"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Cervantes também foi preso por corrupção...


Don Quixote lendo
(Pintura de H. Daumier)

Hoje (terça-feira de carnaval) encontrei por casualidade o mendigo K. em frente a um prédio abandonado do setor hoteleiro norte, prédio em ruínas e pronto para desabar que há uns dois meses foi invadido por seus companheiros de luta, uma  mendigada esfarrapada e delirante (quase uma centena de homens, mulheres e crianças que lembram os da Idade Média) que esmolam e trepam por aí e que nas horas de folga ou quando a noite cai se albergam nesses escombros para repousar e acender seus cachimbos improvisados entupidos com pedras de cocaína. Inclusive, foi essa mendigada que antes de ontem, em plena folia carnavalesca, (vi nos jornais), tomou a iniciativa de incorporar-se num dos blocos tradicionais da cidade quando este passava pelo local e, o mais curioso, deu tudo certo. Ninguém discriminou ninguém, as cuícas seguiram gemendo, as fantasias se confundiram e as fumaças também...  E a policia, louca para "cumprir seu papel", quase por milagre, conseguiu manter-se à distância, sem sacar os cassetetes e nem as armas... 
Veio ao meu encontro descalço, com uma bolsa branca do UNICEF atravessada no peito e com esta novidade: 
- Sabias que Cervantes, o autor do tão badalado Don Quixote de la Mancha era um funcionariozinho público e que foi preso por corrupção? 
Inicialmente achei que estava me gozando, que tivesse fumado demais ou coisa parecida, mas quando ele retirou de baixo da camisa um livro cujo titulo era: Dom quixote, o cavaleiro da triste figura, publicado pela Scipione, com tradução e adaptação de José Angeli, passei a levar o assunto a sério.  Como percebeu minha surpresa, antes de partir ironizou:
- Portanto, chega que escandalizar-se com a atualidade.., o mal vem de longe!

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