segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Estas sim foram duas perdas irreparáveis...







O "Eterno Feminino" aqui nesta utopia que virou realidade...

"Como diria Maomé: 
Eu já era profeta quando Adão 
ainda estava entre a água e a argila"
(Anônimo)

Acabo de ler o volume 1 de Histórias de Brasília, de João Carlos Amador. Uma curiosidade: A cidade é marcada desde o princípio pelo 'eterno feminino'. Me explico: Além da cidade chamar-se Brasília, que pode ser lido como o feminino de Brasil

1. O presídio da cidade chamado Presídio da Papuda, recebeu esse nome em homenagem a uma senhora papuda (que sofria de bócio) e que morava naquele local.

2. O cemitério da cidade, conhecido por Campo da Esperança, foi assim nominado em homenagem a uma  benzedeira, que sofria de hanseníase, que se chamava Dona Esperança e que vivia naquela região.

3. Um assentamento criado na periferia da cidade foi nomeado de Recanto da Emas.

4. O principal parque da cidade chamou-se inicialmente Ana Lidia e depois passou a ser conhecido por Sara Kubitchek.

5. Uma das principais obras do Presidente Janio Quadros foi construir o Pombal (refugio para pombas) em plena Praça dos Três Poderes.

6. O primeiro habitante do Zoológico de Brasília, 1957, foi uma elefanta chamada Nely, presenteado pelo  embaixador da Índia ao Presidente JK.

7. Na entrada da cidade, BR 040 foi instalado um monumento conhecido por Solarius, de autoria do francês Ange Falchi que, pelo seu formato, é conhecido pela população como O chifrudo ou o cornudo. (!?)

E ainda se acham preteridas e rejeitadas!




sábado, 7 de dezembro de 2019

Amanhã, 08 de dezembro, emplaco 70 anos. SETENTA ANOS! Sabem o que é ver o mesmo filme setenta vezes? E vejam o que me espera...




Mas... como tenho boa memória, não esqueço que:
"O grande felino esquelético, viaja solitário pelos cumes áridos e não tem nada a ver com o festim das raposas na selva exausta..."
Vargas Vila, 
IN: Laureles rojos, vol. 44, p. 223)





Os negros contra um negro. Que porra é essa?


"Solo perduran en el tiempo 
las cosas que no fueron del tiempo..."
J.L.Borges

 Indicado para assumir a presidência da Fundação Cultural Palmares, Sergio do Nascimento Camargo (um jovem negro), esta sendo flechado por todos os lados pela comunidade e pelos movimentos negros do país. O argumento dos indignados para querer arrancá-lo de lá se baseia na discordância a respeito de suas recentes declarações político/raciais. 
Reivindicam em fúria, junto a um judiciário (100% branco) que sua nomeação seja suspensa. Ora!, não lhes parece um paradoxo? Um negro, finalmente um negro assumindo a presidência de uma instituição de primeira linha e seus iguais querendo derrubá-lo e destruí-lo? Baseados em quê, além de em suas próprias neuroses? Que porra é essa?
Estão querendo o quê? 
Será que secretamente não gostariam de ter lá na cúspide burocrática daquela Fundação um albino Finlandês com os olhos cor do mar? Não estariam sendo racistas? Expressando um sentimento de desvalia e de descrença com relação ao próprio grupo étnico a que pertencem? 
Acho essa rejeição, além de racista e irracional, uma idiotice. Uma Reação de subalternos, como diria Gramsci. Essa impossibilidade de lidar com quem pensa diferente e essa necessidade de ficar pregando para convertidos é uma desgraça nacional. 
Ao invés de querer "derruba-lo", deveriam fortalecê-lo, dar-lhe todo tipo de apoio e, finalmente, a palavra, para que aprofunde suas idéias sobre os assuntos considerados polêmicos e, se for o caso, aproveitar para demonstrar-lhe (via razão e não via superstições) os pontos onde esta equivocado. Eu, sinceramente, tenho a maior curiosidade em conhecer suas teses e seus argumentos... 
Se não for assim, companheiros, não se têm a mínima chance de  crescer e muito menos de conquistar algum tipo de soberania. Não é verdade?
E vamos lembrar as duas frases do Malcon X: "Você não pode odiar as raízes de uma árvore e não odiar a árvore. Você não pode odiar a África e não se odiar."

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/12/06/interna-brasil,812189/movimento-negro-reune-assinaturas-contra-nomeacao-de-sergio-camargo.shtml


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Epifania da carne... Ou: a vez do javali...

"Quem suportaria ter como amigo ou familiar um velho que aliasse, à experiência completa de vida, a vantagem do vigor mental e do juízo penetrante?"
Erasmo de Rotterdam

E o 'canibalismo', tendo Cristo como pretexto, sempre se exacerba nestes dias de dezembro porque, quase todo mundo sabe, que além do cérebro e da 'alma' existem também as tripas, não é verdade? 
Não satisfeitos com os frangos, com os porcos, com os coelhos, com as vacas, com as rãs, com os lambaris, com o salmão, com o bacalhau, com as cabritas, os moluscos, os gafanhotos, as lagostas, os faisões, os perus, as lebres, as antas, os veados, os galos, as tartarugas, os cavalos... a espécie pensante, supostamente leitora de São Francisco de Assis e de Marx, começou a devorar também os javalis. 
Olha a novidade! Olha a carne de javali!
Olha a novidade! Olha a carne de javali!
Ia gritando um desses contratados de fim de ano ao lado de um freezer do tamanho de um ataúde, e cheio.
E não há ser vivo que lhe escape. Por preconceito ainda não banqueteamos os ratos, os urubus, nem os escorpiões e nem as cobras, mas já há quem o faça, e com grande luxúria, aí pelo redor do mundo.
É realmente uma indecência, um despudor e uma desonestidade ter que admitir passivamente que um sujeito de classe média, com 70 anos e alfabetizado, já tenha devorado uma vaca e meia; uns 700 frangos; meia dúzia de patos; uns cinco seis porcos e etc. Sem falar das fatias matinais feitas do peito dos perus e dos ovos. Dois ovos por semana significa 8 por mês e 96 por ano. Noventa e seis multiplicado por setenta = 6720 ovos! 
É provável que todas essas galinhas, esses perus, essas vacas, esses patos, esses veados e esses porcos estejam aguardando pacientemente para recepcionar-nos lá no saguão do inferno. As vacas com seus chifres, os porcos com  suas presas e agora os javalis com sua cólera implacável. 
Feliz natal e próspero ano novo, com um King-Beef!

Sonata n. 10 em A menor/Paganini

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

E se a terra realmente for plana? Em que isto alterará a rotina de meu cachorro?


"Se acreditamos com tanta ingenuidade nas idéias é porque esquecemos que foram concebidas por mamíferos".
E.M. Cioran
(IN: Silogismos da amargura).


Tenho assistido com uma certa perplexidade e com uma imensa curiosidade clínica aos ataques que a intelligentsia nacional, unida em bandos como guapecas, tem feito às pessoas que se atrevem a lançar uma idéia, um plano, um projeto, uma hipótese, uma teoria ou qualquer coisa diferente do já estabelecido. E principalmente, quando esses defensores das verdades eternas e pétreas estão diariamente nos poleiros da mídia com as penas do rabo abertas e mais do que complacentes.
Me explico: se todos concordamos que estamos social, econômica e psiquicamente mergulhados numa merda sem fim, qual é a razão e a lógica que leva essas pessoas a querer defender a todo custo os "valores" e as "crenças" que até aqui vieram pautando e intoxicando nosso cotidiano e nos empurrando para esse estado de coisas? Qual é o problema em admitir que se tente olhar as coisas de outro ângulo, por mais esdrúxulos que nos pareçam? E livrar-nos de todo o lixo do passado? Por que todo esse medo de ver nossos postulados, nossas crenças e a nós mesmos derretendo? E escrevo isso pensando basicamente nas agressões que estão cotidianamente sendo dirigidas ao sr. Olavo de Carvalho, com seus pensamentos e suas idéias e principalmente com sua insinuação de que a terra pode não ser redonda, mas plana, e também contra os três mosqueiros da Funarte, da Palmares e da Cultura, com seus simplórios exotismos. Qual é o problema? 
Ah, vamos retroceder! Dizem. 
Retroceder? 
Ora, mas como? 
Não é possível retroceder, estamos no ponto zero.  
E sobre a hipótese da terra não ser redonda, eu até desconfio que ela é retangular. Por que não no formato de um prisma? Mas e em sendo, em que isto alteraria a rotina de meu cachorro? E depois, duvido que esses porcos chauvinistas que com sua impertinência de piolhos, não querem deixar o Olavo se expressar consigam demonstrar, até mesmo para uma criança, que a terra é semelhante a um ovo).
Sinto um prazer imenso ao ouvir esse trio de novos gestores que, naturalmente, não gestarão porra nenhuma, indo (por burrice , por ingenuidade ou por pura malandragem) na contramão, dessacralizando  as bobagens estabelecidas, causando frisson nos crentes de plantão e de antanho e tentando até trazer Satã para o palco e colocar balelas bíblicas no lugar das balelas de Gramsci. Que digam bobagens, que sejam rotulados de contra-revolucionários, que sejam o assunto predileto dos bêbados desiludidos nos botecos, que entrem no índex dos fascistas, que apanhem na rua, que mereçam manchetes diariamente. E daí? Tudo bem! É isso que dá vida a esse circo.  É isso que alimenta as matilhas! Matilhas que nunca fizeram nada além de roer ossos e de rosnar no fundo das casas, de abanar o rabo para os patrões e de queimar incenso às bobagens estabelecidas.  Matilhas que passam pelo mundo como pedras!
Entre duas alternativas, (me alerta o mendigo K) sempre é recomendável e revolucionário buscar uma terceira.
Enfim, como diria Cioran: "Se acreditamos com tanta ingenuidade nas idéias é porque esquecemos que foram concebidas por mamíferos".





Enquanto as caravanas passam II...

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Max Weber e a sacanagem do excludente de ilicitude...

[Tu amas la Verdad, la Belleza y la justicia: y yo por tu amor digo que es justo y bueno amar estas cosas. Pero en el corazón me río de tu amor. Sin embargo preferiría que no vieses mi risa. Prefiero reír solo.

Amigo mío, tú eres bueno, cauto y sabio: eres perfecto y también yo hablo contigo con sabiduría y prudencia. Sin embargo estoy loco. Pero enmascaro mi locura. Quiero estar loco a solas.

Amigo mío, tú no eres mi amigo, pero como haré para que lo comprendas? Mi camino no es el tuyo, sin embargo caminamos juntos, tomados de la mano...]
Kahlil Gibran , IN: The Madman.
(Citado IN: La otra locura, Laing e outros, p. 123)

O problema desse tal excludente de ilicitude que, aliás, já é vigente no país desde que por aqui se fixaram os primeiros lusitanos, é que ele é unilateral. Que é um instrumento do Estado, de um Estado que já não se contenta com as cadeias para sufocar as massas. Um instrumento dos ricos para manter os pobres no picadeiro e na merda e a seu serviço; Um instrumento dos crápulas para manter os rebanhos de joelhos, pastando na subserviência, e assim eternizarem e preservarem para si as regalias e os poderes de que dispõem. 
Sorria! Você esta sendo vigiado...  (!)
Não, esse tal excludente de ilicitude, não é novidade! Os pais dos adolescentes que são "fuzilados" todos os dias aí pela periferia já o conhecem há décadas. E ele já esta, inclusive ali nas páginas de nossa 'Sagrada Constituição', da 'Constituição Cidadã' do Ulisses Guimarães...
E nossas faculdades de sociologia não se acanham em seguir enfiando na cabeça de seus alunos que Max Weber, o grande Max Weber, apregoava há quase dois séculos atrás que a violência é monopólio do Estado. Não lhes parece que esta frase, por si só, deveria fazer os alunos abandonarem o curso e irem estudar Corte e Costura?
 E aquele delicado e humanista alemão insistia: "a máquina institucional e estatal é a única que tem legitimidade, através de seus agentes, de descer o cacete, de trancafiar e de eliminar os que tiram o sono das elites políticas..." Por que então, agora, até os professores estão (ou fingem estar) escandalizados com o  fortalecimento do tal mecanismo que inocenta o Estado de seus crimes?
 É evidente que essa liberdade para vingar-se dentro da lei é uma sacanagem tirânica para eternizar a mediocridade e eliminar as vozes discordantes. Uma anomalia estatal e universal. 
E o pior, é que em qualquer lugar do planeta, se você discordar da turba, se você transgredir um código, um dogma, ou uma norma moral estabelecida pelo Establishment e pelas elites, por mais estúpida, doentia e sem sentido que seja, seja ela comercial, política ou religiosa logo aparecerá um policia com QI abaixo de 70 para dar-te um tiro na cara, respaldado e incentivado pela idéia de Max Weber e de que esta servindo a um SENHOR e que tudo o que faça, em nome dele e do estado lhe é licito. 
Uma idiotice! 
Mais uma prova de que o Renascimento foi uma farsa e de que nossa espécie é o resultado de um projeto que não deu certo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

E já que falamos de demiurgo e de natureza, como vai tua memória?

No estacionamento de minha casa, nesta segunda-feira de dezembro, encontrei o mendigo K que estava de cócoras, em baixo de um Jacarandá violeta admirando a casca de uma semente que recém havia caído. Achei curioso seu interesse e me aproximei. Ué, será que esse merda virou agrônomo agora? Meio intimidado, apontando para a semente, me perguntou: isto te lembra alguma COISA ou já é coisa de um passado irreconhecível?
Fiquei de cócoras como ele e olhei demoradamente para aquela imagem transcendente ao mesmo tempo em que sentia uma sensação estranha, quase metafísica e prazeirosa correr-me pelo interior dos ossos e das vértebras... Eram os instintos primitivos!



Até o demiurgo parece estar furioso...














domingo, 1 de dezembro de 2019

DiCaprio, os 500 mil dólares e os mosquitos da malária...



[... Antes, a questão era saber se a vida tinha que ter um sentido para ser vivida. Agora, fica claro o contrário: que será vivida muito melhor se não tem sentido algum...]

A. Camus

Independente dos caras lá do Pará terem ou não tocado fogo na Amazônia, fotografado as labaredas e vendido as fotos para histéricos, milionários e farsantes mundo a fora; 

Independente do que o Presidente da república tenha insinuado ou dito a respeito do sr. Leonardo DiCaprio, a resposta desse ator é burra, beata e repugnante, tanto pela forma como pelo conteúdo : "Eu apoio o povo do Brasil que trabalha para salvar seu patrimônio natural e cultural." Diz. Não seja idiota, cara! "patrimônio natural e cultural" é o caralho!. 

"Eles são um povo maravilhoso, tocante e humilde exemplo do comprometimento e da paixão necessários para salvar o meio ambiente". Deixe de ser cretino! Sai da sacristia!Vai aprender a escrever! 

"Eu permaneço comprometido em apoiar as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores e o público em geral que está trabalhando incansavelmente para proteger a Amazônia pelo futuro de todos os brasileiros." Deixe de ser babaca, cara! Aqui ninguém esta "trabalhando incansavelmente" para porra nenhuma! Se ligue!Você não sabe nem onde fica o Brasil e muito menos a selva Amazônica. Você não sabe diferenciar um Xavante ou um Machacali de um fazendeiro. Um mosquito da febre amarela de uma jaquatirica! E aqui ninguém esta preocupado com o futuro. Todo mundo por aqui é freudiano e sabe que o futuro é uma ilusão para palermas! Invista teu dinheiro em outro divertimento, em outro parque de diversões. No passado, teus chefes investiam nos puteiros e nos cassinos de Havana. Para nós, aqui dos trópicos, para os ribeirinhos, para os índios,  para os garimpeiros, para os ladrões de gado, para os governadores, senadores, bispos, agrimensores, poetas, padres, grileiros, brigadistas e etc., o fogo tem e causa um fascínio indiscritível, mas tão indiscritível, que se não apenas a Amazônia, mas o mundo inteiro pegasse fogo, salvaríamos de imediato, com "paixão e humilde comprometimento", o fogo! 

Enfim, como diz um antropólogo baiano: acorda, vai colocar os tamancos e a fantasia que o cineasta de plantão já esta chegando... e vá fuder otro!

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/11/30/interna-brasil,810477/leia-a-resposta-de-leonardo-dicaprio-a-bolsonaro-sobre-queimada-na-ama.shtml





sexta-feira, 29 de novembro de 2019

NECROFILIA...



[Desde el fondo del corazón odio la tumba de los grandes señores y sacerdotes, pero odio aún más a aquellos que se comprometen con ellos...]
Holderlin

E São Paulo, como se fosse um vilarejo suburbano mergulhado em culpabilidades e em desgraças, se rende ao cadáver do Gugu.
Seria por isso que Lima Barreto, em seu Clara dos Anjos, 
pagina 16, afirmava que o subúrbio é um refúgio de infelizes? 
Mas São Paulo? Logo São Paulo, que ao mesmo tempo que esconde a nojeira do Rio Tietê gosta de tagarelar sobre a USP e de gabar-se de ser uma metrópole... O que esta acontecendo? Por que esse exagero e esse abuso de um cadáver? Seria realmente pelo cadáver? O que esta acontecendo? E podem revisar a literatura especializada, este não é um sado-masoquismo comum. É muito mais. É um horror! Tenho certeza que se o morto em questão pudesse, ele não deixaria barato. E que isto nos sirva de alerta para que quando nós mesmos cairmos do telhado não sejamos vítimas de um abuso e de uma palhaçada semelhante. Sim, é um horror. Uma falta de vergonha na cara. Tanto das elites exibicionistas como do populacho carente. Uma indecência o que estão fazendo com o morto. 
Ah, mas é coisa do populacho e dos novos ricos!
Ora, se o populacho e os novos ricos querem dar vazão à sua morbidez, que durmam um dia na rua... e verão que não lhes faltará cadáveres para justificar suas patologias e seus álibis. 
E não digo tudo isto com a lógica de um coveiro, mas apenas para ser justo com a ética primitiva que recheia meus DNAs e meus ossos. 
Essa puxação de saco e essa turvação de água para dar impressão de profundidade é uma infâmia, uma afronta para a dignidade do morto e para a honra de seus familiares. Não é possível perceber? 
O que estão querendo? Deixar claro para o rebanho que, como dizia Wordsworth, só existe uma grande sociedade na terra: os nobres vivos e os nobres mortos?
Nem quando morreu o Papa mais escolado e mais malandro de todos os tempos se viu tamanho espetáculo. Isso é ridículo! Isso é uma afronta à dignidade popular!......
Por mais que eu revise minha estante, que leia e releia a vintena de tratados que disponho sobre a morte, sobre o efeito da morte nos vivos, sobre a culpabilidade dos que continuam vivos diante do morto. Por mais que eu releia o instinto de morte do camarada Freud, a Análise do caráter de Reich; O sexo e a morte, de Jacques Ruffié; La mort, de Jankélévitch; O tabu da morte, de Jose Carlos Rodrigues; A negação da morte, de Ernest Becker; Com a morte na alma e a Náusea, do estrabico Sartre e até mesmo o livro Tibetano dos mortos, não encontro uma explicação... Caralho! 
Non, je ne suis pas votre frère! 
E la nave va...




quinta-feira, 28 de novembro de 2019

E o Uruguai... vuelve a la derecha!

"Para o pobre, até a noite de núpcias é curta".
Provérbio polonês

O mendigo K aguardava a chuva passar encostado no umbral da porta de uma dessas padarias vagabundas que predominam na cidade. Acabara de tomar um café com um uruguaio que vive por aqui e que lhe havia confessado que acende velas diariamente ao Mujica. Lembra do Mujica?, me perguntou. Aquele dos Tupamaros? E do fusca? Seguiu dizendo que nos tempos dos Tupamaros era adolescente e não perdia um lance daqueles revolucionários. 
O que aconteceu? Para onde foram? 
Só sobrou o velhote do fusca? Disse que os admirava. Que nunca esqueceu suas façanhas ácratas . Mas que depois deles o Uruguai entrou numa decadência, num clima de superstições e numa caretice de dar pena.  E veja que ironia: apesar de ser do tamanho do Acre, de ter um PIB até menor que muitos de nossos bordéis e de 50% de sua população não saber muito bem quanto é 8X8, instituiu o matrimônio entre homossexuais, legalizou o aborto e liberou os baseados. Teria sido o tal Mujica, o idealizador intelectual dessas reformas? 
Agora que a direita voltou ao poder a preocupação maior dos perdedores é que voltem a proibir os baseados, que criminalizem a sodomia e que obriguem as meninas a levarem a gravidez, por mais indesejável que seja, até o final...  (e não pensem que o preconceito com o aborto é por humanidade ou por amor à espécie. Não! É simplesmente para garantir mais um 
cristão, mais um recruta, mais um eleitor e mais um cretino no país!)
Mas essa preocupação é pueril, concluiu. Direita e esquerda são a mesma coisa. Os dois lados de uma mesma e falsa moeda!  Não há nada que verdadeiramente as diferencie. Compará-las é mais ou menos como comparar a Igreja dos Adventistas do Sétimo dia com a do Reino de Deus. Só se distinguem por algumas bagatelas e por algumas nuances. Por mais que os asseclas dos dois lados façam de tudo para marcar alguma diferença entre eles, o essencial é o mesmo e ambas são beatas e reacionárias.
Terminou seu breve discurso, bateu-me nas costas e, antes de meter-se chuva a dentro resmungou esta frase de Cioran: Um pensamento Bazzo.., um único pensamento.., mas que fosse capaz de destruir o universo!

De Zerbst a Havana...

Foto: Portada del libro
«…Recuerdo que una vez, de regreso del búnker, nos paramos en el balcón de la casa y vimos a lo lejos el cielo rojo como la sangre y yo le pregunté a mi madre: ¿No se estarán quemando los angelitos en el cielo?».
 La que escribe es Eva Ludwig, nacida en Alemania en 1940, una mujer de ojos azules e inteligencia desbordante. Hace años que la conozco (es traductora en Granma Internacional), pero hemos hablado poco. Hasta que hace una semana me extendió su libro, publicado por Ediciones Extramuros: Desde Zerbst a La Habana. Memorias de una alemana en Cuba. Libro firmado como Eva Santa Cruz.
 Ese día conversamos bastante y ella dejó ver lo que más tarde se magnificaría en sus memorias, leídas de un tirón: sinceridad y optimismo, aun para hablar de los recuerdos más dolorosos. Eva tenía cuatro años cuando los bombardeos se intensificaron sobre la Alemania nazi. «Dada la situación peligrosa, casi no se salía de los sótanos; se cocinaba en el lavadero… yo, por supuesto, no me daba cuenta de nada. Lo más importante era la papilla y mi mundo de fantasía».
 Su padre, oficial instructor del ejército alemán, muere en 1944 y la niña recuerda perfectamente el día que llevaron sus pertenencias a la casa. 
«…inmediatamente pedí a mi madre que me dejara comer en el plato en que él comía en el frente».
 Una niña sensible y juguetona, dueña de una memoria prodigiosa para describir sus rústicos juguetes, las escapadas al bosque, los perfiles de cada miembro de la familia, los trabajos y carestías sufridos por su madre viuda para alimentar a tres niños, sin olvidar que, al calor de los horrores de la guerra provocada por Hitler, no faltaron quienes también veían en ellos a unos «cerdos nazis».
Primero llegaron fuerzas norteamericanas, que se fueron muy rápido. «Have you chocolate? (mendigábamos). ¡Qué horror!»… «Los rusos nos llenaron las manos de azúcar que nada despreciábamos, pues la ración de víveres era escasa»… Los soviéticos también les brindaban el potaje que cocinaban para la tropa, «pero… no se podía dar un paso (andaba descalza en la hierba) sin enterrarse una astilla de cristal o simplemente cortarse, pues ellos habían lanzado todo tipo de botellas vacías por las ventanas…».
El libro, de 111 páginas, habla de la infancia de Eva durante la guerra y después, cuando la familia tuvo que recomponerlo todo, de los primeros años viviendo en la República Democrática Alemana, donde en 1963 conoce a un joven cubano que estudiaba allí. Transcurridos dos años se maravilla cuando desde el barco en que viajaba descubre la entrada de la bahía de La Habana y, poco más tarde, se encuentra con la familia de su esposo, que la trata como a una hija y le ofrece a los recién casados la  mejor habitación de su pequeña vivienda. No habla español, pero empieza a estudiarlo y gradualmente se integra a la vida del país, a sus costumbres y maneras de asumir la vida como una cubana.
Cincuenta y cinco años desde entonces, dos hijos, nietos,  la felicidad de recibir en Cuba a su madre y a su hermano (su hermana también vive aquí, casada con un cubano), encuentros, desencuentros, el divorcio en los 80, una nueva pareja, cambios laborales, la misma vieja bicicleta para ir cada día al trabajo, visitas a la tierra donde nació y siempre de vuelta al país que le dio cobijo, una segunda lengua, vida, pura vida, y –quisiera pensarlo– parte de esa alegría de existir que no la suelta.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Enquanto isso...

O quê acontece, afinal, com esses pobres idiotas?


"O carvão se ri da cinza, sem saber que 
lhe espera a mesma sorte..."
Provérbio Masai
(Ver Claudio Cohen, in: Provérbios e o inconsciente, p.55)



(Ver Correio Braziliense de hoje)


Além do número crescente de casos de feminicídio, o jornal de hoje traz o relato de um caso de cadelocídio. Um idiota de vinte anos, lá do interior de Minas Gerais, por ciúmes de sua namorada, matou com uma barra de ferro a cadela Pitt Bull da moça. A mensagem esta mais do que clara, não esta? 
O que estaria acontecendo com esses idiotas? 
E essa pergunta só poderá ser realmente respondida se for feita, realmente de maneira correta, porque todo mundo sabe que se a pergunta for feita de maneira errada a resposta também virá de forma errada. Me entendem?
E deve ser feita primeiramente a eles, lá nas cadeias e depois, a elas, na companhia de suas mães, mas sempre ancorados no pressuposto e na idéia de que entre o raio e o para-raio quase sempre há uma certa cumplicidade, mesmo que seja inconsciente. Me entendem? E depois, como diz um pensamento Maori (nativos da Nova Zelândia): "O ferro da lança pode ser parado, mas não os dardos das palavras..." 
E já é hora dos psicólogos, dos sociólogos, dos antropólogos e dos lingüistas, ao invés de ficarem coçando o saco ou a vulva e se exibindo em seus escritórios, começarem a ter curiosidade em saber qual é a frase, qual é a palavra, o gesto ou a insinuação das mulheres que faz emergir, brusca e violentamente nesses cretinos o criminoso que hiberna neles desde Cain.  Lembram de Cain? O cara que, por ciúmes misturado com inveja, matou um quarto da humanidade com uma porretada só?

domingo, 24 de novembro de 2019

Um final de semana coroado de indigências... E de cretinices...


 "O mundo desaparecerá sem haver conhecido a tragédia de um imbecil; mas reserva-se todos os dias o prazer de conhecer seus triunfos..."
Vargas Vila


Se você ainda tinha alguma esperança na emancipação e na dignidade do país e de nossa gente, duvido que depois do espetáculo futebolístico deste final de semana e do teatro a respeito da morte de um animador de TV, você não tenha caído na real e perdido completamente as ilusões. , sem falar da afronta que essa pantomima escatológica representa aos outros100 ou 200 mortos do mesmo final de semana que morreram nas filas dos hospitais, com as tripas vazias ou com tiros nos miolos no mais absoluto anonimato...  
Inacreditável!
Por um lado um show psicopatológico nas fileiras dos fodidos e por outro um show exibicionista e psicopatológico nas fileiras dos gatunos, lezados, deslumbrados e novos ricos. Data vênia mas, pelo que sei, o morto não era lá nenhuma genialidade. Não foi 'herói' em nada! Não promoveu nada para arrancar o país da merda em que se encontra. 
E do futebol, (dessa mistura de neurastenia, com religião e analfabetismo) nem preciso dizer nada. 
Como ficar imune a essas duas idiotices? A esses dois exageros? a essas duas formas extremadas de jeguismo, de manipulação e de trambicagem entre compadres?
E a cena do governador do Rio de Janeiro, colocando-se de joelhos diante do sujeito que fez os dois gols?
Curiosamente seu entusiasmo e sua coreografia foram idênticos àqueles que teve quando seu "sniper" matou o adolescente que assaltava e que ameaçava explodir um ônibus...
Me desculpem, mas os shows deste final de semana deixaram claro que estamos como país e como sociedade, abaixo, bem abaixo da linha de indigência. Indigência moral, estética e ética! Este final de semana deixou explicito que nem as manadas e que nem os novos ricos têm vergonha na cara e que seus delírios humilham, envergonham e intoxicam todos os setores da vida e, pior: que, pelo movimento dos barcos, não haverá solução para os próximos 400 anos. 
Portanto: Viva o subdesenvolvimento! Viva a cretinice generalizada! 
__________________________________________________
POST ESCRIPTUM 1 - Hoje, segunda-feira, um dia depois da epifania dos idiotas, aqui na Capital da República não se fala em outra coisa. Ouvindo as chanchadas dos locutores não tenho mais dúvidas: no futuro, quando os protocolos para concessões de rádios e tvs forem radicalmente alterados, para um sujeito desses ter direito de sentar-se diante de um microfone ou de uma câmera para dali dirigir-se às massas, terá que, antes, submeter-se a um rigoroso teste de Rorschach...

POST ESCRIPTUM 2 -  "O rebanho não perdoa aquele que não tem o porte de uma ovelha. Manter-se erguido no meio do aprisco genuflexo já é ter postura de pastor; mas isto também mancha. O pastor esta sempre dentro ou próximo do rebanho e sofre do contágio de suas epizootia. A única maneira de não se diminuir, de não se manchar e de não se contagiar é estar fora do rebanho, sobre o rebanho, longe do rebanho..." V.V.




João Cândido e a Revolta da Chibata...

sábado, 23 de novembro de 2019

Enquanto isso.., lá em Lima...


[... Quem passou cego por esta vida, continuará cego na outra...]
(Em alguma página do Alcourão)

Um dos primeiros pedagogos latinoamericanos...


Fue el pirata de más corta carrera y sin embargo el que más sangre derramó. Edward Teach, recordado como Barbanegra, aterró a los marineros del Caribe y de la costa este de Estados Unidos entre 1716 y 1718. Su personaje inspiró cuentos y películas como el más malvado de la historia. Pero el legendario bucanero, de enredada barba negra, perdió la última batalla y fue abatido el 22 de noviembre de 1718, hace poco más 300 años.
En un largo artículo publicado este viernes, National Geographic recuerda en su sitio al famoso pirata que sembraba terror allí por donde pasaba.
"Su apodo, Barbanegra, se debió a su abundante y enredada barba, de un intenso color negro, la cual adornaba, según reza la leyenda, con mechas de cañón que él mismo encendía durante los abordajes para infundir aún más terror entre sus enemigos", relata.
Dónde nació es un misterio. Pudo haber sido en Gran Bretaña, en Estados Unidos o hasta en Jamaica. Su espíritu infame venía de familia, que manejaba una cantina, donde drogaban a los marineros para luego embarcarlos en naves aberrantes necesitadas de tripulación pero a las que nadie quería subir.
Pero como Barbanegra sabía leer y escribir tal vez tuvo otros orígenes más acomodados. 
Con todo, no hay dudas de que su fechorías en el mar empezaron durante la guerra entre Francia e Inglaterra por el control de Estados Unidos. Él era un corsario inglés y su presa eran los barcos franceses. Pero cuando la guerra terminó, el destino de corsario viró rápidamente al de pirata.
Según relata National Geographic, la isla de Nueva Providencia fue el escenario de sus primeras maldades. Ahí fue donde capturó un carguero español procedente de La Habana, otro de las Bermudas y un tercero de Madeira.
En 1717 se apoderó del barco mercante francés Concorde, que se convertiría luego en su buque insignia. Lo rebautizó, algo que entre marinos no trae buena suerte. Un barco nace y muere con su propio nombre. Sin embargo lo rebautizó como Queen Anne’s Revenge (La venganza de la reina Ana). Lo convirtió en una formidable máquina de guerra a la que armó con más de cincuenta cañones. Pero el espectacular Queen Anne terminó en el fondo de mar. Lo encontraron mucho después, apenas restos, en 1997 frente a Carolina del Norte.
Durante diez años una expedición buscó al Queen Anne. El doctor Richard Lawrence, director de la expedición, hurgó en la sección de libros raros de la biblioteca pública de Nueva York y en el Atlántico Norte, hasta localizar el lugar en el mar.
Cuando encontró los restos del Queen Anne exclamó: "Estoy un 90 por ciento seguro de que los restos que encontramos frente a la costa de Carolina del Norte son del barco de Barbanegra".
Claro que se encontraron restos del galeón: algunas partes, una campana de bronce y un cañón.
El barco se fue a pique en una memorable batalla frente a las costas de Beaufort, en Carolina del Norte, en abril de 1717. Barbanegra logró huir llevándose un tesoro. Al menos eso dice la leyenda. Nadie nunca encontró una moneda de esa montaña de oro que acuñó el pirata durante sus años de pillaje.
Pero el hallazgo del barco no aportó más datos sobre Barbanegra. De él sigue sin saberse gran cosa, algo que alimenta aún más su leyenda.
Dicen los relatos de época que Barbanegra no respetaba para nada las reglas de la piratería. 
No tenía nada de romántico. No era justo a la hora de repartir el botín.
No se parecía en nada a Francis Drake o a Errol Flynt en la pantalla.
Era tremendamente cruel con su tripulación y mató a más de 200 hombres y mujeres, incluyendo a varios de sus contramaestres, en sus dos años de piratería.
A uno de estos últimos, Israel Hands, lo asesinó después de emborracharse juntos una noche de junio de 1717. Torturaba a los prisioneros de las batallas y participaba de orgías sanguinarias. De más está decir que le tenían pánico.
Iba con tres pares de pistolas y dos espadas. Tenía la voz ronca y era alto: imponentes dos metros de altura, y aspecto y mirada demoníacos.
Según National Geographic, la "hazaña" que hizo célebre a Barbanegra fue en la base naval de San Vicente, en las islas de Barlovento, donde capturó al Great Allen, que transportaba un valioso cargamento. Asesinó a la tripulación y quemó el barco. Al conocerse la noticia, el buque de guerra inglés Scarborough zarpó enseguida para dar caza a Barbanegra, pero el navío sufrió una sonada derrota y tuvo que retirase. La noticia corrió como la pólvora y Barbanegra se convirtió en el enemigo público número uno del Imperio.

Vivo o muerto​

En 1718, el gobernador de Virginia, Alexander Spotswood, ofreció 100 libras de recompensa por la captura del pirata "vivo o muerto". Los ataques del pirata estaban poniendo en jaque la economía de la colonia.
Spotswood envió al teniente de la Marina Real, Robert Maynard, a buscarlo
Maynard y su gente partieron a bordo de dos balandras, dos pequeñas embarcaciones de un solo palo, Ranger y Jane. Navegó hasta el extremo de la isla de Ocracoke, en Carolina del Norte, y lo encontró. Pero no actuó entonces, esperó.

Barbanegra luchando contra el teniente Robert Maynard. Obra de Jean Leon Gerome Ferris (1920).
Barbanegra luchando contra el teniente Robert Maynard. Obra de Jean Leon Gerome Ferris (1920).
Barbanegra cayó víctima de su propia omnipotencia: hacía tiempo que no se ocultaba y que aparecía en las costas y los bares del puerto sin importarle nada.
Por eso, Maynard lo encontró fácilmente a bordo de otra balandra, tomando ron. Toda la noche, Barbanegra había tomado ron haciendo negocios con el capitán de ese barco.
Al día siguiente, el 22 de noviembre de 1718, Barbanegra, que ya estaba avisado de la llegada del teniente inglés, puso rumbo hacía el interior de los canales de la isla a bordo del Adventure.
La batalla fue sangrienta, con los barcos  varándose en los canales internos de la isla. Barbanegra decidió abordar una de las balandras inglesas, a la que vio vacía. Su tripulación estaba escondida en la bodega con la armas listas. Fue la trampa perfecta. Barbanegra cayó con 20 cuchillazos y cinco tiros encima.
La tripulación fue detenida, juzgada y condenada a muerte. La cabeza de Barbanegra colgó durante mucho tiempo del bauprés, el mástil que sale casi horizontalmente de la proa, de su propia nave.
Dicen que el fantasma de Barbanegra flotó durante días alrededor del barco, incluso hoy su alma sigue vagando en Teach's Hole, en la isla de Ocracoke.
Con información de archivo Clarín y National Geographic
AP