"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Indulto de Natal... (não confundir com insulto!)

[O pior dos males numa prisão, é não poder fechar, você mesmo sua porta...]
Stendhal em (Le rouge e le noir)

Não sei se hoje ou amanhã mais de mil detentos só aqui no DF desfrutarão do que se conhece por indulto de natal. Não é por acaso que a palavra se parece com insulto. Uma espécie de "clemência" ou "micro perdão" que o Estado e o judiciário conferem a seus condenados. Em outras palavras, o direito de livrar-se do inferno das penitenciárias por uns dias e ir comer um peru ou um panetone com a família, a amante, os antigos comparsas ou mesmo sozinho à sombra de um viaduto.... 
Não é novidade para ninguém que nesses estados fajutos aqui dos trópicos, desde que nascem, as pessoas, sem distinção, vão sendo sutil e covardemente empurradas pelo estado, pela burocracia e por seus lacaios para a delinquência e para marginalidade e que depois, quando estes "representantes da lei" bem entendem ou quando melhor lhes convém os caçam, os acusam, os condenam, os acorrentam e os empurram para atrás das grades.
Não é por acaso que em 2016, quem quiser ganhar dinheiro por aqui, o melhor negócio - segundo especialistas - não é investir na bolsa e nem em poupança, mas sim em penitenciárias ou em hospícios... 

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