"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ATENÇÃO: as vantagens obtidas através do nepotismo e do teste do sofá quase sempre acabam levando as pessoas à síndrome do impostor...







Por Thaís Sabino (@thaissabino)

“Eu não mereço isso (…) não sou bom o bastante (…) vão descobrir que eu sou uma fraude”. Se frases como essas rodeiam a sua vida, você tem dificuldade em reconhecer o mérito de suas conquistas e teme que sua “falta de talento” seja descoberta a qualquer momento, pode estar sofrendo de um transtorno que atinge mais de 70% da população mundial: a Síndrome do Impostor. Os sintomas foram identificados pela primeira vez em 1978.
A dificuldade em creditar o sucesso a habilidades e competência não é considerada oficialmente uma doença psicológica, mas já é tema de estudo de psicólogos e educadores.  A Síndrome do Impostor atinge principalmente pessoas bem-sucedidas, a maioria mulheres, e já foi identificada em figuras famosas como as atrizes Emma Watson e Kate Winslet, que deram declarações à imprensa sobre não se sentirem merecedoras do sucesso e carreira que conquistaram.
“Eu continuo achando que as pessoas vão descobrir que não sou talentosa, que não sou tão boa. Que foi tudo uma grande farsa”, declarou a atriz Michelle Pfeifer em 2002. Jodie Foster afirmou ao programa 60 Minutes que por anos teve medo de ser obrigada a devolver o Oscar de melhor atriz pelo filme Acusados (1988). Meryl Streep, Renée Zellweger, Chuck Lorre, Denzel Washington, a lista vai longe, e não inclui apenas artistas, mas a diretora da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, também enfrenta o problema.
Os sintomas podem ser momentâneos, em situações de mudança e estresse, ou contínuos, segundo o livro Os Pensamentos Secretos das Mulheres de Sucesso, escrito pela psicóloga Valerie Young. O tempo agrava o sentimento de culpa pelas conquistas e um círculo vicioso se estabelece. Pessoas que sofrem Síndrome do Impostor se esforçam para desenvolver tarefas de uma forma cada vez melhor para não serem descobertas como fraude, se preocupam com cada detalhe e possuem autocobrança elevada. Os bons resultados levam ao sucesso e aumentam o sentimento de farsa.
Promoções são vistas como sorte, atribuídas à aparência ou qualquer outra possibilidade que não esteja relacionada à capacidade intelectual e merecimento. Um comportamento comum é não mostrar confiança demais por medo da reação das outras pessoas. Quem sofre de Síndrome do Impostor se convence que não é inteligente o suficiente, portanto não merece sucesso. Entre os sintomas, estão perfeccionismo, ansiedade e insônia, segundo Young.

Como superar
Existem diferentes linhas de terapias psicológicas que amenizam o problema. O tratamento tem foco em diminuir a necessidade de perfeição, fazer o paciente entender e aceitar o merecimento do sucesso, acabar com a necessidade de a pessoa se comparar a outras, e ajudar na expressão de sentimentos. O empreendedor russo Kyle Eschenroede recebeu mais de 600 mensagens após compartilhar um depoimento sobre como enfrentou o transtorno, de pessoas de todo mundo relatando experiências com a Síndrome.
Eschenroede fez uma lista de dicas para ajudar na rotina de quem tem Síndrome do Impostor, entre elas, lembrar que “estar errado não faz da pessoa uma farsa”, repetir “é Síndrome do Impostor” quando as coisas apertarem, lembrar habilidades e talentos, e manter um arquivo com coisas boas e elogios recebidos: “sempre que alguém escreve que eu ajudei em algo, eu copio e guardo na minha pasta. Quando me sinto uma fraude, leio histórias de pessoas que eu ajudei”, contou.

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