"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

ROMA: cidade santa, povo infiel... (Como diria Niccolò Paganini)

Independente do terremoto, chegar a Roma é sempre um alivio. Aqui, mesmo que se saiba que com um de 6.8 tudo pode vir abaixo como em qualquer aldeia, sempre se tem a ilusão de eternidade... E depois, assim que saltei do trem vi meu hotel soberbo e intacto. O elevador de 50 antes de Cristo funcionou sem problemas e a camareira deu de ombros e fez pouco caso quando lhe perguntei se, durante os tremores, havia mijado nas calças... 
Fingiu uma coragem de Messalina e passou a recolher os travesseiros que estavam sobre um balcão para depois verbalizar esta pérola de erudição, sem muito sentido para aquele contexto: "... bem que na ficção de Dante ele colocou o inferno e o purgatório antes do paraíso... E foi pensando nisso, talvez, que Churchil recomendava: "se você perceber que está no meio do inferno, siga adiante..."
Peguei a chave do 407 e rumei para o andar de cima com o sentimento de que minha indelicadeza havia valido a pena...
Roma parece uma quermesse. Há gente como nunca se viu e vinda de todos os lados do planeta. No Coliseo, no Vaticano, no Pantheon, naquela fonte que se joga moedas então, os rebanhos parecem coisa de outro mundo... Não há duvidas de que a humanidade está ficando cada vez mais idiotizada... O metrô está igual ao da Índia e a polícia não se cansa de prevenir: cuidado com os batedores de carteira!!!
Com tanta encheção de saco, fico realmente em alerta para, eu próprio, não acabar roubando a carteira de alguém...
Mas, por sorte, no meio daquela manada e no mesmo vagão onde eu estava, entrou um violinista cigano tocando uma bella cancione da Romênia...
A mendiga (da foto acima) que na semana passada estava lá no Coliseo, hoje está ali nos arredores da Piazza de Spagna. Toda vez que a fotografo ela jura que me amaldiçoará para sempre. Mas seus olhos não me convencem. Ainda a convidarei para tomar um capuchino com um corneto... Enfim, digo tudo isso, mas sem esquecer daquilo que dizia o neurótico Wittgenstein: "Gli oggetti formano la sostanza del mondo..."
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