"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A ilustre governadora de Madrid e a cleptomania...

[Cada um é como Deus o fez e ainda pior muitas vezes]. 
Cervantes

Pegaram a governadora de Madrid roubando cosméticos anti envelhecimento num mercado daquela cidade! 
Meus correspondentes madrileños que costumam fazer piadas e ironias a respeito da ladroeira generalizada no Brasil, estão em silêncio, acabrunhados e cabisbaixos.  
Todos sabemos que se ao invés da ilustre governadora tivesse sido uma menina clandestina daquelas que conseguiu migrar da África ou do Magreb para lá, fariam um escândalo xenófobo e, possivelmente, a mandariam de volta para seu país ou para uma das antigas prisões de Franco...
Por uma espécie de ética primitiva, nem mencionei o assunto com eles. Mas, claro, voltei a revisar as páginas de Ortega Y Gasset, as andanças do velho Don Quijote e também, claro, os relatos do bispo de Chiapas, Bartolomé de Las Casas, sobre as aventuras  de horror dos espanhóis na Conquista da América... 
Cleptomania! A ilustre senhora defendeu-se dizendo que embolsou aquelas porcarias sem perceber, sem querer, e num impulso inconsciente. É possível! A cleptomania é isso. O sujeito se apropria daquilo que não é dele por impulsos inconscientes que não consegue controlar. (Normalmente, segundo a psicanálise, são impulsos de origem sexual). A policia, mesmo a mais ignorante, até já sabe disso. De vez em quando surpreendem por aí alguma madame, cheia de cartões de crédito, de jóias caras, de penduricalhos em ouro nas orelhas e com as tetas praticamente de fora seduzindo (apenas seduzindo, nada vai além da sedução) e roubando grampos de cabelo, caixas de fósforos, chocolates ou bagatelas do tipo. 
Que isto é um sinal da precariedade e da miséria humana, ninguém duvida, mas foi listada pelos 'sábios' da Organização de Saúde, no CID 10, como um transtorno psíquico e não simplesmente como mau caratismo... 
Afinal de contas: como livrar-se dos cinco mil anos de massacres, de fraudes e de trapaças que nos antecedem, que estão presentes nos nossos DNAs e que fazem de cada um de nós, potencialmente, um estelionatário?

4 comentários:

  1. Ezio, por falar em horror dos espanhóis na América, e as traduções do V. Vila para o português? Abandonou-as?

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  2. Boa, Ezio! E com o pensamento de Cervantes, ficou melhor ainda!

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  3. Conheci uma mulher jovem e riquíssima que roubava porcarias em supermercados e se vangloriava por sair ilesa. Quando lhe perguntei porque fazia isto, ela me disse que era para se divertir... Povera gente!

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  4. https://www.youtube.com/watch?v=0Yr68C2adK4

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