"Le bonheur est une chose vulgaire..."
Mc Bey
A pequena burguesia latina e sul americana que passou cinco/seis anos em Paris patinando sobre seus pós-doutoramentos; e tomando cafezinhos com madaleines em Montmartre enquanto engendrava o blá-blá-blá de sempre sobre patafísica e sobre Napoleão I, está angustiada com a ameaça do Putin de fazer a França desaparecer da geografia. Se a França do Macron - diz o Putin - der um tiro contra San Petsburgo ou contra o Kremlin, ficará na história mas desaparecerá do mapa.
Poética a frase!
Mais para Baudelaire do que para Dostoiévsky...
Meu Deus! - Suspira a petite burguesia e até uns ex-proletários trapaceiros - Mas e as Galeries Lafayette? E as ourivesarias de Champs Élisée? E a Catedral, recém reformada? E a tumba de nossos mestres? E o Café Les deux Magots, de Saint-Germain-des-Prés? E o Pantheon, e os heróis da pátria, e as camisolas da Maria Antonieta?... Ah! E a Salpêtriére? O que seria do mundo sem a memória do Hospital da Salpêtriére? E o que seria da misericórdia e do cristianismo, sem a memória do Hotel des Invalides? E daquele puteiro com a hélice de um moinho pregada ao umbral? A propósito, o que será das eslavas do Parque de Boulogne? Ah! As eslavas... É justo que a burguesia se preocupe com elas até mais do que com a suposta falência do Master?
Como imaginar os jardins de Trocadéro, o Parque de Monrsouris e o de Luxemburgo, onde Proust, Baudelaire, Cioran, o gorducho Hemingwai e outros desvairados iam diariamente curtir suas vaidades e suas solitudines... como imaginar tudo isso transformado em carvão e em cinzas?
Não acredito!
Não! Putin não será louco para tanto!
Com a quantidade de cocaína que a Europa compra do Brasil regularmente, não dá para confiar nas ameaças e nem nos propósitos daquela gente. E depois, preste atenção, parafraseando a Oscar Wilde, os governantes de lá, quando aparecem em cena, sempre lembram aquela dama da Comédia Francesa que, quando entrava no palco fazia de tudo para poder falar sobre LE BEAU CIEL D'ITALIE...

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