"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

O dharma do pequeno Akihito


A vinda do príncipe japonês ao Brasil serviu para que nos lembremos ( e digo "nos" por pura amabilidade) do verdadeiro papel da máquina diplomática no mundo: NENHUM. Toda aquela baboseira de não olhar para os olhos, de não tocar e de não dirigir a palavra ao visitante foi por água a baixo. O pequeno Akihito, ele próprio, sem preocupar-se com a Shanga brasiliense, mandou às favas não apenas a frescura dos protocolos, mas inclusive o principal dos preceitos budistas: o de não matar, e de zelar por qualquer forma de vida. Diante do festim herético que lhe foi oferecido, com vacas, cabras e outros animais sacrificados, entre uma deglutição e outra, apesar do visível deleite, é bem provável que esse Príncipe dos céus, - ao lado do Príncipe de Garanhuns, ambos sem curso superior -, estivesse sendo devidamente atormentado por seu Dharma.


Ezio Flavio Bazzo

Um comentário:

  1. se nós somos a cultura da culpa, a japonesa é a cultura da vergonha. um povo em forma de bonsais, mas que, basta apenas algumas doses de um bom saquê para, sem culpa, ficarem frondosos. ou murchos como o ocorrido, recentemente, com o ministro da economia do japão. mas, em todo caso, ambas as culturas estão em plena decadência. e as comemorações dos 100 anos de reforma agrária japonesa no brasil, servem para reatar os laços de troca culturais: o desprendimento japonês da culpa, pelo desprendimento brasileiro da vergonha.

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