"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Entre os gritos do carcará e a desfaçatez da raça humana...








As asas do animal que sobrevoa o sertão na música de João do Vale e José Cândido também planam no cerrado. Entre as árvores dos parques, os carcarás lançam voos seguros. Mais corajosos que os homens, como definem os versos da canção, esses bichos se adaptam à expansão urbana e buscam alimento próximo a restaurantes, quiosques e em lugares onde encontram restos de comida. Não há pesquisa que comprove o aumento da população dessa ave no DF, mas os brasilienses já perceberam que tem se tornado cada vez mais comum vê-los voando por aí.
“Gosto de vê-los, eu e minha mulher até tiramos fotos deles. São muito bonitos”, observa o militar da reserva Marco Antonio Pires, 70, ao lado da mulher, Berenice Sousa, 68. Eles se acostumaram a dividir espaço com os carcarás. “Eu cheguei a Brasília em 1972 e, com o passar do tempo, notei um aumento na população dessa ave, mas a área de cerrado era bem maior que agora”, afirma Marco Antonio. “Nós estamos invadindo o lugar deles, é normal que haja adaptação do ser vivo ao meio em que ele habita.”
“Tenho visto muitos carcarás. Até sugeri a um dos meus professores fazer um trabalho sobre eles”, conta Raphael Ramos, 20 anos, estudante de biologia. “Vejo vários próximos dos restaurantes ou dos contêineres de lixo, que também juntam muitos pombos”, acrescenta.


  • 17:17 - 15/09/2017Brasilienses con
Segundo João Bosco Sampaio, assessor especial da Coordenação de Fauna do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), ainda não há estudos científicos que comprovem o aumento do número dos carcarás no DF. “Ele não compete com outras espécies e não representa uma ameaça ao ecossistema, já que também é comum no cerrado. A presença desta ave aqui é predominantemente benéfica. O que se sabe é que, devido aos hábitos desse animal, ele se adapta muito bem ao meio urbano pela disponibilidade de comida e abrigo. Existe uma fartura de alimentos para os carcarás, e o possível aumento dessas aves está ligado a questões de saneamento básico e lixo pela cidade”, explica João Bosco.
“Acredito que a espécie está sendo apenas vista com mais frequência, o que é um efeito da população ocupar cada vez mais as áreas verdes, invadindo o espaço desses animais, por isso a presença deles é notada”, avalia o especialista em ornitologia do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) Tarcísio Lyra dos Santos Abreu.

Equilíbrio

Já a professora de zoologia e biologia da conservação Helga Correa Wiederhecker, da Universidade Católica de Brasília (UCB), avalia que é possível que a quantidade de aves da espécie tenha aumentado no DF. “Posso dizer que é até um privilégio a oportunidade de ver uma ave tão bela quanto o carcará, mas tudo demais é ruim. Temos que ficar atentos à presença excessiva, para que não se torne um problema crônico, como os pombos, que podem transmitir doenças”, explica.
“O fato de ter muito recurso na cidade para esses animais é preocupante”, completa a especialista. Ela afirma que cabe à população propor e contribuir com soluções para garantir uma convivência harmônica, tomando os cuidados necessários no manejamento do lixo, por exemplo.

Por todo o país

O carcará é um animal da família dos falcões, e não das águias ou urubus. A ave chama a atenção pela face vermelha, pelo solidéu preto sobre a cabeça e pelo bico encurvado e alto. São encontrados em todo o Brasil, alimentando-se tanto da caça de outros animais, como pombos e lagartos, quanto de frutas, carcaças e do lixo urbano. (Correio Braziliense, de hoje)
* Estagiárias sob supervisão de Mariana Niederauer




terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Mientras tanto... Concierto de Aranjuez...

E a mãe dos corruptos? Então os psicanalistas estavam certos? A culpa é sempre delas?

"Quem suportaria ter como amigo ou familiar um velho que aliasse, à experiência completa da vida, a vantagem do vigor mental e do juízo penetrante?"

Erasmo de Rotterdam


Aí pelos trópicos dificilmente alguém morrerá de tédio. Cada dia um escândalo novo. - me escreveu ontem um sujeito desvairado que passeia há anos pelas montanhas mexicanas, em busca dos cogumelos da Maria Sabina e de alguma luz - referindo-se ao caso antigo da mãe do Geddel e agora da mãe do Wagner, acusados de corrupção, de serem destinatários de propinas que teriam sido entregues a elas, as senhoras suas mães. Também fazia referência à coleção de relógios do ilustre senhor... E isto que aquele andarilho ainda não sabia do bafafá que está dando no Rio de Janeiro com a mãe do ilustre prefeito, ela que hoje teria recorrido ao SUS, furado fila e sido atendida com prioridade, antes de todo mundo que estava lá em pé, há semanas, mofando a espera de cirurgias, diagnósticos, ou simplesmente de um afago... 

Qual é afinal o papel dessas mães empoderadas? - Me perguntava ele.- O que devem sentir quando veem seus filhinhos chegando sorrateiramente em casa, depois das cansativas reuniões executivas, com as malas repletas de Euros? E um novo relógio no pulso? E quando os vê subindo na cama para enfiá-las lá no fundo dos guarda-roupas? Passar a chave na porta e  recomendar que dispense as governantas e que até se mude para Paris ou para Zurich, se quiser? No caso desse ex governador, como já aconteceu com outras autoridades parecidas, dizem que tinha em casa também uma coleção de relógios. O que pensariam as mães desses senhores quando veem todas aquelas pequenas máquinas em ouro e umas até com rubis mostrando o tempo que falta. Para quê tantos relógios? Se o tempo é o maior de todos os inimigos e o pior de todos os alcaguetes? 

Por mais insanas ou santas que sejam e por mais que idolatrem seus filhos, é evidente que devem farejar algum crime e alguma perversidade nesses rituais. Ou não? 

Mas... mas... Se todo mundo rouba!? devem murmurar no meio das Ave Marias, dos Pai Nossos e da fumaceira de um incenso... E o marido, morto precocemente, claro que concordaria com esse cinismo... 

E depois, assim que amanhecer o dia, irão lavar os degraus de alguma basílica e levarão humildemente uns dois pacotes para o vigário e também para a gerente do asilo de miseráveis, eles que se levantam da lama quando as percebem chegando e que as chamam miseravelmente de madames, tias, madrinhas, mulheres empoderadas, reencarnações de uma Madre qualquer... E o bom Deus - para alguns o arquiteto de toda essa pantomima - tudo respalda e tudo finge não ver... e eis que algumas horas depois tudo internamente, espiritualmente, psicologicamente já estará  bem... Culpa? Sentimento de pobres e de amadores. 

O que existe de mais proletário do que um sentimento? 

Afinal, seus filhos, todos engravatados, têm dedicado parte importante de suas vidas ao Estado e às coisas públicas. Colocado toda sua sabedoria e astucia a serviço da política e da comunidade durante vinte ou trinta anos! Não é verdade? Enfim, apesar das artimanhas e dos cretinismos vigentes é mais do que evidente que o mau caráter (e principalmente as perversões) dos filhos não lhes chega do além e nem apenas através dos remotos DNAs...

Mãe é mãe! Vaca é vaca! 


domingo, 25 de fevereiro de 2018

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Para antes que o sábado acabe...







O sangue dos bois! Ou: O surrealismo da tragédia e a metafísica do título...

" Entrevejo a possibilidade de unificar alguns conhecimentos para melhor compreensão dessa coisa amorfa, instável, abjeta, gloriosa que é o homem..." Samuel Rawet
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Um acidente em uma rodovia de Goiás, na manhã desta sexta-feira (23/2), deixou as águas do Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, repletas de uma espuma espessa e grande volume de sangue. O caso assustou os moradores da antiga capital goiana. Segundo o Corpo de Bombeiros do estado, o caso ocorreu após um caminhão que levava sangue de gado tombar na região.
Segundo a corporação, o veículo seguia pela GO-070, por volta das 4h, quando o motorista perdeu o controle da direção, saiu da pista, e o caminhão caiu em uma ribanceira. Com o veículo tombado, a carga de sangue escorreu pelo leito do rio. O motorista teve ferimentos leves e foi levado consciente a um hospital do município, apenas com uma fratura na perna.
O sangue de boi é usado para fabricar a ração de outros animais. Ainda não há informações da quantidade de sangue que o motorista transportada. A Secretaria de Meio Ambiente da Cidade de Goiás foi acionada e deve trabalhar na descontaminação do rio junto aos bombeiros nesta tarde.
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Rio Vermelho


O Rio Vermelho é um dos mais importantes do estado, um dos pontos turísticos da cidade e marcou a história do garimpo de ouro na região. Ele nasce na Cidade de Goiás e tem aproximadamente 11 mil km² de área. (Correio Braziliense de hoje)




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A idéia quase genial do Trump de armar professores...


"A nostro avviso la famiglia é e deve restare la cellula madre della società fascista..." 
Antigo proverbio italiano

 Sinceramente, sem nenhum sarcasmo, achei quase genial a idéia do Presidente Trump de armar os professores para combater a onda de massacres que vem ocorrendo nas escolas americanas.  
Afinal, se a grande maioria dos professores dos últimos séculos, através das letras, do giz e de gritos condenou o mundo à ignorância e à mediocridade que bem conhecemos, quem sabe agora, através das armas, não consigam do dia para a noite, promover um UP neste patético cotidiano e nesta ordinária existência!.. 
E depois, aqui pelos lados da América Latina, quem é que ainda não ouviu uma TIA neurastênica, com uma régua na mão, esbravejar o velho refrão espanhol: "la letra con sangre entra"? Claro que seria cômico e bizarro ver a maioria de nossos professores, inclusive os universitários, que não sabem nem descascar uma laranja ou trocar uma lâmpada, ministrando aulas com um rifle a tiracolo ou com uma AR 15 sobre o birô ao lado de um arcaico e caduco dicionário de latim...  Quanto aos alunos, independente das idéias do Trump e do nível escolar em que estejam, se torna cada vez mais urgente a leitura do PEQUENO LIVRO VERMELHO DA ESCOLA (Do estudante), escrito por Jesper Jensen e Soren Hansen, proibido e demonizado nos anos 80. 






Tudo em nome da irmandade, da fé, de Deus e, claro, do Marques de Sade...


"Só há um remédio para o desespero: a oração. A oração que pode tudo, até mesmo inventar um Deus..."

Cahiers, p. 234, Cioran




Vítima diz que pastor Marcos gostava de orgias com fiéis e fez sexo a três até com irmã de Marcinho VP


"O pastor Marcos Pereira, preso anteontem à noite pelo estupro de duas mulheres, foi denunciado à polícia por mais quatro pessoas. A investigação da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) ouviu 30 testemunhas em um ano e, no total, outras 20 mulheres são citadas como vítimas do religioso. Segundo depoimentos, ele obrigava as fiéis a orarem enquanto faziam sexo, dizia a elas que iria salvá-las do demônio se mantivessem relações com ele e promovia orgias entre fiéis de sua igreja, a Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em São João de Meriti.
"Estou vendo um espírito de lésbica em você". Essa teria sido uma das primeiras frases ditas pelo pastor a uma das vítimas. Segundo o depoimento da mulher — que contou à polícia ter sido estuprada pelo religioso entre 1997 e 2009 —, a violência começou assim que ela entrou para a igreja, aos 14 anos. A primeira relação dos dois teria sido na casa de uma fiel e, segundo o depoimento, "com o tempo, Marcos passou a trazer mulheres para participar dos atos sexuais ". Ainda de acordo com o relato, "uma vez se recorda que participou um garoto de programa". Ela contou também que o pastor passou a trazer outras fiéis da igreja para as orgias. Depois, o religioso ordenava aos participantes que pedissem perdão.
Outra vítima afirma que o pastor organizava orgias na casa de uma irmã do traficante Marcinho VP, em Ricardo de Albuquerque. Segundo o depoimento, ele obrigava a menina a ir dormir na casa da mulher e aparecia no local de madrugada. A vítima, então, "era obrigada a manter relações sexuais com os dois". Ela ainda afirma que o pastor a obrigava a "ter relações com um homem que ela não conhecia, como se fosse garota de programa".
— O pastor usava a oratória para convencer as vítimas. Se não fosse suficiente, usava a força física — diz Márcio Mendonça, titular da Dcod, que ainda investiga o pastor por quatro homicídios, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Uma das vítimas, que na época era fiel da igreja, relata que o pastor recebia dinheiro do tráfico e, em troca, entregava CDs e DVDs de cantores gospel: "Ele recebia entre R$ 15 mil e R$ 20 mil dos traficantes e entregava CDs e DVDs no intuito de se resguardar na lavagem de dinheiro". Em outro relato, uma vítima conta que, em 2009, o pastor a chamou em seu gabinete, tirou suas roupas, deitou-a de bruços e "tentou a penetração em seu ânus". Ela afirma que "o pastor não conseguiu a penetração por não ter conseguido a ereção".
Ana Madureira Silva, ex-mulher do pastor, deu duas versões. Em depoimento à polícia, disse que o marido a estuprou. Ao EXTRA, nega a versão.
— Sou crente em Jesus, nunca menti. Que baixaria dizer que meu marido me estuprou. Me coloca numa situação vexatória. É golpe baixo.

Coação e homicídio
O pastor Marcos Pereira também vai responder na Justiça por coagir testemunhas. Ontem, os promotores Rogério Lima Sá Ferreira e Adriana Lucas de Medeiros denunciaram o pastor por intimidar uma mulher que havia acusado Marcos de abuso sexual. Os abusos teriam ocorrido quando a vítima tinha entre 12 e 14 anos. De acordo com a denúncia, em março de 2012, três homens, a mando do pastor, foram até a frente de uma loja onde a vítima trabalhava, em São João de Meriti, e passaram a fazer ameaças. Um deles fez gestos com dois dedos, e os apontou para a mulher, como $estivesse segurando uma arma.
— Os relatos não deixam dúvida da participação do pastor em crimes sexuais e de coação — disse o promotor.
O delegado Márcio Mendonça ainda investiga a participação do pastor no assassinato de Adelaide Nogueira dos Santos, em dezembro de 2006. Segundo testemunhas, ela era fiel da igreja e era abusada sexualmente pelo pastor. Indignada, a vítima começou a investigar se outras fiéis também eram abusadas pelo religioso. Um dos condenados pelo homicídio, Geferson Rodrigues dos Santos, é sobrinho do pastor.
De frente pro mar
Segundo a polícia, o pastor Marcos Pereira da Silva abusava de mulheres em seu gabinete na igreja, em casas de fiéis e em seu apartamento, na Avenida Atlântica, na praia de Copacabana, Zona Sul, avaliado em R$ 8 milhões. Ele foi preso na Rodovia Presidente Dutra, quando ia da igreja para o apartamento. Duas mulheres e um homem estavam no carro com ele. Um manobrista conta que, usualmente, o pastor chegava à noite. E com pompa de chefe de estado, numa espécie de comitiva formada por três carros. "Chegavam mulheres depois, a pé, com roupas da cabeça aos pés. Coisa da religião deles", disse Francisco Ferreira, que trabalha em frente ao prédio.
‘Ele dizia que ia me dar presentes’
O EXTRA conversou com uma das vítimas. Ela afirma que o pastor prometia presentes em troca das relações sexuais. A menina nunca cedeu. Após abandonar a igreja, ela depôs à polícia.
— Entrei para a igreja quando tinha 9 anos. Estudava na mesma escola que todas as meninas da igreja, e quem me levava de van para o colégio era um dos assistentes do pastor, que abusava de mim na volta. Contei aos meus pais, e eles foram ao pastor Marcos. Ele, então, me chamou ao gabinete dele. Estava lá sozinha. Ele me pediu para contar o que acontecia na van. Enquanto eu contava, ele repetia o que eu dizia em mim. Me apalpava, passava a mão nos meus seios, tentava me beijar. Meus pais me ouviam gritar do corredor, em frente à sala. Vendo que eu não queria ficar com ele, ele me deu um soco no meu seio esquerdo. Até hoje tenho a marca. Meus pais não acreditaram quando contei, e continuei sendo obrigada a frequentar a igreja. Dois anos depois, fui morar lá por três meses. Mesmo eu tendo medo do pastor, ele vivia atrás de mim, me oferecia carros, bolsas caras, viagens para o exterior se eu topasse ficar com ele. Uma vez, ele foi ao meu quarto, de madrugada, e me chamou para ir dormir sozinha com ele na Fazenda Vida Renovada, que ele tem em Nova Iguaçu. Não aceitei. Durante um culto, ele me chamou de vagabunda, safada, na frente de todos os fiéis. Nunca mais voltei na igreja depois daquele dia. Até hoje tenho medo dele, que ele faça alguma coisa comigo". (Jornal O globo, 21-02- 2018)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Aos onanistas: - Mas então nem o sexo nos garante a tão prometida imortalidade... Quê fria! E quê furada!

"Enquanto uma cigana lê tua mão, a outra te esvazia os bolsos..."

(In: Tradições ocultas dos ciganos)
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Morte de cinco estrelas do cinema pornô alerta para riscos da indústria




Um dia antes de morrer, aos 23 anos, a jovem estrela de filmes pornográficos Olivia Lua tuitou: "Nada mais me assusta", com uma foto sua vestida de preto e olhando para a câmera com seriedade. Na quinta-feira, 18 de janeiro, foi encontrada morta no centro de reabilitação de West Hollywood (Los Angeles), onde havia se internado dias antes por causa de uma recaída. Mistura de álcool e pílulas acabaram com a vida de Lua, que se afundou no vício nas drogas e passou por um baque no trabalho. Lua - também conhecida como Olivia Voltaire - é a quinta atriz de cinema adulto que morreu em circunstâncias trágicas na América do Norte desde o falecimento, em 9 de novembro, da canadense Shyla Stylez, de 35 anos, na casa da sua mãe, em Calgary. Sua família se limitou a informar que ela morreu "enquanto dormia". Stylez era uma veterana do cinema do sexo que há uma década chegou ao chamado Vale do Pornô (Califórnia). Em 2016, depois de uma carreira acelerada em que gravou mais de 400 filmes, decidiu se aposentar.
As outras três mortes seguidas de atrizes pornô - sem conexão entre elas - foram de Olivia Nova, de 20 anos e que estava na profissão há menos de um ano, morta em 7 de janeiro em Las Vegas, vítima de sepse; August Ames, de 23 anos, se enforcou em 6 de dezembro em Los Angeles e havia passado por uma fase muito difícil, depois de ser acusada de homofobia por fazer uma menção negativa ao pornô gay; e Yuriza Beltrán, ou Yuri Luv, de 31 anos, que perdeu a vida também em dezembro, na sua cidade natal californiana, a capital do pornô americano, por overdose de pílulas. Meses antes desta série de cinco mortes de atrizes, em julho, January Seraph também havia se enforcado, em São Francisco. Aos 34 anos, havia gravado mais de cinquenta filmes pornográficos e padecia de uma severa depressão.










August Ame, de 23 anos, em uma imagem publicada em sua Instagram.

Essas tragédias ativaram os alertas sobre os riscos mentais da indústria do pornô e as deficientes condições laborais de suas trabalhadoras, muitas das quais não têm plano de saúde ou recursos suficientes para lidar, em terapia, com as complexidades do ofício e em um contexto de deterioração do mercado de trabalho no setor. Pirataria, novas plataformas de difusão e um aumento exponencial do número de pessoas que buscam emprego no pornô golpearam o setor, e cada vez mais as atrizes encontram mais dificuldades para trabalhar e receber dinheiro com regularidade. A isso, juntam-se outros fatores de estresse psicológico, como a estigma social, o medo de envelhecer e as oscilações emocionais de uma atividade que produz adrenalina e causa profundos vazios nos intervalos sem contratos.
"Temos que criar mais redes de cooperação e mais comunidade entre as trabalhadoras. É importante não sentir que você tem um segredo sujo e poder encontrar terapia", disse a atriz Ginger Banks, após a série de mortes. "A maneira com que a sociedade nos olha nos deprime mais e faz com que nos sintamos cidadãs de segunda classe." O psicólogo Gad Saad, que estudou o mundo do cinema pornô, declarou à Fox News: "Quando a câmera está ligada, todo mundo está feliz. O problema é quando o trabalho fica escasso, o telefone para de tocar e as atrizes se perguntam: 'E agora?'. As estrelas do pornô não são as melhores em fazer planos para o futuro." Saad considera que uma estratégia útil é ajudá-las a pensar em alternativas de vida em médio prazo.


A ex-atriz Ela Darling, que foi presidenta de uma organização de defesa das atrizes pornô, colocou o dedo na ferida da precariedade laboral, afirmando que os salários reduzidos (700 dólares para gravar com outra mulher e mil com um homem) levam as trabalhadoras a aceitar roteiros com práticas de sexo mais fortes - "qualquer coisa extrema". "O pornô não é um trabalho ruim", disse Darling, "o duro é ser freelance e são muito difíceis os períodos com poucos trabalhos em que você fica sozinha, perguntando-se se voltará a trabalhar. Para uma atriz pornô, não é tão fácil deixar o seu ofício e, digamos, ser professora. E não estar ocupada pode levar a coisas negativas".
Os Estados Unidos são a Meca do cinema pornô, com um volume econômico, em 2016, de 17,2 bilhões de dólares (equivalente a 54 bilhões de reais) naquele país, com 60% da sua produção concentrada no condado de Los Angeles. Mundialmente, a cifra sobe a 97 bilhões de dólares. Um negócio enorme e, por trás das telas, ficam esquecidos os dramas de mulheres sem um ambiente de apoio ao alcance das mãos. O choque desta série de mortes fez com que os Estados Unidos se perguntassem: quem cuida das atrizes pornô? (El País de 16-02-2018)

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Intervenção metafísica do Mendigo K...


"Criaremos um DADA cotidiano, uma anti-estética da vida de todos os dias. O que está além da beleza será inventado pelo ato revolucionário, criado por gestos sutis, teus olhos cruzando-se com os meus na rua e vendo-nos por primeira vez, a imagem de uma garota chinesa agachando-se para amarrar o cordão do sapato, com a ponta de sua cabeleira negra acariciando a calçada, e será criado pelo descobrimento da disciplina não ordenada ou de uma autêntica loucura..."
David Cooper

Neste domingo, mais ou menos chuvoso, mais ou menos ensolarado, encontrei o mendigo K sentado nas proximidades do Palácio do governo. Estava visivelmente agitado e intolerante assistindo a um bando de periquitos que banqueteava umas papoulas de girassol. Quando me viu, deu um grito, que fez o bando de pássaros alçar voo e atravessou a rua para comentar comigo a tal Intervenção Federal no Rio de Janeiro.
Você já dever ter percebido - foi falando - como, com essa Intervenção no Rio de Janeiro aumentaram os delírios e as paranóias e com elas as discussões sobre Esquerda/Direira, militarismo/civilismo, Ética/corrupção e etc. Intervenção militar no governo ou eleições? comunismo, capitalismo? Se houve ditadura militar ou não houve? Se estamos numa ditadura civil ou não? Se somos ateus ou beatos? Ateus moralistas ou beatos amorais? E etc. 
Até os mendigos, as donas de casa e os entregadores de gás estão querendo esclarecer estas questões, como se realmente fosse possivel, como se realmente existisse no país uma clara ideologia comunista e uma clara ideologia capitalista....
Quem saberia dizer o que é uma e o que é outra? Quem é uma coisa e quem é outra coisa? Quando aqui tudo é miscigenado e heterogêneo... 
Não, ninguém nem sabe do que está falando. Dos dois lados, ninguém lê nada! Ninguém estuda nada!  Ninguém têm idéia de nada! Até as queixas são simplórias e domésticas! Os militaristas enxergam comunistas e esquerdistas por todos os lados; os tais esquerdistas/socialistas identificam direitistas e fascistas a torta e à direita... Puros fantasmas! 
O que há realmente é uma legião imensa de bobalhões analfabetos e desvairados se debatendo por poder e para encher as tripas... 
E o que realmente querem saber é quem ficará com as chaves do Tesouro Nacional pelos próximos cinquenta anos? Para não dizer quinhentos... 
Um horror de estelionatários! 
Uns colocam a culpa em Marx, em Lênin, em Fidel e em Gramsci, outros lembram o Geisel, Pinochet, Mussolini, Franco e Salazar... Pura ignorância! Ambos os lados turvam as águas para dar impressão de profundidade! 
O que realmente é uma incógnita é: por quê o partido que governou o país durante quase quinze anos (com um orçamento astronômico) jogou o poder de volta nos braços de seus opositores sem ter antes:
1. Deixado nosso sistema de saúde impecável, funcionando em prédios cinco estrelas, em quatro turnos, com profissionais de primeira linha?
2. Deixado nosso Primeiro Grau num nível espetacular onde as crianças sairiam falando três idiomas, lido a obra inteira de Jorge Luis Borges, sabendo resolver os teoremas de Pitágoras e, pelo menos, sabendo qual é a capital do afganistão?
3. Sem ter antes colocado a Amazônia num lugar de intocabilidade.
4. Controlado de maneira absoluta a extração de pedras preciosas e a pureza de nossos rios.
5. Proibido a criação de cachorros com mais de quinze quilos em prédios de apartamentos.
6. Condenado à guilhotina aqueles agricultores canalhas que há décadas pulverizam venenos sobre os alimentos que produzem e que nos vendem, principalmente sobre os pimentões.
7.  Transformado os presídios e as cadeias em fazendas e em fábricas.
8. Criado a obrigatoriedade da população inteira, lavar-se as mãos, pelo menos, três vezes por dia. Os garçons, cozinheiros e profissionais de saúde que descumprissem essa norma poderiam ir para a guilhotina junto aos agricultores,
e os pais ou adultos que falassem de religião para crianças menores de 10 anos seriam indiciados por crime semelhante ao da pedofilia.
9. Caralho! Como é que foram devolver o poder depois de quinze anos sem antes ter instituído um imposto superior ao do álcool e ao da gasolina aos pais que tivessem mais de dois filhos?
 Sem antes ter criado uma lei onde a hipocondria seria interpretada como falsidade ideológica? 
 Sem antes ter instituído uma norma que garantisse o fim absoluto dos cemitérios. E onde cada quadra deveria ter seu crematório próprio... e onde a eutanásia
 seria um direito, uma cláusula pétrea dos protocolos de civilidade??
E onde os casamentos, como os queijos, teriam validade máxima de dois anos.... 
E onde a propagação da mentira de que a morte seria a passagem para outra forma de existência e que os insubmissos iriam para o inferno seria encarada pelos juízes como uma forma infame de estelionato e de terrorismo...
Colocou um ponto final em seu discurso ao mesmo tempo em que acendia um cigarro e desaparecia na direção de um acampamento de seus camaradas que foi provisoriamente montado lá por aqueles lados... 
Segui meu caminho refletindo sobre suas idéias e ouvindo que gritava: Bazzo, ainda criaremos um Dada cotidiano! Uma disciplina não ordenada e uma autêntica loucura!...


sábado, 17 de fevereiro de 2018

De paranóia em paranóia... e de ficção em ficção... se van los dias...

Cientistas desenvolvem terapia virtual contra paranoia e ansiedade (Correio Braziliense do dia 16-02)



(foto: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

Uma terapia que combina realidade virtual com tratamentos tradicionais, desenvolvida por cientistas na Holanda, pode se tornar um grande aliado para combater a paranoia e a ansiedade em pessoas com transtornos psicóticos. Testes clínicos realizados em 116 pacientes tiveram resultados promissores, descreveram cientistas na revista The Lancet Psychiatry. Segundo o estudo, os exercícios tornaram as relações sociais dos pacientes menos tensas.
Embora animado, o grupo de especialistas liderado por Roos Pot-Kolder, da VU University da Holanda, destaca que mais testes são necessários para confirmar os benefícios a longo prazo desse tipo de tecnologia, que simula estar em uma realidade cheia de avatares virtuais.
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Estima-se que até 90% dos pacientes com psicoses têm pensamentos paranoicos, o que os leva a perceber ameaças onde não há nenhuma. Como resultado, muitos evitam lugares públicos, assim como o contato com pessoas, passando muito tempo sozinhos. A terapia cognitivo-comportamental (CBT), em que os pacientes recebem ajuda para superar problemas que parecem esmagadores, ajuda a reduzir a ansiedade, mas faz pouco para controlar a paranoia.  Daí a expectativa em torno do novo estudo.
Para o teste, os 116 participantes receberam um tratamento tradicional, com medicação antipsicótica e consultas com o psiquiatra. Metade deles também praticou interações sociais em um ambiente virtual. Essa parte da terapia consistiu em 16 sessões de uma hora de duração, num período de entre oito a 12 semanas.
Os pacientes foram expostos, por meio de avatares virtuais, a situações sociais que provocariam medo e paranoia em quatro cenários: a rua, o ônibus, o café e o supermercado. Os terapeutas podiam alterar a quantidade de avatares, sua aparência e se as respostas já registradas para o paciente eram neutras ou hostis. Os especialistas também aconselhavam os participantes, ajudando-os a explorar e testar seus próprios sentimentos em diferentes situações.
Eles foram avaliados no início do teste, três meses e seis meses depois. O estudo revelou que a exposição à realidade virtual não aumentou o tempo que os participantes passaram com outras pessoas, mas, sim, a qualidade das interações. “A adição da realidade virtual aos tratamentos tradicionais reduziu os sentimentos paranóicos e o uso de comportamentos ansiosos em situações sociais, em comparação com a terapia padrão sozinha”, resumiu a autora principal, Roos Pot-Kolder. 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Enquanto isso.., na terra de Xico Xavier...

Ranking da 'pegação' no carnaval causa revolta em cidade de Minas Gerais



(foto: Reprodução/Facebook)

Um cartaz com uma suposta pontuação para a “pegação” no carnaval de Bom Sucesso, na região Centro-Oeste de Minas, está dando o que falar na cidade. No facebook, dezenas de mulheres – e até de homens – postaram comentários contra o que classificaram de “cultura de misoginia, homofobia e gordofobia”. 
O cartaz traz pontos de acordo com perfil dos parceiros. A maior pontuação (30) seria concedida a quem ficar com uma anã. Uma “novinha de 15 a 20 anos” rende 25 pontos, enquanto uma mãe solteira garante 17 pontos no ranking. 
A homofobia é clara: quem ficasse com um travesti seria eliminado “do jogo”, com transexual ganharia apenas 0,5 e o relacionamento com um gay geraria uma punição de “suspensão” de cinco carnavais.
Em página do Facebook voltada para notícias de Bom Sucesso, vários moradores manifestaram indignação. Alguns ainda postaram em suas páginas pessoais uma cópia da foto e criticaram o ato. 
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O cartaz foi afixado em uma árvore em frente a uma casa onde estaria concentrado o bloco “Ousadia e alegria” – é uma tradição na cidade que os grupos tenham o seu “QG” durante o Carnaval. 
 Um dos integrantes do grupo é o secretário municipal de Esporte e Turismo Matheus Vinícius Rodrigues da Silva. Por telefone, ele negou qualquer participação na brincadeira.
 “A faixa estava lá, mas não fui eu quem colocou. Perguntei no turma e não foi nenhum de nós”, afirmou o secretário. Matheus Vinícius disse ainda que não concorda com esse tipo de brincadeira, até porque “ofendeu muita gente”. (Correio Braziliense)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A Idade Média é aqui... 90 gramas de maconha?! Abaixo todas as cadeias! Expurgo radical no Estado e no judiciário!

"Esmagada pelo adulto perverso, a criança assume a culpa que o outro não sente" 

(Sandor Ferenczi, in: Confusões de línguas) 


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Bebê recém-nascido é mantido em cela de delegacia de SP após mãe ser detida



(foto: Divulgação)
 Um bebê recém nascido passou as primeiras horas de vida dentro de uma delegacia em São Paulo, no 8º Distrito Policial. A criança, identificada como Enrico, foi mantida no departamento policial após a mãe, Jéssica Monteiro, de 24 anos, ser detida com 90 gramas de maconha. A jovem foi presa na última sexta-feira (9/2), junto do marido, Oziel Gomes da Silva, 48. Em trabalho de parto, ela foi levada ao Hospital Municipal Inácio Proença de Gouveia, no domingo, quando deu à luz. Na última terça-feira (13/2), a mulher foi obrigada a voltar para a cela da unidade policial, por decisão do juiz Claudio Salvetti D’angelo, da Justiça paulista, onde ficou até as 18h desta quarta-feira (14/2), quando foi transferida à Penitenciária Feminina de São Paulo. Ela ficará no setor destinado a mães que estão amamentando.
Jéssica passou pelo menos três dias com o filho em uma cela do 8º Distrito. Ela ficou separada dos demais presos, recebendo água morna para limpar o bebê. O delegado responsável pela prisão da jovem, José Willy Giaconi Júnior, fez um pedido à Justiça para levar a mãe e o filho para a penitenciária feminina do estado de São Paulo, onde haveria melhores condições à mãe, que segue em período de resguardo, e para o bebê, que ainda tem a imunidade baixa, devido ao pouco tempo de vida. "Nós conseguimos, junto à secretaria de administração penitenciária, na Justiça, uma vaga em um hospital penitenciário com mais condições de manter uma criança com apenas 2 dias de vida", declarou. 
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Quando entrou em trabalho de parto, no domingo, dia marcado para a audiência de custódia, Jéssica foi encaminhada para o hospital. Lá, deu à luz ao menino. Na audiência, o advogado dela, Paulo Henrique Guimarães Barbezane, compareceu com o comunicado policial, que afirmava que ela havia dado entrada no hospital. Apesar das circunstâncias, o juiz Claudio Salvetti D’angelo decidiu manter a prisão de Jéssica, que é ré primária, na unidade policial.
Após a decisão, Jéssica foi escoltada de volta à delegacia, onde passou do domingo de carnaval, até a tarde desta quarta. O advogado da jovem também fez pedido de relaxamento da prisão ou prisão domiciliar, o que também foi negado pela Justiça. Quem negou a solicitação da defesa foi a promotora Ana Laura Ribeiro Teixeira Martins, que também está grávida. 
* Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli (Correio Braziliense)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Da quarta de cinzas e da desonestidade epidemica...

Ninguém pode negar que as escolas carnavalescas do Rio deram um show de criatividade, beleza, crítica e vigor. Tudo, claro...  no estilo quimera e miragem. Acreditando que naqueles gritos polichinelescos de desespero poderia haver algo de revolucionário. Revolucionário? Revolucionária talvez, tenha sido a paródia da Pietà (de Michelangelo) apresentada pelo Salgueiro: uma mulher negra, tendo nos braços, ao invés do judeu branco de olhos azuis, um filho negro assassinado... Tudo bem! Algumas beatas ficaram escandalizadas, mas hoje, apenas algumas horas depois, tudo já virou cinzas... todas aquelas penas, chapéus, tronos, holofotes, pandeiros, pierrots, tamborins, cinturões e os tapa vulvas das colombinas estão amontoadas no meio de mijo, vômitos e patuás no fundo de barracos crivados de balas... A alucinação quase passou! A "revolução passou"! Foi só um delírio! Delírio onde as televisões, fiéis a uma pseudo política de gêneros, resolveram baixar o foco das tetas para as nádegas... Viva o corpo! Esse desconhecido! Dois dias de "liberdade" concedidos à turba, para que ela suporte passiva, resignada e em silêncio os 373 dias vindouros de acosso moral e de humilhação.. As filas em desalento diante de ambulatórios fechados é assustadora e o esgoto da esquina continua em erupção. Cinzas! E o prefeito evangélico ainda está no seu carnaval, um outro carnaval, bem mais asséptico e perfumado lá pelas nevascas e belezas européias... E todo mundo, a seu modo, lançando-lhe maldições e fazendo o papel de vítima. Haverá algo mais desprezível do que ter pena de si mesmo? Algum inocente nessa história? Nada cheira mais a cinismo do que a cara de honestidade de um trapaceiro ou de milhões de trapaceiros juntos.

Em síntese: talvez isso aí seja o que de melhor possuímos. 
Querer outra coisa, depois desses 500 anos de imbecilização coletiva, seria querer demais. Acreditamos, como Cioran, que 
"... Uma mudança total, mesmo que fosse inútil, ou uma revolução sem convicção, é tudo o que ainda se pode esperar de uma época em que já ninguém tem honestidade suficiente para ser um verdadeiro revolucionário..."
   

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Filosofar é ser ainda cúmplice do mundo... (Cioran)

“Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização”

["As Torres Gêmeas, edifícios idênticos que se refletem mutuamente, um sistema fechado em si mesmo, impondo o igual e excluindo o diferente e que foram alvo de um ataque que abriu um buraco no sistema global do igual. Ou as pessoas praticando binge watching (maratonas de séries), visualizando continuamente só aquilo de que gostam: mais uma vez, multiplicando o igual, nunca o diferente ou o outro... São duas das poderosas imagens utilizadas pelo filósofo sul coreano Byung-Chul Han (Seul, 1959), um dos mais reconhecidos dissecadores dos males que acometem a sociedade hiperconsumista e neoliberal depois da queda do Muro de Berlim. Livros como A Sociedade do CansaçoPsicopolítica e A Expulsão do Diferente reúnem seu denso discurso intelectual, que ele desenvolve sempre em rede: conecta tudo, como faz com suas mãos muito abertas, de dedos longos que se juntam enquanto ajeita um curto rabo de cavalo.

“No 1984 orwelliano a sociedade era consciente de que estava sendo dominada; hoje não temos nem essa consciência de dominação”, alertou em sua palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), na Espanha, onde o professor formado e radicado na Alemanha falou sobre a expulsão da diferença. E expôs sua particular visão de mundo, construída a partir da tese de que os indivíduos hoje se autoexploram e têm pavor do outro, do diferente. Vivendo, assim, “no deserto, ou no inferno, do igual”.
Autenticidade. Para Han, as pessoas se vendem como autênticas porque “todos querem ser diferentes uns dos outros”, o que força a “produzir a si mesmo”. E é impossível ser verdadeiramente diferente hoje porque “nessa vontade de ser diferente prossegue o igual”. Resultado: o sistema só permite que existam “diferenças comercializáveis”.
Autoexploração. Na opinião do filósofo, passou-se do “dever fazer” para o “poder fazer”. “Vive-se com a angústia de não estar fazendo tudo o que poderia ser feito”, e se você não é um vencedor, a culpa é sua. “Hoje a pessoa explora a si mesma achando que está se realizando; é a lógica traiçoeira do neoliberalismo que culmina na síndrome de burnout. E a consequência: “Não há mais contra quem direcionar a revolução, a repressão não vem mais dos outros”. É “a alienação de si mesmo”, que no físico se traduz em anorexias ou em compulsão alimentar ou no consumo exagerado de produtos ou entretenimento.
‘Big data’.”Os macrodados tornam supérfluo o pensamento porque se tudo é quantificável, tudo é igual... Estamos em pleno dataísmo: o homem não é mais soberano de si mesmo, mas resultado de uma operação algorítmica que o domina sem que ele perceba; vemos isso na China com a concessão de vistos segundo os dados geridos pelo Estado ou na técnica do reconhecimento facial”. A revolta implicaria em deixar de compartilhar dados ou sair das redes sociais? “Não podemos nos recusar a fornecê-los: uma serra também pode cortar cabeças... É preciso ajustar o sistema: o ebook foi feito para que eu o leia, não para que eu seja lido através de algoritmos... Ou será que o algoritmo agora fará o homem? Nos Estados Unidos vimos a influência do Facebook nas eleições... Precisamos de uma carta digital que recupere a dignidade humana e pensar em uma renda básica para as profissões que serão devoradas pelas novas tecnologias”.
Comunicação. “Sem a presença do outro, a comunicação degenera em um intercâmbio de informação: as relações são substituídas pelas conexões, e assim só se conecta com o igual; a comunicação digital é somente visual, perdemos todos os sentidos; vivemos uma fase em que a comunicação está debilitada como nunca: a comunicação global e dos likes só tolera os mais iguais; o igual não dói!”.
Jardim. “Eu sou diferente; estou cercado de aparelhos analógicos: tive dois pianos de 400 quilos e por três anos cultivei um jardim secreto que me deu contato com a realidade: cores, aromas, sensações... Permitiu-me perceber a alteridade da terra: a terra tinha peso, fazia tudo com as mãos; o digital não pesa, não tem cheiro, não opõe resistência, você passa um dedo e pronto... É a abolição da realidade; meu próximo livro será esse: Elogio da Terra. O Jardim Secreto. A terra é mais do que dígitos e números.
Narcisismo. Han afirma que “ser observado hoje é um aspecto central do ser no mundo”. O problema reside no fato de que “o narcisista é cego na hora de ver o outro” e, sem esse outro, “não se pode produzir o sentimento de autoestima”. O narcisismo teria chegado também àquela que deveria ser uma panaceia, a arte: “Degenerou em narcisismo, está ao serviço do consumo, pagam-se quantias injustificadas por ela, já é vítima do sistema; se fosse alheia ao sistema, seria uma narrativa nova, mas não é”.
Os outros. Esta é a chave para suas reflexões mais recentes. “Quanto mais iguais são as pessoas, mais aumenta a produção; essa é a lógica atual; o capital precisa que todos sejamos iguais, até mesmo os turistas; o neoliberalismo não funcionaria se as pessoas fossem diferentes”. Por isso propõe “retornar ao animal original, que não consome nem se comunica de forma desenfreada; não tenho soluções concretas, mas talvez o sistema acabe desmoronando por si mesmo... Em todo caso, vivemos uma época de conformismo radical: a universidade tem clientes e só cria trabalhadores, não forma espiritualmente; o mundo está no limite de sua capacidade; talvez assim chegue a um curto-circuito e recuperemos aquele animal original”.
Refugiados. Han é muito claro: com o atual sistema neoliberal “não se sente preocupação, medo ou aversão pelos refugiados, na verdade são vistos como um peso, com ressentimento ou inveja”; a prova é que logo o mundo ocidental vai veranear em seus países.
Tempo. É preciso revolucionar o uso do tempo, afirma o filósofo, professor em Berlim. “A aceleração atual diminui a capacidade de permanecer: precisamos de um tempo próprio que o sistema produtivo não nos deixa ter; necessitamos de um tempo livre, que significa ficar parado, sem nada produtivo a fazer, mas que não deve ser confundido com um tempo de recuperação para continuar trabalhando; o tempo trabalhado é tempo perdido, não é um tempo para nós”.


O “Monstro” da União Europeia

“Estamos na Rede, mas não escutamos o outro, só fazemos barulho”, diz Byung-Chul Han, que viaja o necessário, mas não faz turismo “para não participar do fluxo de mercadorias e pessoas”. Também defende uma política nova. E a relaciona com a Catalunha, tema cuja tensão atenua brincando: “Se Puigdemont prometer voltar ao animal original, eu me torno separatista”.


Já no aspecto político, enquadra o assunto no contexto da União Europeia: “A UE não foi uma união de sentimentos, mas sim comercial; é um monstro burocrático fora de toda lógica democrática; funciona por decretos...; nesta globalização abstrata acontece um duelo entre o não lugar e a necessidade de ser de um lugar concreto; o especial é incômodo, gera desassossego e arrebenta o regional. Hegel dizia que a verdade é a reconciliação entre o geral e o particular e isso, hoje, é mais difícil...”. Mas recorre à sua revolução do tempo: “O casamento faz parte da recuperação do tempo livre: vamos ver se haverá um casamento entre a Catalunha e Espanha, e uma reconciliação”.] Publicado no EL PAÍS (07-02-2018)

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Anitta vai dar palestra em Harvard e nossos professores/doutores ficam histéricos & enciumados... Mas como? Por quê ela e não nós? Nós que conhecemos de cor e salteado a obra de Heidegger??? Seguramente irão infartar quando convite semelhante for feito à Jojo Todinho...

Anitta recebe convite para dar palestra em conferência em Harvard; 'Sucesso serve de inspiração', diz organização





"Anitta foi convidada para dar uma palestra na Brazil Conference at Harvard & MIT para falar sobre sua história de superação e constante batalhas, segundo informou a organização do evento. 
O encontro, realizado pela comunidade brasileira de estudantes em Boston, acontecerá nos dias 06 e 07 de abril de 2018 em Boston, nos Estados Unidos. 
A cantora ainda não confirmou sua participação, mas, em nota, a equipe organizadora do evento explicou o motivo do convite para o encontro entre líderes e representantes da diversidade do Brasil e se mostrou ansiosa com o retorno. 
“Como um evento que crê na pluralidade do Brasil, não podemos cometer a falha de não abordar também a cultura como elemento central de identidade do povo brasileiro. (...) Esperamos ansiosamente para viabilizar a sua participação. Temos certeza que a sua eventual vinda seria muito valiosa; a sua história de constante batalha reflete a situação de muitos brasileiros e a sua história de superação e sucesso serve de inspiração”. 
No comunicado, eles anunciaram a presença do velejador brasileiro Lars Grael. “Estamos muito contentes em poder contar com Lars Grael, que superou um grave acidente, reinventando a figura de atleta, tornando-se um símbolo de persistência e superação. Não apenas suas medalhas como as conquistas pessoais são motivo de orgulho e exemplo para toda nação”. 
A equipe aproveitou também para reforçar que a Brazil Conference at Harvrad & MIT é organizada e liderada exclusivamente por estudantes da comunidade brasileira em Boston. “A estruturação do evento e realização de convites é feita unicamente por nós, não pelas Instituições às quais os alunos são vinculados”. (Texto do G1)