"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 21 de julho de 2018

Meio homicídio, meio suicídio! Ou seria apenas mais uma questão de gênero? Vai um agrotóxico aí??? O silêncio e a passividade da turba também é um veneno...



[Levantar uma pedra para deixá-la cair sobre os próprios pés é um ditado com o qual descrevemos o comportamento de certos idiotas...] Mao Tsé Tung



______________________________________________________________________________________________

Agrotóxicos atingem, diretamente, a saúde de próstata, pênis e testículos






(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Em 1962, a ecóloga norte-americana Rachel Carson escreveu, na icônica obra Primavera silenciosa, que seria apontada como a fundadora do movimento ambientalista: “Se vamos viver tão intimamente com esses químicos — comendo-os e bebendo-os, levando-os para a medula de nossos ossos —, temos de entender algo sobre sua natureza e seu poder”. Ela se referia aos pesticidas que, à época, não levantavam suspeita entre a população e apenas começavam a atrair a desconfiança da comunidade científica.
As denúncias feitas por Carson receberam uma enxurrada de críticas da agroindústria, mas, na mesma proporção, atraíram a confiança dos leitores, que começaram a exigir mais clareza sobre os efeitos desses produtos na saúde humana. Um ano depois do lançamento do livro, um relatório do Comitê Científico da Presidência, ocupada por John F. Kennedy, apoiou o conteúdo da obra, uma tendência acompanhada por todo o mundo ocidental.
Passado mais de meio século, o Brasil é acusado por médicos e cientistas de retroceder, indo na direção contrária ao esclarecimento público, com a Câmara dos Deputados dando aval a uma proposta que, entre outras coisas, trocará o nome de agrotóxico por “defensivo fitonassanitário” e excluirá o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente do processo de registro desses produtos. No fim de junho, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 6299/2002, de autoria do ministro da agricultura, Blairo Maggi, que altera as regras de registro, fiscalização e controle dos agrotóxicos. O texto, sujeito à votação no Plenário da Casa, já foi apelidado de PL do veneno.
Entre as sociedades médicas que manifestam preocupação com o teor da proposta, está a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Na semana passada, Fábio Trujilho, presidente da Sbem, e Elaine Frade, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da instituição, divulgaram nota sobre o projeto, tachado de “grande irresponsabilidade e descompromisso com a saúde da população”. Segundo a Sbem, cerca de 600 estudos científicos demonstraram o potencial dos agrotóxicos de interferir no sistema endócrino, principalmente no desenvolvimento do sistema reprodutivo, na fase intrauterina.
Antes da votação, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar (Inca) já haviam se posicionado: “Alertamos a sociedade brasileira para os efeitos potencialmente catastróficos da aprovação deste PL para a saúde pública”, afirmou a SPBC. “Tal modificação colocará em risco as populações — sejam elas de trabalhadores da agricultura, residentes em áreas rurais ou consumidores de água ou alimentos contaminados —, pois acarretará na possível liberação de agrotóxicos responsáveis por causar doenças crônicas extremamente graves e que revelem características mutagênicas e carcinogênicas”, advertiu o Inca.


Desreguladores

De forma geral, as pesquisas associam a toxicidade dos pesticidas a mutações que podem levar ao desenvolvimento de câncer, doenças degenerativas e distúrbios do neurodesenvolvimento. Na endocrinologia, especificamente, a preocupação é com uma função que muitos desses produtos têm: a de desreguladores endócrinos. Trata-se de um conceito recente, cunhado na década de 1990, quando a farmacêutica norte-americana Theo Colborn apresentou um estudo mostrando que certas substâncias químicas às quais as pessoas são expostas ao longo da vida agem no organismo enganando o sistema endócrino. Essas toxinas mimetizam ou anulam a função de importantes hormônios, ligando-se aos receptores responsáveis por detectá-los e reagir à presença deles.
Plástico com BPA, alguns medicamentos, cosméticos e artigos de higiene pessoal, revestimentos de latas, determinados tipos de papéis e retardadores de chama são alguns dos produtos que levam substâncias com essa função em sua composição. Ao menos nove classes de químicos usados no controle de pestes agrícolas são comprovadamente desreguladoras endócrinas (veja arte). Fetos, crianças e adolescentes são os mais vulneráveis aos efeitos adversos.
“Nesses casos, o raciocínio da toxicidade não tem aplicação. Doses mínimas dos desreguladores têm efeito máximo nos sistemas endócrinos”, observa Elaine Frade, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da Sbem. Ou seja, ainda que a quantidade do ativo seja tachada de “segura”, o organismo não interpretará da mesma forma, e as mais baixas concentrações de agrotóxicos com essa função têm potencial de mimetizar a ação dos hormônios.
Como seres humanos estão expostos a uma variedade muito grande de substâncias no meio em que vive, é difícil realizar estudos controlados para detectar a influência direta de um único composto na saúde. Contudo, pesquisas com animais criados em laboratório fazem essa associação. “Eles mostram conexão dos desreguladores com câncer, obesidade, doenças de tireoide e alterações no sistema reprodutivo, entre outros”, diz a médica.

“Medida tendenciosa”

Caso o PL 6299/2002 seja aprovado no Congresso e sancionado pela Presidência, o termo agrotóxico vai sumir dos rótulos, e será substituído por “produto fitossanitário de controle ambiental”. Trata-se de “clara intenção de passar a ideia de uma falsa inocuidade desses produtos para a população”, segundo posicionamento da Sbem. Além disso, não haverá mais a lista de produtos não agrícolas que contêm ingredientes ativos de agrotóxicos, como os inseticidas. O texto também tira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a atribuição de analisar e deliberar sobre o registro de agrotóxicos, passando a responsabilidade ao Ministério da Agricultura. Os produtos classificados como “risco aceitável” passam a ser permitidos e apenas os considerados de “risco inaceitável” ficarão permitidos. “Essa medida é absurda e tendenciosa”, afirma a Sbem.

 
No Brasil, há múltiplas vias de exposição 

Pós-doutor em ecotoxicologia, Cesar Koppe Grisolia publicou, em 2005, uma obra na qual discute a influência dos agrotóxicos em mutações genéticas que levam ao desenvolvimento do câncer. Passada mais uma década, o livro está mais atual do que nunca. De lá para cá, mais pesquisas confirmaram essa associação. Enquanto isso, na contramão da maioria dos países, o Brasil ainda permite a comercialização de alguns dos pesticidas apontados pela ciência como potencialmente cancerígenos, como os organoclorados. Em entrevista ao Correio, Koppe demonstra preocupação com a fiscalização falha da lei dos agrotóxicos e critica a aprovação recente do PL 6.299/2002. “Esse novo projeto de lei facilita a ação de lobistas e as pressões da indústria”, diz.

 
O senhor publicou o livro Agrotóxicos: mutações, câncer & reprodução em 2005. Desde então, se consolidou ainda mais a evidência sobre os impactos negativos desses produtos nos genes?

Sim, a cada ano, aumenta na literatura científica o número de publicações mostrando os efeitos nocivos dos agrotóxicos sobre o material genético de diferentes espécies, inclusive o homem. Além dos efeitos cancerígenos e causadores de malformações congênitas. Há estudos epidemiológicos mostrando a correlação entre exposição aos agrotóxicos e o aumento de mutações no DNA que levam ao câncer. Esses dados estão mais detalhados no nosso livro.

Além dos trabalhadores que aplicam os agrotóxicos no campo, as mutações cancerígenas e o risco de infertilidade podem ocorrer em consumidores desses produtos?

Sim, porque hoje no Brasil o cenário é de múltiplas vias de exposição, como os níveis excessivos de resíduos nos alimentos, as contaminações das águas que bebemos, e do ar que respiramos. Assim, mesmo que em concentrações baixas, somando-se as diversas vias de exposição, o resultado final representa níveis significativos de exposição na população em geral. Os riscos a saúde são diretamente proporcionais à intensidade de exposição e, no Brasil, o grande aumento no uso desses venenos elevaram os riscos de causar mutações no DNA, de câncer e de infertilidade.


Dos pesticidas existentes no mercado brasileiro, quais têm maiores potenciais de impactar negativamente a saúde?

São muitos os agrotóxicos com risco de câncer registrados no Brasil. Ainda permitimos o registro e comércio de agrotóxicos organoclorados. Apesar de proibirmos os mais famosos, como o DDT e o BHC, somente depois de banidos no mundo todo, ainda pulverizamos organoclorados como endosulfan, que causa efeitos nocivos sobre a reprodução das espécies. O herbicida clorado 2,4-Diclorofenoxiacético causa linfomas, foi usado como um dos componentes do Agente Laranja na Guerra do Vietnã. Os soldados americanos que lutaram no Vietnã foram expostos e desenvolveram linfomas. A população vietnamita desenvolveu câncer e diferentes malformações, pois os resíduos desse herbicida no ambiente são muito persistentes.


No Brasil, a fiscalização é rigorosa o suficiente para garantir que os alimentos contenham apenas as quantidades de agrotóxicos estabelecidas como seguras?

A lei dos agrotóxicos (7.802) ainda é bastante atual e semelhante às legislações de países de primeiro mundo. O nosso problema não está na lei, mas, sim, na fiscalização. As pulverizações aéreas irregulares, desvios de uso de indicação de cultura, descartes irregulares de embalagens contaminadas no campo, contrabando de agrotóxicos proibidos e aplicações acima das doses recomendadas são exemplos da gravidade do problema. A grande extensão territorial e o contraste entre as regiões dificultam uma fiscalização mais eficiente. Além disso, a estrutura de fiscalização e de recursos humanos está muito aquém da nossa realidade de extensão territorial.


O senhor acredita que a aprovação do projeto de Lei 6.299/2002 pode ter impacto direto sobre a saúde do consumidor e do trabalhador rural?

Com certeza esse novo projeto de lei vai trazer muito mais prejuízos à sociedade. Devido à complexidade do registro de agrotóxicos, não pode ficar centralizado em um único órgão. A avaliação dos perigos dos agrotóxicos sobre a saúde humana é dever legal do Ministério da Saúde, por meio da Anvisa. Assim como os riscos ao ambiente, que é de competência do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Ibama. O mercado de agrotóxicos no Brasil movimenta bilhões de dólares por ano, e é público e notório que o Estado Brasileiro é corrupto. Esse novo projeto de lei facilita a ação de lobistas e as pressões da indústria, além de flexibilizar o uso de agrotóxicos, que na lei atual deveriam ser restringidos ou mesmo proibidos.  (Correio Braziliense)

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Enquanto isso...

Dente por dente, olho por olho... (Até que o mundo fique mais banguela e mais caolho...)

Conselho de um xamã africano: 
[ Só fale mal dos crocodilos depois de atravessar o rio...]


Multidão enfurecida massacra 300 crocodilos na Indonésia

Sorong, Indonésia - Uma multidão enfurecida massacrou cerca de 300 crocodilos em um criadouro de Sorong, na Indonésia, depois que um dos répteis matou um homem.
O fato ocorreu no sábado, depois do enterro da vítima, um homem de 48 anos que entrou acidentalmente na área de criação em busca de capim para suas vacas, segundo informaram as autoridades de proteção animal.
Um dos crocodilos mordeu sua perna e outro o feriu mortalmente com um golpe de cauda na cabeça. 
Membros da família do falecido e outros habitantes da localidade de Sorong, cidade portuária com pouco mais de 200 mil habitantes, reclamaram com a polícia sobre a presença do criadouro em uma área tão residencial.
A polícia informou que o dono da criação estava disposto a indenizar a família da vítima, mas centenas de vizinhos enfurecidos invadiram o local armados com facas e machados.
Eles mataram 292 crocodilos, em sua maiora filhotes, e também adultos que mediam dois metros de extensão, ou seja, a quase totalidade dos répteis que se encontravam no criadouro.
A polícia não conseguiu deter o ataque. (Correio Braziliense)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

O mendigo K e a vara de Aarão...

"As religiões são basicamente superstição organizada. Apoiam-se não na razão, e sim na ignorância e nas emoções - em particular nas paixões da esperança e do medo..."
Baruch Spinosa
(In: Tratado teológico-político)

Fantasiado de branco, o mendigo K estava sentado num meio fio no interior da rodoviária. 
Parecia Zen e sem incomodar-se para nada com a fumaceira que saía do escapamento da frota sucateada de ônibus.
Dizia a um outro mendigo em absoluta indigência: Desde criança tenho um interesse especial por magias e feitiçarias. Ainda criança, depois de ir a um circo, fui tomado por este fascínio. Tapetes voadores, milagres, encantadores de cobras, ressurreição dos mortos, curas, os mirabolantes cenários que os bêbados conhecem em seus delírios, tudo isso é deslumbrante... E as bibliotecárias são testemunhas de que eram as prateleiras que continham obras sobre esse assunto que mais me atraiam. A idéia de transformar água em absinto ou a dos alquimistas de transformar pedra em ouro me pareciam o máximo, e não por avareza, mas por luxúria. A capacidade de um palhaço tirar um coelho da cartola me transportava para fora deste mundo e alterou minha vida para sempre. O Circo Garcia fez por minha auto-estima, por meu amor próprio e por minha educação mais do que todos os livros sagrados e do que todas as universidades juntas... E não pense que isto foi um capricho apenas de minha infância, não, até hoje isto me fascina! Quando escasseia o material que disponho sobre a temática, costumo recorrer, sabe a quê? À Biblia. Sim, à Bíblia. De ponta a ponta! Desde a primeira linha do Gênesis até a última do Apocalipse há anedotas e fábulas repletas de magia e de feitiçaria. Aquela de Moisés abrindo um caminho entre as águas do Mar Vermelho, por exemplo, me parecia o máximo. E aquela do sol parando no espaço para dar mais tempo para Josué massacrar os inimigos de Israel.., esta me tirava o sono......  Mas, a mais eloquente e fascinante daqueles tempos e até hoje é a conhecida por Vara de Aarão. Lembra? 
Como o outro mendigo parecia ter entrado em estado cataléptico ele repetiu a pergunta três vezes: Lembra? Lembra? Lembra da vara de Aaron? Como saído de um sono profundo o mendigo retrucou-lhe com enfado: Não cara! Não lembro porra nenhuma, muito menos da vara de Aarão! Meu tipo de literatura fantástica é outro! Leio Borges e Edgar Allan Poe!!!
Aarão estava numa reunião com o faraó de plantão - o Mendigo K foi contando como uma tia que conta uma história infantil a uma criança - para negociar uma saída pacífica dos judeus do Egito. Em determinado momento, não se sabe porque Aarão se estressou e jogou sua vara (bastão) aos pés do soberano egípcio e esta se transformou imediatamente numa serpente. O faraó não se intimidou, pelo contrário, mandou chamar seus guarda-costas e seus feiticeiros que ao chegarem ao local da reunião também jogaram suas varas ao chão e elas, como a de Aarão também se transformaram em víboras...
Fez um breve silêncio e perguntou: Isto não é o máximo da porra-louquice???
Para em seguida concluir: Mas tem mais. A vara de Aaron transformada numa serpente, devorou todas as serpentes originadas nas varas dos feiticeiros do faraó... 
Isto não é o máximo do charlatanismo e o climax de uma piração geral??? Um retrato de nossa indigência metafísica? 
Como e onde encontrar saco e paciência para suportar essa mixórdia mental???
Explodiu numa gargalhada e entrou clandestinamente no primeiro ônibus que partia.