"Meus textos são como o pão do Egito, a noite passa sobre eles e já não podes mais comê-los" (Rumi)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Melancholly...

600 homicídios só nestes 11 meses de 2013 aqui no território do Distrito Federal. Vou repetir: seiscentos! Claro que ninguém dá bola para isso, mas imaginem como seria estética e moralmente transcendente se esses 600 cadáveres estivessem empilhados ou amontoados lá na Praça dos Três Poderes ou apodrecendo ali em frente à Catedral... Que lhes parece? Imaginem uma vintena de urubus pousados sobre os cristais de Mariane Peretti e outra dezena afiando o bico lá nos andaimes do mastro da bandeira... E esse número, prestem atenção, não inclui os que são assassinados nos municípios goianos fronteiriços, pois se incluísse, jogaria as estatísticas lá para as nuvens. Claro que ninguém está nem aí, nem os humanistas, nem os cardecistas, nem os iluministas... Quem é que estaria disposto a perder uma noite de sono pelo cadáver de um anônimo crivado de balas? E depois, apesar das mais variadas demagogias e dos mais cretinos disfarces, todo mundo, no fundo, pensa como Stálin para quem uma morte era uma desgraça, mas milhares de mortes apenas um dado estatístico...
E a neurose do natal já foi detonada. Todo mundo já está com pressa, até os mendigos e aqueles que não têm absolutamente nada para fazer... Como o cão que aguarda as sobras e os ossos, os comerciantes esperam pelo tal Décimo Terceiro do bando. Perus, bacalhaus, espumantes, panetones quase de plástico, uma calcinha branca para a "passagem" de ano, as promessas e as idiotices de sempre...  O Papai Noel já desponta lá na esquina e vem com seu saco repleto de porcarias. Adote uma criatura para você! Diz a moça da rádio FM. Faça uma criança ou um velhinho feliz! Diz o malandro do semáforo. E os promotores começam a selecionar aqueles bandidos que têm direito ao indulto e à clemência de natal. Apesar do teatro, a espécie estrebucha. Por todos os lados, vestígios da famosa melancholly...

Um comentário:

  1. O engraçado é que está cheio de imbecis por aí se preocupando com a cor dos cadáveres, mas que convenientemente não se importam com a cor dos assassinos.

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