhões de dólares aos miches e aos hoteleiros; que tanto nosso Código Florestal, como nosso Estatuto da criança e como nossa Lei Maria da Penha são exemplos para o mundo, que o SUS, nossas faculdades de medicina e nossos serviços de saúde são os melhores do planeta; que somos um povo amável, cristão, cordial e complacente, etc, etc, etc. E que as farmácias populares, dependendo de quem for eleito neste ano, passarão a distribuir até Benzetacil de graça... Caralho! Que circo e que desonestidade para com as massas, os pobres e os fodidos... Como diria o tcheco Vilém Flusser: sim, o homem é um animal politico, mas não pelo fato de ser um animal social. Mas porque é um animal solitário incapaz de viver na solidão...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
VÁRIAS... O Estreito de Ormus, a Janja, os enlatados e o pastor que está lançando pragas contra os carnavalescos... (Lastima grande que sea verdad tanta miséria!!!)
1. Agora, que aqueles batuques cessaram, que tudo virou cinzas, que a turba voltou voluntariamente para suas correntes (se não quiser perder o pão-de-cada-dia) e já se fantasia e prepara para outros carnavais, tão ou mais delirantes e profanos, as discussões entre o populacho giram ao redor da seguinte polêmica: o Lula e a Janja deveriam ter descido do camarote e rebolado na Sapucaí, ou não?
2. Enquanto os persas (agora iranianos) deslocam seus mísseis hipersônicos e todo seu arsenal de guerra lá para o Estreito de Ormus, ameaçando implodir os avanços imperialistas (a sanha daquele império que ocultou o defunto Epstein durante décadas), nós, nossa mídia, nossos partidos, nossas igrejas e nosso proletariado tropical, nós seguimos indagando, brigando e julgando se a Janja deveria ter descido de seu camarote e sambado na avenida... ou não. E se o Lula, com uma tanga como aquela usada pelo Gabeira quando voltou do exílio, deveria ter desfilado sobre um daqueles Trios Elétricos... Uma vergonha! E isto, sem falar da polemica dos 'enlatados'. Muitos idiotas estão achando que aquela coreografia (até infantil), foi uma ofensa sem limites à igreja, à família e aos ditos conservadores. Ora! Não sejam tão reacionários! E isto, sem falar do resmungo dos padres e do pastor que (respaldado pela Lei do livre direito de culto) está amaldiçoando e 'jogando pragas' aos componentes da tal Escola e aos carnavalescos em geral....
Sim, um horror de ignorância que carnavaliza o cotidiano e que descortina a medíocre guerra religiosa que ainda se joga nas sombras...
Não, não estamos lá no Estreito de Ormus (Golfo Pérsico), com o dedo no gatilho, como os persas, mas sapateamos e nos esfolamos por aqui (também heroicamente), no fundo dos barracões das igrejas e em nome de Deus...
Sair da Idade Média foi quase automático, o problema está sendo arrancar a Idade Média de nosso espírito de porco...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
DATAS VÊNIAS - O maior espetáculo da terra, ou o maior fiasco do continente?
E o fiasco ficava ainda maior quando se ouviam as análises e os comentários dos especialistas carnavalescos. E ainda mais ridículo, com os comentários e adjetivos dos jornalistas, que, para não perderem o emprego, iam fazendo de tudo para emplacar nos neófitos e nos bobalhões uma alegria patética (pelo menos um simulacro de alegria) e para não deixar que os telespectadores dormissem no sofá. Um horror! Seria o resultado de 500 anos de mediocridade!
E a tal ancestralidade? Não se fala em outra coisa! Trata-se de quê, afinal? Os movimentos negros, se é que já tiveram notícias do Frantz Fanon, deveriam tomar providências... Digo isto, apenas por dizer. Pois sei que não há solução. Já que o problema está no cerne do imaginário, a ponto de até o PCO chamar isso de cultura e de brasilidade... Um horror! Data vênia aos operários, aos proletários e a toda a gente que, ano trás ano, com sangue, suor, lágrimas e cesta básica, montam e desmontam essas sucatas para revitalizar essa pandega.... Como poderiam livrar-se dessa escravidão, quase voluntária?
Mas, não vou negar, houve - dois pontos máximos - ou, como cacarejam os acadêmicos - de inflexão, nas festas. Um, ali na Marquês de Sapucaí, (Se não fosse gaúcho, o Brizola, ao invés do Marquês de Sapucaí teria dado o crédito ao Marquês de Sade...) quando um gay, famoso e gorduchinho, ao cortar com uma tesoura a fita que interditava o ambiente que estava sendo inaugurado, pronunciou várias vezes, olhando com ironia para os comparsas da mídia: Sou hétero... sou hétero... sou hétero... (?) (!)
E a outra, ainda mais fantástica, foi quando, lá na terra de Gregório de Matos, um grupo de balzaquianas disfarçadas de semi adolescentes, cantava fingindo alegria, emoção e até desejo, a música da moda: Me chupa! Me chupa, Me chupa... As mesmas que, amanhã, bem cedo, antes dos galos cantarem ali pelos arredores do Mercado modelo, ao invés de estarem embarcando para a Ilha de Lesbos (lá no Mar Egeu), estarão subindo a montanha sagrada para pedir perdão e benção...
O mendigo K que assistia a tudo, mandou-me dizer que, apesar da teatralidade, há muita trovoada mas pouca, bem pouca chuva... por lá...
Enfim, hoje à noite teremos mais. Até os ateus, os cínicos e os hereges estão ávidos para que chegue a tal quarta-feira de Cinzas... Aleluia!
Sorte que ainda se pode ouvir, mesmo na voz de um gringo, o Orfeu Negro...








































