"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Memória fotográfica... Ou: Sartre desmascarado pela lápide...


Quando fiz esta foto lá no Montparnasse (1991), lembro bem, enquanto buscava o foco num gelado mês de outono, veio-me à mente, com um certo sadismo, uma afirmação delirante de um dos mortos que ali estava trancafiado: "A liberdade é o centro da existência humana como ser-no-mundo. A ela, estamos condenados. O homem, ainda que escolha a servidão voluntária, comete um ato de liberdade, uma vez que opta por não ser livre..."
Apertei o dedo, ouvi o clic da câmera, o grito do coveiro avisando que ia trancar os portões do cemitério e pensei: Essa grossa camada de tijolos e de cimento, mais essa tenebrosa lápide, apesar de seu mutismo, dizem um não e desmentem seu postulado, Kamarada Sartre...

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