"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O mendigo K. disfarçado de gari...

Acabo de presenciar o mendigo K. disfarçado de gari abordando os clientes de um restaurante, todos já instalados em suas mesas, o guardanapo enfiado na gola da camisa e dando as primeiras garfadas. 
- Uma ajuda por favor! 
No momento em que o vi estava falando com uma senhora japonesa que, com toda a "calma" nipônica, depositou os talheres sobre o prato para ouvi-lo e ofertar-lhe uma moeda de vinte e cinco centavos. Em seguida, presenteou-lhe também com uma espécie de santinho, patuá ou de escapulário da Seicho No- Ie. Ele embolsou os 25 centavos e pegou o presente com a ponta de dois dedos, quase com nojo (como quem pega uma borboleta pelas asas), levou-o para perto dos olhos, rio com um descarado cinismo e lançou-lhe, sem gratidão e sem piedade, esta frase: "A vida finda ali onde inicia o Reino de Deus!"
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Em tempo:  A senhora japonesa olhou-o de cima a baixo, depois fixou seus olhos amendoados nos dele e, com toda a "cólera" nipônica retrucou: Tudo bem.., mas "para conservar-se jovem é preciso que a alma não descanse, que a alma não solicite a paz..."

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