"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Aniversário: sempre a mesma idiotice...


Para ouvir a música clicar na ponta esquerda da faixa


"Se um filósofo pudesse ser niilista, o seria, porque encontra o nada atrás de todos os ideais..."F.N.

Brasília se prepara para, dia 21 de abril comemorar 56 anos. Os burocratas e os patrões de plantão já prometem disponibilizar 2 milhões para a festa. DOIS MILHÕES! 
Ninguém tem dúvidas de que é uma idiotice infinitamente repetida, mas o populacho gosta. Guaraná e pipoca de graça, é a glória.
 A peõnzada tocando viola por todos os lados, os artistas de sempre fazendo barulho na Esplanada, rodas de bingo, quermesses, os portões do zoológico escancarados, ônibus gratuítos, rojões, missas, poeira, comícios, a orquestra sinfônica tocando novamente o Bolero de Ravel, os poetas cacarejando suas bobagens nas esquinas, uma rezadeira ecumênica, rasantes de teco-tecos, velhinhas soluçando nas janelas, o Hino Nacional, imagens do JK projetadas nos paredões dos palácios, cachaça no canudo etc, etc. Enfim: uma festança decadente e pobre para a peãozada! Tudo bem, todo mundo sabe que são esses otários que, de quatro em quatro anos elegem esses malandros... Mas... 2 milhões praticamente jogados fora! Isso é estúpido demais.
Uma alternativa, digamos, mais sóbria e mais cult, para esse e outros aniversários poderia ser: sortear esses dois milhões. Aqueles que fossem os vencedores, (2 ou 3) teriam a obrigação de dar a volta ao mundo em seis meses e, nesse período, produzirem diários e ensaios fotográficos que, quando voltassem, seriam editados e distribuídos nas creches e nas escolas de primeiro grau. Sempre lembrando que, a importância pedagógica desse processo, seria  disponibilizar às crianças aquele velho saber apregoado por Chateaubriand: "as pessoas que nunca navegaram têm dificuldade para entender os sentimentos que se experimenta quando, do convés do navio, já não se vê mais do que a face austera do abismo..."

EM TEMPO: O Museu de Arte de Brasília está fechado e em ruínas há sete anos; a Biblioteca Demonstrativa de Brasília está fechada e em ruínas há três anos, a Biblioteca Nacional, aquela que fica ali ao lado da Catedral está desativada e com o acervo encaixotado há cinco anos e, apesar do virus H1N1 estar ativo por aí, as vacinas, inclusive para os trabalhadores da saúde, só chegarão no final do mês. Viva o masoquismo regional e nacional!

2 comentários:

  1. Sem falar que com essas festas, eles sempre se esquecem dos verdadeiros heróis da construção da cidade, que foram os operários, chamados pejorativamente de candangos, cujas famílias vivem na miséria nos arredores das cidades-satélites...

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  2. Bazzo,
    Como bem lembrou hoje um colunista: Será que vai se cumprir a conhecida (e terrível) profecia de Claude Lévi-Strauss, que aqui estudou nossas doenças, de que “o Brasil vai sair da barbárie para a decadência, sem conhecer a civilização”?

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