"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sábado, 21 de julho de 2018

Meio homicídio, meio suicídio! Ou seria apenas mais uma questão de gênero? Vai um agrotóxico aí??? O silêncio e a passividade da turba também é um veneno...



[Levantar uma pedra para deixá-la cair sobre os próprios pés é um ditado com o qual descrevemos o comportamento de certos idiotas...] Mao Tsé Tung



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Agrotóxicos atingem, diretamente, a saúde de próstata, pênis e testículos






(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Em 1962, a ecóloga norte-americana Rachel Carson escreveu, na icônica obra Primavera silenciosa, que seria apontada como a fundadora do movimento ambientalista: “Se vamos viver tão intimamente com esses químicos — comendo-os e bebendo-os, levando-os para a medula de nossos ossos —, temos de entender algo sobre sua natureza e seu poder”. Ela se referia aos pesticidas que, à época, não levantavam suspeita entre a população e apenas começavam a atrair a desconfiança da comunidade científica.
As denúncias feitas por Carson receberam uma enxurrada de críticas da agroindústria, mas, na mesma proporção, atraíram a confiança dos leitores, que começaram a exigir mais clareza sobre os efeitos desses produtos na saúde humana. Um ano depois do lançamento do livro, um relatório do Comitê Científico da Presidência, ocupada por John F. Kennedy, apoiou o conteúdo da obra, uma tendência acompanhada por todo o mundo ocidental.
Passado mais de meio século, o Brasil é acusado por médicos e cientistas de retroceder, indo na direção contrária ao esclarecimento público, com a Câmara dos Deputados dando aval a uma proposta que, entre outras coisas, trocará o nome de agrotóxico por “defensivo fitonassanitário” e excluirá o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente do processo de registro desses produtos. No fim de junho, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 6299/2002, de autoria do ministro da agricultura, Blairo Maggi, que altera as regras de registro, fiscalização e controle dos agrotóxicos. O texto, sujeito à votação no Plenário da Casa, já foi apelidado de PL do veneno.
Entre as sociedades médicas que manifestam preocupação com o teor da proposta, está a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). Na semana passada, Fábio Trujilho, presidente da Sbem, e Elaine Frade, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da instituição, divulgaram nota sobre o projeto, tachado de “grande irresponsabilidade e descompromisso com a saúde da população”. Segundo a Sbem, cerca de 600 estudos científicos demonstraram o potencial dos agrotóxicos de interferir no sistema endócrino, principalmente no desenvolvimento do sistema reprodutivo, na fase intrauterina.
Antes da votação, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o Instituto Nacional de Câncer José Alencar (Inca) já haviam se posicionado: “Alertamos a sociedade brasileira para os efeitos potencialmente catastróficos da aprovação deste PL para a saúde pública”, afirmou a SPBC. “Tal modificação colocará em risco as populações — sejam elas de trabalhadores da agricultura, residentes em áreas rurais ou consumidores de água ou alimentos contaminados —, pois acarretará na possível liberação de agrotóxicos responsáveis por causar doenças crônicas extremamente graves e que revelem características mutagênicas e carcinogênicas”, advertiu o Inca.


Desreguladores

De forma geral, as pesquisas associam a toxicidade dos pesticidas a mutações que podem levar ao desenvolvimento de câncer, doenças degenerativas e distúrbios do neurodesenvolvimento. Na endocrinologia, especificamente, a preocupação é com uma função que muitos desses produtos têm: a de desreguladores endócrinos. Trata-se de um conceito recente, cunhado na década de 1990, quando a farmacêutica norte-americana Theo Colborn apresentou um estudo mostrando que certas substâncias químicas às quais as pessoas são expostas ao longo da vida agem no organismo enganando o sistema endócrino. Essas toxinas mimetizam ou anulam a função de importantes hormônios, ligando-se aos receptores responsáveis por detectá-los e reagir à presença deles.
Plástico com BPA, alguns medicamentos, cosméticos e artigos de higiene pessoal, revestimentos de latas, determinados tipos de papéis e retardadores de chama são alguns dos produtos que levam substâncias com essa função em sua composição. Ao menos nove classes de químicos usados no controle de pestes agrícolas são comprovadamente desreguladoras endócrinas (veja arte). Fetos, crianças e adolescentes são os mais vulneráveis aos efeitos adversos.
“Nesses casos, o raciocínio da toxicidade não tem aplicação. Doses mínimas dos desreguladores têm efeito máximo nos sistemas endócrinos”, observa Elaine Frade, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da Sbem. Ou seja, ainda que a quantidade do ativo seja tachada de “segura”, o organismo não interpretará da mesma forma, e as mais baixas concentrações de agrotóxicos com essa função têm potencial de mimetizar a ação dos hormônios.
Como seres humanos estão expostos a uma variedade muito grande de substâncias no meio em que vive, é difícil realizar estudos controlados para detectar a influência direta de um único composto na saúde. Contudo, pesquisas com animais criados em laboratório fazem essa associação. “Eles mostram conexão dos desreguladores com câncer, obesidade, doenças de tireoide e alterações no sistema reprodutivo, entre outros”, diz a médica.

“Medida tendenciosa”

Caso o PL 6299/2002 seja aprovado no Congresso e sancionado pela Presidência, o termo agrotóxico vai sumir dos rótulos, e será substituído por “produto fitossanitário de controle ambiental”. Trata-se de “clara intenção de passar a ideia de uma falsa inocuidade desses produtos para a população”, segundo posicionamento da Sbem. Além disso, não haverá mais a lista de produtos não agrícolas que contêm ingredientes ativos de agrotóxicos, como os inseticidas. O texto também tira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a atribuição de analisar e deliberar sobre o registro de agrotóxicos, passando a responsabilidade ao Ministério da Agricultura. Os produtos classificados como “risco aceitável” passam a ser permitidos e apenas os considerados de “risco inaceitável” ficarão permitidos. “Essa medida é absurda e tendenciosa”, afirma a Sbem.

 
No Brasil, há múltiplas vias de exposição 

Pós-doutor em ecotoxicologia, Cesar Koppe Grisolia publicou, em 2005, uma obra na qual discute a influência dos agrotóxicos em mutações genéticas que levam ao desenvolvimento do câncer. Passada mais uma década, o livro está mais atual do que nunca. De lá para cá, mais pesquisas confirmaram essa associação. Enquanto isso, na contramão da maioria dos países, o Brasil ainda permite a comercialização de alguns dos pesticidas apontados pela ciência como potencialmente cancerígenos, como os organoclorados. Em entrevista ao Correio, Koppe demonstra preocupação com a fiscalização falha da lei dos agrotóxicos e critica a aprovação recente do PL 6.299/2002. “Esse novo projeto de lei facilita a ação de lobistas e as pressões da indústria”, diz.

 
O senhor publicou o livro Agrotóxicos: mutações, câncer & reprodução em 2005. Desde então, se consolidou ainda mais a evidência sobre os impactos negativos desses produtos nos genes?

Sim, a cada ano, aumenta na literatura científica o número de publicações mostrando os efeitos nocivos dos agrotóxicos sobre o material genético de diferentes espécies, inclusive o homem. Além dos efeitos cancerígenos e causadores de malformações congênitas. Há estudos epidemiológicos mostrando a correlação entre exposição aos agrotóxicos e o aumento de mutações no DNA que levam ao câncer. Esses dados estão mais detalhados no nosso livro.

Além dos trabalhadores que aplicam os agrotóxicos no campo, as mutações cancerígenas e o risco de infertilidade podem ocorrer em consumidores desses produtos?

Sim, porque hoje no Brasil o cenário é de múltiplas vias de exposição, como os níveis excessivos de resíduos nos alimentos, as contaminações das águas que bebemos, e do ar que respiramos. Assim, mesmo que em concentrações baixas, somando-se as diversas vias de exposição, o resultado final representa níveis significativos de exposição na população em geral. Os riscos a saúde são diretamente proporcionais à intensidade de exposição e, no Brasil, o grande aumento no uso desses venenos elevaram os riscos de causar mutações no DNA, de câncer e de infertilidade.


Dos pesticidas existentes no mercado brasileiro, quais têm maiores potenciais de impactar negativamente a saúde?

São muitos os agrotóxicos com risco de câncer registrados no Brasil. Ainda permitimos o registro e comércio de agrotóxicos organoclorados. Apesar de proibirmos os mais famosos, como o DDT e o BHC, somente depois de banidos no mundo todo, ainda pulverizamos organoclorados como endosulfan, que causa efeitos nocivos sobre a reprodução das espécies. O herbicida clorado 2,4-Diclorofenoxiacético causa linfomas, foi usado como um dos componentes do Agente Laranja na Guerra do Vietnã. Os soldados americanos que lutaram no Vietnã foram expostos e desenvolveram linfomas. A população vietnamita desenvolveu câncer e diferentes malformações, pois os resíduos desse herbicida no ambiente são muito persistentes.


No Brasil, a fiscalização é rigorosa o suficiente para garantir que os alimentos contenham apenas as quantidades de agrotóxicos estabelecidas como seguras?

A lei dos agrotóxicos (7.802) ainda é bastante atual e semelhante às legislações de países de primeiro mundo. O nosso problema não está na lei, mas, sim, na fiscalização. As pulverizações aéreas irregulares, desvios de uso de indicação de cultura, descartes irregulares de embalagens contaminadas no campo, contrabando de agrotóxicos proibidos e aplicações acima das doses recomendadas são exemplos da gravidade do problema. A grande extensão territorial e o contraste entre as regiões dificultam uma fiscalização mais eficiente. Além disso, a estrutura de fiscalização e de recursos humanos está muito aquém da nossa realidade de extensão territorial.


O senhor acredita que a aprovação do projeto de Lei 6.299/2002 pode ter impacto direto sobre a saúde do consumidor e do trabalhador rural?

Com certeza esse novo projeto de lei vai trazer muito mais prejuízos à sociedade. Devido à complexidade do registro de agrotóxicos, não pode ficar centralizado em um único órgão. A avaliação dos perigos dos agrotóxicos sobre a saúde humana é dever legal do Ministério da Saúde, por meio da Anvisa. Assim como os riscos ao ambiente, que é de competência do Ministério do Meio Ambiente, por meio do Ibama. O mercado de agrotóxicos no Brasil movimenta bilhões de dólares por ano, e é público e notório que o Estado Brasileiro é corrupto. Esse novo projeto de lei facilita a ação de lobistas e as pressões da indústria, além de flexibilizar o uso de agrotóxicos, que na lei atual deveriam ser restringidos ou mesmo proibidos.  (Correio Braziliense)

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Enquanto isso...

Dente por dente, olho por olho... (Até que o mundo fique mais banguela e mais caolho...)

Conselho de um xamã africano: 
[ Só fale mal dos crocodilos depois de atravessar o rio...]


Multidão enfurecida massacra 300 crocodilos na Indonésia

Sorong, Indonésia - Uma multidão enfurecida massacrou cerca de 300 crocodilos em um criadouro de Sorong, na Indonésia, depois que um dos répteis matou um homem.
O fato ocorreu no sábado, depois do enterro da vítima, um homem de 48 anos que entrou acidentalmente na área de criação em busca de capim para suas vacas, segundo informaram as autoridades de proteção animal.
Um dos crocodilos mordeu sua perna e outro o feriu mortalmente com um golpe de cauda na cabeça. 
Membros da família do falecido e outros habitantes da localidade de Sorong, cidade portuária com pouco mais de 200 mil habitantes, reclamaram com a polícia sobre a presença do criadouro em uma área tão residencial.
A polícia informou que o dono da criação estava disposto a indenizar a família da vítima, mas centenas de vizinhos enfurecidos invadiram o local armados com facas e machados.
Eles mataram 292 crocodilos, em sua maiora filhotes, e também adultos que mediam dois metros de extensão, ou seja, a quase totalidade dos répteis que se encontravam no criadouro.
A polícia não conseguiu deter o ataque. (Correio Braziliense)

quinta-feira, 19 de julho de 2018

O mendigo K e a vara de Aarão...

"As religiões são basicamente superstição organizada. Apoiam-se não na razão, e sim na ignorância e nas emoções - em particular nas paixões da esperança e do medo..."
Baruch Spinosa
(In: Tratado teológico-político)

Fantasiado de branco, o mendigo K estava sentado num meio fio no interior da rodoviária. 
Parecia Zen e sem incomodar-se para nada com a fumaceira que saía do escapamento da frota sucateada de ônibus.
Dizia a um outro mendigo em absoluta indigência: Desde criança tenho um interesse especial por magias e feitiçarias. Ainda criança, depois de ir a um circo, fui tomado por este fascínio. Tapetes voadores, milagres, encantadores de cobras, ressurreição dos mortos, curas, os mirabolantes cenários que os bêbados conhecem em seus delírios, tudo isso é deslumbrante... E as bibliotecárias são testemunhas de que eram as prateleiras que continham obras sobre esse assunto que mais me atraiam. A idéia de transformar água em absinto ou a dos alquimistas de transformar pedra em ouro me pareciam o máximo, e não por avareza, mas por luxúria. A capacidade de um palhaço tirar um coelho da cartola me transportava para fora deste mundo e alterou minha vida para sempre. O Circo Garcia fez por minha auto-estima, por meu amor próprio e por minha educação mais do que todos os livros sagrados e do que todas as universidades juntas... E não pense que isto foi um capricho apenas de minha infância, não, até hoje isto me fascina! Quando escasseia o material que disponho sobre a temática, costumo recorrer, sabe a quê? À Biblia. Sim, à Bíblia. De ponta a ponta! Desde a primeira linha do Gênesis até a última do Apocalipse há anedotas e fábulas repletas de magia e de feitiçaria. Aquela de Moisés abrindo um caminho entre as águas do Mar Vermelho, por exemplo, me parecia o máximo. E aquela do sol parando no espaço para dar mais tempo para Josué massacrar os inimigos de Israel.., esta me tirava o sono......  Mas, a mais eloquente e fascinante daqueles tempos e até hoje é a conhecida por Vara de Aarão. Lembra? 
Como o outro mendigo parecia ter entrado em estado cataléptico ele repetiu a pergunta três vezes: Lembra? Lembra? Lembra da vara de Aaron? Como saído de um sono profundo o mendigo retrucou-lhe com enfado: Não cara! Não lembro porra nenhuma, muito menos da vara de Aarão! Meu tipo de literatura fantástica é outro! Leio Borges e Edgar Allan Poe!!!
Aarão estava numa reunião com o faraó de plantão - o Mendigo K foi contando como uma tia que conta uma história infantil a uma criança - para negociar uma saída pacífica dos judeus do Egito. Em determinado momento, não se sabe porque Aarão se estressou e jogou sua vara (bastão) aos pés do soberano egípcio e esta se transformou imediatamente numa serpente. O faraó não se intimidou, pelo contrário, mandou chamar seus guarda-costas e seus feiticeiros que ao chegarem ao local da reunião também jogaram suas varas ao chão e elas, como a de Aarão também se transformaram em víboras...
Fez um breve silêncio e perguntou: Isto não é o máximo da porra-louquice???
Para em seguida concluir: Mas tem mais. A vara de Aaron transformada numa serpente, devorou todas as serpentes originadas nas varas dos feiticeiros do faraó... 
Isto não é o máximo do charlatanismo e o climax de uma piração geral??? Um retrato de nossa indigência metafísica? 
Como e onde encontrar saco e paciência para suportar essa mixórdia mental???
Explodiu numa gargalhada e entrou clandestinamente no primeiro ônibus que partia.




quarta-feira, 18 de julho de 2018

Fiandeiras, Doré, Velásquez, Spinosa, Lampião e a prisão feminina de Amsterdam...

Gustave Doré
Quem já passou um ou dois dias vagando pelos salões do Museu do Prado deve ter se deparado involuntariamente com a obra abaixo, assinada por um sujeito conhecido por Velásquez e com o título: as fiandeiras. Da mesma maneira, quem já circulou pelos sertões brasileiros, ao enfiar de forma impertinente a cabeça em uma ou outra janela daqueles cortiços à beira do São Francisco, deu de cara com um grupo de mulheres (praticamente só mulheres), de cócoras, inspiradas pelas aranhas, não fiando, mas tecendo. 
Na Amsterdam de Spinosa, lá por 1660, época em que o jovem Baruch escreveu sua obra mais incendiária: O tractatus theológico-politicus (quem ainda não a leu não sabe nada de nada) obra que lhe valeu a excomunhão pela comunidade judaica de então, naquela Amsterdam, não muito distante de onde hoje pequenos burgueses e velhos voyeurs vão sistematicamente em grupos ou sozinhos espreitar as vitrines de um renomado puteiro, havia uma prisão feminina conhecida por Spinhuis, que queria dizer Casa de Fiação. Nela eram trancafiadas as mulheres que haviam cometido algum delito ou alguma transgressão porque, se acreditava, "que fiar lã tinha um efeito restaurativo sobre a índole feminina" (para não pensarem que estou inventando, vejam a página 61 do livro de Stefen Nadler: Um livro forjado no inferno
Sem demasiado lero-lero masturbatório e intelectual, acredito que  não foi por acaso e nem por inocência que Diego Velásquez, nascido na carola e reacionária Sevilha de 1660, produziu naquele momento sua obra principal (as fiandeiras) e que também não era por acaso que os cangaceiros de Lampião, bem depois, gostavam tanto de ver suas companheiras, mesmo enfezadas, com uma tesoura e uma garrucha de dois canos engatilhada ao alcance da mão, agachadas, cantarolando e tecendo... cantarolando e tecendo... tecendo e lutando em vão para 'restaurar ou alterar a índole'...



 Diego Velásquez As fiandeiras



segunda-feira, 16 de julho de 2018

Cinematograficamente a idéia é tentadora.., mas, o quê pensarão de nossa espécie as serpentes e os demônios do deserto..?

"A parte IV do Leviatã, de Hobbes, intitulada 'Do reino das trevas', não trata do domínio de Lúcifer no outro mundo, mas do reino dos clérigos nesta vida..." 

IN: Um livro forjado no inferno, páginas 51, 52, Steven Nadler

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Argélia expulsa 391 migrantes para o meio do deserto


ONGs classificam tratamento como "desumano"; imigrantes são obrigados a atravessar a fronteira de deserto com o Níger a pé, com pouca água ou alimentos

Por EFE
access_time 15 jul 2018, 17h27 

Migrantes são vistos nos arredores da cidade argelina de Tamanrasset (Aidan Lewis/AP)
Argélia expulsou 391 imigrantes através da fronteira sul do país e as enviou ao deserto de Níger. Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), as condições dessas pessoas era “precária”.
Segundo o órgão, os expulsos, nascidos em países da África subsaariana, foram detidos pelas autoridades argelinas em diferentes cidades do país e levados para a fronteira sul. “Todos chegaram na sexta-feira à cidade de Amssaka após atravessar o deserto. A maioria deles trabalhava na Argélia de maneira irregular”, diz comunicado emitido pela entidade afiliada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Os imigrantes foram detidos e levados em caminhões até In-Guezzam, uma passagem na fronteira. Ali, eram obrigados a atravessá-la a pé com muito pouca água e alimentos. Segundo o comunicado, há várias crianças e mulheres grávidas entre os expulsos.
A notícia da nova deportação, que não foi confirmada nem desmentida pelas autoridades argelinas, coincidiu com a sexta reunião do Comitê Bilateral entre Argélia e Níger. O encontro visa discutir exatamente assuntos da fronteira entre os dois países. O ministro do Interior da Argélia, Noureddin Bedoui, disse antes da reunião que o país não aceitará a abertura de centros de detenção transitórios propostos por diferentes governos europeus e que lutará contra a imigração com suas próprias políticas. Por outro lado, o governo de Níger abriu um escritório para colaborar com a OIM em um programa de gestão voluntária de repatriação de imigrantes da África subsaariana.
Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, classificaram como “desumano” o tratamento que o governo argelino dá a milhares de homens, mulheres e crianças imigrantes. “Desde janeiro, a Argélia expulsou milhares de homens, mulheres e crianças para Níger e Mali em condições desumanas. E, em muitos casos, sem considerar seu status legal na Argélia ou o grau de vulnerabilidade individual”, disse a HRW em comunicado.
A organização pediu que o governo da Argélia pare de expulsar pessoas de forma arbitrária e sumária, sugerindo a criação de um sistema de alocação equitativa e legal para os imigrantes no país. Em um relatório apresentado em fevereiro, a Anistia Internacional ressaltou que mais de 6,5 mil imigrantes procedentes da África subsaariana foram vítimas de prisões arbitrárias e expulsões forçadasno ano passado. Bedoui reconheceu em maio que o país expulsou 27 mil imigrantes nos últimos três anos, mas afirmou que todos tiveram seus direitos humanos respeitados pelo governo. (Revista VEJA)

domingo, 15 de julho de 2018

Quem é que não se apaixonou pela Presidente da Croácia?

Quem é que não se apaixonou pela presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic?, ao vê-la no encerramento da Copa, simpática, sensual e afetuosa em baixo de chuva,  abraçando a quem quer que cruzasse em sua frente e sempre atenta com o comprimento de sua camisa  para que a chuva, em sua calça branca, não lhe acentuasse demasiadamente o monte de vênus?
 Já, a comemoração da vitória dos franceses, um dia depois de Paris festejar os 229 anos da Queda da Bastille, foi mais um surto infanto-juvenil do que, digamos, um acerto de contas entre  mafiosos...
Enfim, agora que o circo e que a máquina de manipular emoções acabou e que a plebe terá que retornar imediatamente aos gulags íntimos (se não quiser morrer de tédio e de fome), voltando a falar do charme da senhora kolinda, penso que se até mesmo o carola e iluminista Voltaire conseguisse sair lá do Phantéon para vê-la, seguramente voltaria a resmungar: "É mais claro do que o sol, que Deus criou a mulher para domar o homem..." 

Enquanto isso... lá pelos lados da Mongolia...

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Croácia X França? Que tal Croácia X Sérvia?

[... Per la prima volta nella storia dell'umanità, a intervalli regolari e a orari fissi, milioni di individui si sistemano davanti al loro televisore domestico per assistere alla celebrazione dello stesso rituale...]
 Marc Augé


O mendigo K, em visível estado maníaco, vinha a pé, ziguezaguendo pelo acostamento do aeroporto com uma bandeira incolor nas mãos e falando em voz alta, quase gritando, com um interlocutor imaginário: 
Croácia e França?  
Futebol é uma religião! 
Uma neurose obsessiva! 
Uma idiotice! 
Um atestado melancólico de cretinismo planetário!
E a Itália?, que vai pagar 10 milhões por mês àquele jogador lusitano? 
10 milhões! 
Para quê? Para, uma vez cada quinze dias, correr 45 minutos atrás de uma bola feita de couro de vaca. A propósito: o que  devem pensar disso as vacas???
E o papa?, que amanhã aparecerá na janela de sempre para falar em misericórdia, compaixão, graça, benevolência, fé, equidade e outras baboseiras e que depois vai distribuir bençãos aos milionários e  sopas nos albergos???... 
E os Zé Manés? que, mesmo numa penúria desgraçada caem de joelhos (e mesmo de quatro) diante desses cretinos???
O que os impede de desconstruir essa farsa para sempre e de investir essa fortuna nas áreas suburbanas de Roma, de Nápoles, do mundo??? Onde multidões e rebanhos não têm nem papel para limpar-se o cu???... 
Croácia e França?
Gostaria mesmo é de ver Croácia e Sérvia em campo... e mais, com o  monsieur Slobodan Milosevic como juiz... 
A manhã estava radiante, um bando de papagaios atravessava a pista em direção ao zoológico no exato momento em que um carro dos bombeiros parava para dar-lhe amparo...
Em síntese, como diria ainda o defunto Campos de Carvalho: "Que a humanidade fracassou, basta abrir os jornais do dia. Só na seção necrológica ainda se encontra um pouco de paz. Mas, pensando bem, até que não houve fracasso nenhum: o Homem foi feito à imagem e semelhança de Deus..."

Enquanto isso...

Campos de Carvalho e a bicicleta...

"A bicicleta é um boi volátil cujo epicentro se situa sob o esfincter anal do pedalante."





"Seus caracteres principais são um caráter dúctil e amoldável, o repentino trintinar nas curvas e, para os mais aficcionados, uma ânsia de levitação que os leva às vezes à mesa dos hospitais com fratura exposta. É imponderável como o vento e, à noite, sua carcaça onírica assume feições puramente maquiavélicas - o que a torna um animal ideal para longos voos rumo ao infinito. Seu número de ordem é 6.666, e o apito do guarda o mais que consegue é fazê-la rir com os seus raios concêntricos e sua luz opalescente, tão diversos da mastodontice de um Rolls-Royce e sua fera covardia.
A bicicleta não se submete a nenhuma dieta macrobiótica e sua armadura esguia só não lembra mais o Dom Quixote porque é o próprio, a lança em riste representada pelo olho do pedalador ou seu pênis: léguas e léguas de caminho virgem a estuprar, o espadanar do sol sobre a viseira erguida, o desafio da lua a seguir-lhe os rastros, o deslumbre das estrelas..." 
Página108, Cartas de viagem e outras crônicas, José Olympio Editora, 2012.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Outro texto de Campos de Carvalho...


[... Comprei logo um televisor a cores, último modelo, para pelo menos ter todo o Universo dentro de casa e imbecilizar-me de uma vez...] página 119

"O óbvio deixo-o para os que se deliciam com pão e queijo - e, em seus arroubos, com pão de queijo: os excessivos. Com os seus cinemas e televisores eles se darão por civilizados e o são realmente: o cuco dos seus relógios lhes lembrará a cada meia hora que a vida é breve como o sopro de um asmático ou mesmo de uma corneta, e à custa de vitaminas eles vão levando esse arremedo de vida até a meia-noite, quando apagam a luz e continuam dormindo. Comportam-se como um dique com sua comporta, exemplares em tudo e até como defuntos (a força do hábito) e seus conceitos ou preconceitos colecionam-nos como borboletas pregadas em caixas de vidro tal qual nos museus.
Os amadores do óbvio!
De posse de minha cornamusa inflarei os pulmões e expelirei bufando - eu, bufo - todo o meu sarcasmo de anos e anos de expectativa e angústia; diante de mim a imagem viva daquele Pássaro morto, tocado de mistério e ao mesmo tempo motivo de júbilo, de "Ahs!"e "Ohs!"como um sol noturno" página 101.



O que Cuba continua pensando do Brasil e da América Latina...




El jueves 5 de abril del 2018 el juez Sergio Moro redactó la orden de detención del ex mandatario Luiz Inácio Lula da Silva. El Tribunal Superior rechazó un habeas corpus presentado por su defensa con el propósito de evitar la orden de detención emitida por el juez.
Lula fue condenado sobre la base de rumores, sin pruebas, tras un proceso judicial anómalo, cargado de parcialidad. El pronunciamiento judicial y la orden de detención contra Lula, constituyen una clara proscripción política de un candidato popular.
Como si no bastara, el jefe del ejército amenazó a los jueces del Tribunal Superior con un golpe de Estado clásico, en el caso de que Lula quedara libre.
Durante el siglo XX, se dieron golpes «militares» en América Latina cada vez que la oligarquía al servicio de los monopolios extranjeros y el Gobierno de EE. UU., estimaban que podían estar en peligro sus enormes privilegios y riquezas, el siglo XXI contempla los golpes «cívicos» –parlamentarios o judiciales– (aunque con amenazas latentes de intervención militar) cada vez que esos privilegios son amenazados o restringidos por la acción de gobiernos o líderes populares progresistas.
El encarcelamiento de Lula constituyó el segundo paso del golpe que comenzó con el impeachment a la expresidenta Dilma Rousseff, en el 2016.
El imperio estadounidense, sus aliados, cómplices y servidores necesitan impedir a toda costa el regreso de Lula al poder, para alejar a Brasil del grupo Brics, profundizar la reforma laboral, terminar con la reforma jubilatoria; liquidar a la petrolera estatal Petrobras, privatizar bancos y servicios, acabar con las políticas públicas que beneficiaron a millones de brasileños y profundizar el control de las inmensas riquezas del país.
Liquidar la resistencia y someterla a la dominación del gran capital en el continente, a través del enjuiciamiento y encarcelamiento de las figuras más prominentes de la izquierda u otras acciones elegidas según las características del país, como podemos apreciar en Nicaragua y Venezuela, donde se aplica la llamada guerra no violenta, es la agenda sobre América Latina y el Caribe.
Lula fue, junto a Fidel, Chávez, Correa, Evo y Kirchner, uno de los principales arquitectos de la integración regional, labor de la cual surgió la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (Celac) y se amplió el Mercado Común del Sur (Mercosur); por tanto, detener este proceso, balcanizar la región, regresar a la época del control absoluto del continente bajo la sombra del águila calva, es parte fundamental del plan imperial.
Un elemento común a tener en cuenta en estos golpes «cívicos», sean suaves o preventivos, parlamentarios o judiciales, es el papel que desempeñan los grandes medios de comunicación, verdaderos partidos golpistas de la derecha. La red O Globo desempeñó un importante papel en la destitución de Dilma Rousseff y en la criminalización, persecución judicial y arresto de Lula da Silva. O Globo es señalada, no sin razón, como la promotora mediática del golpe, la articuladora de las fuerzas de derecha.
Recordemos que durante el gobierno de Salvador Allende, los medios masivos de comunicación desempeñaron un papel fundamental en la campaña de descrédito del Gobierno de la Unidad Popular. Prensa, radio y televisión apoyaron abierta y directamente a la derecha fascista, antes, durante y después del golpe.
El diario chileno, El Mercurio, se colocó al servicio de la Agencia Central de Inteligencia (CIA), previo pago de una cuantiosa cantidad de dólares. Como ocurre hoy en Venezuela con los medios privados, los chilenos cada día despertaban con titulares como: «Crece alarma por desabastecimiento»,
«Inseguridad en las calles», «Aumenta el racionamiento y el hambre». Súmese ahora a la acción de los grandes medios, el uso de las redes sociales articuladas por la derecha continental en un frente común.
Las corporaciones mediáticas «bombardean» a los países víctimas de los golpes o futuras víctimas, con noticias falsas –en Brasil se fabricaron noticias sobre supuestos casos de corrupción relacionados con el partido gobernante– similar a lo que se realiza hoy contra el expresidente ecuatoriano Rafael
Correa y parte del gobierno que lo acompañó.
En tal sentido, la jueza Daniela Camacho emitió, en días pasados, una orden de detención preventiva contra Correa. El expresidente es acusado, del presunto secuestro del exasambleísta Fernando Balda, a pesar de que el abogado del exmandatario, Caupolicán Ochoa, calificó las acusaciones de secuestro y la orden de detención como una persecución política y el propio Correa definió la acción como un complot para encarcelarlo.
Si a todo esto sumamos la reciente visita del vicepresidente de Estados Unidos, Mike Pence, en su viaje de cuatro días por América Latina, donde se reunió con los presidentes de Brasil, Michel Temer, y de Ecuador, Lenín Moreno, valdría la pena preguntarse: ¿Es este un nuevo intento para articular acciones contra Venezuela, nación frente a la que se han estrellado todas las variantes de golpes, incluso las que en otros países han funcionado?
En el siglo XX fueron los generales, ahora pretenden imponerse los doctores de la mal llamada «justicia» con la que juegan a su antojo constantemente.
Lo cierto es que nada tiene que ofrecer de nuevo la derecha latinoamericana, su agenda es la misma y es simple, sus políticas son claras, su subordinación al imperio es mayor, son más dependientes que hace 15 o 20 años.
La verdad se abre espacio en medio de la niebla y la confusión, y a pesar del Brasil que tanto nos duele, la historia ha demostrado que no se puede engañar a todo el pueblo, todo el tiempo.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Um texto de Campos de Carvalho... Ou: a morte de um louco

"Quando morre, o louco procede exatamente como um  morto - o que não deixa de ser surpreendente.
Vejam-lhe as narinas há pouco arfantes e agora dois abismos dando para o nada, frias cavernas em que não me arrisco e mesmo fujo de espiar, tocado por esse hálito mefítico que vem de suas profundezas. O seu grito parou nessa calmaria suspeita que é o seu rosto da família, meireles, braga, bragança, álvares de albuquerque, na verdade o inominado e inominável, os olhos de espanto enfim fechados para a realidade que nunca aceitou e na qual só via pássaros e pássaros. O que eram suas mãos terríveis agora ali dorme tocado pelo vento da eternidade, que nada tem a ver com a brisa que lhe move os cabelos e lhe aviva por instante os cílios e as pálpebras: são essas mãos crispadas na sua imobilidade tudo o que resta do absurdo ser permanentemente à espreita na sombra, dentro do seu sol negro. E As flores, tantas e tamanhas, cobrindo o que ainda possa porventura lembrar a loucura do morto, como se a família não acreditasse na morte da loucura e temesse, como seria justo, que o rebelde mais uma vez se rebelasse e se pusesse de novo a rir de si mesmo e dos outros.
Quando morreu o filho do coletor eu fui curioso espiar a sua morte, apalpar disfarçadamente a calma e a languidez de quem não tinha nunca tido um instante de repouso e vivia a medir a cidade com seus passos intérminos e sem rumo. Eram apenas um rosto e um par de mãos como os de qualquer morto sem maior importância, ali jogados sem o seu misterioso jogo de molas e cordas, em tudo semelhante ao sono de um burocrata em paz com a sua burocracia. A mandíbula quieta era bem o retrato do seu imperturbável silêncio (jamais ninguém lhe ouvira voz nenhuma) - mas dentre aquelas rosas emergiam uns pés e uns dedos que, não sei se por autosugestão minha, pareciam ali perplexos e perdidos no ar, sem se darem conta ainda da extrema gravidade daquele instante eterno..." 
(Ver: Cartas de viagem e outras crônicas, páginas 70,71, José Olympio EDITORA)

sexta-feira, 6 de julho de 2018

É o cão...

Mesmo que você não tenha lá grandes habilidades no campo da subjetividade, não lhe parece o Máximo da Porra Louquice esse cão negro (aqui da periferia de Brasília) ter o nome de um deus pagão dos germânicos (Thor), levar ao pescoço um crucifixo e ter sido assassinado por um policial???


quarta-feira, 4 de julho de 2018

A MENINA que todas quartas-feiras me servia um expresso com umas lascas de chocolate, virou MENINO...

...Veio servir-me já com outra coreografia e já com um olhar quase infanto-juvenil, como se quisesse ameaçar-me: Tente olhar agora para um palmo abaixo de meu umbigo! 
Fiquei momentaneamente confuso. Suas  mãos tinham ainda a ansiedade e a delicadeza das de uma menina de 20 e poucos anos, os anéis estavam nos mesmos dedos, as tetas desapareceram, a voz já estava um pouco mais grave, suas colegas pareciam observá-la de longe para ver o resultado e a confusão da metamorfose sobre os clientes... 
A primeira coisa que pensei foi: o que diria minha pobre bisavó lá entre as montanhas de Fonzaso? 
O café e os pedaços de chocolate me desceram atravessados. 
Uma voz me alertava: Se liga, Bazzo!, é a pós modernidade! Só os reacionários pensam que isto é uma indicação de dismorfofobia!.. Se liga!, isto é, antes de tudo um problema filosófico, e sério! 
Para Camus, todo mundo sabe, o suicídio era o ÚNICO problema filosófico sério... 
Se ainda estivesse vivo, talvez admitisse que Ser uma coisa e querer Ser outra, é de uma seriedade e de uma gravidade análoga...  
(A pintura acima é de Michael Triegel)


terça-feira, 3 de julho de 2018

Decadência! A Argentina que já foi de Borges e de Arlt, reduziu-se a Messi e a Maradona... Quê miséria!

["Ubi bene, ibi patria": Onde se está bem, aí é a pátria, diz o nosso profundo indiferentismo...]
Paulo Prado, 1928

Entre todos os espetáculos melancólicos que esta COPA DO MUNDO tem nos proporcionado, o da Argentina causou em mim e em meu cachorro um espanto ainda maior. Me refiro às imagens daqueles bandos de cretinos uniformizados que, durante os jogos lá na Russia, apareciam na Avenida Corrientes, na Calle Florida ou em Frente à Casa Rosada de Buenos Aires gritando e se esgoelando por Messi e por outros jogadores com Maradona sempre mostrado nas arquibancadas... Posso estar exagerando, mas me parecia inacreditável! 
Onde foi parar a Argentina dos anos 70/80? Com suas centenas de livrarias? Com seus trens sempre lotados de estudantes, alpinistas, músicos, escritores, mochileiros? Peronistas? Montoneros e psicanalistas? O que fizeram com a obra de Borges? De Piazolla? de Marie Langer? E de Arlt? 
Claro que tanto os porões macabros da ditadura militar como a surra que levaram da monarquia inglesa lá nas Malvinas deve tê-los afetado.., mas a este ponto?

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DO MENDIGO K - Da viadagem futebolística planetária e da transiberiana...

Lá pelas 12:30 desta segunda-feira encontrei o mendigo K furioso em frente a um PET fechado e com uma imensa bandeira do Brasil estendida sobre a porta. Estava indignado porque seu cachorro já estava há dois dias comendo só cenouras e peito de frango, uma vez que, por causa dos jogos da COPA, não conseguia comprar sua comida... 
Como sabe que ninguém aguenta mais ouvir criticas sobre essa futebolística viadagem planetária, foi sintético: E as estradas de ferro? Desde que nasci ouço dizer que se construirá estradas de ferro que irão do Ceará à Foz do Iguaçú... E nada! Absolutamente nada. Inclusive as que já havia no século de meu nascimento foram abandonadas e apodreceram...
Nestas duas semanas de histeria coletiva - seguiu falando com ênfase - de infantilismos doentios e de estupidez, só com os "torcedores" que não foram ao trabalho e que ficaram gritando por aí como uns idiotas,  se poderia ter construído uns vinte ou trinta quilômetros de ferrovias... Colocado em circulação trens luxuosos, com viagens noturnas regadas a vinho e a roquefort, subindo e descendo montanhas, beirando rios, esgotos e semi-desertos, atravessando túneis, canaviais e cafezais, fazendas, pântanos, favelas, cidades... Uma singela inspiração na Transiberiana, aquela construída em parte por prisioneiros dos Gulags,  que sai de Moscou, atravessa a Sibéria, chegando a Vladivostok, à fronteira com a China e ao mar do Japão!!! 
Sabe o que é isso? 
Quem é que, mesmo neste limbo de mediocridades, de chuteiras, de bobalhões, de mentalidades subalternas, de nádegas, de canelas e de virilhas suadas, se atreve a morrer (cair fora deste circo) sem antes der feito a Transiberiana??? Fez uma pequena pausa e antes que eu me retirasse concluiu: Desculpe a minha insistência com este tema. É que tenho consciência de onde vieram nossos DNAS e que, como já havia diagnosticado o padreco Antonio Vieira: "a gente destas terras é a mais bruta, a mais ingrata, a mais inconstante, a mais avessa, a mais trabalhosa de ensinar de quantas há no mundo..." 





Assim falou a anarquista russa EMMA GOLDMAN... (1869-1940)

(EMMA GOLDMAN) A TRAGÉDIA DA EMANCIPAÇÃO DA MULHER


Capturar
A paz ou a harmonia entre os sexos e os indivíduos não depende necessariamente duma superficial igualdade entre os seres humanos, nem tampouco supõe a eliminação dos traços e peculiaridades individuais. O problema a que temos que fazer frente na actualidade, e que se resolverá num futuro não muito distante, é como ser igual a si própria e ao mesmo tempo manter-se unida aos outros, sentirmo-nos profundamente ligadas com todos os seres humanos e, ainda assim, mantermos as nossas características pessoais. Parece-me que essa será a base sobre a qual a massa e o indivíduo, a verdadeira democracia e a verdadeira individualidade, o homem e a mulher se podem unir sem antagonismos ou resistência.
Que independência pode alcançar a grande massa de raparigas e mulheres trabalhadoras se a falta e a ausência de liberdade em casa for substituída pela falta e ausência de liberdade na fábrica, na oficina, nos armazéns ou nos escritórios? A juntar a isto há o peso que muitas mulheres são obrigadas a suportar quando tratam do seu “lar, doce lar” – frio, monótono, pouco atractivo – depois de um duro dia de trabalho. Gloriosa independência. Não  nos surpreende que centenas de raparigas estejam desejosas de aceitarem a primeira oferta de casamento, fartas e cansadas da sua “independência” atrás do balcão ou das máquinas de coser ou de escrever. Estão tão predispostas a casarem como estão as raparigas da classe média, que anseiam libertar-se do jugo da supremacia dos pais. A denominada independência,  que apenas conduz a que se receba a simples subsistência, não é tão atractiva nem tão ideal que se possa esperar que a mulher sacrifique tudo por ela. A nossa tão gabada independência é, no fim de contas, um lento processo para debilitar e atrofiar a natureza feminina, o seu instinto amoroso e maternal.
É certo que o movimento pelos direitos da mulher quebrou muitas cadeias, mas também forjou novas. O grande movimento pela verdadeira emancipação ainda não encontrou o tipo de mulher que olhará de frente a liberdade. O seu limitado e puritano posicionamento afasta o homem, como sendo um elemento perturbador e de carácter incerto, da sua vida emocional.
Segundo ele, o homem não deveria ser tolerado, em nenhuma circunstância, a menos, talvez, como procriador de uma criança,  já que não se podem ter filhos sem pai. Felizmente o mais rígido puritanismo nunca será suficientemente forte para matar o inato instinto de maternidade. A liberdade feminina está estreitamente ligada à liberdade masculina, e muitas das denominadas “irmãs emancipadas” parecem esquecer o facto de que um filho nascido em liberdade necessita do amor e da devoção de todos os seres humanos que estejam à sua volta, sejam homens ou mulheres. Infelizmente é essa concepção limitada das relações humanas que tem originado, na actualidade, a grande separação entre os homens e as mulheres.
Tem sido demonstrado, inúmeras vezes e de maneira concludente, que a antiga relação matrimonial reserva para as mulheres apenas um papel de criada do homem e geradora dos seus filhos. E, apesar disso, encontramos muitas mulheres emancipadas que preferem o casamento, com todas as suas deficiências, às limitações da vida de solteira: limitada e insuportável devido às regras da moral e aos preconceitos sociais que impedem e restringem a sua natureza.
A explicação para tais contradições, por parte de muitas mulheres que se dizem livres,  está no facto de que elas nunca entenderam realmente o que quer dizer emancipação.
Elas pensavam que o que precisavam era de se libertarem dos tiranos externos; os tiranos internos, muito mais perigosos para a sua existência  e desenvolvimento – os convencionalismo éticos e sociais – ficaram de fora e agora têm ainda mais relevo. Persistem nas cabeças e nos corações das mais activas defensoras da emancipação feminina, do mesmo modo que anteriormente estavam nas cabeças e nos corações das suas avós. Estes tiranos internos, seja na forma de opinião pública ou do que dirá a mãe, o irmão, o tio ou qualquer outro parente; o que dirá a senhora Grundy ou o senhor Comstock, o patrão, o Conselho Educativo; o que dirão todos esses intrometidos, detectives morais, carcereiros do espírito humano?
Até que a mulher aprenda a enfrentá-los, mantendo com firmeza as suas convicções, defendendo sem restrições a sua liberdade, escutando a voz da sua própria natureza, ou chamando-a o grande tesouro da vida, amando um homem, ou o seu mais glorioso privilégio que é o direito de dar à luz um filho, não poderá dizer de si própria que está emancipada. Quantas mulheres emancipadas foram suficientemente sábias para reconhecerem que a voz do amor as chamava e as atingia com prazer exigindo ser ouvida?
As discípulas da emancipação, duma forma simples e terra a terra, declararam que eu era uma pagã, que devia ser queimada na fogueira. O seu cego fanatismo não lhes permite ver que a minha comparação entre a velha e a nova mulher apenas teve como objectivo mostrar que muitas das nossas antepassadas tinham mais sangue nas veias, mais humor e inteligência e, certamente, um maior grau de naturalidade, bondade e simplicidade. do que tem a maioria das nossas mulheres profissionalmente emancipadas que enchem as faculdades, as salas de aula e os diversos escritórios. Isto não significa um desejo de regressar ao passado, nem condenar a mulher à sua antiga posição, que era a cozinha e tratar dos filhos.
O direito de voto ou a equiparação dos direitos civis podem ser boas reivindicações, mas a verdadeira emancipação não surgirá das urnas de voto nem dos tribunais. Surgirá de dentro da mulher. A história mostra-nos que as classes oprimidas só se libertam verdadeiramente dos seus amos através da sua própria luta. A mulher deve aprender essa lição e estar consciente de que a sua liberdade chegará tão depressa quanto for a sua capacidade para a alcançar. Por isso é tão importante que ela comece com a sua regeneração interior para se libertar do peso dos preconceitos, das tradições e dos costumes. A reivindicação de igualdade de direitos em todos os aspectos da vida é justa e razoável; mas, no fim de tudo, o mais importante direito é o de amar e ser amada. Se a emancipação parcial quiser transformar-se numa completa e verdadeira emancipação da mulher, deve deixar de lado as noções ridículas de que ser amada, estar comprometida ou ser mãe, são sinónimos de escravidão ou de subordinação. Deve deixar de lado a absurda noção de que existe um dualismo entre os sexos ou que o homem e a mulher representam dois mundos antagónicos.
A insignificância separa; a amplitude une. Sejamos grandes e generosas. Não descuidemos as questões decisivas devido à imensidão de ninharias que temos de enfrentar. Uma concepção séria da relação entre os sexos não deve admitir os conceitos de conquistador e conquistado; deve apenas ter esta premissa: darmo-nos sem limite com o objectivo de nos tornarmos mais ricos, mais profundos, melhores. Apenas isto poderá preencher o vazio e transformar a tragédia que tem sido a emancipação da mulher em felicidade, numa alegria ilimitada.

“Emma Goldman; Uma mulher extremamente perigosa”  (“Emma Goldman: An exceedingly dangerous woman”, 2003) é um documentário de Mel Bucklin (aqui com legendas em  castelhano)  que gira em torno da figura de Emma Goldman, considera durante trinta anos como o inimigo númerro dos Estados Unidos, não por cometer actos violentos, mas por utilizar a armas mais perigosa que está à mão de qualquer ser humano: a razão. Com uma vida apaixonante, Emma Goldman, em conjunto com Alexander Berkman, esteve no olho do furacão do movimento anarquista entre os finais do século XIX até boa parte da primeira metade do século XX. Anarquista célebre de origem lituana, conhecida pelos seus escritos e manifestos radicais, libertários e feministas, foi também uma das pioneiras na luta pela emancipação da mulher. 

quinta-feira, 28 de junho de 2018

A guerra entre gêneros?... Ou, mais um sintoma da miséria humana???

Homem cria instituto para defender acusados na Lei Maria da Penha




Para o criador do Instituto Homem, a maior atenção da Justiça aos casos de violência doméstica está "acabando com a família" (foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
O investidor Luiz Gonzaga de Lira, 63 anos, pretende inaugurar nos próximos dias o Instituto Homem, um associação de acolhimento a homens acusados de violência doméstica, e que foram enquadrados na Lei Maria da Penha (11.340/2006). Segundo ele, os "juízes que estão cuidando desses casos são verdadeiros criminosos, jogando homens para fora de casa". 
A previsão era que a equipe do Instituto Homem, que será composta por advogados e psicólogos, estivesse formada até essa terça-feira (26/6), segundo o fundador. A sede já está praticamente pronta, vai funcionar em Samambaia Norte, "tudo muito simples", como ele mesmo diz. Lira faz questão de frisar que, por enquanto, o instituto vai contar com o voluntariado, e que, inclusive já anunciou a causa duas vezes nos classificados do Correio, em busca de pessoas que se interessem em ajudar a causa.
No entanto, a ideia não foi bem recebida por internautas, que criticaram a associação que ainda nem começou a funcionar. Apesar das críticas, Lira diz não se importar. Segundo ele, uma das principais causas levantadas pela instituição é o retorno ao modelo de tratamento da violência doméstica anterior à Maria da Penha. Quando casos de agressão eram debatidos na esfera comum, sem varas especiais de apoio à mulher.
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sobre o Instituto Homem para defender acusados pela Lei Maria da Penha: todo mundo tem direito a ampla defesa, mas não é esse o objetivo. o idealizador quer tornar a lei inconstitucional e argumenta que "essa lei está prejudicando toda a família%u201D
%u2014 let me femsplain that for you (@abrunagalvao) 20 de junho de 2018




Essa história de Instituto Homem é piada né? Só tem palhaço na porra desse país
%u2014 pumpkin #protectEmi (@polarissu) 20 de junho de 2018




criado o instituto homem pq "o homem está desamparado" kkkkkkkkkkkkkkkk homens parem vcs estão sem limite aí na vergonha
%u2014 2d líder %uD83C%uDDE7%uD83C%uDDF7 (@_Crfduda) 21 de junho de 2018

Segundo a promotora de justiça do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), que coordena o projeto Tarde de Reflexão, que acolhe homens enquadrados na Maria da Penha, todas as instituições que defendam o esclarecimento de direitos é válida, mas, ao contrário do que defende o Instituto Homem, ela acredita que este não é o momento de abolir a Lei Maria da Pena. "A lei é uma ação afirmativa, e como toda ação afirmativa, tende a deixar de existir ao longo do tempo, mas não neste momento, as mulheres ainda são o ponto mais fraco na relação entre homens e mulheres, o desnível ainda é grande no Brasi"”, acredita. Isso ainda faz necessário que casos de agressões no âmbito familiar sejam enquadrados em uma lei específica.
Na contramão, o Instituto Homem acredita que a criação de delegacias da mulher e as varas especiais, por exemplo, geraram vantagens para as mulheres nos casos de violência doméstica. "Depois disso, tudo piorou. Os homens estão sendo jogados das casas. A gente vai lutar para as delegacias serem como eram antes", promete. Hoje, segundo Gonzaga, "as famílias estão sendo destruídas por causa da arbitrariedade da lei".
Mas, uma instituição para defender os direitos dos homens se faz realmente necessária? Veja: 

1- "Homens estão sendo jogados das casas, estão largados", essa é um dos principais argumentos de Gonzaga para a criação do Instituto Homem. 

Homens enquadrados em crimes de violência doméstica não ficam exatamente "largados". Só no Distrito Federal, há dois programas de acolhimento aos autores de crimes no âmbito da Lei Maria da Penha. O Tarde de Reflexão, uma iniciativa do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) em parceria com a Secretaria da Mulher, é uma delas, e promove o acolhimento de pessoas envolvidas em violência doméstica, tanto as vítimas quanto os agressores. 
Uma das gestoras do programa, Rosemeire Xavier Batista, explica que as reuniões são conduzidas por uma equipe multidisciplinar, que presta esclarecimentos sobre os aspectos legais relacionados à violência doméstica. "Quando o homem chega aqui ele vem com muitas reservas, e a gente até entende que alguns homens não têm uma mínima noção dos direitos nesses casos", comenta. 
Os agressores também são atendidos pelos Núcleos de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVDs), que atendem aos artigos 35 e 45 da Lei Maria da Penha, que definem a possibilidade de criação e encaminhamento judicial com "comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação". O objetivo é provocar reflexões sobre as questões de gênero, a comunicação e expressão dos sentimentos, a Lei Maria da Penha, entre outros temas, buscando quebrar o ciclo da violência doméstica. Atualmente, existem nove núcleos funcionando no Distrito Federal nas cidades de Brazlândia, Gama, Núcleo Bandeirante, Paranoá, Planaltina, Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e no Plano Piloto. 
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2- "A Lei Maria da Penha está acabando com as famílias"

Para o criador do Instituto Homem, a maior atenção da Justiça aos casos de violência doméstica está "acabando com a família". Mas, de acordo com a promotora de Justiça Lia Siqueira, a preservação da família não é um valor absoluto, um núcleo familiar não pode ser mantido sob a violência. "Existe a concepção de que o homem poderia impor a sua vontade na família por meio da violência. É esse tipo de mentalidade que a Lei Maria da Penha tenta fazer com que não exista mais. É preciso que exista uma igualdade no relacionamento entre as pessoas", esclarece. 

3- Quando implantadas as medidas protetivas o homem sai de casa sem nada?

Além de apoio psicológico e jurídico, o Instituto Homem quer oferecer um sopão, banho e roupas novas para os homens que foram afastados dos lares devido à aplicação de medidas protetivas. Mas, segundo a promotora de Justiça do MPDFT, há um desconhecimento nos direitos que o homem tem quando enquadrado na Maria da Pena. "O homem sai de casa, mas ele tem direito de levar seus bens pessoais, ele não perde os seus bens”, esclarece.

4- Após a Lei Maria da Penha os homens se tornaram o lado mais fragilizado?



Embora exista uma lei específica para tratar de violência doméstica, os casos ainda são crescentes no Brasil e as mulheres continuam sendo as maiores vítimas da violência dentro de casa. Pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou que, até o final de 2017, existia um processo judicial de violência doméstica para cada 100 mulheres brasileiras. São 1.273.398 processos referentes à violência doméstica contra a mulher em tramitação na Justiça dos estados em todo o país. Só em 2017, 388.263 casos novos de violência doméstica e familiar contra a mulher foram registrados, 16% mais do que em 2016. Em apenas cinco meses, entre janeiro e maio deste ano, o Distrito Federal contabilizou 13 assassinatos investigados como feminicídio. O termo se refere aos crimes contra a vida de mulheres, praticados em função do gênero. O número é 30% maior que os 10 casos registrados no mesmo período de 2017. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública, responsável pela elaboração das estatísticas mensais de crimes na capital.

5- Lei Maria da Penha destrói as famílias?

Segundo Lia Siqueira, famílias em contextos de menor violência são famílias melhores. Dados produzidos pela Coordenadoria Administrativa das Promotorias de Justiça de Brazlândia mostram que o programa de esclarecimento da Lei Maria da Penha para agressores é um exemplo para evitar a reincidência nos crimes relacionados à violência doméstica. Para se ter uma ideia, mais de 85% dos autores de crimes que participam do programa não voltam a cometer novos delitos previstos na Lei Maria da Penha.