"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

A ilustre governadora de Madrid e a cleptomania...

[Cada um é como Deus o fez e ainda pior muitas vezes]. 
Cervantes

Pegaram a governadora de Madrid roubando cosméticos anti envelhecimento num mercado daquela cidade! 
Meus correspondentes madrileños que costumam fazer piadas e ironias a respeito da ladroeira generalizada no Brasil, estão em silêncio, acabrunhados e cabisbaixos.  
Todos sabemos que se ao invés da ilustre governadoras tivesse sido uma menina clandestina daquelas que conseguiu migrar da África ou do Magreb para lá, fariam um escândalo xenófobo e, possivelmente, a mandariam de volta para seu país ou para uma das antigas prisões de Franco...
Por uma espécie de ética primitiva, nem mencionei o assunto com eles. Mas, claro, voltei a revisar as páginas de Ortega Y Gasset, as andanças do velho Don Quijote e também, claro, os relatos do bispo de Chiapas, Bartolomé de Las Casas, sobre as aventuras  de horror dos espanhóis na Conquista da América... 
Cleptomania! A ilustre senhora defendeu-se dizendo que embolsou aquelas porcarias sem perceber, sem querer, e num impulso inconsciente. É possível! A cleptomania é isso. O sujeito se apropria daquilo que não é dele por impulsos inconscientes que não consegue controlar. (Normalmente, segundo a psicanálise, são impulsos de origem sexual). A policia, mesmo a mais ignorante, até já sabe disso. De vez em quando surpreendem por aí alguma madame, cheia de cartões de crédito, de jóias caras, de penduricalhos em ouro nas orelhas e com as tetas praticamente de fora seduzindo (apenas seduzindo, nada vai além da sedução) e roubando grampos de cabelo, caixas de fósforos, chocolates ou bagatelas do tipo. 
O que é um sinal da precariedade e da miséria humana, ninguém duvida, mas foi listada pelos 'sábios' da Organização de Saúde, no CID 10, como um transtorno psíquico e não simplesmente como mau caratismo... 
Afinal de contas: como livrar-se dos cinco mil anos de massacres, de fraudes e de trapaças que nos antecedem, que estão presentes nos nossos DNAs e que fazem de cada um de nós, potencialmente, um estelionatário?

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O mendigo K. e o bloqueio dos celulares clandestinos...

"Não podemos fechar os olhos para os processos sociais e canalhas que, por um lado, SUPER-erotizam as mercadorias e por outro DES-erotizam o sexo..."
Jerome Agel in: p. 28, El terapeuta radical, N.Y.
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Hoje, quarta-feira de abril, acabo de encontrar o mendigo K. na portaria do Ministério das Comunicações. 
Com a noticia de que na semana que vem 40 milhões de telefones celulares clandestinos, comprados de ladrões, de contrabandistas ou de comerciantes trapaceiros serão bloqueados, estava lá em busca de um habeas Corpus numa tentativa de salvar seu Iphone comprado por uma bagatela numa feira de ladrões aqui da cidade. Puxou o aparelho do bolso traseiro e mostrou-me como é tão ou até melhor do que os (legítimos) que são vendidos nos shoppings por vinte vezes mais. Número do IMEI? Que porra é essa?
No meio de uma grande indignação fez apologia das falsificações (roupas, CDs, remédios, perfumes e até de cocaína) e demonstrou-me que a caça aos clandestinos era uma artimanha dos comerciantes (dos mesmos comerciantes protegidos por um alvará, os mesmos que de uma maneira ou de outra haviam desovado os "clandestinos") e que agora, por pura jogada econômica, pressionavam o Estado, a reguladora" Anatel e a polícia... Reguladora? Por quê não regulou antes? 
Estava um pouco ansioso a espera de um advogado que - segundo ele - iria, por 450 reais, entrar no STF com um habeas corpus tentando abortar essa sacanagem. 
Imagine! esbravejou. Somos 40 milhões de sujeitos que temos telefones clandestinos... 40 milhões de trapaceiros! Se nos bloqueiam agora, teremos que jogar no lixo nossos aparelhos e comprar outros. Sem falar que cada lixão será uma montanha radioativa... Ou alguém reciclará essa merda toda? 
Por outro lado, 40 milhões de novas vendas! Não é um negócio da China? Literalmente da China e que favorecerá somente a mesma turba de larápios?

domingo, 22 de abril de 2018

Uma antropologia das nádegas (3)


"Elas tem as nádegas radiantes, mas o espírito está em outro lugar, pois elas passam o tempo olhando-se no espelho. Por quê uma tal inquietação? Que pressentimento têm? As nádegas, de qualquer forma, condensan-se em coloridos quentes de terracota, elas palpitam, crepitam e fluem como uma chuva de grãos de romã. Eis como são as coisas: o rosto desagrega-se, e as nádegas riem..." p.18







sábado, 21 de abril de 2018

Uma antropologia das nádegas... (2)

5.  "Em certos casos extremos, o inchaço das ancas chega mesmo a confundir-se com os testículos, e o alongamento do pescoço evoca o pénis erecto, o que encontramos em alguns desenhos de Picasso (1927). Manifestamente, a mulher não tinha apenas influência mágica sobre a abundância da caça ou a descendência dos homens: era também um ex-voto da ereção.

6. Como todos os primatas, os homens dessa época copulavam por detrás e os sinais sexuais da mulher eram emitidos pelo rabo, como nos macacos. Quanto mais generoso era o rabo, mais a mulher era sedutora. Mas era também bastante incômodo. De tal forma que os homens passaram à cópula facial. Consequência: os seios encheram-se para reproduzirem os grandes hemisférios nadegueiros. O que era uma versão muito mais equilibrada e ágil da mulher. Mantivemo-la. Aliás, ainda existem, no mato do Sudoeste Africano, mulheres com nádegas em forma de cratera; são as bosquímanas, e encontramos esses perfis avantajados nas pinturas rupestres do Zimbabué e da Africa do Sul. A interpretação é sedutora.

7. Na Mauritânia, existiram durante muito tempo casas de engorda, com uma corporação de empanturradoras destinadas a tornar obesas as jovens destinadas ao casamento.

8. Para ser mulher de qualidade, era preciso ser mulher de quantidade, diziam.

9. Na Nigéria, escreveu Mungo Park, até mesmo uma mulher sem pretensões a uma beleza extrema não deve estar em estado de caminhar de outra forma a não ser sustentada por uma escrava de cada lado, e a beldade perfeita é uma carga suficiente para um camelo. O que já dizia Darwin, em A Descendência do Homem e a Seleção Sexual. Sir Andrew Smith viu uma mulher que era considerada uma beleza e que tinha aquela parte do corpo tão desenvolvida que, uma vez sentada no chão, não se conseguia levantar, a menos que se arrastasse até um local inclinado...

10. Os somalis, para escolherem as suas mulheres, põem as candidatas em linha e elegem aquelas cujo a tergo (superficie dorsal) ultrapassa mais o alinhamento...

11. Na Terceira República, vimos, deste modo, aparecerem umas nádegas incríveis e muito sumptuosas que recordavam as nádegas pré-históricas, apesar de serem totalmente artificiais, e a que chamávamos tournure (anquinhas), ballon (balão) sem dúvida para significar que elas se pareciam sobretudo com um aérostato ou, mais simplesmente faux cul (cu falso). Filho dos enchumaços e da crinolina, o faux cul (cu falso) era apenas uma extrapolação das nádegas, uma fuselagem constituída por armaduras metálicas e por acolchoamentos diversos que não enganavam ninguém, mas que pelo menos dava à mulher o equivalente indiscutivelmente lisonjeiro de um grande rabo. Foi o triunfo das nádegas subidas, do espavento...

12. Foi precisamente na época em que a roupa interior tentou, pela primeira vez, opor-se aos enlaces amorosos que Freud elaborou a sua Teoria do Recalcamento e que toda a Paris correu a assistir ao Coucher d'Yvette, o primeiro espetáculo de strip-tease onde, ao som de um piano, uma senhora em traje de dia começava a despir-se lentamente. Era preciso, dizia, que o burguês de 1905 ficasse com os nervos em franja. Ficava. Pelo menos podia persuadir-se que à medida que a mulher se desfolhava, aparecia um corpo que era diferente em certos pontos do corpo dos homens, mas também não lhe era tão radicalmente desconhecido como parecia. Por sorte o cubismo retirou completamente de moda as silhuetas em forma de gôndola. Renovando o sacrifício das Amazonas, para quem o seio direito era um incomodo para o tiro ao arco, algumas desportistas sacrificaram os dois. E, no seu ardor, cortaram também as nádegas. Nos anos 25-30, apareceu então uma mulher completamente nova, isto porque era inteiramente achatada. Chamavam-lhe garçonne... E guardaram-se as crinas para as azêmolas..." (continua)

Uma antropologia das nádegas... (1)

"Se não podes entender o que outro ser humano está fazendo, diagnostique-o".
Dogma fundamental da psiquiatria
(David Cooper in: El lenguaje de la locura,  p. 112)

A melhor aquisição de minha última viagem  foi um livro de Jean-Luc Hennig, publicado por primeira vez pela Calmann-Lévy de Paris, em 1975, e depois pela TERRAMAR Editores de Lisboa, em 1997, com o titulo original:  Brève histoire des fesses e em português: Breve história das nádegas.
Como se pode ver na imagem ao lado, nádegas está escrito com o n maiúsculo o que não aconteceu com os editores franceses. Seria, por um lado, um sinal da concupiscência dos lusitanos? E por outro, do tédio francês?
Outra curiosidade é que estava exposto na vitrine de uma grande livraria de usados em Lisboa, ao lado do livro de Jacques Lacan: A família... 
Sem nenhum cinismo,  e sem nenhuma sacanagem, esse livro deveria ser obrigatório já nas escolas de nosso Primeiro Grau. Sublinhei alguns parágrafos e os reproduzo aqui, sem nenhuma fantasia de querer 'salvar a pátria'.., mas por puro deleite.

1. "As nádegas datam da mais remota antiguidade. Apareceram quando os homens tiveram a idéia de se levantar sobre as duas patas traseiras e assim permanecerem. Um momento capital da nossa evolução, isto porque os músculos das nádegas desenvolveram-se então consideravelmente. 

Entre as 193 espécies de primatas vivos, só a espécie humana possui nádegas hemisféricas que sobressaem continuamente. Apesar de ter havido quem julgasse poder encontrá-las também entre as lhamas dos Andes... Em todo caso, comparados com os homens, os chimpanzés foram descritos como sendo "macacos de nádegas achatadas". O que diz bem do absurdo das nádegas. Portanto, o nascimento das nádegas coincide com a posição vertical. (...) A região secou, a savana substituiu a floresta, e os homens correram sobre a terra. Simultaneamente as suas mãos se libertaram, a posição do crânio sobre a coluna vertebral modificou-se, o que permitiu ao cérebro desenvolver-se. Retenhamos esta idéia interessante: as nádegas do homem estariam, por assim dizer, na origem do cérebro.

2. Os macacos que ficaram na floresta foram privados de nádegas. O que não os perturbou, pois quando uma macaca queria enviar um "sim sexual" a um macho, apresentava-lhe ostensivamente o traseiro. As fêmeas de inúmeras espécies de macacos têm um traseiro que se acende, tornando-se vermelho como uma malagueta e particularmente inchado com a aproximação da ovulação. De tal modo que o macho babuíno ou o chimpanzé passavam o tempo todo correndo de um rabo vermelho para outro, o que lhes permitia esquecer, talvez, o seu infortúnio.  Com a fêmea do homem é diferente. O seu traseiro não incha com seus ciclos menstruais, fica permanentemente protuberante. Está, por conseguinte sempre pronta para o macho e até pode acasalar quando se encontra impossibilitada de conceber. Fato que irritou  por muito tempo a igreja católica.

3. Desmond Morris observa que a fêmea dos babuínos da espécie gelada tem, no peito, uma cópia semelhante ao seu traseiro. E como a sua zona genital é de cor rosa-avermelhado, orlada de papilas brancas, tendo ao centro uma vulva de um vermelho-sangue, reencontramos no período de ovulação esta feliz configuração sobre o peito. (...) Um processo semelhante parece alias ter ocorrido no caso da fêmea humana. Com efeito, se ela tivesse de mostrar o rabo a um macho, este veria um par de lábios vermelhos, rodeado por dois hemisférios inchados e carnudos. Mas apresentar desta forma as suas nádegas aos machos não é frequente. Devido ao fato de nosso modo de locomoção ser vertical, a parte de baixo do corpo passou a ser da frente, ou seja, a mais visível e acessível das zonas de sinalização. Nada de surpreendente, portanto, se descobrimos mimetismos genitais na parte da frente do corpo feminino. É desse modo que os lábios genitais vêem a sua réplica nos lábios pintados, e as nádegas redondas nos seios. 

4.  O seio da mulher assemelha-se o suficiente às suas nádegas para que o sinal seja transmitido. O mimetismo,  não necessita ser exato para ser eficaz. Alias, os seios não são os únicos a ser semelhantes às nádegas: os ombros e os joelhos carnudos são-no igualmente. Especialmente na posição em que os joelhos estão juntos ou ainda quando o ombro está levantado a ponto de tocar a face. Deste modo, podemos dizer que a espécie humana é a única espécie de primatas em que a fêmea possui nádegas um pouco por todo lado..." (continua...)

quinta-feira, 19 de abril de 2018

MALUF - Humilhados e ofendidos...

"Somente a razão é batizada? As paixões seriam os pagãos da alma?"
Dostoievski, p. 16

Parecem intermináveis as discussões sobre o deputado Maluf, não apenas lá no STF, mas também em baixo dos blocos, nas padarias e nos cafés... se  deve continuar preso, se vai para prisão domiciliar, se fica solto e etc. A grande maioria que o considera um ladrão cínico quer que apodreça atrás das grades e que só saia de lá dentro de um caixão lilás. Outros, por razões íntimas, acham que está velho demais para a solidão de um cárcere. Que está com a próstata pifada, com os ossos podres e com os neurônios em pane. Outros, que têm natural e perversamente uma espécie de simpatia e compaixão pelos gatunos nacionais, pelos cleptomaníacos e crápulas que afundaram o país nesta merda e neste lodo que conhecemos... penalizam-se, gostam de bajular milionários sem a mínima preocupação em saber como foi que chegaram a tanto. Subservientes, estão sempre ao redor da mesa e dos banquetes a espera de alguma casca de salame ou das rolhas das champanhe... Se pudessem, também roubariam o Estado, a nação, a igreja e o puteiro da esquina... E é com o currículo dos grandes ladrões que constroem seu alter-ego e seu Ideal de vida. Já que para eles o dinheiro é tudo, não importa sua procedência... e já que a pobreza é sempre um atestado de incompetência e de submissão.
E os juízes estão lá, há horas e há dias, enrolados em suas capas pretas, como abutres, fazendo metafísica e onanismo sobre o preso a quem chamam paciente. Os advogados, pagos com o mesmo dinheiro dos crimes, teatralizam! Uns até se emocionam, Identificam o preso com o avô ou com o próprio pai. Sabem que ninguém é inocente nessa história e que quem defende cegamente as ovelhas pode estar sendo cruel e injusto com os lobos... O preso, por orientação da defesa, aparece deslizando melancolicamente sobre uma cadeira de rodas. Os câmeras se jogam no chão com suas potentes máquinas para registrar as imagens mais apocalípticas e mais dramáticas possível daquele velho condenado. Pensam no jornal da noite, no ópio das noticias, no envenenamento popular e nas donas de casa deprimidas, enfim... no populacho que é geneticamente submisso aos ricos e que se emociona quando vê os ladrões nacionais felizes, fazendo festa nos cassinos de Hong Kong ou nos cabarés parisienses... 
Os gestos, as pálpebras, as mãos, o corpo fala. 
A velhice em si já é um horror! Prender um velho é o mesmo que chover no molhado. A prisão só tem o sentido de punição quando o ser que é trancafiado lá ainda consegue beber uma garrafa de vinho sozinho, levar a bailarina para sua alcova, turbinar com sapiência o desejo... escalar o Himalaia... Mas um ancião!?. A velhice em si já é um castigo, um acerto de contas, uma espécie de ante-sala para o nada.  Ambulâncias, jornalistas, padres, eleitores, ex-guarda-costas, sócios, cúmplices, mulheres falidas espreitando de longe. O teatro seria mais eloquente se o paciente levasse no colo pelo menos um dos livros de Dostoievski, Crime e Castigo, ou Humilhados e ofendidos, por exemplo. Mas ninguém lê nada, nem os presos, nem seus advogados, nem seus juízes e nem seus carcereiros. Todo mundo, no máximo, só quer turvar as águas para dar impressão de profundidade.... E é tudo farsa... Imposturas estampadas por todos os lados! Difícil encontrar diferenças reais entre o tal paciente e seus verdugos, entre os crimes do deputado ovacionado e os da turba... Enfim: só a ignorância e o horror progridem e prosperam! E la nave va!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Rajneesh (o fantástico guru indiano) e os loucos e as loucas do Oregon... (anos 8o)


"Você não conseguirá me trapacear... eu sou o maior de todos os trapaceiros..."






http://www.youtube.com/watch?v=j1h8-WvzexY

E o mundo... vai se revelando cada vez mais contra o gozo & contra a vida... (como se a criação tivesse sido apenas o gesto de um sádico...)

Vírus da ‘doença do beijo’ pode causar outros 6 problemas de saúde



Por Da Redação
access_time 17 abr 2018, 22h25 - Publicado em 17 abr 2018, 20h23 

Vírus do HIV
Ao contrário dos outros vírus, o EBV consegue 'hackear' as células responsáveis por combatê-lo. (iStock/Getty Images)
doença do beijo, também conhecida como mononucleose, pode aumentar o risco de desenvolvimento de outras doenças, como a esclerose múltipla, lúpus e diabetes tipo 1. De acordo com um estudo publicado recentemente na revista Nature Genetics, o vírus responsável por causar a mononucleose é capaz de se ligar a partes do genoma humano, tornando a pessoa infectada mais vulnerável a essas doenças.

Mononucleose

A mononucleose é uma infecção causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), transmitida pela saliva – por isso também é chamada de doença do beijo. Seus sintomas incluem dor e inflamação da garganta, febre alta, placas esbranquiçadas na garganta e ínguas no pescoço. O EBV pode provocar infecção em qualquer idade, mas é mais comum apresentar sintomas em adolescentes e adultos.
A mononucleose não tem um tratamento específico, mas é possível curá-la apenas com repouso, ingestão de líquidos e uso de remédios para aliviar os sintomas. Com essas medidas, a doença desaparece após uma ou duas semanas. No entanto, depois de infectada, a pessoa permanece com o vírus por toda a vida.

EBV e o aumento do risco de doenças

Ao longo dos anos, cientistas ligaram o EBV a algumas outras doenças raras, incluindo certos tipos de câncer do sistema linfático. Além disso, alguns dos pesquisadores já vinham estudando o vírus e fizeram conexões entre ele e o lúpus, por exemplo. Outras doenças relacionadas ao EBV descobertas durante a pesquisa são: esclerose múltipla, artrite reumatoide e artrite idiopática juvenil, doença inflamatória intestinal, doença celíaca e diabetes tipo 1.
Segundo os resultados da pesquisa, os cientistas perceberam que os componentes produzidos pelo vírus interagem com o DNA humano nos lugares onde o risco genético da mononucleose (e de outras doenças) aumenta. “Esta descoberta é importante o  suficiente para estimular muitos outros cientistas em todo o mundo a reconsiderarem este vírus nesses distúrbios. Como consequência, e supondo que outros possam replicar nossas descobertas, isso poderia levar a terapias, formas de prevenir e antecipar doenças”, disse John Harley, um dos autores do estudo, ao Science Daily. Apesar de não existir vacina contra o EBV, outras iniciativas procuram desenvolvê-la.

Atuação do vírus no corpo

Em infecções virais e bacterianas nosso sistema imunológico recebe o comando das células B para produzir anticorpos no intuito de combater os invasores. No entanto, quando ocorrem infecções por EBV, algo incomum acontece: esse vírus é capaz de ‘hackear’ as células B, assumindo o controle de suas funções e reprogramando-as. A equipe do Cincinnati Children, responsável pela pesquisa, encontrou pistas de como o vírus faz isso.
O corpo humano tem cerca de 1.600 fatores de transcrição conhecidos no nosso genoma. Estes fatores são proteínas que ajudam a transformar genes específicos em “ligados” ou “desligados” através da conexão com o DNA para garantir que as células funcionem como esperado. No entanto, quando os fatores de transcrição são alterados, as funções normais da célula também podem mudar e isso pode levar à doença. Os cientistas suspeitam que o fator de transcrição EBNA2 do EBV esteja ajudando a mudar a maneira como as células B infectadas operam e como o corpo responde a elas.
Com base nessas informações, os cientistas descobriram que, dependendo de onde esses grupos de fatores de transcrição relacionados ao EBNA2 se ligam no código genético, aumenta o risco de algumas dessas doenças. “Normalmente, pensamos nos fatores de transcrição que regulam a expressão do gene humano como sendo humanos. Mas, neste caso, quando este vírus infecta células, ele produz seus próprios fatores de transcrição, e estes se situam no genoma humano nas variantes de risco lúpico (e nas variantes de outras doenças) e é isso que suspeitamos estar aumentando o risco da mononucleose”, explicou Leah Kottyan, outra cientista envolvida no estudo.
Estas descobertas abrem novas linhas de estudo que podem acelerar os esforços para encontrar tratamentos que impeçam o vírus de atuar nas células, o que poderia levar a cura dessas doenças. Entretanto, os pesquisadores informam que será preciso muito tempo para alcançar esses objetivos. (Revista VEJA)

terça-feira, 17 de abril de 2018

O mendigo K e os garimpos...


"A beleza provoca o ladrão mais do que o ouro..."
Shakespeare

Desde às sete da manhã o mendigo K está sentado em frente ao STF, esperando o resultado da votação que, provavelmente, mandará o neto do quase presidente Tancredo Neves para o cárcere. Desse jeito, com todos esses malandrins sendo enviados para a cadeia, - me dizia - logo logo começará haver uma luta de classes também no interior dos presídios... 
Contou-me, em breves palavras, que antes de vir para Brasília, trabalhou num garimpo lá na Guiana francesa e também no Pará. E que ficou admirado com a relação dos garimpeiros com as prostitutas que por lá aportavam vindas de todos os cantos do Brasil, da Bolivia, do Peru, da França e até da Africa.... 
Aqueles pobres homens, sempre com uma cruz ou um patuá amarrado ao pescoço passavam meses para garimpar uma pequena lasca de ouro e quando o conseguiam, iam diretamente para os bordéis improvisados onde as mulheres, cinco ou seis, caiam sobre eles como abutres e até lhes juravam amor eterno. Passava lá uma semana, dormia com praticamente todas, o pedaço de oro desaparecia e ele voltava, magro, com uma boa carga de sífilis e mais ou menos feliz para o pântano do garimpo. Fez uma breve pausa e me perguntou com um tom solene: Quê escravidão é pior, a do ouro ou a do sexo?

Ideologia de gênero... (?)


"Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, 

precioso. Se um humano discorda de você, deixe-o viver. 

Em cem bilhões de galáxias, você não vai achar outro". 

Carl Sagan


Mudança de sexo em galos e galinhas

Quando a galinha deixa de botar e passa a cobrir as outras galinhas, como faz o galo, podendo galar as fêmeas, não é um comportamento comum, porém é observado por alguns criadores do setor avícola, podendo ocorrer também em outras espécies de animais.
Há registros também de casos em que o galo assume a postura da galinha, e passam a chocar os ovos e a cuidar dos filhotes. E da mesma forma do macho, a fêmea também chega a ter o comportamento do galo, podendo apresentar o que chamamos de falsa cópula, ou seja, quando pratica a monta em outras galinhas.
Em alguns casos também podem ocorrer alterações fisiológicas nas galinhascomo por exemplo, aumento da crista e da barbela, provocado pelo crescimento da gônada direita após o colapso do ovário funcional esquerdo, em decorrência de algum motivo como a incidência de tumores e cistos. O órgão direito que estava adormecido, pode começar a se desenvolver na forma de testículos e secretar hormônios ligados a características masculinas. Assim, a produção dos hormônios masculinos pode fazer com que a fêmea mude o comportamento e haja como um macho.
Porém, essa mudança que ocorre no sexo não é completa, visto que, a ave modificada não gera espermatozoides e dessa forma não fertiliza os ovos.




Como os galos perderam o pénis

O galo perdeu o seu pénis ao longo da evolução, assim como os machos de outras dez mil espécies de aves que têm pénis rudimentares ou não têm de todo. Agora, os cientistas conseguiram perceber o que se passa a nível do desenvolvimento embrionário do Gallus gallus: há uma morte celular programada que não permite que o seu pénis cresça. O artigo com a descoberta feita por uma equipa de investigadores do Instituto Médico Howard Hughes, em Maryland, nos Estados Unidos, foi publicado na revista Current Biology desta semana.
Apenas os machos de 3% de todas as espécies de aves desenvolvem um pénis capaz de penetrar na cloaca das fêmeas das suas espécies. Nesse grupo de espécies estão o pato, o ganso ou o cisne. Nas outras, a reprodução dá-se através do contacto entre as cloacas dos machos e das fêmeas.


Martin Cohn e a sua equipa foram tentar perceber o que acontecia durante o desenvolvimento destas aves. Para isso compararam os embriões dos galos com os dos patos-bravos durante o seu desenvolvimento.
“A regulação e o balanço entre a proliferação das células e a morte celular é essencial para controlar o crescimento e o desenvolvimento”, explica o cientista em comunicado. “Demasiadas divisões celulares e pouca morte celular podem levar ao crescimento em excesso ou desregulado, como no caso do cancro. Se o balanço vai na direcção contrária e há uma deficiência celular ou excesso de morte celular, então isso pode resultar no subdesenvolvimento ou até na ausência de um órgão.”
Quando olharam para o desenvolvimento das duas aves, verificaram que no início, o desenvolvimento do pénis acontecia normalmente nos galos. Mas a partir de uma dada altura esse crescimento parava e o órgão tornava-se rudimentar.
A equipa descobriu que este fenómeno era causado por um gene que se activava na ponta do futuro pénis do embrião do galo, o que não acontecia no pato-bravo. O gene, chamado Bmp4, codifica para uma proteína que leva à morte celular não deixando o órgão crescer.
“A nossa descoberta mostra que a redução do pénis durante a evolução das aves ocorre pela activação de um mecanismo normal que resulta no programa de morte celular, mas que aqui aparece num local novo, a ponta do pénis emergente”, explica Martin Cohn. Os cientistas experimentaram ainda impedir a expressão deste gene naquela região do embrião do galo e verificaram que os pénis cresciam normalmente nos embriões mutados.
A equipa não sabe qual a razão para este fenómeno ter surgido durante a evolução. O pénis é talvez o órgão com mais variações e com as formas mais bizarras entre os animais do reino animal. O gene Bmp4 é muito usado na formação dos órgãos e estruturas durante o desenvolvimento embrionário, e poderá ter aparecido aqui por acaso, não se obtendo nenhuma função objectiva. Mas a equipa sugere um resultado benéfico a nível destas espécies de aves em que os machos não têm pénis: como a fecundação se dá sem penetração, as fêmeas acabam por ter um maior controlo na escolha dos seus parceiros.

sábado, 14 de abril de 2018

Gramsci e o mendigo K... na ocupação da reitoria da universidade

Ontem, sexta-feira à tarde encontrei o mendigo K. entre os alunos que ocupam a reitoria da Universidade de Brasília. Levava o cartaz (abaixo) pregado a um pedaço de bambu.



quinta-feira, 12 de abril de 2018

O vaso sanitário da cadeia de Lula e o DNA escatológico da espécie...

 
Conforme a matéria abaixo, o Ministro Gilmar Mendes ficou indignado e se lançou contra os que estão criticando os "privilégios" e o "luxo" da cadeia do Lula por ela ter um vaso sanitário.
Perversos! Ataca o ministro. 

Ora! O ministro Gilmar tem razão, afinal, o tema diz respeito ao nó górdio da (in)dignidade humana... Como se poderia negar um vaso sanitário a alguém? Esteja ele preso ou solto? Não é verdade!? Agora.., nem o Ilmo Sr. Ministro e nem nós podemos esquecer que no Brasil há ainda uma imensa maioria de pessoas que, para essa necessidade infame & abominável, só dispõem de uma moita, e às vezes, nem disso. 

Para mim, o problema maior não diz respeito ao status, ao luxo ou ao tipo da latrina ou do vaso sanitário que cada um dispõe, mas, repito, a essa necessidade estúpida e cruel de ter que usá-lo todas as manhãs. 

Sobre este assunto, Milan Kundera produziu um texto que gostaria imensamente de ter sido eu o autor: "A merda é um problema teológico mais penoso que o mal. Deus dá liberdade ao homem e podemos até admitir que ele não seja responsável pelos crimes da humanidade, mas a responsabilidade pela merda cabe inteiramente àquele que criou o homem, somente a ele..."

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Gilmar ataca críticos de vaso sanitário na cela de Lula: ‘Pervertidos’




Ministro questionou falta de 'sensibilidade' e declarou que 'lado animalesco está se manifestando em cada um de nós'

Por Estadão Conteúdo
access_time 11 abr 2018, 00h14 - Publicado em 10 abr 2018, 21h04 

Gilmar Mendes
O ministro Gilmar Mendes vota durante a sessão de julgamento sobre o pedido de habeas corpus de Luiz Inácio Lula da Silva, no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 04/04/2018 (Evaristo Sá/AFP)
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (10) o respeito à “dignidade da pessoa humana” no combate à corrupção e na punição de criminosos. Ao rebater as críticas sobre as condições da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gilmar apontou que há um “lado animalesco que está se manifestando em cada um de nós”.
“‘O ex-presidente Lula vai ter uma suíte, um banheiro…?’ Gente, onde que nós estamos com a cabeça? Aonde foi a nossa sensibilidade?”, questionou Gilmar, durante sessão em que foram julgados dois habeas corpus impetrados pela defesa do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB).
Sem citar diretamente nomes, o ministro afirmou que fica com vergonha das pessoas que criticaram as instalações físicas da cela do ex-presidente na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. “Eu tenho vergonha que pessoas alfabetizadas, que tiveram sempre três ou quatro alimentações durante a vida, se comportem dessa maneira. São pervertidos. Isso não é correto. É preciso denunciar, combater o crime, sim, punir, sim, mas em respeito à dignidade da pessoa humana”, frisou.
“Ah, ‘aborto é direitos humanos’. Isso é coisa (de direitos humanos). Ter um banheiro, uma privada (não seria de direitos humanos)… Onde é que nós estamos com a cabeça? Tem um lado animalesco que está se manifestando em cada um de nós, é um tipo de perversão”, prosseguiu o ministro.
Na semana passada, Gilmar votou a favor de o ex-presidente aguardar em liberdade até uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no caso do triplex do Guarujá, mas prevaleceu o entendimento de que Lula poderia ser preso após o esgotamento de seus recursos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que o condenou em segunda instância.

Ministro sem ‘vulnerabilidades’

Ex-advogado-geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso, de janeiro de 2000 a junho de 2002, Gilmar Mendes afirmou que passou por vários cargos e ressaltou sempre ter agido com correção. “Tanto é que, se eu tivesse vulnerabilidades, eu já teria sido atingido”, declarou.
“Na AGU, por exemplo, eu combati a ideia de férias em dobro. Por isso tem que acabar com férias em dobro de juízes e procuradores”, observou o ministro.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

E lá em Cabul, no Afganistão...

[...Naquilo que concordamos denominar "civilização" reside inegavelmente um princípio diabólico do qual o homem apenas se deu conta demasiado tarde, quando não era mais 
possível remediá-lo...] Cioran










terça-feira, 10 de abril de 2018

Enquanto isso, em Pompéia...


"De manhã bem cedo, quando o dia apenas desponta e tudo ainda é fresco, na aurora de nossa força - ler um livro nessa hora chega a ser simplesmente obsceno..."
F. Nietzsche


























segunda-feira, 9 de abril de 2018

Nossos camaradas... os cachorros...

[...Quando estiver na cama e ouvir o latido dos cães no campo, esconde-te sob as cobertas e não zombe daquilo que eles fazem, pois eles, como você, como eu e como todos os seres de cara pálida e alongada têm uma sede insaciável de infinito...]
Isadore Ducasse