quarta-feira, 15 de abril de 2015

O BOM SELVAGEM de Rousseau protestando diante do LEVIATAM de Hobbes...



 













Acabo de voltar do Congresso Nacional onde indígenas de várias etnias protestaram durante toda a manhã contra os rumos da política indigenista nacional. O que chamou-me atenção de cara foi a invocação a Deus em muitas das faixas e a lona que cobria o local dos protestos (o picadeiro) levar as cores da bandeira gay. Claro que pode ser pura coincidência, observações perversas de minha mente, mas está tudo ainda lá para quem quiser ver. Nas falas e nos discursos não falavam propriamente em Deus, mas em Tupã, expressão que não ouvia há quase um século. 

Todas as suas reivindicações (as mesmas de há décadas) são antropológica & socialmente corretas e necessárias (preservação das florestas e dos rios, demarcação das terras e etc)...
Muitos, ao invés dos antigos dentes de onças levavam crucifixos dependurados ao pescoço e os trejeitos clássicos dos missionários e dos padres...  

Dos cachimbos o cheiro não era nem de maconha e nem de hashish, mas de alecrim... Cada um deles que fotografava me remetia a Rousseau e daí para Hobbes... O bom selvagem ou o homem como o lobo do homem?

Em frente ao Palácio do Planalto em meio a pajelanças e a rituais quase infantis se posicionaram a menos de dois metros do cordão de policiais e apontavam suas flechas para o alto como se fossem lançá-las ao coração do nada...

Nesse mesmo momento localizei uma mocinha terna, ainda púbere, uma lolita tropical encostada numa árvore com o rosto pintado de pantera e que, feliz da vida, cantarolava "manhã de carnaval". Não a fotografei por puro medo de ser considerado pedófilo.






















































2 comentários:

  1. Tanta coisa poderiam ter nos ensinado...Tanto da sabedoria indígena brasileira se perdeu...É um milagre que ainda se reúnam e relembrem antigos hábitos... É um milagre que ainda estejam vivos... É uma pena que ainda não saibamos conviver nem respeitar o diferente.... Lindas fotos, Ezio! Bom registro! Abçs

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  2. MÔNICA PRADO TORRES17 de abril de 2015 11:33

    Lindas fotos e boas lembranças... É impossível não se perceber uma breve semelhança nos contornos físicos, afinal sou bisneta de uma índia que se casou com um holandês tempos depois da invasão em Pernambuco. Esse fato gerou uma imensa revolta em seus descendentes que ficaram fisicamente diferentes dos outros irmãos que eram filhos do holandês com uma mulher branca. Essa é a origem de todos os preconceitos do meu genitor que por ignorância rejeita as próprias origens. Apesar de todas as diferenças que temos sou obrigada a afirmar que ele sempre foi, fisicamente, um homem muito bonito, e muito parecido com alguns dos exemplares das fotos... É o Brasil da miscigenação, e toda essa mistura é o que mais me encanta no nosso povo: negros, pardos, brancos, amarelos, mulatos... Todos iguais e ao mesmo tempo diferentes dentro de nossas nuances que devem ser respeitas...

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