"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Stronzofobia...

Hoje, novamente antes da chuva, uma senhora, com cara de bruxa medieval, encrencou comigo por eu não recolher os 6 cm de stronzo que meu pobre cachorro depositou em êxtase sobre a grama.
Ouvi-a com atenção repetindo que isso é "falta de higiene", "falta de cidadania", "falta de consciência política" e por fim "falta de vergonha na cara", já que o stronzo dos cachorros contamina o solo, as águas e etc.
Tentei em vão convencê-la que por ali havia mais merda de mendigos do que outra coisa e que aqueles 6 cm de matéria fecal de meu Lhasa são parte importante para a construção dos iglus que os  João de barro constroem magistralmente entre as forquilhas das aroeiras... mas ela permaneceu irredutível. Relatei-lhe, inclusive, que quando os João de barro me veem saindo de casa com meu cachorro começam a fazer festa e a expressar a maior alegria atras de nossos passos... Ela não se convenceu, baixou a cabeça resmungando e mudou de rumo, possivelmente mais decepcionada ainda com o presente e com o porvir da humanidade... Troquei um olhar de cumplicidade com o responsável por toda aquela encrenca e voltamos para casa para continuar a leitura de Cervantes...

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