"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Onde tem um banheiro por aqui moço???

"Existem muitas coisas que eu, de uma vez por todas, não quero saber. A sabedoria fixa limites, inclusive ao conhecimento..."
F. Nietzsche


Quem esteve na Esplanada dos ministérios ontem à tarde, na hora da manifestação das mulheres negras pôde assistir indignado a uma cena insólita: três daquelas senhoras na portaria de um ministério implorando a um guardinha de bosta para usar o banheiro e ele, valendo-se do cassetete e do micro-poder que a república lhe concede sendo irredutível.

A questão da ausência de banheiros públicos aqui na capital do país é um assunto crônico que vem sendo "discutido" e "planejado" desde quando Brasília ainda nem havia sido inaugurada (há uns cinquenta e tantos anos) e nenhum dos gatunos que passou por este vilarejo travestido de cidade teve bagos para resolvê-lo. Quem estiver na rua e precisar dar uma mijada ou algo mais sério (e não estiver usando fraldas) está perdido. Sei que inconscientemente essa sociedade hipócrita gostaria de negar e de esquecer dessas vis necessidades, (cagar e mijar) uma vez que elas abalam nossa vaidade e nossos delírios de grandeza e de transcendência, mas, convenhamos, já é hora de abandonar o pueril Princípio do prazer e ingressar no Princípio da realidade... 
E depois, quem já leu Milan Kundera deve lembrar-se da parte onde ele afirma que: "a merda é um problema teológico mais penoso que o mal. Deus dá a liberdade ao homem e podemos até admitir que ele não seja o responsável pelos crimes da humanidade, mas a responsabilidade pela merda cabe inteiramente àquele que criou o homem, somente a ele..."

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