"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Povera e infelici gente...

Nesta quinta-feira acordei quase Zen! 
Os periquitos e um casal de João-de-barro sarreando em minha varanda enquanto meu Lhasa olhava o mundo sereno como uma esfinge e meu coração batia no ritmo certo.
Até que..., de repente... uma furadeira acionada no andar de baixo estremece o prédio inteiro e a peãozada da frente ligou suas makitas... um pouco mais tarde o telefone toca: é a moça de um grande jornal me comunicando insistentemente que "fui sorteado" com uma assinatura de jornal, que havia um prêmio após a assinatura e etc, etc. Como já caí nesse golpe fui curto e grosso.
Meia hora depois, com a furadeira ainda a todo vapor, foi a moça de uma agência de telefones celulares que me chamou para propor um novo plano, um plano que seria - segundo ela -  uma maravilha, que mudaria minha vida e que através do qual eu "economizaria" uma pequena fortuna mensal... Outra farsa! Novamente fui curto e grosso.
Em seguida a moça de uma instituição "filantrópica" entrou na linha e me prometia o paraíso se eu colaborasse com uns 80 dólares para as crianças fodidas do Brasil. Outra farsa.
Um pouco mais tarde alguém de um banco me fez uma ligação "achando que eu era outro": Marketing vagabundo de larápios!
Depois recebi um e-mail da Biblioteca Central da Unb lembrando-me que fiz um empréstimo e que devia devolver com urgência dois livros, um cujo titulo é Saúde e espaço/estudos metodológicos e o outro Saúde e doença/ um olhar antropológico. Chequei as datas e enfrentei o sol infernal e a secura de deserto desta manhã para fazer a tal devolução só que a biblioteca, em greve, estava fechada.
Voltando para casa, uma empresa de nome esquisito tocou meu interfone para lembrar-me que a "vela" de meu filtro já deveria ter sido trocada há quase um século e que se eu não o fizesse de imediato poderia ter uma morte súbita, uma febre tifóide ou, pelo menos uma leucemia. 
Isto, sem falar da psicóloga/sexóloga que ontem, lá pela meia noite, no programa de um Stand Up deu aulas, técnicas e lições de como fazer uma introdução anal.
De decente e bom mesmo, só o livro de Paganini que está chegando da Livraria Sant'agostino (Roma) e este texto maldito de Hume que me foi enviado pela Claudia, texto onde o filósofo cético tenta explicar o sentido, as origens e as idiotices do "criador" deste pobre mundo: 
{Apenas o primeiro e rude ensaio de alguma deidade infantil, que depois o abandonou, envergonhada de seu mau desempenho; apenas o trabalho de alguma deidade inferior, dependente; e objeto de escárnio de seus superiores; o produto da velhice e da senilidade de alguma deidade aposentada; e que, depois da morte desta, continuou suas aventuras a partir do primeiro impulso e da força ativa que dela recebera...}

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Caro Ezio, segue link para download do livro Hume David - Dialogos Sobre La Religion Natural
    http://ebiblioteca.org/?/ver/57572
    Abçs

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