"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

domingo, 26 de janeiro de 2014

O bandido que sabia citar Umberto Eco...

Chantageado durante toda a semana um empresário candango foi orientado pelo estelionatário a deixar o dinheiro da extorsão dentro do túmulo de um dos cemitérios do Distrito Federal... Que tal? Nem nos filmes do Hitchcock! Imaginei-o dando as ordens através de um telefone público: ao entrar no cemitério X, dê 36 passos a esquerda, dobre a direita e caminhe vinte metros. Ali verás, ao lado da sombra de uma dessas árvores sinistras do cerrado, uma tumba antiga que pertence a um velho maçom da cidade, cujo nome está resumido pelas iniciais A.G.J., falecido em 1963. Na parte posterior desse túmulo,  por debaixo dos ramos de um gerânio, dois tijolos estão soltos. Retire-os e deixe os pacotes com os seis mil reais, nem um centavo a menos, bem sobre o crânio do defunto. Finja fazer uma oração por exatos quatro minutos e retorne para fora do cemitério pelo mesmo caminho. Lembre-se que durante todo esse tempo, estarás sob a mira telescópica de um fuzil de última geração...
Dizem que quando o empresário, orientado pela polícia, começou a soluçar, a querer negociar e a implorar por piedade, a voz do bandido, no outro lado da linha foi categórica ao citar um pequeno texto plagiado de uma obra do Umberto Eco: "O que é mais nocivo do que qualquer vício? Agir piedosamente com os fracassados e com os fracos - o cristianismo. 

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