"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 2 de abril de 2017

O mendigo K. e seus delírios...

Hoje, domingo, o primeiro domingo de abril, avistei logo de manhã o mendigo K descendo os degraus de uma igreja que existe aqui a uns 500 metros de minha casa. Uma das tantas que há na cidade e que fica quase em frente a um puteiro disfarçado onde a escória vai todas as tardes para beber cerveja e para se friccionar as mucosas e as membranas.
Fiquei surpreso ao vê-lo saindo de uma igreja. Teria se convertido? Foi lá roubar o dízimo? Está com alzheimer? 
Foi cobrar alguma dívida de alguma beata? Está tendo algum affair amoroso com o pároco? 
Nada disso. Contou-me que estava passando por ali e ouviu o padre dizendo este texto no meio de sua prédica: "É o louco que existe em nós quem nos obriga à aventura, se nos abandona, estamos perdidos. Tudo depende dele, inclusive nossa vida vegetativa: é ele quem nos convida a respirar, quem nos obriga a tal, e é também ele quem empurra o sangue por nossas veias. Se ele se retirasse, ficaríamos sós! Não se pode ser normal e vivo ao mesmo tempo...". Não acreditei, mas... como hoje é domingo...

2 comentários:

  1. O velho Cioran... Teria sido citado por algum padre ateu?

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  2. Por falar em padre ateu, vale a pena citar a deliciosa frase de um "padre ateu" francês, muitas vezes atribuída a Diderot ou Voltaire:
    "Eu gostaria, e este será o último e o mais ardente dos meus desejos, eu gostaria que o último rei fosse estrangulado com as tripas do último padre."
    ("Je voudrais, et ce sera le dernier et le plus ardent de mes souhaits, je voudrais que le dernier des rois fût étranglé avec les boyaux du dernier prêtre.")
    Jean Meslier (1664-1729), “padre ateu” da aldeia de Étrépigny

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