"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Rir para não chorar...

Todo mundo que vem passar uns dias em Brasília costuma ficar embasbacado com a beleza de seu "céu", com a baixidão de suas nuvens e com o colorido celeste das 18:00 horas. Apesar das variações climáticas e dos ventos também serem assunto de todos os dias.
Hoje, por exemplo, a cidade amanheceu sob um sol esplendoroso, mas lá pelas quatro da tarde, do nada, começou um tiroteio de raios que parecia querer dissolver a cobertura e as caixas d'água dos prédios e que surpreendeu até um mimetista joão-de-barro que passeava por aí pelos jardins e calçadas já tão doméstico, desiludido e apático como uma galinha. Na verdade nem os velhos porteiros dos ministérios e nem os moradores mais antigos sabiam se eram sinais de chuva ou se estava prestes a despencar sobre a cidade um asteróide das dimensões daquele que fulminou os puteiros de Sodoma e Gomorra... Mas tudo acabou mediocremente, foi apenas uma bravata e um show metafísico!

Apesar de já adivinhar e de até ouvir os grunhidos da turba cult e dos farsantes esclarecidos quero mencionar aqui a leitura de um livro estupendo que acabo de fazer, produzido por um jovem escritor brasileiro de nome LEANDRO NARLOCH. Já ouviu falar? Titulo do livro: Guia politicamente incorreto da história do Brasil. Nele o autor (já incluído pela turba grisalha no index dos apátridas) escancara a mentirada, as contradições, o mau caráter e as bizarrices nacionais sobre diversos assuntos (literatura, política. costumes e etc). E tudo, com exceção ao caso de Graciliano R., de uma gravidade moral assustadora! Coisas que os chouvinistas de plantão, os patrioteiros, e os bajuladores de aluguel não querem nem saber. E claro, comecei pela página 100 que trata dos nossos canonizados intelectuais. "Pequena coletânea de bobagens dos nossos grandes autores".

Os incomodados com as notícias, os melindrados, os sectários e etc, ao invés de ficarem querendo tapar o sol com peneira que vão caçar minhocas ou consultar as fontes e referências usadas pelo autor do livro. Ou ainda, se tiverem bagos, que liguem diretamente para ele para convencê-lo a desistir de revirar todo esse esterco. Certo? 
Revela o livro do jovem Leandro:

MACHADO DE ASSIS, era censor oficial (agente de censura) do Império.
Era ele que decidia quais obras ou peças poderiam ser levadas ao público no Conservatório Dramático (o órgão na corte do imperador Dom Pedro II). Entre 1862 e 1863 avaliou 17 peças e proibiu 3 com o argumento de estar preservando a moralidade e os bons costumes.

JOSÉ DE ALENCAR, foi contra a abolição.
Escreveu pelo menos 7 cartas a Don Pedro II, onde defendia abertamente a escravidão negra no Brasil.

JORGE AMADO, Admirava com o mesmo entusiasmo a Hitler como a Stálin.
Fez propaganda do nazismo em 1940, mesmo depois de Hitler já ter invadido a Polônia e outras nações vizinhas. Jorge, aqui no Brasil, virou redator na página de cultura do MEIO-DIA, então jornal de propaganda nazista. Durante o emprego no jornal de alemães - segundo Osvald de Andrade - tentou convencer colegas para que trabalhassem para Hitler".

GRACILIANO RAMOS (O autor de Vidas secas).
Numa crônica de 1921, defendeu que o futebol era uma moda passageira que jamais pegaria no Brasil, acreditava que o esporte não combinava com a personalidade bronca do brasileiro, e pedia aos jovens que resgatassem em nome da cultura brasileira atividades nacionais que andavam esquecidas como a Queda de braço e a rasteira. Essa merece uma boa gargalhada!

GILBERTO FREIRE (Autor de Casa grande e Senzala) Era admirador da Ku Klux Klan. O antropólogo em sua tese de mestrado apresentada na Universidade de Colúmbia nos EEUU (1922) elogiou o esforço dos cavaleiros da Ku Klux Klan americana - grupo que já naquela época executava negros. Também acreditava que o Brasil deveria seguir o exemplo da Argentina e clarear a população - "que tínhamos muito que aprender com os vizinhos do sul", escreveu ao resenhar um livro na Argentina. Em 1964, quando a dissertação foi publicada os trechos sobre a KKK foram retirados.

GREGORIO DE MATOS - Era dedo duro da inquisição. "Esse ícone da baianidade e visto até hoje como um artista libertino e até revolucionário, segundo o estudo de João Adolfo Hansen, da USP
intitulado A sátira e o engenho,  odiava negros, pobres, índios e judeus - o que, aliás era esperado de um fidalgo do reino português. As sátiras atribuídas a Gregório são comparadas às denúncias secretas à inquisição, muito comuns naquela época. Desde 1591 a Bahia abrigou agentes do Santo Ofício, incumbidos de condenar bruxas, homossexuais, judeus e hereges em geral. Os padres espanhóis que espalhavam o terror por lá, quando apareciam, os cidadãos corriam até eles para fazer denúncias contra hereges, na tentativa de parecer bons católicos e livrar a própria barra, etc.

Não vou mencionar aqui a parte onde o autor relata que até Zumbi tinha escravos para não ser atropelado na esquina, nem a parte que relaciona o samba ao fascismo e nem a parte que demonstra que até a feijoada é proveniente da Europa.
Agora, a parte que diz respeito ao Aleijadinho, estou tentando escannear (sem autorização do autor) para disponibilizá-la inteira, tanto pela importância do texto como para socializar a bizarrice de nossa pobre e miseranda necessidade de mistificar a si mesmo e a farsantes.

Insisto: as discordâncias e os chiliques devem ser resolvidos com respiração profunda, com um chá de hortelã ou remetidos diretamente ao autor do livro aqui mencionado que inclusive, tem outros do mesmo porte a venda em qualquer boa casa do ramo. Um sobre a "história politicamente incorreta da América latina" e outro sobre a "história politicamente incorreta do mundo".
Não é curioso e bizarro que nossos professores e que as nossas  vigentes "antenas da raça" nunca lhe tenham concedido nenhum Jabuti?






11 comentários:

  1. http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2014/06/03/interna_cidadesdf,430787/imagens-mostram-alagamento-no-desembarque-do-aeroporto-jk-apos-chuva.shtml

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  2. Tive que comprar este livro e ler atentamente, pelo autor ser alguém disposto a contestar a história aceita.
    É impressionante como algumas pessoas acreditam CEGAMENTE na história "oficial".
    Não mantém o mínimo de ceticismo necessário para ao menos investigar.
    Teimam em mitificar os "heróis" e condenar os "diabos", e aí de você por ter a curiosidade em investigar os fatos "oficiais" para ver até onde o que aprendemos nas escolas e universidades é verdade.
    A manipulação está aí para nos deixar saber só o que eles querem que saibamos.
    Não sei como as pessoas recebem um conhecimento e simplesmente o digerem sem nenhuma avaliação.
    Nesse ninho de cobra que é política e afins; na impossibilidade de poder confiar no que dizem fica difícil acreditar em algo. Me mantenho indiferente.

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  3. Eu já li todos os do Narlock e conheço muitos professores que adotam seus livros. Desde que o descobri, coloquei seus livros na lista de compras das bibliotecas que coordenei para dar uma outra alternativa às pessoas de entender nossa história, a história do homem...

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  4. Vai aí um trecho do texto em que o Graciliano Ramos fala mal do futebol:

    "Desenvolvam os músculos, rapazes, ganhem força, desempenem a coluna vertebral. Mas não é necessário ir longe, em procura de esquisitices que têm nomes que vocês nem sabem pronunciar.

    "Reabilitem os esportes regionais que aí estão abandonados: o porrete, o cachação, a queda de braço, a corrida a pé, tão útil a um cidadão que se dedica ao arriscado ofício de furtar galinhas, a pega de bois, o salto, a cavalhada e, melhor que tudo, o cambapé, a rasteira.

    "A rasteira! Este, sim, é o esporte nacional por excelência! "

    PS.: a rasteira era como a capoeira era chamada em alguns lugares do Brasil, que inclusive era proibida pelo código penal da época, o que explica o autor ter usado um pseudônimo para a publicação do texto e fugir das sanções por faser apologia a uma atividade ilegal (a rasteira).

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    1. Uma coisa, que é absolutamente válida, é não gostar de futebol ou mesmo considerar que se trata de um dos ópios do nosso povo bovino. Outra, que é absurda, é não reconhecer que, mal ou bem, o futebol é uma das paixões nacionais...

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  5. Posts anteriores nos quais eu discuti com alguns incautos a respeito desse excelente livro do LEANDRO NARLOCH. A carapuça pode servir também em outros militantes ideológicos e/ou adeptos do famigerado "politicamente correto":

    "Bem, se você (ou qualquer outro) é extremamente limitado, achando que a história oficial é verdade absoluta, aceitando o fato de estar cego por uma ideologia de esquerda (ou de direita), não posso fazer nada, apenas lamentar..."

    "É óbvio que há plausibilidade nas teses do livro em questão. Caso contrário, duvido que o Bazzo teria postado o trecho da obra do Leandro Narloch. Se você é um recalcado que não consegue contra-argumentar decentemente por ser uma pessoa limitada, problema seu...Pode espernear, cacarejar a abobrinha que você quiser que não tô nem aí..."

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  6. http://df.divirtasemais.com.br/app/noticia/fama/2014/06/04/noticia_fama,149593/justin-bieber-cogita-possibilidade-de-unir-se-a-organizacao-ku-klux-kl.shtml

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  7. Todas estas "grandes revelações" apenas confirmam a mentalidade do homem, fruto do seu próprio tempo e um "jornaleiro" brincando de historiador, bem assessorado, engabelando até um psiquiatra. O charlatanismo realmente tem uma boa audiência nesta terra de pindorama!

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  8. Vejam como o "anônimo" acima
    a - busca justificar o engodo denunciado por Leandro Narloch
    b - tenta desqualifica-lo com o rótulo de "jornaleiro"
    c - confunde psicologia com psiquiatria (o Bazzo é psicólogo e não psiquiatra)
    d - dá uma prova cabal de que o mau caráter impera e de que não há solução moral possível para esta pátria.

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  9. Desculpe, achei que o Bazzo era psiquiatra. Errei, mas não retiro nada do que escrevi acima do seu comentário, amigo anônimo! Gosto dos textos do Bazzo, principalmente os que falam sobre anarquismo. Abraços.

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  10. http://awebic.com/pessoas/isso-e-o-que-acontece-quando-uma-crianca-deixa-o-sistema-tradicional-de-ensino/

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