domingo, 1 de fevereiro de 2026

E Brasília é uma festa...




Aqueles que vivem reclamando que Brasília é um cu de mundo; distante de todos os mares; que além do Zoo e da Feira do Paraguay não se tem nada para fazer; que em qualquer lugar que você estacione tem que pagar a um bandido com tornozeleira ou ao Estado (o que é a mesma coisa); que os apartamentos, os viadutos e as casas em geral, estão prestes a ruir e que não resistirão nem a um terremoto de magnitude 4; que a genética do pessoal que veio para cá junto com o JK não é lá grande coisa; que tem policia de todas as fardas e por todos os lados; que Niemayer, Lucio Costa e outros engenheiros (inclusive o Samuel Rawet) deveriam voltar para explicar esse sucateamento e prestar contas à população; que em cada esquina, ao invés das bandeiras revolucionárias do passado, só se vê desempregados agitando banners com propagandas de boutiques, de açougues e de igrejas e que o que era Geraldo Vandré agora é música Gospel e que aquele casal exuberante, que todo final de semana, com suas duas garrafas de vinho, ia trepar no alto dos Pirineus, agora está trancafiado em casa se apedrejando e se maldizendo; que a Biblioteca Nacional está fechada há uns dez anos; que um motorista de terno e borboleta ganha mais do que um cirurgião que estagiou 5 anos no Saint Mary, de Londres, etc, etc, etc... 

Bem, mas de ontem para hoje esses reclamões não podem mais se queixar: pois ontem (sábado), houve a corrida de Reys e para hoje, já chegaram uns vinte ônibus, do país inteiro para assistir a pelada entre o Corintias e o Flamengo, ali num estádio que, apesar de algumas beatas terem brigado para que se chamasse DOM BOSCO,  se chama MANÉ GARRINCHA. Que tal? O que essa gente mal agradecida poderia desejar além disso?

E a excitação está no ar. Tem gente que, aproveitando o clima de carnaval, com a camisa de seu time, está de porre desde ontem. Sim, tanto os que correram ontem de língua para fora pelas ruas da cidade, em homenagem aos 3 Reis Magos, como os que já estão ali esperando a abertura dos portões do estádio, ao contrário do que se pensa deles, são genuina e verdadeiramente felizes... claro que falo de uma felicidade da qual se pode ouvir algo como um "ruído de fundo" bíblico...

E, por falar em "ruído bíblico de fundo", o que aconteceu que ninguém mais tem falado sobre aquele  pedaço de meteorito que estava vindo furiosamente em direção à "Mãe Terra"? Será que até os deuses, depois do fracasso do diluvio, estariam obnubilados? 

Sorte que quem tem resiliência e fé ainda acredita que aquele gigantesco pedaço de pedra, um belo dia, ainda possa resolver a parada...


 

Um comentário:

  1. Mas ao que sei o sr mora em Brasília não é mesmo? Poderia justificar? Fui à pra Brasília na década de 80 e realmente nãotinha praticamente lazer...imagino que mudou bastante...
    Boa tarde.

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