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sábado, 17 de junho de 2017

BIOGRAFIA - Espertirina Martins, anarquista e violinista/ Ou: a guerra dos braços cruzados...




Guerra dos braços cruzados foi uma greve geral que parou a cidade de Porto Alegre (RS) e adjacências, por uma semana, em 1917. 
Natural de Lajeado, RS, Espertirina era a mais jovem das irmãs Martins, nascida em 1902. Junto com as irmãs Eulina, Dulcina e Virgínia, os irmãos Nino, Henrique (que mudaria seu nome para Cecílio Villar) e Armando, os cunhados Djalma Fetterman e Zenon de Almeida, participa da militância operária e anarquista. Foi aluna da Escola Moderna de Malvina Tavares, onde estudava também seu futuro marido Artur Fabião Carneiro. Com apenas quinze anos, em 1917, carregava a bomba com que Djalma Fettermann enfrentou a carga de cavalaria da Brigada Militar na batalha campal travada na Várzea, hoje avenida João Pessoa, entre anarquistas e brigadianos, em janeiro deste ano. O confronto se deu durante o enterro de um trabalhador assassinado pela repressão. Espertirina levava essa bomba disfarçada dentro de um buquê de flores… Meses depois, em julho, estouraria a greve geral que ficaria conhecida como “A Guerra dos Braços Cruzados”, que pararia Porto Alegre e outras cidades do estado, e da qual Espertirina e sua família participaram ativamente. Segundo relata seu sobrinho Marat Martins: “Morou com a irmã Eulina, esposa de Zenon de Almeida, em Rio Grande, onde participou de comícios, manifestações e passeatas, inclusive de um encontro sangrento com as forças da repressão. Teve o curso primário completo, estudou violino, escrevia e era oradora ardente. Com Zenon, no prelo portátil, imprimia os panfletos e jornais revolucionários, distribuindo-os nas fábricas e bairros operários. De novo em Porto Alegre, já moça feita, tornou-se uma feminista convicta . Em 1925 foi residir com Eulina e Zenon em Campos (RJ), ligando-se novamente aos grupos anarquistas, quando promoveu reuniões e pronunciou conferências”.   “Com a irmã Dulcina, que se havia casado com Djalma Fetterman, foi residir no Rio, na Ilha do Governador, Praia da Bandeira, aí casando-se com Fabião Carneiro, o qual logo a seguir foi trabalhar em uma empresa de publicidade Eclética, em São Paulo. Nesta cidade ambos ligaram-se a Edgar Leuentoth, junto a quem prosseguiram nas atividades revolucionárias, até voltarem para Porto Alegre. Aqui. Espertirina veio a falecer em 22 de dezembro de 1942, em virtude das complicações de um parto prematuro e apendicite. Faleceu antes de completar quarenta anos, fiel a suas posições revolucionárias.
https://rizoma.milharal.org/2013/07/19/espertirina-martins-e-a-flores/


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