"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quinta-feira, 19 de março de 2015

O Miró do Duque...

Hoje, 19 de março, enquanto caía uma quase tempestade sobre a cidade, confinado no meio do trânsito, ouvia pela rádio da Câmara  os 400 e tantos "achacadores" - adjetivo que lhes cunhou o ex-ministro da educação -  interpelando um senhor acusado de corrupção e conhecido por Duque. Com um toco de lápis ia anotando, entre as centenas de surrealismos, os que mais me impressionavam.
Segundo a fala dos "achacadores", o Sr duque usou 1 milhão das propinas do Petrolão só para cuidar da saúde (da própria, lógico); tinha um Miró no porão de casa, uma vida de nababo e etc etc..
Tinha um Miró no porão de casa? E daí? Um Miró! Ora, mas o que é um Miró? Sem nenhuma demagogia, não trocaria o frango com quiabo que está fervendo em minha cozinha por praticamente nenhuma de suas obras, estejam elas no Museu de NY, no de Paris, no do Japão ou nas garagens de nossos gatunos conterrâneos. Sei que para as máfias que administram o mercado das artes não há dinheiro que pague uma peça desse famoso catalão. Aliás, apesar de meu conhecimento sobre arte ser igual ou inferior ao de meu cachorro o conheci pessoalmente quando vivi em Barcelona. Ele com mais de 80, eu com menos de 30. Quando me convidavam para ir novamente a uma Exposição do Miró eu desconversava e preferia ir comer uma paella com as putas do Barrio Chino....
E o milhão que o tal Duque gastou com a saúde? O que teria feito em seu pobre e gorducho corpo? Trocado os bagos? Retirado uma unha encravada? Feito um transplante? ou trocado o cérebro? Sim, sem gozação, conheço um poeta que trocou o cérebro inteiro pelo de um jumento... e, para que vejam como nossa medicina está avançada, deu tudo certo...
A maneira e a pressa como lidam com o tempo naquela casa também é algo fora do comum e que me da ansiedade. Apenas um ou dois minutos para cada "achacador" falar sobre seu projeto, seus sonhos, suas emendas, a transposição do Rio São Francisco etc., é uma indignidade.
Mas o que mais me impressionou mesmo, foi a dificuldade de praticamente todos harmonizarem em suas falas o singular com o plural. O que aconteceu, afinal, com o pobre do S nesta Pátria Educadora?

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