"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Somos de uma estirpe que adora fazer teatro...


"Só o artista duvidoso parte da arte; o artista verdadeiro arranca sua matéria de outra parte: de si mesmo..." E.M.Cioran


Tendo em vista o número de assassinatos mensais e a violência que caracteriza este país, atualmente todo mundo gosta de criticar Sergio Buarque de Holanda que afirmou (não sei em que contexto) que somos um povo cordial. Sabe-se lá o que aquele senhor quis dizer com isso, mas acho que somos mesmo e inclusive, muito mais do que cordial, um povo babaca, submisso, subserviente, capacho, complacente (como um hímen) e com uma estrutura psicológica de colonizados. Vejam esses aí da foto. Por maiores que sejam as vilanias e as desgraças que se abatem sobre nós, nossos protestos e nossas manifestações costumam ser assim: uma procissão com velas acesas; todos vestidos de branco implorando por PAZ, queimando incenso e gritando frases do Paulo Coelho; uma centena de bobalhões fantasiados de coelhinhos da play boy ou até de mosquitos da dengue, vestindo camisetas com frases do John Lennon e coisas parecidas. Não faz muito, vi até uns idiotas em posição de yoga em frente ao Congresso Nacional, segundo eles, "captando energias cósmicas" em protesto contra nem sei o quê... No caso específico da empresa que destruiu o Rio doce e que causou um estrago imenso na região, o que vemos, depois de uns dois meses de burocracia, lero-lero, cinismo e putaria são esses babacas aí jogados em uma rua e cobertos de lama dizendo que são o Rio Doce. Ora! Que triste retrato de melancolia! Um fotógrafo vai lá registrar a pantomima, as caminhonetes das TVs  não perdem a oportunidade, os  "focas" dos jornais correm para lá entrevistar um ou outro desses otários e tudo acaba num boteco de esquina, com pastel, samba e caldo de cana (quando não numa Salve Rainha), enquanto os protagonistas do desastre estão lá em suas ilhas bebericando vinhos italianos, ouvindo Beethoven, comendo camarões no palito, lubrificando suas AR15, acendendo charutos cubanos e montando os alibis com seus advogados... Não é ridícula e decadente essa pantomima?

Enquanto isso:






4 comentários:

  1. É só protesto simbólico, por isso larguei grupos e afiliações políticas aos 16 anos.
    Como dizem nas ruas "lero-lero é mato"

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  2. Agradeço a esse blog que me fez raciocinar o quanto esse negócio de "protesto artístico ou criativo" é indireto, sem força e ridículo.

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  3. Vir para a internet, clicar neste Blog que nunca sai dos meus "favoritos" e, no momento, ler este texto de 18 de fev de 2016 que diz tudo sobre como também sinto a melancolia, é DEMAIS!!!
    ... aí veio a antiga bela letra do Nando Reis em "All Star" azul: "estranho seria se eu não me apaixonasse por você"!

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  4. Ótimo!!! Por que falta tanto a revolta nesse povo?

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