"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Lisboa à tarde...

Na primeira vez que estive aqui os mendigos me estendiam a mão com uma tigela, algumas até com imagens de Fatima. Agora, acabo de passar por um que me estendeu um copo. Dentro dele havia restos de cerveja e três moedas de 1 euro. Seria a vitória do ateísmo?


No trem da linha vermelha (Estação São Sebastião), uma senhora com uns setenta anos, perfil de estrangeira, com óculos, um lenço preto na cabeça e um guarda-chuva molhado, insistia em dizer que me conhecia de uma aldeia húngara. Identifiquei de cara, em seus dois olhinhos azuis que se tratava de um delírio, mas fiquei ouvindo-a com atenção. Ofereceu-se para guiar-me pelos lugares "sagrados" de Lisboa e foi listando endereços fascinantes, mas todos descaradamente esotéricos, tipo: Os capitéis insólitos da Sé de Lisboa;  A estátua de Sileno, o educador de Baco; A mesa de Fernando Pessoa; Hospital das bonecas; Um Cristo que despregou o braço direito da cruz e abençoou Portugal libertado; O jazigo maçônico do duque de Palmela; o mistério da Charola dos Templários, uma caverna onde teria dormido Cagliostro e etc. Quando eu já estava me interessando, ela fez uma pausa para informar-me que era dona do trem em que estávamos viajando. Emprestei-lhe oito gotas de meu rivotril e saltei para o trem de outra linha que acabara de estacionar...

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