"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 26 de março de 2015

A pedido: revogada a decisão anterior....

Está em andamento na Universidade de Brasília o banimento de todos os vendedores, comerciantes, livreiros e etc que estão instalados nos prédios do Campus.
Há uns 20 anos atrás numa reunião com o então reitor Cristovam Buarque e um alto funcionário do MEC quando se discutia a mediocridade que devorava as universidades, sugeri que ela fosse transformada  aos poucos numa espécie de Mercado Persa... Lojas de tapetes, candelabros, sedas, pergaminhos, bijuterias em ouro falsificado e em prata de primeira qualidade, peles de animais exóticos, bailarinas, violinos ciganos, (mais lutiers e menos doutores) os alunos chegando em carruagens etc., e que a arquitetura moderna, fajuta e vagabunda do Le Corbusier e do Niemeyer fosse derrubada e construído em seu lugar algo no estilo do Kasbah de ouarzazate onde a cada esquina  haveria tendas de livros usados de todo o planeta e em todos os idiomas... e que as inúteis monografias de fim de curso fossem substituídas por uma viagem  do formando ao redor do mundo, paga pelo departamento ao qual o aluno pertence. Ao invés de uma monografia estéril, um relato de viagem, fotos, mapas, raridades culturais e etc.,,
Enquanto eu apresentava meu "projeto" os dois senhores se olhavam tentando adivinhar em que classificação do DSM eu poderia ser enquadrado. E não aconteceu nada. Nesta duas décadas tudo se agravou ou, na melhor das hipóteses foi maquiado e seguiu igual. O Chiquinho - por exemplo - que é um dos mais antigos e mais competentes livreiros da cidade, que veio do Piauí num Pau de Arara e que já deveria ter se transformado em decano cultural, corre o risco de ter que pegar suas trouxas e fazer o caminho de volta... Percebem como as pérolas se escasseiam e os porcos se multiplicam. E os mestres não se cansam de Repetir Spinosa, Santo Agostinho, Skinner, Freud, Foucauld e Bachelard... Só palavras de efeito, só livros, apostilas pirateadas, só repetições inúteis, quando as comidas cheias de bactérias servidas por lá poderiam ensinar mais aos alunos em uma tarde de diarréia do que todos os cinco anos de laboratório. Quando é que se verá alguém, do alto de sua cátedra, falando em Gurdieff, em Cioram, em Nicolò Amati, em Malatesta ou em Campos de Carvalho? E por falar em Campos de Carvalho, na p. 43 de seu livro A vaca de nariz sutil ele escreve: "Ali a biblioteca pública; muito bem! Dizem que não há virgem na cidade, pois esta é uma delas, a última. Que me lembre, ali nunca entrou ninguém, a não ser o bibliotecário - e de cara sempre amarrada. Aliás nos livros só se aprende o que não se conseguiu aprender na vida, ou seja, nada." E mais: "quem não tem tempo para escrever um livro não deve lê-lo"...

Obs: A respeito do avião que despencou nos Alpes, sempre que viajo num desses monstros voadores, gosto de ficar no portão de entrada até o último momento para ver a cara da tripulação. E não foram poucas as vezes em que desisti de viajar quando intuí que o capitão ou mais de um piloto tinham pinta de psicopatas, maníacos depressivos, suicidas em potencial ou coisa parecida e que a aeromoça chefe era portadora de um transtorno de personalidade paranóide... E o pior é que não existe psicólogo ou psiquiatra que possa diagnosticar a tempo nenhuma dessas tendências...

Sem me embrenhar em nenhuma religião, e sem querer ser mais pessimista que o Eclesiastes, estou cada dia mais convicto que somos uma espécie maldita e que estamos condenados a desaparecer em bloco deste pobre planeta...

5 comentários:

  1. Ah que notícia boa, saber que o blog continua…, é o único blog que frequento, estava torcendo pra não acabar ...

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  2. Blasfemar é preciso, viver não é preciso! Vida longa ao blog!

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  3. Oba! Oba! Vida longa ao blog! Gostei do seu projeto de Universidade. Afinal elas nasceram em praça pública, e cumpririam melhor o papel de transformar o conhecimento, conforme este seu modelo. Seria muito mais salutar, divertido e criativo e teríamos um outro mundo, com certeza!

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  4. Que bom, a língua portuguesa, esse "idioma em vias de extinção" (ouvi um demônio grisalho que percorria o campus e parou no chiquinho para dizer isso) já é um esgoto a céu aberto; será menos trágico se o blog continuar a funcionar.

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