"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 27 de junho de 2017

O mendigo K e o circo republicano...

MIS QUERIDOS AMIGOS: NO HAY AMIGO!
Aristóteles


1. O mendigo K. que está passando uns dias num chalé em Côte D'azur me ligou nesta manhã indignado com essa discussão infame sobre a legitimidade ou adulteração das gravações que o Joesley Batista fez com o Presidente Temer. 
Diz que está passando vergonha por lá, pois que todos os jornais europeus tratam do assunto questionando o caráter, a inteligência e a sanidade de nossa gente. E acrescentava: essa discussão lembra aquela história pueril do marido que chega em casa às cinco da tarde, encontra a mulher no sofá da sala vestindo apenas uma camisola japonesa, cor de rosa, com a calcinha de 100 euros enrolada e jogada no piso ao lado de meia garrafa de vinho italiano, de mãos dadas com um colega de trabalho e que, para certificar-se de que ela estava sendo infiel busca no couro do sofá alguns vestígios de baba ou de outros fluídos. Ora!
No caso do Presidente, se a fita foi editada ou burlada é o que menos interessa! O importante é que a calcinha estava enrolada e jogada no piso ao lado de meia garrafa de vinho italiano...

2. No mesmo telefonema ele me lembrou: Bazzo, vivi em Brasília desde sua fundação. Assisti ao teatro infame dos milicos, ao teatro melancólico do avô do Aécio, ao teatro charlatanesco do Sarney, ao teatro fugaz do Itamar, ao teatro  delirante do Collor, ao teatro intelectualóide do Fernando Henrique, ao teatro proletário do Lula, ao teatro de empoderamento da Dilma... Ouvi a mentirada da direita, depois a mentirada dos ambidestros, depois a mentirada da esquerda, a mentirada dos religiosos, depois a mentirada dos agnósticos, a mentirada dos ingênuos, depois a mentirada das raposas do cerrado... 
Durante todos esses anos, após a festança de posse de cada um daqueles impostores assisti a vinda de legiões de correligionários/mercenários para o Planalto, vindos do sul, do norte, do nordeste e do leste... e acompanhei o loteamento de todas as instituições... de analfabetos a doutores, de peões a novos-ricos, de malucos a quase dementes... o despreparo e a improvização era a regra. E o mais interessante eram sempre as missas no final das tardes rezadas por padres vindos sempre da região do novo Senhor e a ascensão vertiginosa das amantes...  Tudo abençoado pelos representantes de deus. Agua benta pra cá e pra lá nos gabinetes e nas alcovas. Bouquet e cestos de flores sobre os balcões. Da gerência de um bordel provinciano à presidência de alguma instituição republicana. Era o milagre! Os saltos altos. A soberba e o perfume das ex-cortesãs! A beleza de uma mulher da vida citando Hobsbawm ou até mesmo Lênin... Os memorandos promovendo parentes e cupinchas! E o desmonte sistemático do circo anterior para a edificação da nova pantomima...  Do nada para o nada! E paralelamente a toda essa perversão, a sacralização e a canonização de energumenos e a mediocrização de tudo. Ora a filosofia dos burgos, ora a filosofia da miséria...  E a mídia - que vive desse circo -  fingia fazer longas e eruditas reportagens. Ia aos jardins das mansões, acompanhava as madames em palestras pela indochina, abraçando criancinhas na APAE, lançando programas educativos, distribuindo remédios, camisinhas, bíblias... fotografava suas coleções de sapatos, diziam que elas estavam lendo a Divina Comédia de Dante, que haviam tomado um café e que estavam flertando com o Pitangui... que seus hormônios estavam nos limites da sanidade... e até que eram sexualmente ativas. O país ia de vento em popa... para o buraco. (Fez uma breve interrupção e continuou): Depois das festas de final de semana nas mansões quase monárquicas dos novos governantes, os mendigos, e eu próprio - faziamos fila nas lixeiras,  que ficavam no outro lado da rua, pois lá poderiamos encontrar desde garrafas de champanhe e de vodka pela metade, até quilos de costelas, de filé mignon ou latinhas de caviar que nem sequer haviam sido abertas...
Não sei por quê estão agora dando tanta importância a apoteose do teatro do presidente atual... Virá outro. As pilastras principais do circo sempre permanecem. Os trapezistas de ontem voltarão às cordas. Uns já quase dementes, mas voltarão, acompanhados sempre do vigário e das gerentes dos bordéis locais e trarão seus filhos e netos. Todos engravatados, falando inglês e francês e jurando que a pátria, depois da família, é tudo. Sim, a família nuclear e mafiosa é tudo para essa gente. Fingem não saber que tanto a família como a república, nos moldes atuais, são chocadeiras de cretinos e de bufões! O poder e a impostura causa dependência como a cocaína... E o prognóstico não é favorável a ninguém. Desligou.

5 comentários:

  1. Bazzo e a síntese da república recente deste nosso pobre e cretino país!

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  2. Esse mendigo do Bazzo me lembra muito o velho do Restelo do canto 4 de os Lusíadas. "Ó gloria de mandar, ó vã cobiça desta vaidade a quem chamamos fama". Ass. Padre dos balões.(ilha de Lost)

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  3. como é que o Mindigo K arrumou dinheiro pra farrear na Cote dazur, isso aí ta mal explicado, Bazzo, o Ministério PÚBIco tem que investigar o Mindigo K.
    Ass.:Brasinha do Espaço

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  4. https://www.youtube.com/watch?v=b4IEjJ0WB28

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