"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Como diziam na época da sífilis: "Uma noite com Vênus significa uma vida com Mercúrio"...



[...De trinta mendigos a quem dei esmola hão de nascer noventa patifes para me apedrejar]. queima 48 horas
Albino Forjaz de Sampaio


Todos os anos, quando a igreja, as beatas e os comerciantes empurram cinicamente o populacho para as "comemorações" de natal e de fim de ano, me vejo enfurecido com as tais "caixinhas" que desde os semáforos e os restaurantes até as igrejas, os bordéis as salas de UTI e os cemitérios são colocadas sobre as mesas, e as tumbas acossando moral e economicamente quem circule por ali. Fico sempre me perguntando de onde teria surgido esse costume infame e essa maneira cretina de mendigar?
O mendigo clássico, pelo menos, está lá imerso na sua miséria, os pés putrefatos, os maxilares caindo aos pedaços, quase demente e apodrecido em vida... Indo de um lado a outro como uma hiena em jejum... mas e esses vivaldinos? 
Qual é a lógica, o sentido, a razão, a justificativa para quererem que eu lhes garanta um peru ou uma garrafa de vinho no dia 25 e outra no dia 31? 
Quê idiotice é essa? 
O que é que eu tenho a ver com isso? E o pior é que se você se negar a fazer esse papel "humanista" e otário, o garçom cuspirá na tua comida, o cara do semáforo te jogará uma pedra, a cortesã dará um jeito de presentear-te com uma sífilis, o medicozinho da UTI retirará teus tubos de oxigênio, os padres te negarão a extrema-unção e os coveiros mijarão sobre tua tumba...
Enfim, como diria meu amigo baiano: "vão fuder outro!"

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