quarta-feira, 22 de março de 2017

A carne: de podre a milagrosa...

O mendigo K. que acaba de voltar dos países asiáticos dizia-me nesta manhã, que o povo de lá está preocupado sim com o Brasil, mas nem é com a carne, mas com a rapidez com que ela passou de podre para milagrosa. Como é possível transitar tão rapidamente assim de um polo a outro? lhe perguntava um velhinho que fazia Tai-Chi-Chuan na frente de um restaurante. 
E não foram apenas os evangelistas da mídia, os ministros, os executivos em geral que mudaram de opinião, mas inclusive a própria policia que fez a denúncia. Agora, aquela carne que na semana passada era uma podridão só, passou a ser quase algo sagrado, coberto de todas as providências e higienismos possíveis. Estão até propagandeando que nos matadouros e frigoríficos nacionais ficam permanentemente de plantão rabinos, religiosos muçulmanos e até da Seicho-no ie e da umbanda para garantir que, durante as execuções das vacas, dos porcos, das cabras, dos coelhos e das galinhas (sejam com tiros, choques elétricos, dogolamentos, pauladas etc) as leis celestiais não sejam violadas...  A população está confusa. Só não está confuso quem fica alguns minutos em frente aos balcões dos mercados e dos açougues e quem entende a linguagem das varejeiras. 
Ora! Mas vamos deixar a estupidez para os estupidos! 
É importante lembrar que muitos de nós, parafraseando a kafka, já temos consciência de como se movem os "grandes ventos subterrâneos"...

terça-feira, 21 de março de 2017

Voltar a ler Freud...

Eua: mãe e filho são condenados por incesto e obrigados a se separar



A norte-americana Monica Mares, de 36 anos, e o filho Caleb Peterson, 19, foram condenados por incesto pelo júri da cidade de Clovis, no Novo México, nos Estados Unidos. O casal assumiu o relacionamento em agosto do ano passado, e desde então, tem sido investigado pela polícia do país. 
De acordo com o portal Daily Mail, Monica e Peterson se declararam culpados da acusação para não ficarem presos. Eles fizeram um acordo judicial e devem ficar um ano e meio sem se comunicar, acompanhados pelas autoridades. Depois diso, deverão ficar mais um ano e meio sem nenhum contato, mas sem acompanhamento. 
O juiz do caso não prendeu o casal porque nenhum dos dois tinha passagem pela polícia. O magistrado sugeriu ainda que os réus fizessem tratamento psicológico enquanto cumprem a pena em liberdade.
Após terem sido denunciados por um vizinho, o casal chamou a relação deles de "atração sexual genética", ao invés de incesto. "Ele é o amor da minha vida e eu não quero perdê-lo. Meus filhos o amam, assim como toda minha família. Nada pode nos separar, nem a Justiça, nem a cadeia", disse a mulher, à época.
Mãe de nove filhos, Monica tinha 16 anos quando engravidou do filho. Após o nascimento, decidiu dar a criança para adoção. Ao completar 18 anos, Caleb entrou em contato com a mãe pelo Facebook e combinou de passar o natal em sua casa. Pouco tempo depois, foram morar juntos e assumiram a relação. 
Em depoimento à Justiça, o casal disse que foi "amor à primeira vista" e que começou a ter relações sexuais no início do relacionamento: "Depois dos primeiros encontros, abri o jogo e disse a ele que estava começando a me apaixonar. Ele disse que também estava, mas tinha medo."

segunda-feira, 20 de março de 2017

domingo, 19 de março de 2017

Agora é tarde...

Hoje, domingo, depois da chuva visualizei de longe o mendigo K que distribuía uns panfletos lá na Esplanada dos Ministérios a uns turistas japoneses.  Curioso, recolhi um deles no banco de uma parada de ônibus. Era uma imitação de um poema escrito lá por 1930 e que se tornou famoso entre os movimentos de esquerda. Dizia mais ou menos assim:
Primeiro eles começaram a alimentar frangos com hormônios e antibióticos; como eu não comia frangos nunca dei importância...
Depois passaram a tratar vacas com restos de outras vacas, o que resultou na doença da 'vaca louca'; como eu não gostava de carne de vaca nem tomei conhecimento...
Depois começaram a alterar a vida dos porcos; como não sou um porco, apenas achei bizarro mas calei a boca...
Depois demonstraram que os peixes estavam impregnados de mercúrio; como não como peixes, dei de ombros...
Depois passaram a usar pesticidas em quase tudo o que era produzido na lavoura; como eu estava vivendo em outro país, não dei a menor importância...
Durante anos se sabia que o pimentão, o tomate, a cebola e quase todas as hortaliças estavam envenenadas; como eu estava com a saúde em dia, nunca dei importância.
Depois denunciaram que os remédios estavam sendo falsificados; como eu não fazia uso de nenhum, não levei nada a sério...
Depois passaram a falsificar também próteses; como estava tudo bem com minhas pernas e braços, não abri a boca...
Depois espalhou-se a notícia de que o leite vendido nos mercados estava envenenado; como eu era vegano, não quis nem saber...
Depois, chegaram a vender sangue contaminado; mas, como eu não precisava fazer nenhuma transfusão, fechei os olhos para o assunto...
Depois distribuíram vacinas e alimentos vencidos nas escolas; mas, como meus filhos já eram adultos, não dei  a mínima importância...
Sabia-se que nos alimentos em geral havia mais sal e mais açúcar do que o tolerável mas, como eu não tinha pressão alta e nem era diabético, nunca quis entrar em detalhes...
Depois soubemos que estavam vendendo também carne podre, mas como eu era vegetariano, e como meus familiares são criadores de gado e têm frigoríficos, não dei a mínima...
E agora, nesta carência de água, estão divulgando que vão nos fazer beber água do lago, sim, do lago que fica ali nos fundos do Palácio e onde os políticos, as elites e o populacho lançam todas as suas porcarias, suas misérias e suas merdas. Agora sim, estou verdadeiramente indignado, mas agora camarada... agora é tarde!...

Hoje é domingo: Vai um churrasco aí?

sábado, 18 de março de 2017

Enquanto isso, na ante-sala dos matadouros, dos açougues e dos frigoríficos...


"A verdade e a transparência perfeitas pertencem ao reino animal. Os homens e as mulheres perduram em virtude do seu recorrente fingimento..."
Jonathan Swift





Hoje, sábado, um dia depois do escândalo das carnes podres, encontrei no mercado da esquina aquela velhinha zen que anda sempre por aí com um lenço liláz na cabeça, um guarda-chuva e uns tamancos daqueles holandeses de 1790. Estava enfurecida discutindo com o moço do açougue. Cretinos e infames! Dizia.
Quando me viu arrastou-se para meu lado e perguntou? Cadê a juventude incendiária? Depois de saber que nos fizeram comer carne podre durante décadas, nenhum frigorífico em chamas? Nada! Que povo de merda é esse?
E concluiu: e agora se entende melhor a razão pela qual esses bandidos engravatados só comem carne importada do Japão!