"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O jogo da mediocridade candente...

Na semana que passou, o assunto que predominou em todas as manchetes, em todas as missas, reuniões de famílias, barbearias, ongs, fundos de cadeias, reuniões de professores e até nas alcovas de pequenos puteiros, foi o tal Jogo da baleia azul, que estaria induzindo crianças e adolescentes a auto-mutilação e até mesmo àquilo que Camus considerava o único problema filosófico sério: o suicídio. 
A sociedade das velhinhas enferrujadas e carolas com seus velhinhos poderosos, broxas e gorduchos convocou psiquiatras, padres, psicólogos, médiuns, pedagogos, pastores, bombeiros, astrólogos, freiras, videntes, rabinos, especialistas em desesperanças e outros charlatães que nem lembro, para falar e opinar sobre o assunto. Ouvi o mendigo K., que por acaso estava lá em frente à uma dessas sociedades teológicas falando com um casal desesperado: Deixem de ser idiotas!  - dizia -. O suicídio não é o fim do mundo! É apenas o fim do sujeito! E quando alguém deseja praticá-lo não há nada que possa convencê-lo do contrário. Seja o jogo da baleia azul ou o da periquita rosada!!! 
Lembram de Cesare Pavese? Lembram de Cesare Pavese? Fez esta pergunta mais de duas vezes ao casal que já estava meio aturdido. Pois bem, para Cesare Pavese - explicou - o suicida era sempre um homicida tímido. Entenderam? Entenderam bem o que isso significa?
E concluiu: Ao invés da sociedade e dos pais ficarem fazendo um alarde desses com uma idiotice dessas deveriam perguntar-se, primeiro: por quê é que a mídia passou décadas proibida de pronunciar a palavra suicídio?, e segundo: por quê é que um joguinho cretino e de merda como esse é mais sedutor e convincente para as crianças e os adolescentes do que todos os beijinhos e os sermões diários da família, da igreja, dos vizinhos e da polícia?
O  casal ficou visivelmente envergonhado e perturbado e já no meio das despedidas atreveu-se a perguntar: mas então professor (chamaram o mendigo de professor), neste caso, o que fazer para proteger nossos filhos?
Ao que o mendigo respondeu, sem disfarçar uma soberba fenomenal: O quê se deve fazer? Primeiro: esconder deles a bíblia. A bíblia induz mais gente ao suicídio do que qualquer outra coisa. O Velho testamento então, nem se fala... Segundo: colocar-lhes a mão nos ombros e  dizer-lhes: meu filho, a vida realmente é um pé no saco, um inferno de lunáticos e de babacas onde você terá que conviver mais ou menos uns 70 anos com todo tipo de fdp... mas... como além desta merda não existe a possibilidade de nenhuma outra... não caia na tentação de matar-se, seu imbecil!!!

3 comentários:

  1. https://www.facebook.com/I.told.my.psychoanalyst/photos/a.1722948874702333.1073741828.1722652598065294/1752231095107444/

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  2. Bazzo, se você ler a matéria abaixo, (sobre o aniversário de Brasília) vai entender porque esses adolescentes idiotas optam pelo jogo da baleia azul.
    http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/04/21/interna_cidadesdf,590271/vei-definitivamente-e-a-giria-mais-falada-pelo-brasiliense.shtml

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  3. e tu ainda queria deletar teu blog, deixa aí pra todo mundo ler, muito bom o texto !

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