domingo, 31 de julho de 2016

Pode ter sido pura coincidência...

Todo mundo viu nas imagens de antes de ontem o Papa visitando o Campo de Concentração nazi de Aushuwitz em cuja entrada ainda está a placa cínica na qual, os alemães de Hitler, para humilhar os prisioneiros, escreveram: "Arbeit macht frei"  O TRABALHO NOS FAZ LIVRES. Já ontem,  todo mundo viu novamente o Papa, agora falando para os jovens poloneses e insistindo para que eles não se deixassem dominar pela preguiça. 
Estou sendo preconceituoso ou existe realmente um nexo entre o que está escrito na entrada de Aushuwitz e o conselho do Papa? Ou tudo teria sido mera coincidência? Uma espécie de armadilha do inconsciente?

sábado, 30 de julho de 2016

Nós ainda faremos cantar até a tempestade...

Enquanto aproveitava este sábado de sol, de vento e de secura para fotografar estas árvores que parecem estar em estado terminal, mas que não estão, encontrei o mendigo K. ali pelos lados da catedral. Olhava calmamente, como um cão saciado, para os 4 sinos de bronze do campanário daquela igreja. Ao reconhecer-me, fez logo questão de confidenciar-me que foi o governo espanhol, possivelmente a Opus Dei, que os presenteou ao Niemayer. Parecia mais introspectivo do que em outros dias e, talvez, com medo que eu estivesse indo para algum ritual de conversão ou para alguma benção, veio logo me prevenindo: Bazzo"Duvide. Nenhuma fé até hoje foi tolerante. A dúvida é a tolerância. A fé levantou fogueiras, a dúvida não as levantará jamais. Toda fé é uma tirania e todo crente é um escravo. Não acredite... "
Fez um longo silêncio, simulou procurar alguma coisa numa dessas  bolsas de mercado que estava no piso de concreto e prosseguiu: "A história da humanidade se assemelha ao diário de uma velha cortesã ou, para ser mais objetivo, de uma velha puta: não sabe falar com admiração senão de seus cafetões, opressores e dominadores, eles fazem todo seu deleite e constituem toda sua vida..."
Olhando fixamente para minha câmera, levantou-se de onde estava sentado num gesto brusco e depois de gritar-me: Nós ainda faremos cantar até a tempestade! tomou uma direção inesperada.




















A boa semente e a negligência do lavrador...


Está fazendo sucesso na internet um video onde nosso Ministro da 
Justiça aparece lá no Paraguay, com um facão em punho destruindo uma plantação de cannabis. O facão parece ser um desses comuns que se compra em casas de ferro-velho e iguais aqueles com os quais os velhos bóias-frias lá do Pr, escravos contemporâneos, passam todas as manhãs de suas vidas cortando cana nos latifúndios... 
Sinceramente, até eu que tenho um certo nojo da fumaça e do bafo dessa erva acho uma idiotice esse teatro que se faz contra ela. Em uma sociedade minimamente soberana, qualquer sujeito deveria ter o direito não só de fumar maconha, mas inclusive, de cheirar cocaína, de levar umas gramas de heroína para o trabalho, de cultivar papoula em seu jardim, de colocar cinco gotas de elixir paregórico na mamadeira matinal das crianças, de substituir o chicletes por pedaços de peyote, de oferecer alcalóides às suas visitas, de chupar ostras antes de escovar os dentes, de consumir cigarros e whisky vindos do Paraguay e até mesmo de comer merda no palito entre uma refeição e outra se assim sua nutricionista recomendasse. Se vai enlouquecer, o cérebro entrar em colapso, ficar retardado, dar mais despesas ao SUS, tornar-se um alienado moral e um bobalhão, começar a escrever poesias, etc, isto é secundário. 
Mas tem uma coisa: enquanto estão obsessivamente atrás apenas das plantações de maconha, ainda vai, o problema será quando incluírem nessa cruzada idiota também a salsinha, a cebolinha e o estragão. Entre todas as ervas, a que mais me fascina é o estragão: cheirado ou deglutido, usado sobre um peito de frango ou numa sopa de abóboras... é uma viagem! Vamos torcer para que os lacaios do Estado e as beatas de domingo de manhã não o incluam entre as drogas malditas e ilícitas. 
Lembrando sempre aos tiranos e aos alcaguetes de plantão daquilo que lá nos cafundós da China sempre balbuciava o malandro Confucio: Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Aos que se perderam e nunca mais voltaram do estado de Maharashtra... (Poona)

"Sou um trapaceiro. Você não pode me trapacear. Eu trapaceei tantos trapaceiros..!"  


O papa argentino em Auschwitz... (O sarcasmo do dia...)

29/7 - Em Auschwitz, papa pede perdão por "tanta crueldade"

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É quase uma piada a ida do Papa ao campo de concentração de Auschwitz e de lá pedir perdão por "tanta crueldade". 
E digo que é quase uma piada, porque é mais sarcasmo do que piada, uma vez que, quem conhece la Chiesa di Santo Stefano Rotondo, situada na Via di Santo Stefano Rotondo número 7, em Roma, sabe do que estou falando.
No interior dessa igreja, onde eram adestrados os jesuítas que saiam pelo mundo destruindo culturas e catequizando, (1580), o Papa Gregório XIII mandou um tal Niccolò Pomarancio pintar em suas paredes 34 cenas de tortura e de horror, com o pretexto de que esse show de crueldade servisse de encorajamento pedagógico aos novatos que em suas viagens de "catequização" poderiam, eventualmente, presenciar algo parecido ou eles próprios virem a ser submetidos, por algum bárbaro, a sacrifícios semelhantes.  Inacreditável! 
Para quem, por enquanto, não está com projeto de ir à Roma, publico abaixo alguns daqueles 34 "delicados e afetuosos afrescos". Existem mais 27, um mais abjeto que o outro...














quinta-feira, 28 de julho de 2016

O valor do hímen...

A cidade está boquiaberta com a publicação do edital que anuncia  um concurso público para o corpo de bombeiros, no qual, entre mil e uma exigências, está a de que, no caso das candidatas, elas devem submeter-se previamente ao exame papanicolau ou, para serem dispensadas dele, provar que têm o hímen intacto. É importante esclarecer que Papanicolau era o nome de um médico grego e não de um Papa.
Sim, trata-se exatamente do hímen, daquela película misteriosa (também conhecida por cabaço) que existe na entrada da xota das mulheres e que, apesar de para o mundo masculino levar em si um sentido esotérico e oculto, na verdade, não serve para nada, a não ser para dar fôlego e argumento aos tiranos, aos ignorantes e aos moralistas. Como se vê pelo edital, essa película, que inclusive, pode ser complacente ou refeita em clínicas, continua muito bem cotada na bolsa da repressão sexual e das perversidades. É curioso e broxante constatar que a respeito do corpo e principalmente da sexualidade, não se tenha conseguido avançar quase nada nos últimos séculos e que os mesmos mitos e tabus da pré história ainda continuem regendo, envenenando e infernizando o cotidiano, não apenas dos homens, mas também das mulheres...  E que como escrevia Bruckner y Finkielkraut:  "Acontece com o sexo a mesma coisa que ocorre com a política: não passamos da escravidão à liberdade, apenas trocamos uma ortodoxia por outra:" 

http://concursos.correioweb.com.br/app/noticias/2016/07/27/noticiasinterna,36421/para-ser-bombeiro-no-df-mulheres-tem-que-se-submeter-a-papanicolau-ou.shtml

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A velharia em trânsito...

"De antemão dou risada do embaraço que te espera se não sabes quem és ou da vergonha que sentirás se fores confundido na multidão de idiotas..."
Denis Diderot (Em O passeio do cético)

Como o trânsito aqui na cidade está mais confuso e pior que o de Bangladesh, com carros, caminhões, carroças, cavalos, motocicletas, vendedores, tapa-buracos, ônibus escolares, mendigos, lixeiras, carros da policia, cachorros e etc, disputando espaços, tenho me valido - melancolicamente, é verdade - de uma credencial que o Estado Cristão e filantrópico presenteia às pessoas com mais de meio século. 
Com ela tenho estacionamento preferencial, isto é, há sempre uma ou duas vagas a espera desses seres que já estão prá lá de Marrakech e que ainda insistem em sair pilotando por aí. 
Mas, mesmo assim, acreditem, de vez em quando tenho assistido a duelos cinematográficos entre velhinhos e velhinhas na disputa por tais vagas. Ontem mesmo, no momento de estacionar ali em frente a uma clinica geriátrica, uma delas, com cara de dona de bordel aposentada, veio nervosa e autoritariamente perguntar-me quantos anos eu tinha e exigir que eu lhe mostrasse minha identidade... O fiz com a maior presteza e delicadeza com medo que ela, por uma razão qualquer, fosse à delegacia da esquina acusar-me de falsa identidade, misoginia, assédio sexual, fobia a mulheres ou até mesmo de gerontofilia. Quando ela se afastou resmungando, requebrando aquele esqueleto em ruínas e amaldiçoando o universo, não consegui evitar de pensar (com todo o respeito, claro!) naquele texto de Dostoiévski onde ele pergunta: 
- Quem é que vive mais de 40 anos? 
Para logo em seguida, ele próprio responder: Só os canalhas.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O baiano do gergelim...


"Eu não lhes concedo o direito de cidadania na urbe do pensamento..."
V.V

Foi noticia em todos os jornais do país de ontem a aventura do baiano que ameaçou explodir uma bomba num local onde estava sendo realizada uma prova da OAB. As histéricas fizeram um escarcéu e aproveitaram para checar os nervos, os hormônios, a garganta... e a polícia apareceu em tempo recorde, toda de preto, mascarada, o dedo no gatilho, as sirenes a todo vapor e com todo o aparato de guerrilha disponível. Mas foi um fiasco! Rapidamente constataram que o "colete de explosivos" daquele lunático era composto apenas por caramelos e sementes de gergelim (uma semente de origem asiática que melhora o funcionamento intestinal) e que o pobre moço não tinha relação alguma com o estado islâmico e nem sequer com o estado onde vive. Que se tratava de um dos milhares de bacharéis em direito que, apesar de terem gasto uma pequena fortuna na aquisição de seus diplomas, não conseguem passar nos tais exames da OAB que, na realidade, se limitam a perguntar ao candidato quanto é 6X8 e quem foi Rui Barbosa. 
Tudo bem que o Ministro da Justiça, o exército, as polícias, os agentes, os alcaguetes, os bispos, os espias, as velhinhas fofoqueiras estejam todos nas ruas com seus tanques, seus cachorros, seus fuzis, seus rádios digitais, seus telescópios, suas algemas, seus rosários, porretes de taekwondo, espadas, cavalos, granadas, bíblias e etc., atentos e ligados nas estórias de terrorismo, mas é bom que saibam que existe uma outra forma de terror vigente e tolerada de cima a baixo nos subterrâneos da pátria (a burrice) que se não for identificada e erradicada a tempo, acabará humilhando, emporcalhando e destruindo o país... 
Veja-se a poluição na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, às vésperas das tão idolatradas e infantis Olimpíadas. Querem uma ação terrorista mais devastadora e perversa do que esta!?
Em tempo: De vez em quando paro diante de um espelho que existe aqui na minha sala, me olho bem dentro dos olhos e recito: Bazzo, deixe de ser idiota, chega de ficar enchendo o saco do mundo com essa choradeira. O rebanho é isso aí mesmo! E depois, já é tempo de acreditar naquilo que disse d'Emily Dickinson: "a alma escolhe a sociedade que lhe convém e fecha a porta"  (The soul selects her own society then shuts the door)

domingo, 24 de julho de 2016

Memórias - Uma homenagem aos nonos...


"As pessoas que  nunca navegaram têm dificuldade para entender os sentimentos que se experimenta quando, do convés do navio, já não se vê mais do que a face austera do abismo..." Chateaubriand







Terrorismo: E quando a ABIN e a PF começarão a caçar os psicopatas corporativos?... (reprodução)

O sádico cotidiano... 

Ou seriam psicopatas corporativos

Fato é que se parecem muito com líderes empresariais

O sádico cotidiano ou seriam psicopatas corporativos
Imagem Ilustrativa/Reprodução
Créditos: Matéria Revista GQ
Ele responde com frieza ao medo e à ansiedade. Fica confortável assumindo grandes riscos ou tomando decisões difíceis, como demitir gente e cortar benefícios. É impulsivo, brilha sob pressão e demonstra uma autoconfiança charmosa mesmo quando está sendo brutal em suas ações. Cuidado. Por trás desse perfil de CEO dos sonhos, pode se esconder um “sádico cotidiano”, o mais novo integrante do agora chamado quarteto das personalidades sombrias.
Ao lado de maquiavélicos, narcisistas e psicopatas, esse tipo aparece em um estudo de Delroy Paulhus, um psicólogo da Universidade de British Columbia, sobre comportamentos ofensivos no limite do socialmente aceitável: “Não extremos o bastante para chamar atenção clínica ou forense, eles podem se dar bem (mesmo florescer) no trabalho cotidiano”.
Sem dúvida florescem no ambiente empresarial. “Muitas características de psicopatas corporativos podem ser confundidas com liderança ou traços positivos”, alertou a publicação digital americana Quartz. “Abençoados com um excesso de confiança e talento para mentir, eles deslumbram em entrevistas, causam grandes primeiras impressões e muitas vezes disparam sem esforço organograma acima.”
A lista de psicopatas corporativos icônicos tem desde criações ficcionais como Gordon Gekko, personagem de Michael Douglas no filme Wall Street, imortalizado pelo bordão “Greed is good”, até gente de carne e osso, como Al Dunlap, um reestruturador de empresas conhecido como Al Motosserra pelo ímpeto com que cortava empregos. Maquiavélicos? Pense em Bernie Madoff, o consultor de investimentos que depenou milhares de clientes com a maior pirâmide financeira da história. Certos gigantes dos negócios cabem em mais de uma categoria. Steve Jobs, por exemplo, era tanto narcisista como psicopata. Donald Trump combina traços maquiavélicos, psicóticos e narcisistas. Como nosso Eike Batista. Don Draper, Frank Underwood e Miranda Priestly nos lembram quão charmosos podem ser as personalidades sombrias.
No livro Snakes in Suits, de 2006, Robert Hare e Paul Babiak contam que, em um estudo com 200 executivos de renome, 3,5% exibiram traços de psicopatia. Parece pouco, mas é mais de três vezes a taxa para a população em geral.
Evidências sugerem que pessoas com inclinações psicopatas preferem setores mais competitivos, como o financeiro. Em seu livro The Wisdom of Psychopaths, o psicólogo Kevin Dutton afirma que as maiores concentrações de personalidades psicopatas são encontradas entre CEOs, advogados e profissionais de mídia.
Mas como identificar um sádico cotidiano? Infelizmente, ainda dependemos basicamente da intuição. É duro convencer as empresas a deixar psicólogos testarem seu pessoal em busca de personalidades destrutivas. Quase todos os experimentos por trás do quarteto sombrio foram feitos com estudantes universitários e presidiários. Delroy Paulhus sustenta que testes nas companhias seriam úteis para evitar que “indivíduos inapropriados sejam colocados em posições nas quais possam causar sérios danos”.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Deus não está morto! Estamos apenas passando por um período de desvalorização...

Hoje, sexta-feira, dia em que a cidade acordou ainda mais paranóica do que de costume, vendo terroristas por todos os lados, mochilas abandonadas, nuvens em movimentos anormais, caixas de papelão emblemáticas, gente com casacões de inverno suspeitos, garrafas de água com uma coloração nunca vista e que emitiam um tipo de assobio quando colocadas em contacto com o vento, bruxos malignos, robots explosivos, árvores venenosas balançando seus ramos, pernilongos com arsênico nas asas, velhinhos mal intencionados fingindo que estão com parkinson, bengalas com gatilhos e umas até com punhais embutidos,  paralelepipedos misteriosamente soltos, crianças em seus laptops e em seus WhatApps encomendando chupetas, helicópteros e metralhadoras, vozes em idiomas nunca ouvidos, mensagens advindas não se sabe se do Paraguay ou do além. Ouvi até os porteiros de um prédio dizendo que viram o Rasputin atravessando a rua em direção ao Itamaraty onde pretendia adquirir uma passagem para o Rio e etc. Segundo um jornal local de hoje, teve até um cantor que chamou a policia porque sua namorada amanheceu com o intestino preso... Enfim, nesse dia que ficará na história da intelligentzia humana, encontrei o mendigo K., calmamente fumando e tomando sol no viaduto que há entre o Conjunto Nacional e o Conic.
Estava ao lado de um andarilho que frequentemente, nos meses de julho, passa aqui pela cidade levando às costas uma cruz de uns 40 quilos. Do alto de meus 66 anos - me disse - não tenho mais dúvidas: o único DEUS que a humanidade respeitou e cultuou verdadeiramente até hoje foi o dinheiro. Apesar, claro, da hipocrisia, das grutas e das capelinhas à beira das estradas, das suntuosas catedrais, das novenas, dos delirantes (delirantes no sentido clínico) de todas as classes e etc. Daí a dificuldade e a fracassada luta contra a corrupção. Querer banir a corrupção e ainda mais, por decreto, é muito mais utópico que querer banir a fé. Os russos, os chineses, os comunistas e os anarquistas em geral já perderam séculos nesse projeto e tudo foi em vão. 
A humanidade, instalada neste planeta como um bando de ratazanas está convicta de que a fé, mas principalmente os 10% a conduzirá "de volta"ao paraíso. Por isso que pretender estabelecer um diálogo lógico com um corrupto ou com um crente, com um idiota igual a esse aí (apontou discretamente para o andarilho) é um projeto tolo e falacioso. Agora, que o dinheiro tenha sido até hoje o único DEUS da humanidade é até compreensível. Reflita e faça um teste:
1. Na hora do jantar, quando suas tripas começarem a uivar, coloque-se de joelhos em casa implorando a DEUS por uma pizza, para ver se ela chega. Depois de umas duas horas de inútil pregaria, pendure o rosário, abra a carteira e ligue para o restaurante mais próximo. Em dez minutos estarão batendo à sua porta com uma margherita fumegante...
2. Tente arrancar um desempregado da depressão levando-o para uma das trezentas seitas que há aqui em Brasília. Inútil. Mas no dia que ele, por acaso, encontrar ali pelos lados do Congresso Nacional, perdida ao lado do meio fio, uma carteira recheada de euros, seu cérebro voltará imediatamente a produzir dopamina;
3. Veja as mulheres que vêm há décadas fazendo novenas a Santo Antonio para que ele lhes arranje um casamento. Pura perda de tempo! Mas basta ela herdar meio milhão de seu tataravô para que logo fique rodeada de otários e apaixonados pretendentes...
4. Veja os sujeitos broxas que há décadas, já estão com calos nos joelhos de tanto frequentar as catedrais pedindo a Deus alguma solução para sua impotência. Silêncio total das divindades! Inclusive de Plutão, o deus da luxuria e dos infernos! Mas basta que ele tenha 50 reais para comprar meia dúzia de comprimidos na farmácia da esquina para que o Milagre da Ereção aconteça...
5. Observe os sujeitos que estão encarcerados há meses numa dessas prisões imundas, e mais, injustamente. Eles que passam os dias solitários da prisão de joelhos pedindo a Deus por justiça e por liberdade, decorando seus livros santos com seus patuás e suas novenas pregadas às paredes, implorando por uma graça... e nada! Nenhuma, absolutamente nenhuma manifestação do além. Mas basta alguém de fora da prisão ter 5 mil reais para pagar um habeas corpus a um advogadozinho qualquer e pronto, no próximo domingo já estarão andando de bicicleta por aí...
6. Veja os velhinhos que lá pela meia noite, estacionam ali na 315 e ficam implorando favores àquelas moças. Pelo amor de Deus! Insistem, com a braguilha aberta e quase soluçando. Elas passam quase nuas a meio metro daqueles pobres miseráveis e ainda os olham com certo nojo e desprezo. Mas, quando por fim, aqueles pão-duros resolvem mostrar-lhes uma nota de 100, todas se colocam imediatamente de quatro. É ou não é o dinheiro que produz os maiores e mais insólitos milagres?
Enfim, concluiu, falando mais alto e na direção do andarilho da cruz: "Com dinheiro tudo se compra. As bênçãos das santas e o crânio dos heróis, a camisa de dormir da tua noiva e o rosário do teu confessor. Ciganas e écuyères, saltimbancos e mendigos, fidalgos e aguardente, trapeiros e sacerdotes, coveiros e apóstolos, santos e famintos, sultanas e cadelas, bobos e cortesãs, escravos e libertos, tudo isto é da sua corte. O próprio Deus, o próprio céu rende-se, quando se lhe mostra um punhado de ouro".

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A pedagogia do quinto milênio ou a cerimônia do adeus...

E isto não é resultado apenas do complexo de vira-latas, mas da própria indigência dos vira-latas!

"Faltando duas semanas para o início da Olimpíada, o Rio de Janeiro começa a despertar cada vez mais a atenção da imprensa estrangeira – que, como era de se esperar, não vem gostando do que vê. Nesta quinta-feira, o jornal americano The Washington Post, um dos mais prestigiosos do mundo, publicou um artigo intitulado “A lagoa em frente ao Parque Olímpico do Rio é tão imunda que os peixes estão morrendo” e apontou a Rio-2016 como “Os Jogos Olímpicos da sujeira”.
O jornal recorda que o Brasil prometeu “jogos verdes para um planeta azul”, mas não conseguiu despoluir as ruas e a lagoa de Jacarepaguá, próximas ao Parque Olímpico, muito menos a Baía de Guanabara, que sediará diversas provas aquáticas. “Quando falamos sobre o legado ambiental, falamos de saúde pública. Neste aspecto, o Rio é um fracasso”, afirmou o  oceanógrafo David Zee.

A reportagem relatou o “cheiro podre” no entorno do Parque Olímpico e conversou com pescadores da região de Jacarepaguá, que disseram que “a lagoa está morta” e que peixes costumam flutuar pelas águas cinzentas.
A publicação relata que os subúrbios da zona Oeste do Rio, o local do Parque Olímpico e Vila Olímpica, cresceram rapidamente nas últimas décadas e a infraestrutura de saneamento não conseguiu acompanhar esse ritmo. O governo do Estado é responsabilizado pela poluição, assim como as “comunidades ricas e pobres da cidade”, que atiram lixo nas águas.
Um porta-voz da Secretaria do Meio Ambiente do governo do estado afirmou, sob condição de anonimato, que os esforços para despoluir as lagoas sofreu por causa da “falta de coesão entre os diferentes órgãos governamentais responsáveis.” O Washington Post também recorda o estado de calamidade pública, decretado no mês passado".

Buika...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Os golpes da melancolia...


Para ouvir a música clicar no canto esquerdo da faixa





"Para desmascarar a sociedade é preciso mascarar-se".
Gunter Valraff

Todo mundo torceu o nariz com os acontecimentos recentes na Turquia, para uns uma tentativa de golpe, para outros,
 apenas a pantomima de um auto-golpe etc. 
Para o mendigo K. foi um horror assistir aqueles bombardeios de madrugada próximos às 4 portas do Grand baazar onde - segundo ele -, foi milhares de vezes comprar açafrão da terra e beber türk Çayi. O bazar em questão, todo mundo sabe, é uma das maravilhas, não apenas de Istambul, mas do mundo... Foi uma desgraceira - me disse - ter que presenciar novamente esse tipo obsessivo de idiotice autoritária que vem sendo repetida desde os tempos da pedra lascada... 
Mas ninguém pode negar que, pelo menos uma medida daquele ditador foi admirável: a expulsão de mais de vinte mil professores. Qualquer tentativa de "reforma", - completou - seja fascista, imperialista, socialista, tribalista, anarquista, catequista, clerical, sexista etc, tem que começar cortando o mal pela raíz!

No meio de tantas idiotices cotidianas é confortante pensar num meteorito desgovernado...

As discussões demenciais de todos os dias, tipo as de ontem, a respeito do tal WhatsApp ou do suposto "plágio" entre a mulher do Trump e a do Obama me fazem ter cada dia mais interesse pela astronomia. Cada dia tenho mais convicção de que não será a filosofia, nem a religião, nem a política e muito menos a economia que resolverão os problemas patéticos, pueris e idiotas da humanidade... 
Ah!, só mesmo um meteorito desgovernado!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

A genealogia da loucura e dos terroristas...



[... Engano, dolo, violência, a bolsa ou a vida, honrada malandragem de alto a baixo. Eu que aqui estou falando, estou certo de que você é um malandro...] João do Rio

Sempre que acontece um ataque terrorista, uma chacina bárbara, um crime hediondo praticado ao redor do mundo por um sujeito ou por vários sujeitos, gosto de prestar atenção nas opiniões e nas explicações da polícia, dos padres, dos médicos, dos governantes, dos jornalistas e de outros lacaios do Estado sobre as causas que levaram aquele sujeito a praticar tal desvario. 
Observem como usam sempre os mesmos rótulos e como dizem sempre a mesma coisa: é um delinquente! Um sociopata! Um psicopata! Um fanático! Um frustrado! Um fundamentalista! etc. Mas o dizem de tal maneira que se pode até pensar que eles, os atores do crime, chegaram a ser o que são por uma espécie de intervenção que ultrapassa os limites normais de civilização e que transcende a bovinização cotidiana... ou mesmo por algo derivado de uma "geração expontânea".., como se não fizessem parte de um conjunto de pessoas, de uma sociedade, de uma cultura determinada e, claro, dessa torre de Babel, fábrica de loucura e desse manicômio geral a que todos estamos expostos
Claro que não passa pela cabeça de nenhum desses energúmenos que aquele assassino ou aquele louco é apenas o representante da loucura geral, (familiar, social, religiosa, trabalhista e política) e que aquele sujeito, (agora crivado de balas) apenas colocou em prática algo que, na essência, faz parte da obsessão e do desejo coletivo... Sei que ao ler este parágrafo muitos canalhas vão colocar as mãos nas têmporas arregalar os olhos e jurar que jamais pensaram e que jamais fariam uma coisa dessas! Mas esses babacas não merecem crédito, pois nunca se olharam verdadeiramente num espelho e nem sequer sabem que existe um inconsciente... 
E esse tipo de interpretação, de acusação, de vingança e de canalhice social é muito bem percebida inclusive naquelas famílias que, depois de passarem durante anos enlouquecendo um de seus membros, num determinado dia chamam uma ambulância para interná-lo, com a ilusão de que o "louco" é apenas ele, e que portanto, se o confinarem, se o internarem num manicômio, num asilo ou numa cadeia, de preferência numa Sibéria ou numa Barbacena, a normalidade voltará ao "lar" e sobre o restante dos membros da família.
Exemplos parecidos sempre foram vistos nas ditaduras pelo mundo afora, onde, depois de alguém ser massacrado e destruído pela loucura geral, era rotulado, encarcerado ou banido, sempre com o rótulo sádico e simplório de subversivo/louco/delinquente e com a mentira de que seu confinamento era necessário para, além de curá-lo, salvar os bons costumes e a moral da sociedade, da família e da pátria. 
Que a policia ou a população semi-alfabetizada pense assim dessas pobres pessoas que no meio de um transtorno irremediável assumem uma posição radical e que cometem essas atrocidades, ainda é compreensível, mas que essa lógica e que esse "diagnóstico" tenha o consentimento, o silêncio, a aquiescência e a cumplicidade dos psiquiatras, psicólogos, sociólogos, antropólogos, astrólogos, juízes e outros profissionais do gênero, isso é uma descarada traição e uma vil canalhice...