"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Loucura, David Cooper & outros delírios espirituais...


[... O mundo tem sofrido imensamente por acreditar que Cristo morreu para salvá-lo. Teria sido muito melhor se tivesse podido, historicamente, te-lo visto tendo um orgasmo para salvar a si mesmo... 
A crucificação não foi nenhum orgasmo, pelo contrário. Na estrutura de poder da igreja emergente, esse ato bárbaro foi a introdução histórica da submissão nos interesses da nascente sociedade feudal...]  Ver David Cooper, in: El lenguaje de la locura, página 81.






domingo, 14 de janeiro de 2018

Brasília e seus vendavais...

"Quando os antropólogos chegam, os deuses vão embora!"
Provérbio haitiano
(observação: devia ser realmente assim, mas só até antes dos antropólogos terem sido vergonhosamente cooptados pelas igrejas e se tornado cúmplices dos padres...)

Brasília assistiu ontem uma bela demonstração de exuberância e de soberba da natureza: ventania, raios, pedras de gelo, chuva na vertical e na horizontal, trovões, pedaços de árvores levitando por sobre as avenidas, esgotos transbordando, sem teto e bêbados correndo de uma marquise a outra arrastando seus trapos e do meio das nuvens um flash atrás do outro como se uma divindade ou um demônio sádico estivesse querendo fuzilar alguém e ao mesmo tempo registrar tudo, fazer um ensaio fotográfico de nossa miséria, desde a indiferença dos alienados até o desespero dos maníacos... Meu cachorro postou-se junto à vidraça e assistiu com um indisfarçável prazer e fascínio aquela espécie de dilúvio. Quando pipocava um relâmpago, seguido da explosão de um raio, ao invés de jogar-se no chão, bocejava, quase em desafio a todo aquele exagero de exibicionismo. Uma velhinha que atravessava os jardins lá em baixo quando viu seu guarda-chuva ser despedaçado, quase perdeu o equilíbrio, fez o sinal-da-cruz e soltou involuntariamente o grito clássico: Meu Deus! 
No prédio vizinho alguém caminhava de lá para cá com uma vela na mão direita e na esquerda com uns ramos de arruda ia espargindo água benta pelas paredes... Os postos de saúde e os colégios públicos sucateados desde sempre viram goteiras despencarem dos telhados sobre tomógrafos, escrivaninhas, cadeiras e macas já enferrujadas... 
Apenas por esnobismo literário associei aquela, digamos, tempestade, a um dos terremotos mais violentos já registrados no mundo: o de Lisboa de 1755. Segundo os lusitanos, foi um show de terror nunca visto. Primeiro o terremoto seguido por um tsunami e imediatamente por um incêndio que devorou quase a cidade inteira e mais: a partir daí, por uma querela interminável entre o marques de Pombal e o padre Gabriel Milagrida. O primeiro atribuindo a desgraça a uma causa natural e o segundo, insistindo que havia sido um castigo divino pela vida perversa e pecaminosa que os portugueses estavam levando. Seria aqui entre as nossas negras e índias?
 Marques de Pombal, todo mundo sabe, foi aquele que não só deu um pontapé no traseiro dos jesuítas que infestavam o Brasil, mas que, por malandragem econômica, também proibiu a profissão de ourives. A respeito do tal padre Milagrida, em função de sua insistência em seguir cacarejando que o terremoto de Lisboa havia sido uma vingança divina contra o amancebamento e à libertinagem portuguesa, foi garroteado e queimado na Praça do Rossio em Lisboa...

Mientras tanto...

sábado, 13 de janeiro de 2018

E o que se chama república... não é mais do que um rodízio entre búfalos...


Parafraseando o pensador romeno que dizia que o único antídoto que a humanidade encontrou para a Bomba atômica foi o padre Teilhard de Chardin, pode-se dizer, com o mesmo desprezo e cinismo, que o antídoto que nossos eleitores, exauridos, desesperados, traídos e imbecilizados encontraram para o Lula foi o Bolsonaro... Povera gente!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

E já que falei de cemitérios...


"Arrête: c'est ici l'empire de la mort!"
(numa catacumba de Paris)






518 anos de surrealismo... (e de picaretagem...) Quando é que os crematórios substituirão os cemitérios?

Apesar de que, "Daqui há um século a gente falará de nossa época como o paraíso terrestre. Quando toda a terra será povoada, o homem não encontrará esperança alguma a não ser no passado..." E.M.C. (Cahiers, p. 235)


Placa de túmulo cede e três mulheres caem em cova no Campo da Esperança  (no Correio Braziliense de hoje)





Três mulheres ficaram feridas durante um sepultamento no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, após uma das placas que cobria um túmulo ceder e elas caírem na cova.
O acidente aconteceu nesta tarde de terça-feira (11/1), informou o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Ainda segundo a corporação, nenhuma das mulheres, com idades de 31, 35 e 52 anos, ficou gravemente ferida, sofrendo algumas luxações nos ombros e nos pés.
As vítimas foram atendidas pelos bombeiros e encaminhadas para o Hospital de Base. Elas estavam "conscientes, orientadas e estáveis". O Correio tentou contato com a administração do Campo da Esperança, mas não obteve retorno. 
*Estagiária sob supervisão de Humberto Rezende